Review: Nokia Lumia 800

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O Lumia 800, primeiro smartphone com sistema operacional Windows Phone da Nokia, chega finalmente ao mercado brasileiro no final deste mês. Pelo design e pequenos detalhes internos, os fãs da marca podem se dar por satisfeitos: é um Nokia, com cara de Nokia, jeito de Nokia.

Nos últimos 15 dias, o Lumia 800 se alternou entre meu aparelho principal (durante o Mobile World Congress 2012, em Barcelona) e secundário (em São Paulo, para ouvir música, ler coisas online e tirar fotos aleatórias). E com ele eu descobri o grande valor escondido na plataforma móvel da Microsoft: é sobre você. Sim, as fotos na “pastilha” de Contatos lembram bem os amigos – próximos ou não. E isso é bem legal. E o app do Facebook, por mais cheio de bugs, mostra fotos suas (antigas ou não) no topo da janela.

Deixando as emoções de lado, vamos ao que interessa.

Não vou me alongar aqui no hardware do Lumia 800 (veja nosso hands-on): tela de 3,7″ Clear Black, processador Qualcomm single-core de 1,4 GHz, câmera de 8 megapixels com lentes Carl Zeiss, sistema operacional Windows Phone 7.5 “Mango”. Tudo meio parecido, no geral, com os outros Windows Phones já à venda por aqui, como o Samsung Omnia W e o HTC Ultimate (clique nos nomes para ler o review).

O design do Lumia 800 repete o do Nokia N9, com pequenas diferenças no tamanho de tela e na posição dos botões: projeto monolítico, de peça única, bom de segurar na mão – e prático de usar com uma só, em um desenho industrial limpo, discreto e muito bem resolvido. Foge do padrão “sabonete” da maioria dos smarpthones por aí.

Aplicativos

Ao tirar o aparelho da caixa e começar a configurar o Lumia 800, você passa pelo básico processo de conectar sua conta Windows Live Id, sincronizar email, Facebook, Twitter etc. E percebe que tem algo familiar ali, se já teve outros Nokia na vida – como o Nokia Dirigir (tradução péssima para o aplicativo de navegação ponto a ponto)…

E um que transfere contatos de um aparelho para outro. É um começo, afinal.

E tem o Nokia Mapas, que coexiste com o Bing Mapas pré-instalado no dispositivo.

O Nokia Mapas, por sinal, encontra rápido pontos de interesse, em português.

Entrando no Marketplace (loja de apps da Microsoft), mais uma área dedicada para a turma de Espoo: o Nokia Collection com um belo destaque.

O Nokia collection traz o básico dos apps da fabricante, mais alguns novos. Na lista estão o Mapas e o Dirigir (que requer um download de mais de 280 MB de mapas no primeiro uso, então é bom fazer isso em uma conexão Wi-Fi), o Transferir Contatos, o Configuração de Rede (caso use mais de um micro SIM card com o aparelho), o WRC Live (infos sobre ralis)…

… TuneIn Radio (rádios online), App Highlights (destaques de apps e que, pra mim, terá alguma importância no futuro se vier pré-instalado) e um de notícias da CNN. Conhecendo a Nokia, logo mais vários outros de notícias estarão ali.

Vale até repetir algo que disse sobre o Omnia W: apesar de meia dúzia de aplicativos instalados pelo fabricante que o diferenciam do concorrente, não existem firulas ou frescuras de interfaces que atrapalham/confundem em outras plataformas (leia-se Android). Isso é bom: desse modo, temos uma experiência única em toda a plataforma, sem fragmentação (ainda, já que os Windows Phones mais baratos e com configuração mais básica estão a caminho, como o Nokia Lumia 610 e o ZTE Orbit).

Câmera

OK, o Windows Phone é bacana. O hardware da Nokia é bom. A câmera do Lumia 800, por consequência, também é boa. Mmmm, esse é o ponto polêmico do aparelho, e cai na velha regra de que aparelhos celulares (exceção feita a inovações monstruosas como o Nokia 808 Pureview) tiram fotos boas de dia e bem mais ou menos à noite. Flash LED? eu dispenso em qualquer aparelho.

A câmera do Lumia 800 fotografa a 8 megapixels (proporção 4:3) ou 7 megapixels (16:9). Bom checar antes de sair fotografando (e, principalmente, filmando: a opção padrão do aparelho não é gravar vídeo em 720p).

Os resultados, como previsto, são mistos. Para uso geral na web e no Facebook, sem problema. Mas ao ver em 100%, as imagens têm um ruído bastante incômodo. Os exemplos abaixo falam por si (primeiro o original reduzido a 660 pixels de largura, depois um recorte da imagem completa):

Iluminação mediana (luz da janela)

Iluminação excelente:

E à noite, sem flash.

Em vídeo, os resultados são parecidos, como dá para ver nos dois exemplos abaixo (o primeiro em 720p, o segundo em 480p por conta de um problema que comento no final). Criei um álbum no Facebook com mais de 100 fotos tiradas com o Lumia 800 (aproveite e curta a gente por lá).

Os extras

A caixa do Lumia 800 traz algumas novidades para os smartphones da marca. Primeiro, a tomada se conecta a um cabo USB removível, e não mais uma tomada + conector USB fixo como era padrão no passado. A tomada, por sinal, já está no padrão brasileiro (acompanha um cabo USB-microUSB, não mostrado aqui).

O Lumia 800 também vem com uma capa emborrachada na cor do aparelho, que acrescenta poucos milímetros ao smartphone e protege o plástico da carcaça contra quedas e arranhões, e que não engancha no bolso da calça.

A capinha também protege a portinhola que guarda o microSIM card, deixando livre apenas no topo do aparelho o plug para fones de ouvido e a portinhola do conector microUSB para sincronizar dados com o PC e o Mac e também recarregar a bateria.

Completa o pacote um par de fones de ouvidos simples. Uma queda no padrão Nokia, que costumava fornecer fones do tipo in-ear junto dos seus smartphones topo de linha. A alternativa é usar de outras marcas ou comprar um modelo Nokia Monster, mais poderoso e com melhores graves.

Sob testes e outros bichos

Levei o Lumia 800 para ser meu auxiliar na cobertura do Mobile World Congress. Problema número 1: a Nokia não liberou seu uso ainda como modem (dang!). Tudo bem, consegui me virar bem com Wi-Fi nas coletivas e o 3G no telefone quando estava na rua. Tirei mais de 100 fotos e fiz mais de 8 vídeos pessoais durante a viagem, e nem pensei em sincronizar no período – faço quando voltar para casa.

E aí surgiu o problema número 2: precisava tirar aquele conteúdo de lá, mas do nada o Lumia 800 (em um caso inédito, pelo menos entre meus contatos que têm Windows Phone) resolveu não sincronizar com nada. Tentei no PC com Windows 7, disse que não tinha drivers (mesmo com o Zune instalado). Tentei no Windows 8, nada. Tentei com o Windows Phone 7 Connector (o mesmo que usei para transferir músicas e vídeos antes de viajar) no Mac e nada. Oh oh. Tentei ainda com o SkyDrive, da Microsoft, mandar as fotos e vídeos para a nuvem. Nada.

Solução? Enviar tudo por e-mail. Demorou e não foi nada agradável, já que o Windows Phone não permite, ao anexar um arquivo, selecionar várias fotos ao mesmo tempo. Uma por uma. Perdi uma manhã fazendo isso, e ainda esqueci de enviar um vídeo, agora perdido para sempre. As fotos (que estão no Facebook) vieram bem. Meus vídeos foram comprimidos e perderam qualidade (argh!). Formatei o aparelho para as configurações de fábrica logo depois e tudo voltou a sincronizar normalmente – e o aparelho recebeu uma atualização (para a versão 7.10.81) de software via Windows Phone 7 Connector no Mac.

Sob testes, o Lumia 800 difere muito pouco em desempenho dos seus pares da HTC e da Samsung, com resultados piores em alguns casos e melhor em outro.

  • WP Bench (desempenho geral): 90,64 pontos (96,52 pontos no teste de velocidade do Samsung Omnia W  e 96,59 pontos no HTC Ultimate)
  • WP Bench (stress de bateria): 03:20:11 (03:54:12 no Samsung Omnia W e 03:15:52 no HTC Ultimate)
  • PiBench (cálculo de Pi): 10.849 ms (10.587 ms no Samsung Omnia W e 10.496 ms no HTC Ultimate, número menor é melhor)
  • Benchmark Free (desempenho geral): 38,7 pontos (30 pontos no Samsung Omnia W e 34 pontos no HTC Ultimate)

Na prática, o uso do Nokia Lumia 800 em um dia resultou, ao final do período de uso (7 horas com navegação na web via 3G, acesso a e-mail e redes sociais e ouvir pelo menos duas horas de música, com pausas) em 29% de carga de bateria. O número é inferior ao do Omnia W (51%) e do HTC Ultimate (39%). Portanto, ao usar o Lumia 800 antes do update de firmware que promete triplicar a vida da bateria (ainda sem previsão de lançamento no Brasil), é bom andar com o carregador sempre por perto. Como telefone, é um Nokia clássico, com boa qualidade de ligações.

A aposta da Nokia no mundo Windows Phone foi alta.  O Lumia 800, junto com o Lumia 710, são os primeiros resultados da parceria com a Microsoft, e eles me levam a crer que no futuro próximo a Nokia se tornará a principal (mas não única) entre os grandes fabricantes de smartphones a usar Windows Phone – vide a ausência de anúncios novos de Samsung e HTC durante o MWC 2012. Ainda acredito que a Nokia interferiu muito pouco no que é apresentado com o Lumia 800, e mais intervenções serão bem-vindas (cadê o alarme que desliga ao virar a tela? cadê o modem?).

Futuras atualizações devem polir e aprimorar o Lumia 800, e é isso que me leva a indicar sua compra. Fora o lindo design, diferente de tudo hoje no mercado. Usei a versão em preto, mas teria sem problemas o azul ou o vermelho/rosa. É um aparelho fácil de usar, bonito e eficiente, que tem tudo para ser aprimorado em um futuro próximo. E tem apps exclusivos, como o Nokia Dirigir, que é muito bom (apesar de me lembrar que a divisão de mapas é a que dá mais prejuízo para a Nokia…)

O preço sugerido? R$ 1.699 – e aguarde boas promoções com operadoras.

Resumo: Nokia Lumia 800

(update: até 20/06/2012, este produto tinha a recomendação ZTOP Indica. Por conta das mudanças de planejamento da Microsoft para o Windows Phone 8 e a falta de atualização para aparelhos antigos, retiramos o selo em 21/06) 

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Windows Phone
O que é legal?  Design, facilidade de uso, câmera fotográfica (durante o dia).
O que é imoral? câmera fotográfica (à noite), duração da bateria, fones de ouvido.
O que mais?  desempenho na média dos concorrentes, software Nokia Mapas e Dirigir são excelente complemento.
Avaliação:  8 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.699 (desbloqueado)
Onde encontrarNokia

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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