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Review: Notebook Positivo Premium N8660

Com esse novo portátil, a Positivo traz diversas novidades, inclusive na direção de criar um produto com a cara da fabricante.

Por mais que a concorrência torça o nariz e faça caretas, não há como negar que a Positivo Informática é uma força no nosso mercado (embora com percalços recentes) e que construiu sua clientela — e sua reputação — no setor público e de varejo, investindo sempre na criatividade e na agilidade nos lançamentos de novos produtos aliados com um precinho camarada para o consumidor final.

Sob esse ponto de vista, é interessante notar que para fazer frente à concorrência, já faz um bom tempo que o pessoal de Curitiba também investe em design, num esforço de estabelecer uma identidade visual própria mais com  a cara do brasileiro.

Para isso eles fizeram diversas pesquisas com consumidores, visitando famílias para que a turma de desenvolvimento de produto entendesse seus anseios e necessidades em relação à tecnologia. Daí nasceu, por exemplo o desktop “Faces” onde o usuário pode customizar a frente do seu gabinete e já vem com alça de transporte embutido, ou o notebook Premium Select, cuja tampa da tela pode ser trocada.

Assim, chegamos ao novo Positivo Premium, equipado com os novos processadores Intel Core “Sandy Bridge” de segunda geração e que sucede o Premium Essential N9000, modelo com carreira breve por conta do bug do chipset série 6. Essa nova linha de produtos é formada por nove modelos, sendo que recebemos para teste o N8660, um dos mais avançados da turma, equipado com tela de 14 polegadas, processador Core i5 2410M , 8 GB de SDRAM DDR3 e disco SSD de 180 GB (uia!).

Medindo aproximadamente 34,5 x 3,2 x 24,8 cm (LxAxP fechado) e com 2,3 kg de peso (ou 2,6 kg com o carregador), o N8660 não pode ser considerado um modelo thin and lightmas fica dentro do que podemos esperar de um notebook moderno para uso geral.

A nova linha Premium oferece três opções de processadores Intel, desde o singelo Pentium T4500 (dual core de 2,3 GHz), passando pelo Core i3 2310M (dual core de  2,1 GHz) e terminando com o Core i5 2410M (dual core de  2,3 ~ 2,9 GHz). As demais diferenças ficam por conta da quantidade de memória RAM, disco e sistema operacional.

Pelo visto, o pessoal de Curitiba ouviu nossa choradeira e retirou o “Essential”  do nome dessa linha de produtos, que agora só se chama Positivo Premium. Neste resumo podemos ver as principais características do modelo, como os 8 GB de RAM, disco SSD de 180 GB, interface Bluetooth 3.0, Wi-Fi 802.11n, HDMI 1.4 e Windows Home Premium de 64 bits.

A Positivo diz que suas pesquisas identificaram que o consumidor gosta de gabinetes com cores e grafismos elegantes, mas nem sempre leva sua máquina para passear na rua (=segurança). Daí nasceu o conceito que eu chamo de “notebook stealth” (ou furtivo) que, como o aviãozinho americano, incorpora recursos que escapam do “radar” por usar cores escuras. Nesse caso, a Positivo escolheu o black “não olha feio que eu risco” Piano. É efetivo? Sim, mas se era para ser mais discreto, um tom fosco seria mais adequado.

A grande sacada nesse caso é que a monotonia do desenho externo é quebrada pela adoção de um elegante grafismo na área do teclado em tom fosco e que não segura marcas de dedos (yay!) .

O touchpad se integra visualmente ao resto do gabinete e é delimitado por uma área mais afundada da área de descanso das mãos, logo abaixo do teclado. Note que esse dispositivo aceita alguns comandos multitoque como pan, scroll e zoom in e zoom out.

Fora isso, a novidade mais intrigante desses novos modelos é o desenho do seu teclado, onde as teclas alfabéticas têm o centro levemente afundado (convexo) e as as outras (como Esc, F1, Shift, Alt, Enter etc.) são levemente estufadas (côncavas). Esse efeito é bastante sutil e de um certo modo foge do teclado clichê chiclete que todo mundo adota nos dias de hoje.

Eu particularmente não gosto de teclados com teclas coladas uma na outra desse jeito (trauma de um netbook da CCE), mas preciso reconhecer que esse teclado até que é bastante confortável, já que essas teclas côncavas são mais ergonômicas que o maior curso das teclas, somadas ao seu maior tamanho proporcionam um datilografar mais macio e com menos erros. Ele ainda não se compara ao teclado do Thinkpad, mas fica próximo.

Outra novidade desse modelo são suas teclas multimídia, iluminadas por meio de uma matriz de pontos. Esses controles são sensíveis ao toque, com exceção do botão de liga/desliga.

Sua tela LCD de 14″, com retroiluminação LED de 1.366 x 768 pixels, tem a mesma resolução encontrada em mini-notes com telas de 13,3 ou mesmo de 12,1 polegadas, como o eeePC 1201 ou o Dell Inspiron Duo. É algo dentro do padrão de mercado, mas haverá situações em que o usuário poderá sentir a falta de mais algumas linhas na horizontal, principalmente se você gosta da parte de cima do seu browser cheia de abas, ferramentas, botões de atalhos e outros penduricalhos.

Acima da tela temos a webcam de 1,3 megapixel e o microfone integrado à esquerda.

No lado direito podemos ver as portas de som, o slot para cartão SD/SDHC/SDXC/MS/MS Pro, o conector e-SATA/USB 2.o combo, a unidade de disco óptico e o slot para trava de segurança padrão Kensingston.

Interessante notar que a posição de cada porta está claramente indicada na parte de cima do teclado.

O que inclui a posição do botão de ejetar o CD/DVD da leitora, que está perfeitamente alinhada com seu ícone. Assim, para abrir, basta colocar o dedo na altura do ícone e pressionar a lateral.

Do outro lado podemos ver a entrada para o adaptador de rede elétrica, porta de rede Gigabit Ethernet, SVGA, HDMI 1.4 e mais duas USB 2.0. Note a ausência de qualquer porta USB 3.0 (reconhecíveis pela sua cor azul).

Na parte da frente, a única coisa que existe é um LED azul que indica que o note está ligado ou carregando sua bateria. Curiosamente, esse note não dispõe de outras luzes de estado como Caps Lock (substituído por um indicador gráfico via software) ou de acesso ao HD (cujo funcionamento fica por conta da sua imaginação).

A sua base é dominada por duas grandes tampas que dão fácil acesso ao interior do portátil de fato.

E basta remover três parafusos para removê-las, o que facilita a vida na hora de fazer qualquer upgrade na máquina.

Mas, antes disso, é preciso remover a bateria do portátil, um módulo de seis células de íos de lítio de 4.400mAh. Segundo a fabricante, sua autonomia estimada é de aproximadamente 5 horas de duração.

Sua fonte de 19 volts / 3,42 A é do tipo bivolt e sua tomada é do tipo bipolar: seu plug de tomada é de dois pinos e compatível com a maioria das tomadas que ainda usamos no Brasil, ao contrário do famigerado tridente do capeta (brrrr…)

Mas voltando ao que interessa, os principais componentes (que nos interessa) do N8660 são facilmente acessíveis depois de removermos a tampa inferior, como podemos ver na imagem abaixo.

Incluindo o seu processador Core i5 2410M, um chip dual core de 2,3~2,9 GHz, 3 MB de cache e HT (totalizando quatro threads) cuja pastilha de silício é um pouco menor que o Core i7 2630QM, um quadcore de 2,0~2,9 GHz, 6 MB de cache e HT (= oito threads!) que vimos no Premium Essential 9000.

A boa notícia é que, como esse chip vem soquetado na placa-mãe, o dono da máquina pode até considerar um upgrade no futuro, se encontrar um chip compatível no mercado, é claro.

O N8660 vem equipado com dois slots para pentes de memória DDR3. Aqui, já veio com 2 pentes de 4 GB DDR3 1.333 MHz, o que é bem mais que os 2~4 GB que normalmente no modelos disponíveis no mercado.

Já o cartão de rede Wi-Fi é um PCI-mini de meia altura com chipset Realtek RTL8188CE:

Como já vimos em outros portáteis, essa placa-mãe também possui espaço para uma GPU mais memória dedicada para vídeo. Aqui, isso não significa muita coisa já que esse recurso só pode ser implementado durante o processo de fabricação e soldagem dos componentes e não por meio de um upgrade de hardware.

Num espaço menor localizado à esquerda do compartimento principal fica a unidade de disco rígido de 2,5″ padrão SATA 300.

Ocupado nesse caso por um drive SSD OCZ Agility 2:

É um modelo OCZSSD2-2AGTE180G de 180 GB, que segundo o fabricante, utiliza memórias Flash do tipo Multi-Level Cell (MLC) NAND com MTBF (tempo médio entre falhas) de 2 milhões de horas. Equipado com uma interface SATA 300, o SSD tem velocidade de leitura máxima de até 285 MB/s de leitura e 275 MB/s de gravação. Seu consumo estimado é de 2 watts funcionando e 0,5 watts parado (idle). Fora isso, ele tem suporte para TRIM via sistema operacional.

Interessante notar que um dos parafusos que prende a tampa do compartimento principal também segura o leitor de disco óptico com porta SATA.

No nosso caso, um gravador de DVD GT40N da H-L (Hitachi-LG) Data Storage.

Sob testes:

Como é padrão aqui no lab, formatei o sistema e reinstalei nossa cópia do Windows 7 Ultimate 64 bits para tirar proveito dos seus 8 GB de RAM.

O desempenho do N8660 foi muito bom para um portátil. Sua pontuação mais alta foi nos testes de memória RAM (7,5 pontos) e (obviamente) disco rígido (7,7 pontos) e mesmo nos testes em que ele foi pior, como Desktop performance for Windows Aero (5,9 pontos), isso não pode ser considerado um mau resultado. Se comparado com o N9000, a diferença mais notável foi no desempenho do processador já que o seu quadcore com HT bateu 7,4 pontos, bem acima dos 6,9 do N8660.

Nos testes com o HDxPRT da Intel, o Positivo N8660 bateu apenas 168 pontos nos testes de criação de conteúdo e atingiu a pontuação máxima em reprodução de conteúdo HD. Novamente um número notável para um portátil, em especial no seu desempenho de vídeo em HD.

Em outros testes, o Positivo bateu 215 pontos no Sysmark 2007 Preview

… e 10.287 pontos no PCMark Vantage:

Já no 3DMark Vantage o sistema bateu 7.911 pontos no modo Entry…

1.609 pontos no modo Performance:

No AutoGK 2.45, o sistema levou apenas 53m45s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo) feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 2h30m51s utilizando um thread e 2h02m52s com quatro threads.

O mesmo teste com o novo Cinebench 11.5:

E o Super-Pi do David Lopes (finalmente liberado do castigo!):

 

Nos testes de desempenho feitos com o Battery (comedor de farinha) Eater, o notebook da Positivo funcionou a plena carga por 1h02m11s, um resultado dentro do esperado para um equipamento do seu porte que (acredito eu) irá passar mais tempo ligado na tomada do que na bateria.

Nossas conclusões:

O que esses números mostram é que o desempenho do N6800, mesmo equipado com um disco SSD, ficou um pouco abaixo do Positivo N9000 em virtude de estarmos comparando um Core i7 quadcore com um Core i5 dual-core. De qualquer modo isso não é nada que o desqualifique como um computador para uso geral tanto para casa quanto escritório, capaz de realizar com folga qualquer tarefa que envolva processamento intensivo e por um preço um pouco mais em conta que o modelo com Core i7.

Com relação à sua apresentação achamos bastante louvável a iniciativa da Positivo de criar uma linha de produtos com visual próprio o que é, de um certo modo, uma maneira de trazer mais valor à marca. Isso é algo que ajuda a resistir à concorrência, além de manter a fidelidade dos clientes cada vez mais sofisticados e exigentes. E sob o ponto de vista da plataforma, o N8660 tem muito para oferecer para o usuário.

No geral, mais gostamos (do que desgostamos) do desenho do N8660. Isso porque achamos esse portátil bom de usar, mas alguns detalhes do seu design — como o uso do (frágil) black piano na parte de fora – vai contra a idéia de criar um produto discreto por fora e elegante por dentro. Como dissemos acima, neste caso um preto fosco seria uma opção mais adequada.

Com relação ao uso do disco SSD, é inegável que esse periférico melhora em muito o desempenho do portátil, apesar de que 180 GB é uma quantidade bastante modesta se levarmos em consideração que qualquer note de entrada barato sai hoje com pelo menos 320 GB de disco rígido convencional.

Dito isso, nossa avaliação é que o N8660 é um produto mais voltado para produtividade do que para armazenar conteúdo. Assim, ele pode não ser a melhor opção para aqueles que pretendem utilizá-lo como o centro do seu mundo digital, a não ser que conte com algum sistema de armazenamento externo, seja um desktop capaz de compartilhar seu disco pela rede ou um HD externo com porta USB.

Resumo: Positivo Premium 8660

O que é isso? Notebook de uso geral voltado para produtividade.
O que é legal?
 Plataforma moderna, ótimo desempenho em processamento de dados e vídeo em HD.
O que é imoral? Sua tela LCD poderia ter maior resolução, não dispõe de recursos modernos como porta USB 3.0 ou SATA 600. 
O que mais?
 Disco SSD com “apenas” 180 GB pode ser pouco para alguns usuários.
Avaliação: 
7,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação. 
Preço estimado:
 R$ 2.900 
Onde encontrar:
 www.positivo.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Adrianodl

    Mas R$2.900,00 !!! Assim não dá, parece até comercial do 1406, falam bem pra caramba do produto, mas enrolam pra falar o preço por uma razao….

    • henriquem

      pensa que só esse SSD deve custar uns R$ 500…

  • IMHO, poderiam tirar o SSD e colocar uma GPU dedicada…

    Putz, essa placa de video da intel acabou com o bom andamento dos testes!
    Enquanto se pedia processamento, ele andava bem. Foi só pedir GPU que o caldo entornou.

    Ah, obrigado, mais uma vez pelo super-pi!
    <font size="2">(mas esqueceste de fazer o teste padrão de 1M). Foi só um lembrete ^.^</font>

    • Não é uma máquina gamer. Para o dia-a-dia, essa Intel HD 3000 dá conta do recado: roda o Windows 7 liso e com todos os efeitos ligados e ainda trabalha com vídeos em alta definição sem engasgos. Sem contar que, com a ausência de uma VGA discreta, o conjunto ganha em autonomia.

      []'s!

  • Fabio

    Engraçado…se a configuração é modesta e o preço é baixo, o produto e a marca são vagabundos…

    Melhora-se a configuração, e por consequencia aumenta o preço, "ah, é muito caro"…

    Vai entender né?? :p

  • André

    Depois da noticia de alguns dias atrás sobre o Asus UX21, não dá muita graça ver um notebook normal, mesmo sendo "top".

    Sugestão para a parte imoral do resumo, deste e de qualquer outro notebook: infinitos adesivos que deixam a parte do teclado feia. Eu já sei o que eu comprei e o que ele tem, não preciso ser lembrado toda vez que eu abro ele. Isso deveria aparecer somente em modelo de exibição em lojas. Esse daqui beira o assustador http://ztop.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Asu

    • mnagano

      Bom, eu acho interessante a estratégia das etiquetas já que elas ajudam a tirar as dúvidas do consumidor sem ter que depender da boa (ou excesso de) vontade do vendedor da loja.

      Além do mais, nada impede que o consumidor remova essas etiquetas depois da compra. Isso não anula a garantia.

      • christ_fc

        Concordo com você, as etiquetas deixam ele com um ar melhor

        Positivo está melhorando nos últimos tempos, ainda vem gente falar que ela é ruim só porque é brasileira, fez um serviço bem feito e as vezes é bom assumir que merece o mérito

  • André

    Sim Nagano, por isso eu apontei que elas devem aparecer em modelos de exibição em lojas. Lá eles fazem todo sentido.

    Quanto a retirar, não tive boa experiencia com isso: consegui retirar – mas não foi somente puxar pra sair facilmente -e ficou uma diferença de cor entre os lugares que estavam os adesivos e o note, talvez pela cor do note (um Asus daqueles modelos cinzas) – não sei como ficaria no black piano ou matte.

    Pra fazer um contraponto meio extremo – imagina um Macbook Air/ Samsung Series 9/ UX21 aberto com etiquetas ao lado de similar sem. Não tenho a menor dúvida que, mesmo sendo exatamente o mesmo produto e podendo retirar depois, a maioria das pessoas iria preferir os sem etiquetas. Visual limpo faz diferença, o high end já percebeu isso.

  • Augusto

    bonitinho mas ordinário….rs

  • Hugo Leonardo

    Caríssimo!!! Feio e gordo!!! Não vale a pena.

  • Simpletech

    3000 compro um MacBook Pro, e ponto final!

    • Alexandre S.

      Concordo!

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