Review: Notebook Dell Adamo

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Para mim, o mercado de notebooks não difere muito do de camisas. Todos os fabricantes oferecem mais ou menos os mesmos produtos que servem mais ou menos para as mesmas coisas. A diferença fica por conta do preço, de um corte bonito ou mesmo de elementos mais emocionais do que racionais, como um jacarezinho verde. Posso dizer o mesmo dito do novo Dell Adamo, um portátil que deseja conquistar o usuário pelo seu lado emocional, obviamente sem deixar o racional de lado.

Medindo apenas 33,1 x 1,6 x 24,2 cm (LxAxP fechado) e 1,8 kg de peso, o Dell Adamo é um representante legítimo dos modelos “Thin and Light” — uma categoria de produto mais voltada para aqueles que priorizam a leveza e facilidade de transporte sem abrir mão do conforto de uso. Essa fórmula encontrou seu ponto de equilíbrio com a chegada das telas LCD de 13 polegadas já adotadas por soluções consagradas como o Macbook Air da Apple e o ThinkPad X310 da Lenovo.

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Mas o que realmente chama a atenção desse portátil é a espessura do seu gabinete que chega a apenas 1 centímetro! Posso até dizer que os 0,6 cm que faltam vêm da tela, mas isso não é exatamente verdade, já que o Adamo possui um ressalto na parte de trás, que serve tanto para limitar a inclinação da tela quanto para acomodar as portas de entrada de saída do portátil.

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Isso pode explicar a quase inexistência de interfaces nas laterais do notebook. No lado direito estão apenas a saída de som para o fone de ouvido e o slot para o cartão SIM.

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Do lado esquerdo, nenhuma interface ou controle. Note a leve formação de ectoplasma no interior do portátil, o que reforça minha suspeita de que a tecnologia usada nesse portátil pode ser  coisa do outro mundo (calma pessoal, brincadeirinha…)

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Para se ter uma melhor idéia das dimensões do Adamo, coloquei sobre ele meu ThinkPad X60s (“s” de ” slim”, diga-se de passagem).

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O modelo analisado pelo Zumo é o chamado “Pearl”, com acabamento em prata e detalhes em branco na parte de cima. Também existe o modelo Onix, com acabamento em preto.

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O interessante é notar que, apesar de seus tons monocromáticos, tanto a parte de cima quanto de baixo são decoradas com motivos geométricos que possuem até algum relevo, o que ajuda a melhorar na sua pegada.

Sua tela LCD é do tipo wide com retroiluminação a LED de 1.366 x 768 pixels coberta por uma película escura de acabamento brilhante e alto constraste. Sua interface é bastante enriquecida com temas próprios e ferramentas exclusivas da Dell, como o Dell Dock, que vi pela primeira vez na linha Dell Studio. A versão analisada por este Zumo veio com 4 GB de RAM e Windows Vista Home Premium de 64 bits.

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Quando vi o teclado do Adamo pela primeira vez, eu me recordei da má experiência que tive com o Winbook 10 da CCE. Apesar de as teclas do portátil da Dell ficarem quase que coladas uma nas outras (como num mosaico de pastilhas) suas generosas dimensões impedem que o usuário consiga pressionar mais de uma tecla ao mesmo tempo. De fato, depois de se acostumar com o teclado, o seu uso até que é bastante confortável. Outra boa notícia é que seu layout segue o padrão brasileiro ABNT 2.

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Apesar disso, esse teclado possui um problema que considero relevante: Note que a identificação das teclas é de um tom de cinza levemente mais escuro. Isso faz com que – dependendo da maneira modo como a luz ambiente incide no teclado – a cor das letras se confunde com o cinza das teclas, o que pode tornar a entrada de dados um verdadeiro exercício de advinhação.

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Dependendo do caso, esse problema pode até ser contornado com o uso do iluminador de teclado. Apesar desse recurso oferecer duas opções de intensidade a luz emitida não é forte o suficiente para compensar, por exemplo, a luz natural vinda da janela. Espero que esse problema não seja tão sério na versão Onix.

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Outra novidade que possa passar despercebida é o touchpad com tecnologia da Synaptics que, além do scroll na vertical e horizontal, também aceita alguns comandos feitos com dois dedos como o zoom-in e zoom-out (ei, isso é multitoque!):

(link para o vídeo)

Por dentro do Adamo

Ao contrário da concorrência, a parte de baixo do Adamo é bastante limpa, sem nenhuma tampa, parafuso aparente ou mesmo indicação clara de como ter acesso ao seu interior, o que deixa claro a mensagem de que o usuário não tem nada para ver ou mexer por aqui.

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Pensei em usar uma ferramenta especial que ganhei da Dell num evento de servidores, mas depois de algum tempo — e meio que por acaso — descobri um jeito de remover sua base (sem destruí-la) para dar nossa tradicional olhadinha no seu interior que, por sinal, é uma interessante façanha de engenharia:

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Protegida por uma rígida carcaça de alumínio — que dá ao Adamo uma notável sensação de solidez — podemos ver que a placa-mãe fica localizada na parte de cima do portátil e alguns circuitos auxiliares na parte inferior conectados por diversos flat-cables. Acredito que o retângulo preto na parte central é a parte inferior do teclado, onde também podemos ver uma etiqueta de papel com o nome e número de série da Quanta. Produção terceirizada? (wink! wink!).

Para economizar espaço, as memórias do Adamo são soldadas diretamente na placa-mãe, o que limita a sua capacidade de upgrade de RAM. O modelo analisado já veio com 4 GB de SDRAM DDR3 de 800 MHz.

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Aparentemente o único motor presente no Adamo fica na sua pequena ventoinha que força a circulação do ar no interior no portátil. Acredito que seu processador Core 2 Duo U9800 ULV (ultra baixa voltagem) de 1,4 GHz fique por perto e provavelmente escondido do outro lado da placa-mãe.

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Na sua face oposta, podemos ver o disco SSD de 128 GB com porta SATA da Samsung. Ele parece muito com a placa de circuito do disco SSD X-25 da Intel sem sua carcaça. Outra medida para economizar espaço?

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Na parte central podemos ver o circuito do touchpad fornecido pela Synaptics.

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Finalmente, no canto esquerdo ficam os slots PCI Mini para os cartões de comunicação sem fio. A partir da esquerda: cartão Wi-Fi Intel 5300 AGN com MIMO (três antenas), espaço livre para o cartão 3G ou WiMax e o cartão com um módulo bluetooth BCM92046 da Broadcom.

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Alguns podem ter notado a ausência de um espaço para a bateria. De fato esse é um dos componentes mais interessantes desse projeto, já que a bateria está fixada na tampa inferior e se conecta à placa-mãe por meio de um flat cable:

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Segundo as especificações impressas na tampa, trata-se de uma bateria de íons de lítio modelo N572J de 11,1 volts e 40 Wh com autonomia estimada de 5 horas.

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Como já vimos em um post anterior, o Adamo vem embalado numa elaborada caixa de acrílico junto com uma caixinha de acessórios onde ficam o carregador da bateria, adaptador DisplayPort para DVI, paninho de limpeza e um pequeno manual de instruções e um mini guia de instalação rápida.

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Sob Testes


Nos testes realizados, o Adamo bateu 3.078 pontos no PCMark 2005, e 2.246 pontos no PCMark Vantage, 694 pontos no 3DMark 2006 e no AutoGK 2.45 o portátil da Dell levou aproximadamente 1h57m29s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo) feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 4h48m05s utilizando um thread e 2h38m31s com dois Threads. O índice de Experiência do Windows ficou em 3,2 pontos por causa de seu desempenho de vídeo .

Nos testes de autonomia com o Battery-(comedor de farinha)-Eater o sistema funcionou em média — a plena carga, com o brilho do LCD no máximo e com todos os recursos de economia de energia desativados  — por 02h01m01s, nada mal para um equipamento do seu porte.

Ah sim, o Super Pi do David Lopes:

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Com preços a partir de R$ 8.399, o Adamo não pode ser considerado um produto barato. Se portáteis fossem carros, ele estaria mais para um compacto esportivo do que um sedã de série. O retorno desse produto pode não estar necessariamente na forma de produtividade e sim na satisfação de ter um produto charmoso e exclusivo. Sob esse ponto de vista, o Adamo é uma impressionante peça de desenho e tecnologia mais voltada para a forma e função do que força bruta propriamente dita. Para isso existem as workstations móveis como o Covet, com visual que também chama a atenção.

Mas como qualquer lançamento de primeira geração (projetado a partir do zero), o Adamo ainda deve passar pelo teste das ruas e melhorar em alguns detalhes, em especial no problema de contraste do seu teclado na cor prata com letras cinzas que não funciona bem em todos os casos. Outro item que senti falta é a ausência do LED do HD já que, sem ele, não se sabe se o sistema parou de responder por estar fazendo um looongo acesso no disco rígido ou simplesmente travou. Outros podem até questionar a falta da unidade de disco óptico, mas como os usuários de netbooks já devem ter notado — a não ser que você viva de ler e gravar CDs/DVDs — pode se viver bem sem esse periférico nas atividades do dia a dia.

De qualquer modo, o Adamo é uma interessante adição na linha de produtos da Dell, mas que ainda precisa de alguns pequenos ajustes.

Resumo: Dell Adamo
O que é isso? Notebook com LCD de 13,3″ voltado para mobilidade.
O que é legal? Belíssimo design, tecnologia atual, construção sólida e uso bastante confortável.
O que é imoral? Dependendo da iluminação do ambiente seu teclado pode apresentar problemas de leitura (por acaso já disse que senti falta do LED do HD?)
O que mais? Também disponível na cor preta (Onyx).
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: A partir de R$ 8.399 + frete (versão analisada R$ 11.299).
Onde encontrar: www.dell.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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