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Review: Nokia Lumia 920

O Nokia Lumia 920 é um incrível smartphone, caso você esqueça a existência de outros sistemas operacionais do mercado. O hardware é excelente, lembrando os velhos tempos da turma de Espoo, com uma câmera impecável. Já o sistema operacional Windows Phone 8, da Microsoft, ainda deixa muito a desejar, mas a maioria dos problemas (mas não todos) pode ser resolvida por aplicativos de terceiros.

O design do Lumia 920 segue a escola atual da marca, que vai deixar toda a linha de aparelhos, do mais básico ao topo de linha, com o mesmo padrão de desenho industrial: uso de materiais resistentes, cores fortes e marcantes e, no caso dos aparelhos mais caros, construção em uma peça única escavada em policarbonato.

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E é um aparelho grande e pesado: mede 130,3 x 70,8 x 10,7 milímetros e pesa 185 gramas. O peso impressiona mais quando você pega o 920 pela primeira vez, mas no uso diário, não é um problema, como muita gente reclamou por aí.

A tela de 4,5″ também é um grande destaque do Lumia 920, com excelente resolução (768 x 1280), nitidez e brilho, mesmo à luz do sol. A Nokia vende a tela como “supersensível” para uso com luvas (e é algo que realmente funciona), mas para nossa realidade quente, dá para modificar a sensibilidade para modo normal.

Ainda nos detalhes do hardware, a tela do 920 continua com a curvatura nas bordas, um detalhe bonito e interessante. A tela é protegida por vidro Corning Gorilla Glass 2. Estou usando o 920 desde o final de fevereiro e ele já caiu no chão algumas vezes, sem prejuízo (só uma marquinha imperceptível em um dos cantos do aparelho).

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Para dar uma ideia do tamanho, veja o Lumia 920 ao lado da geração anterior (Lumia 800). Agora o Lumia tem uma curvatura traseira também (observação: o Lumia 800 estava desligado desde janeiro, 46 dias no total. Achei que estaria com a bateria totalmente descarregada, mas manteve 92% da carga. Impressionante).

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Outra melhoria no desenho do aparelho em comparação à geração anterior foi o fim das partes móveis para o conector USB. Agora, a única parte móvel é a bandeja do microSIM, que precisa de um clipe de metal para ser removido (e óbvio que a pecinha que vem na caixa é fácil de perder). Na parte de cima do Lumia 920 ainda vemos um microfone extra para redução de ruídos em ligações e o conector para headset padrão 3,5 mm.

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Atrás, apenas a câmera e o flash LED. O acabamento em torno da câmera e nos botões laterais (liga/desliga, controle de volume e disparador da câmera) não é metálico: segundo a Nokia, é uma liga de cerâmica e zircônio que oferece maior durabilidade e resistência a riscos.

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Na parte inferior, os dois únicos parafusos do aparelho, o alto-falante estéreo e o conector microUSB para recarga da bateria e troca de dados com PCs e Macs (graças ao aplicativo Windows Phone, que sincroniza tudo sem problemas). Na tomada, o Lumia 920 carrega a bateria bastante rápido (em teste informal, uns 30 minutos no máximo com 40% de carga).

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Ainda no hardware, a integração com NFC é bem interessante. NFC, por sinal, parece a típica tecnologia que nunca vai pegar, mas depende da aplicação certa. Durante o Mobile World Congress, usei a opção NFC Badge para entrar na feira: bastou baixar um app para Windows Phone 8 (a organização fez um app para Android também). Por conta disso, tinha uma entrada separada no evento, sem precisar pegar filas ou mostrar um documento de identidade para entrar.

No dia a dia, tenho usado o NFC com uma caixa de som compatível (JBL PlayUp) e o Lumia 920 ativa o Bluetooth e começa a tocar músicas assim que escolho o que ouvir. Simples e direto ao ponto, mas ainda é uma tecnologia que precisa se popularizar por aqui.

Além do NFC, um extra interessante é o fato de o Lumia 920 ter um carregador sem fios (padrão Qi) interno. Ao encostar em uma base energizada, ele carrega a bateria automaticamente. Um desses acessórios é o Nokia DT-900, já à venda pelo preço sugerido de R$ 199 nas lojas da Nokia – o modelo abaixo é um DT-901 Fatboy (que não será lançado no Brasil e custa em média US$ 80 na Amazon; nada mais é que a mesma base de recarga sem fios dentro de uma almofadinha colorida).

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E, finalmente, a Nokia colocou headsets um pouquinho melhores (do tipo in-ear) na caixa do Lumia 920. Ainda não são fones como os incríveis do passado (como os que vinham no N8 ou no N900), mas já são uma evolução em relação ao que vinha no Lumia 800.

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Como telefone, para o antigo e quase obsoleto ato de falar com outros seres humanos, o Lumia 920 é excelente, e a qualidade de ligação é excepcional (quando se consegue completar uma ligação na inconstante rede da Vivo em São Paulo). Funciona também com redes 4G, que começam a dar seus primeiros passos no Brasil (mas, de novo, se não tiver um plano 4G – meu caso -, troque para 3G para economizar bateria).

O sistema operacional

O Windows Phone 8 é a grande aposta da Microsoft para tentar conseguir algum espaço no competitivo mercado de smartphones, visto que a era do PC está dando sinais de cansaço. Como disse lá no começo, dá para fazer quase tudo que se faz com iOS ou Android com o uso de aplicativos de terceiros. Aqui segue minha visão de quem usa iOS, Android e Windows Phone em momentos alternados. 

Faltam apps? Não: até itens um tanto específicos já estão disponíveis:

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O básico de um smartphone (e-mail, Facebook, Twitter, Foursquare, WhatsApp, Skype e até mesmo buscas no Google) está coberto pelo Windows Phone 8. O navegador Internet Explorer é um quebra-galhos que… ainda quebra sites (a Nokia embute um navegador Xpress no 920, mas não muda muito a situação, só ajuda a economizar em dados). Meu reino pelo Google Chrome padrão nesse telefone, com sincronia com meus favoritos e alternar janelas com o arrastar do dedo.

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O app do Facebook, desenvolvido pela Microsoft, parou no tempo, é lento e cheio de bugs (a alternativa é usar um dos diversos clientes alternativos disponíveis na loja).
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Os serviços Google (e-mail e calendário, essenciais para meu trabalho) se integram bem. Falta o Google Talk (uso o IM+ como cliente), e a Microsoft tem um problema sério de notificações de erro. Se o e-mail não sincroniza (de novo, problema da rede da operadora), essa mensagem chata pula na tela mais de uma vez no aplicativo – irritante e desnecessário.

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Cinco coisas rápidas que faltam ao Windows Phone 8:

  • melhorar muito as notificações do sistema (nada de alertas luminosos, por exemplo, ou listas drop-down no topo da tela). O sistema todo dá a impressão de que a Microsoft não quer fazer nada que copie ou se inspire nos concorrentes.
  • permitir encerrar processos/aplicativos de forma direta (como ocorre no Android e no iOS já)
  • de nada adianta usar um processador rápido no hardware se o sistema operacional não responde direito (mais sobre isso abaixo)
  • uma opção de grade para organizar o menu de aplicativos; faltam widgets (só existe opção de baixar app para emular widgets básicos, como ligar e desligar o Wi-Fi).
  • Falta Instagram (Nokia, o conceito do #2InstaWithLove é bacana, mas não é o produto final) e um navegador melhorado para Internet. E não entendo porque todos os games ficam escondidos no aplicativo… Jogos (!)

Cinco coisas muito legais do Windows Phone 8:

  • Personalização do sistema é imbatível, incluindo a tela inicial 
  • Compartilhamento de internet por wi-fi (hotspot pessoal) funciona muito bem
  • Pacote Office nativo (tem gente que usa/precisa)
  • Previsão de texto no teclado nativo também é bastante completa e em múltiplos idiomas
  • Software de mapas com navegação offline (mas aí é coisa da Nokia)

A Nokia traz alguns complementos interessantes em aplicativos ao Windows Phone 8, como o Foto Inteligente (tira múltiplas imagens para escolher a melhor)…

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O já citado #2InstaWithLove (que coloca um filtro pra dedicar amor ao Instagram), SophieLens (mais filtros pra câmera), Cinegrafia (cria uma espécie de GIF animado)…

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…e o Here City Lens, que usa realidade aumentada para mostrar pontos de interesse ao seu redor, além do Here Maps (antigo Nokia Mapas). Só senti falta do Nokia Transporte, que não funciona (!) com a resolução de tela do Lumia 920.

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Câmera

A câmera de 8 megapixels do Lumia 920 é o principal fator de compra desse smartphone, pois tira fotos bastante nítidas e claras mesmo em situações de luz ruim.

Agradeça à tecnologia PureView (entenda o que ela é) adaptada para rodar nesse aparelho com resolução máxima de 8,7 megapixels. O que eu não entendo (e aí não sei se é uma questão do Windows Phone 8 ou da tecnologia adotada pela Nokia) é porque a câmera é mais lenta (para começar a funcionar e entre cliques) que a média em um aparelho com WP8 do que com Android.

Exemplo:

No HTC One S, que tem quase o hardware de uma geração anterior (Qualcomm Snapdragon S4 MSM8290 de 1,5 GHz Krait, dual-core, com GPU Adreno 225), câmera de 8 megapixels, mas roda Android 4.0 (em uma demo de mais de um ano atrás):

No Nokia Lumia 920, com Windows Phone 8 (Qualcomm Snapdragon S4 MSM8960 de 1,5 GHz Krait, dual-core, com GPU Adreno 225) e câmera de 8,7 megapixels. O Pureview (e nem o OS) não deveria ser o responsável pela maior lentidão na hora de ativar a câmera e começar a fotografar:

Em vídeo, gostei bastante do resultado do Lumia 920, com uma boa estabilização de imagem. Amostras de vídeos em 1080p:

Nas fotos, a dica principal é segurar o botão por alguns segundos para conseguir uma melhor medição de luz automática antes de clicar.  As imagens, no geral, têm excelente qualidade, embora os recortes de foto a 100% mostrem um pouco de ruído. Para fotos que, no geral, irão parar no Facebook ou no Twitter (no Instagram, só se mandar por email para um aparelho que rode o app por enquanto), a qualidade é excelente. Foco preciso, nitidez impecável.

Galeria de fotos:

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Mais fotos no Facebook em resolução completa.

Benchmarks e conclusão

Nos testes de desempenho padrão, o Lumia 920 traz números altos de resultado. Como é o primeiro Windows Phone 8 que avalio por aqui, não tenho números de comparação.

  • WP Bench (desempenho geral): 229,34 pontos (mais que o dobro do Lumia 800, com processador single-core e WP 7.5)
  • Benchmark Free (desempenho geral): 39,5 pontos (máximo: 40 pontos)
  • PhoneBench (desempenho geral): 938 pontos

Sua bateria tem duração na média de smartphones topo de linha; cerca de 10 horas para atingir a marca de 30% (com navegação na web via 3G, acesso a e-mail e redes sociais e ouvir pelo menos duas horas de música, com pausas).

O Nokia Lumia 920 merece ser comprado pela excelente câmera e pela solidez do hardware da Nokia. O Windows Phone 8 ainda começa a dar sinais de maturidade, mas faltam aplicativos e soluções para deixá-lo melhor integrado ao dono de smartphone de outra plataforma que queira migrar de vez para o sistema da Microsoft.

O WP8 ainda é novo demais e tenho temores de que ele não tenha força suficiente para atrair compradores de forma que Android e iOS fazem (Samsung e Apple que o digam). Se a Nokia fosse, teria um plano B na manga (e ainda sonho com um “Lumia Nexus” com PureView) para tentar salvar (de novo) a empresa.

O preço sugerido (R$ 1.999) está na faixa do padrão de aparelhos topo de linha, e operadoras devem ter ofertas melhores com planos de dados e, quem sabe, alguma oferta de 4G/LTE a médio prazo.

Resumo: Nokia Lumia 920

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Windows Phone 8
O que é legal? Design, câmera incrível, hardware
O que é imoral? Faltam recursos e aplicativos ao Windows Phone 8. E um navegador melhor para a web.
O que mais? NFC, 4G, recarga sem fios e bateria com carga rápida completam o pacote. 
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: a partir de R$ 1.999. Operadoras podem ter melhores preços.
Onde encontrar: Nokia

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin