Review: Nokia N97 e E75

R

N97 e E75

Passar dois meses com dois smartphones leva a pensar o que mais compensa: o touchscreen objeto de desejo ou um simples-porém-completo aparelho mais básico. Em comum, o Nokia N97 e o E75 têm o teclado QWERTY e… só. Mesmo o sistema operacional Symbian se mostra aprendendo a lidar com o novo (caso do N97) e mostra seu máximo de funcionalidades no E75.

Se alguns meses atrás eu disse que o Nokia 5800 era o N95 aprimorado, agora dá para dizer que o N97 traz apenas algumas melhorias em relação ao primeiro aparelho com tela sensível da Nokia. E repito: não é para comparar com iPhone. O E75, por outro lado, dá para dizer que é o N95 com teclado (posto também já ocupado pelo E71).

E na escolha hoje entre N97 e E75, fico com o E75. Motivos a seguir.

Nokia E75

E75 e seu bom teclado QWERTY

O E75 é a versão com teclado slider do E71, talvez o melhor smartphone da Nokia feito até hoje. Tem uma tela de 2,4” e abaixo dela, o teclado numérico. Deslize esse conjunto e surge o QWERTY completo, fácil de usar e com a barra de espaços no lugar certo (no N97 você entenderá o motivo). A câmera de 3,2 megapixels é boa suficiente para fotos na web (amostras aqui) e bem melhor que a do 5800. Tem um LED para atuar como flash, dispensável.

O mais interessante do E75 (e dos Nokia em geral) é a capacidade de se conectar a qualquer operadora do mundo sem nenhum problema. Usei o E75 na cobertura do lançamento do MotoBlur e dos novos iPods em San Francisco sem precisar quebrar a cabeça para configurar a rede da AT&T, assim como em São Paulo fui de Tim sem erro.

Tente fazer isso em um aparelho com Windows Mobile pré-configurado, por exemplo, para a Claro e tente se conectar à rede da Tim – é quase impossível. O E75 consegue fazer uma transição imperceptível entre redes 3G, Edge e Wi-Fi. Mesmo com o perfil corporativo do E75, ele tem na câmera um botão (na tela) imprescindível nos celulares: o de upload de imagens. E se conecta à rede que estiver disponível, sem nenhum problema, alternando bem entre Wi-Fi e 3G.

Na parte de produtividade, o E75 é oficialmente o primeiro aparelho a vir com o software Nokia Messaging, um aplicativo de push-mail gratuito. Não sou o maior fã desse aplicativo (no 5800 e no N97 ele costuma travar bastante), mas é uma ótima alternativa a planos Blackberry pagos que fazem a mesma coisa: baixar e-mails. Tanto para SMS quanto para e-mails, a presença do teclado QWERTY faz toda a diferença.

O navegador do E75 é o mesmo do N95 e dos Nokia em geral. E, diferente do 5800, lida muito bem também com essa questão da troca de conexão. Ponto pro E75. Multimídia? Sim, o E75 toca música na saída de fones 3,5 mm, e isso é ótimo para um aparelho da linha corporativa. Vem com um cartão microSD de 4 GB (em um slot com uma tampa dura de sair).

Design e outros bichos: o design do E75 é simples e básico e, apesar de parecer frescura, é gostoso de segurar. O acabamento em prata (no modelo preto que testei) pode ser chamativo demais para alguns. O teclado numérico do aparelho tem botões para calendário e e-mail. O botão de acesso ao menu principal mudou (agora é uma casinha), e existem atalhos para modo silencioso e ativar/desativar Bluetooth direto do teclado.

Como já ocorria no E71, dá para alternar entre perfis de uso corporativo e doméstico, com duas telas principais. A bateria é satisfatória: nos dias de cobertura intensa em San Francisco, com uploads de imagens para o Flickr e acessando e-mails e internet, mais SMS e poucas ligações, o E75 chegava ao fim do dia ainda com bateria. Mesmo com metade da bateria gasta é aconselhável recarregar para o próximo dia (ou ficar sem à noite, como ocorreu comigo uma noite). Apesar de usar ainda o conector padrão para carregar a bateria, o E75 já permite recargas via porta micro-USB.

Resumo: Nokia E75

O que é isso?
Smartphone com teclado QWERTY
O que é legal? Simples de configurar, boa câmera.
O que é imoral? Bateria poderia durar um pouquinho a mais.
O que mais? Teclado decente, troca de perfis entre corporativo e pessoal.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.399
Onde encontrar: www.nokia.com.br

N97

N97
Nokia N97

O N97 – e acho que já disse isso por aqui – é o celular dos sonhos, mas não de agora. É um celular poderoso em recursos e armazenamento, mas seu sucessor (X6? N98? N900?) vai trazer muito mais, imagino. O N97 é ainda uma evolução do 5800 (respostas mais rápidas na tela touchscreen, por exemplo) e o primeiro grande passo da Nokia na integração dos celulares com redes sociais – coisa que os Androids já têm feito um tanto melhor recentemente.

>>>Mais fotos do N97. E vídeos também.
>>>Conheça o N97 mini.

Não estou dizendo que o N97 é ruim, não é isso. Updates de software são mais que necessários para corrigir pequenos bugs (N97 e 5800 compartilham a trava de tela que, ao ser acionada, nem sempre destrava o monitor). Embora disponível enquanto escrevo este review, a versão 2.0 do firmware do N97 não havia sido liberada via Nokia Software Update no PC ou por OTA (over the air) ainda. Estava com a 11.2.021.

O que é quente no N97? A tela grande de 3,5” (ainda que resistiva, não capacitiva), sua customização com atalhos e serviços online, a ótima câmera de 5 megapixels – foram mais de 500 imagens – , a mesma facilidade de conexão do E75 (e o mesmo botão de upload de imagens). O N97 tem acesso à Nokia Music Store, e cabe bastante coisa nos 32 GB de armazenamento do aparelho (tanta coisa que o contador da câmera nunca mudou o indicador no valor 9.999, independente do número de fotos tiradas). O teclado QWERTY – ou melhor – o acesso a ele é o grande charme do N97, com um clique característico (é sério!), já que a tela fica inclinada sobre as teclas.

O teclado se ilumina para uso, e tem dois probleminhas: a barra de espaços está no canto direito (sim, dá pra se confundir no começo) e, ao lado dela, está a tecla de atalho para caracteres especiais, fácil de esbarrar. Tem um joystick/controlador no lado esquerdo que ajuda a navegar na web/arquivos/aplicativos, mas no geral o teclado do E75 é melhor (e tem a barra de espaços no no lugar certo).

Sobre aplicativos: o N97 tem acesso à Ovi Store na teoria. O modelo que testei veio sem e, apesar de ter uma conta lá e baixar/atualizar o aplicativo, ele não apareceu em nenhum menu do aparelho. A solução foi usar a Ovi Store no navegador (mesmo do E75, 5800 e outros Ns e Eseries mais novos).

O aplicativo do Facebook, que já achava fraquinho no 5800, continua cheio de bugs no N97 – tanto que o removi da tela inicial (perdia conexão, usuário, não mostra contatos, não se entendia onde estava). Dá até a impressão de que o Facebook investiu mais na versão para iPhone e esqueceu de outras plataformas.

Um recurso muito interessante (e que pode vir a ser melhor desenvolvido no futuro) são os contatos do Facebook: todos seus amigos que cadastraram um número de telefone na rede social aparecem na agenda do aplicativo: se o software fosse um pouquinho mais ágil, seria uma solução interessante para manter números de telefone na nuvem sem grandes problemas. O mesmo conceito vale para o Contatos no Ovi, que, apesar de o nome sugerir uma agenda online, é apenas um cliente de mensagens instantâneas para cadastrados no serviço da Nokia. Merece destaque o transmissor FM.

Finalmente, um recurso presente no 5800 e no N97 me fez aposentar de vez o rádio-relógio para acordar de manhã: por conta do acelerômetro, o alarme do N97 pode ser adiado apenas ao virar o aparelho – e me dar mais 10 minutos de sono (e mais 10, e mais 10…). Logo, celular agora mora ao lado do travesseiro. Ah, sim, a bateria: é bem melhor que a do N95 e do 5800 e aguenta até dois dias de uso médio (alguns uploads, checar e-mail, um pouco de música, acesso à web).

Resumo: Nokia N97
O que é isso? Smartphone com teclado QWERTY e tela sensível ao toque
O que é legal? Excelente câmera, integração com redes sociais.
O que é imoral? É um aparelho muito grande.
O que mais? 32 GB de armazenamento, serviço Nokia Comes With Music dá 1 ano de música grátis.
Avaliação: 6,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 2.399
Onde encontrar: www.nokia.com.br

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

Disclaimer: o ZTOP+ZUMO tem links de afiliados com a Amazon e pode ser
remunerado caso você clique em links neste artigo e compre algo.

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos