Review: Notebook Lenovo G475 com AMD Fusion

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Se computadores fossem veículos, o novo Lenovo G475 é comparável a um carrinho de frota. Mas, apesar do seu acabamento simples, ele adota uma plataforma moderna e herdou diversas características de seus irmãos maiores, em especial o conforto de uso.

Para atender ao público interessado em ter um portátil simples e prático para uso geral e por um preço acessível, além do IdeaPad a Lenovo mantém uma família de produtos batizada de Essential (ou Série G) cujos modelos mais novos (G470G460 anunciados no final de junho) podem vir até equipados até com os chips Intel Core de Ix de segunda geração (Sandy Bridge).

Entretanto, o que nos chamou a atenção foi um novo modelo de entrada — o Lenovo G475 — que adota a nova plataforma Fusion da AMD e que recebemos para testes aqui na Zumocaverna.

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O modelo analisado (P/N 20080) veio equipado com uma APU AMD E-350 dual core de 1,6 GHz com aceleradora Radeon HD 6310 integrada, tela LCD de 14″ com iluminação a LED, 2 GB de memória SDRAM DDR3 (expansível até 8 GB), 320 GB de disco rígido SATA de 2,5″,  gravador de DVD 8x, som HD, Wi-Fi 802.11n, porta de rede Fast Ethernet, quatro portas USB 2.0, touchpad, webcam de 0,3 megapixel e microfone embutido.

O sistema já vem com Windows 7 Starter pré-instalado. O gabinete mede aproximadamente 34,2 x 3,3 x 24,9 cm (LxAxP – fechado) e 2,6 kg com uma bateria de seis células e autonomia estimada em 4,5 horas segundo o fabricante.

Interessante notar que a configuração acima é a chamada “versão básica” com preço sugerido de R$ 1.199, mas por R$ 100 a mais (ou R$ 1.299), o usuário pode adquirir (obviamente, enquanto durarem os estoques) uma versão “premium” com 4 GB de RAM, 500 GB de HD, Bluetooth 2.1 e Windows Home Premium de 64 bits.

Talvez o que mais (ou neste caso menos) chame a atenção nesse modelo é a simplicidade do seu desenho. Nada de gabinete ultrafino, acabamento metálico, cores berrantes, luzinhas coloridas ou controles exóticos. Tudo na linha G parece ter sido pensado para ser essencial, prático e funcional e, parafraseando Henry Ford sobre o seu modelo T: o cliente pode ter o G475 da cor que quiser, contanto que seja preto.

Como é comum entre os modelos voltados para o consumidor final, a tela LCD de 14″ do G475 tem acabamento brilhante de alto contraste, mais indicado para aplicações de mídia. Sua resolução de 1.366 x 768 pixels permite reproduzir vídeos em HD 720p na sua resolução nativa.

Sua webcam de 0,3 MP fica localizada acima da tela e que pode ser usada em conjunto com o sistema Veriface da Lenovo, que faz a autenticação do usuário por meio de identificação da face.

Como dissemos acima, o G475 vem certificado com o selo Vision que — segundo a métrica da empresa — recomenda o uso desse equipamento para ver fotografias, assistir a vídeos online e escutar músicas. Editar imagens e vídeos… até dá mas existem plataformas melhores para isso.

Apesar do seu acabamento ser todo em plástico preto, o visual do G475 não é de todo sem graça.

… a solução encontrada pela Lenovo para oferecer um um mínimo de estética para esse produto foi de aplicar uma textura formada por linhas em relevo sobre a tampa superior, o que proporciona um acabamento ao mesmo tempo fosco e menos sujeito a segurar marcas de dedos (yay!).

Esse mesmo efeito é aplicado na área de descanso das mãos logo abaixo do teclado.

Na sua lateral direita, podemos observar os contornos suaves e a frente na forma de cunha (à esquerda), o que torna a sua pegada mais firme e confortável na hora do seu transporte.

A partir do canto esquerdo, podemos ver as portas de som…

… o seu gravador de DVD 8x…

… uma porta USB 2.0 e a entrada de força para sua pequena fonte de alimentação de 20V/2A que adiciona 265 gramas ao conjunto. Curiosamente, esse conector não segue o mesmo padrão da linha ThinkPad (conector cinza de 20 V), o que permite até hoje que fontes usadas em modelos de anos atrás ainda possam ser usados nos portáteis mais novos.

Do lado direito temos à partir da esquerda …

… o slot para trava de segurança padrão Kensington, a saída de ar do cooler da APU…

… a porta de vídeo padrão SVGA e a de rede Fast Ethernet (10/100 mbps) e mais três portas USB 2.0. Note o formato curioso do conector USB mais ao centro, que acreditamos que possa ser usado para outro tipo de aplicação/interface, mas nem o manual do usuário dá pistas do que poderia ser (eSata talvez?)

Ztop in a Box

Nesse momento alguém pode estar se perguntando — “cadê a porta HDMI?” — e a resposta é:  “O G475 não tem!” (WTF! $#@%^$*&!!!!!).

Eu até agora estou coçando a cabeça arrancando os cabelos de raiva pra tentar entender como é que um equipamento que a própria Lenovo descreve como um notebook com “ótimo desempenho de vídeo” e “focada em entretenimento” (embaixo) não oferece esse recurso que — até agora — já vimos até em ” target=”_blank”>modelos mais simples equipados com APUs até mais modestas, como a AMD C-50.

(Mais sobre isso adiante)

Na frente do portátil podemos temos…

… a chave liga-desliga da interface Wi-Fi,

… e na parte central os LED indicadores de estado. Eu particularmente prefiro esses indicadores em uma posição mais visível (como na parte de dentro entre o teclado e a tela LCD), mas como já aprendi com alguns modelos da Dell, antes isso do que nada.

No canto direito temos o slot para cartão de memória padrão SD/MMC. Eu chamo a atenção para essa tampinha que cobre esse slot que, ao contrário de outras soluções que já vimos em outros modelos, não fica no lugar por meio de uma trava de mola e sim por pressão. Até ai nada demais se não fosse pela dificuldade que tive para remover essa pecinha já que seu “puxador” é tão pequeno que não tem unha que consiga agarrar aquilo…

A não ser que você tenha um alicate tipo turquesa ou uma ponta de faca.

Nossa sugestão: Melhor deixar o slot aberto e usar a tampinha somente quando for realmente necessário.

Para mim, um dos grandes atrativos dos portáteis da Lenovo sempre foi o seu teclado, cuja maciez e o conforto de uso são lendários e não existe equivalente no mercado. Repito: ele é tão macio e gostoso que o fabricante nem chama ele de teclado “chiclete” e sim “chocolate”. O que acompanha o G475 não é exceção:

De fato, as teclas do G475 — com a mesma tecnologia usada nos ThinkPads — não é exatamente quadrada e plana e sim levemente curva e côncava. Isso melhora em muito a sua ergonomia, já que elas se encaixam melhor com as pontas dos dedos, garantindo assim um melhor contato e consequentemente uma digitação mais ágil e precisa.

E para alegria dos usuários mais conservadores, o seu layout de teclado segue a tradição do mercado priorizando as teclas F1~F12 (yay!), além de ainda dispor de outras funções como Scroll Lock, Pause e SysReq. Todas as funções secundárias estão marcadas em laranja, uma das cores oficiais da Lenovo desde a série 3000.

No canto esquerdo do teclado temos o botão de liga/desliga e ao seu lado o botão que ativa o recurso de One Key Rescue – que (quando instalado e ativado no SO) permite recuperar o sistema operacional e o seu último backup de dados de algum desastre com apenas um comando. Mais à direita estão os LEDs indicadores de Caps Lock e Num Lock.

Já no canto inferior esquerdo fica o microfone embutido:

O touchpad segue a mesma estratégia da série G: simples, prático e relativamente espaçoso (área útil — 8,3 x 4,5 cm). Nada de multitoques ou coisas do tipo.

A base do G475 temos acesso ao compartimento da bateria e um grande painel removível que ocupa mais da metade da área do equipamento.

Sua bateria de íons de lítio é um modelo de seis células (P/N L10N6Y02) de 10,8 volts x 48 Wh. Segundo a Lenovo, as baterias são produzidas pela Sony e o módulo é montado na China (duh!)

Ao remover a tampa inferior temos realmente acesso a todos os seus componentes internos, o que facilita em muito o upgrade de alguns componentes como memória e disco.

No canto inferior esquerdo temos o cartão Wi-Fi 802.11 b/g/n de meia altura com chipset Atheros HB95 (AR9285) fabricado pela LiteOn.

O modelo G475 vem equipado com dois slots para pentes de memória SODIMM DDR3…

… sendo que  o modelo analisado veio equipado com um módulo de 2 GB DDR3 de 1.333 MHz da Smart, restando um slot livre para futuros upgrades (até 8 GB).

Na parte central da placa-mãe fica o compartimento do disco rigido, montado em uma moldura metálica firmemente parafusada em uma peça de plástico.

Ao remover o disco, podemos ver que se trata de um disco convencional SATA 300 de 2,5″ da marca Samsung, modelo HM321HI/SRN de 320 GB, 5.400 rpm e 8 MB de buffer.

No canto direito da placa-mãe fica o conjunto do processador/cooler que impressiona pela sua simplicidade e sinal de que esse componente não deve esquentar muito. Curioso notar que essa solução atende apenas ao processador e não ao seu chipset Hudson M1, que não está muito a vista.

Logo abaixo desse bloco metálico parafusado na placa está o processador AMD E-350Zacate” soldado diretamente sobre a placa-mãe e preso firmemente ao dissipador de calor para garantir a eficiência máxima na troca de calor.

Uma curiosidade dessa placa-mãe é que existe um espaço para o que parece estar reservada para uma GPU externa + dois chips de memória RAM. Quem sabe não haverá no futuro um G475 com vídeo discreto?

Ah sim, e só mais uma coisa: bem ao lado do conector de vídeo SVGA e a porta USB existe um espaço para soldar um conector de 19 pinos chamado JHDMI1. Coincidência ou não, um conector HDMI padrão tem 19 pinos o que me leva a crer que se a Lenovo quisesse, ela poderia ter equipado o G475 com essa saída de vídeo (dang.)

Finalmente, ao remover o parafuso abaixo …

… libera a unidade de disco óptico.

… no nosso caso, trata-se de um modelo DS-8A5SH22C fabricado pela Philips LiteOn (PN/45N7502).

Sob testes:

Como o modelo analisado veio de fábrica com o Windows 7 Starter de 32 bits pré-instalado, como é procedimento normal aqui na Zumocaverna,  formatamos a máquina e reinstalamos o Windows 7 Ultimate com SP1 antes de começar nossos testes.

Como podemos ver, no Índice de Experiência do Windows 7 o desempenho em gráficos é bem superior ao de um netbook de linha com um Atom N550 Pinevew dual core de 1,5 GHz (que fica entre 3,0 e 3,2 pontos). Entretanto, o que nos chama a atenção é seu pior desempenho é em x86 (cálculos por segundo) de 3,8 pontos, desempenho 22% melhor que o mesmo Atom N550 (3,1 pontos).

Isso também fica mais claro nos testes de HDxPRT, onde o sistema da Lenovo bateu 43 pontos no HD Score e três estrelas no Play HD Experience, contra 32 pontos e duas estrelas respectivamente medidos no Asus eee PC Seashell 1015PEM.

Já no Sysmark 2007 Preview, o sistema bateu 57 pontos, desempenho modesto para um PC de linha (que costuma ficar em torno de 100 pontos) mas é praticamente o mesmo score obtido pelo Sony Vaio Y (56 pontos) e pela placa-mãe MSI E350IA-E45 (57 pontos).

Já no PC Mark Vantage, o computador obteve 2.372 pontos . No AutoGK 2.45 o sistema levou 2h55m42s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo)  feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 7h00m04s utilizando um thread5h25m33s  utilizando dois threads. Novamente resultados praticamente idênticos ao Vaio Y, mas nada que impressione um usuário de PC mainstream ou topo de linha.

Segue abaixo os resultados do Cinebench 11.5

… e do Super Pi que ainda não é pro David Lopes (ele continua de castigo):

Como essa APU oferece suporte para DX10/DX11, deu para rodar o 3D Mark Vantage no Modo Entry

… e no Modo Performance:

E pela primeira vez publicamos os resultados com o novo 3DMark 11 no Modo Entry

… e no Modo Performance:

Também rodamos o Unigine Heaven Benchmark 2.1:

Nos testes de reprodução de vídeo, notamos que a aceleradora gráfica funciona perfeitamente nos formatos padrões de mercado como AVI, MOV ou mesmo WMV, que são reconhecidos e acelerados pelo seu hardware. Já em formato mais anárquicos como o MKV, isso pode não acontecer e ai a carga de trabalho cai todo sobre os seus dois núcleos x86, derrubando seu desempenho para o mesmo nível dos Atom, em especial em vídeos full HD.

Finalmente, nos testes com o polêmico Battery (comedor de farinha) Eater, onde suas seis células de energia foram devoradas em 2h16m06s, resultado bem melhor  que o eee PC 1201T (1h44m01s) nas mesmas condições ou a 1h40m28s obtidos pelo eee PC 1015PEM com sua bateria de três células.

Nossas conclusões:

Na época em que testamos o Sony Vaio Y já achávamos a proposta do produto muito legal, mas o que ouvíamos do mercado é que o grande boom do Fusion no Brasil só teria início quando e as primeiras plataformas mais simples e convencionais (entenda-se nada de USB 3.0, SATA 600, rede Gigabit etc.) e o mais importante — mais em conta — chegassem ao varejo. De um certo modo, o Lenovo G475 cai como uma luva nessa profecia.

Com um preço sugerido de R$ 1.200 (e que tende a cair com o passar do tempo), o G475 oferece — na sua essência — o mesmo desempenho do Vaio Y. Obviamente, no quesito portabilidade o G475 perde devido ao seu maior tamanho e peso. Em contrapartida, o note da Lenovo oferece uma tela maior e um teclado delicioso, o que conta pontos no quesito conforto de uso. Fora isso o G475 já vem com um gravador de DVD embutido, item que não é oferecido no Vaio Y nem como acessório opcional.

Para mim, o público alvo do G475 é o mesmo dos netbooks: aqueles usuários que utilizam o computador essencialmente para trocar mensagens, preencher documentos, navegar na rede e se relacionar nas redes sociais. Com o suporte para DX11, a plataforma Fusion permite que o usuário explore o que a AMD já chama de HD Internet ou os novos recursos visuais do Internet Explorer 9.

Entretanto, eu acho que a Lenovo perdeu a oportunidade de ter um produto perfeito quando decidiu retirar a porta HDMI do G475. Como pudemos ver acima, sua placa-mãe está até preparada para receber o recurso, de modo que a decisão pode ter sido mais econômica do que estratégica.  Digo isso porque a minha suspeita é que a Lenovo possa enxergar a plaforma AMD Fusion apenas como uma opção mais em conta para o mercado de entrada (e bater de frente com o pessoal de Curitiba). Talvez por causa disso ela possa acreditar que de um dos maiores públicos alvo do G475 — a tão falada emergente classe C — não tenha TV LCD/Plasma em casa.

Pelo meu ponto de vista, um G475 com HDMI poderia atrair um público ainda mais amplo — incluindo entusiastas de PC — que andam muito interessados num sistema com Fusion e que também adoram uma pechincha de vez em quando.

Dito isso, nossa conclusão é que — apesar dessa ausência — o Lenovo G475 não deixa de ser uma opção muito interessante tanto para o usuário final quanto para alguns profissionais como advogados, despachantes, vendedores de campo etc. O segmento de governo/licitações públicas também poderia tirar proveito de uma plataforma com Fusion, já que ela é uma interessante ferramenta de acesso e consumo de conteúdo digital/multimídia por um preço bastante atrativo — e nesse caso, quem sabe o que o futuro nos reserva? Um notebook educacional?

E para aqueles que torcem o nariz para um equipamento desse porte com um desempenho tão modesto, vale a pena citar o exemplo do Positivo Unique 60, um curioso notebook com tela de 14″ equipado com processador Atom D425 single core de 1,8 GHz que — segundo alguns comentários postados na nossa notícia — aqueles que compraram um até que estão satisfeitos com sua aquisição.

Isso mostra que de fato existe uma demanda por um note de desempenho modesto e acessível. E se o pessoal de Curitiba consegue vender, por que o pessoal da Lenovo não conseguiria?

Resumo: Lenovo G475

O que é isso? Notebook de entrada para uso geral.
O que é legal? Tela e teclado bastante confortáveis. Bem servido de recursos. Bom desempenho em gráficos e vídeo.
O que é imoral? Não vem com porta HDMI, desempenho um pouco acima de um netbook com Atom dual-core (mais ainda abaixo de um Pentium ou Core ix).
O que mais? Interessante alternativa para um netbook com Atom dual-core, em especial para aqueles dispostos a abrir mão de portabilidade em favor de conforto de uso.
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.199
Onde encontrar: www.lenovo.com.br

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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