Review: Nokia 5800 XpressMusic

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Não pense que o Nokia 5800 XpressMusic, que chega às lojas oficialmente nesta terça-feira (28) pela operadora Tim, é um iPhone. E também nem pense em comparar o iPhone com o 5800: enquanto o primeiro é um excelente computador de mão que, por acaso, tem a função de telefone, o aparelho da Nokia mostra ser um ótimo telefone que tem ótimas funções secundárias de computador, mais notadamente as multimídia.

Se é para comparar, veja o 5800 como um N95 com seu sistema operacional aprimorado para uma tela sensível ao toque e com mais alguns recursos – com pontos positivos e negativos pelo percurso. Eu comprei esse aparelho no fim de fevereiro e venho usando-o todos os dias (com direito a upgrade de firmware, que deixou seu desempenho bem mais rápido, e, na semana passada, atualização do sistema para o software em português).

Veja as principais conclusões depois do clique.

Tela e texto: O lance da tela “sensível ao toque” faz uma diferença, mas não é o mais importante no 5800. Apesar de ter mais três botões (verde, branco e vermelho) na base da tela de 3,2″ com resolução 640 x 360 (que dá bem para ver vídeos convertidos com o software Nokia Video Converter, rápido e eficiente, ao menos para arquivos AVI), nem todo aplicativo responde direito à questão do toque na tela (grave uma senha no Nokia Browser e tente acessar um formulário, como o do Twitter, nele: é quase impossível – acabo redigitando os dados). Diversos modos de personalizar a tela inicial e uma “media bar” com atalhos para multimídia ajudam bastante (a “media bar” é acessada por um botão no canto superior direito da tela).

A mesma tela, com o brilho no mínimo, para economizar bateria, é bem ruim para uso direto na luz solar – o sensor de iluminação demora a responder, te deixando (literalmente) no escuro por alguns segundos. Mas, como eu já disse, é boa para ver vídeos, e o pequeno suporte que acompanha o produto ajuda nessa tarefa.

O 5800 tem quatro modos de inserir texto: T9 (meu favorito), que prevê a escrita do texto num teclado alfanumérico, um miniQWERTY para uso com a canetinha, um QWERTY completo em tela paisagem para mensagens mais longas e até reconhecimento de escrita, que funciona direito. Prefiro o T9 pela rapidez: teclados muito pequenos na tela tendem a me irritar (vide o do meu iPod touch, que me faz catar milho direto).

Internet: Se navegar na web, mesmo com o Nokia Browser no N95, já era algo razoavelmente satisfatório, com boa renderização de páginas, o 5800 aprimora essa experiência. E o sistema operacional já está bem mais “esperto” para lidar com mudanças de conexão. Se estou em casa e quero subir uma foto para o Flickr, o 5800 se conecta preferencialmente à rede sem fio, em vez de tentar o 3G ou Edge da operadora.

Bateria: É bem melhor que a do N95 e a do iPhone 3G, guardadas as devidas proporções. Com uma média de 2 horas de música ao dia, mais uns quatro acessos a Gmail (java) e uns quatro no Twitter, o 5800 aguenta até o final do expediente e ainda tem bateria para chegar em casa. Essa foi minha experiência de uso, e ela pode variar. Se usar o 5800 como modem 3G (desculpaê, Tim), a bateria atinge metade da carga em 1h30 de conexão.

Câmera: Se no N95 a câmera foi o principal diferencial, no 5800 ela é um mero coadjuvante. Com resolução de apenas 3,2 megapixels (epa, ainda dá um pau nos 2 megapixels daquele telefone com maçã), não é nem será uma câmera comparável à do N95 (e olha que tem lentes Carl Zeiss também).Tem alguns exemplos de imagens no meu Flickr.

De dia, o resultado é bom, com cores nítidas e bem definidas, foco suave e imagens interessantes. À noite, esqueça: o flash LED pode até tentar salvar um pouco, mas o ruído de imagem vai te perseguir. Não compre o aparelho só por causa da câmera.

Música: O 5800 XpressMusic é uma caixinha de música surpreendente. Reproduz bons graves (quando usado o modo de equalizador correto) e, nos fones de ouvido, produz som de qualidade muito boa. E tem alto-falantes estéreo: você pode levar o celular para o banheiro e deixar tocando música enquanto toma uma chuveirada (Zumo não aconselha isso, OK?). E em 8 GB no cartão microSD que vem com o aparelho cabe música pra caramba.

Programas: A transição entre plataformas é um problema para quem precisa de software no celular, e não seria diferente com o Symbian da versão 3 (a do N95) para a 5 (do 5800). Aplicativos série 3 (como o Gmail) funcionam sem problemas, com uma espécie de “joystick” montado na parte inferior da tela para ajudar na navegação. Outros, como o Skyfire, nem completam a instalação (falta ao telefone um botão para clicar em “ok” e concluir a instalação). O que eu tenho usado no 5800, mas ainda acho pouco, é o QIK (com versão nativa), Google Maps (idem), um bacaninha de pintura chamado PaintPad e o ScreenSnap, para captura de telas. Falta um cliente bacana de Twitter, de Facebook e de mais um monte de coisas bacanas – quem sabe a Ovi Store (mais detalhes sobre o tema nesta terça com a minha cobertura do Nokia Developer Summit) resolve a questão.

Design e outras frescuras: Pode parecer bobagem, mas eu gosto bastante do estilo candybar do 5800 pelo simples fato de parecer com qualquer outro Nokia (o N73 me vem à cabeça) e passar despercebido para quem não sabe o que/quem ele é. Não é um telefone para ostentar, e isso é bom para quem mora em São Paulo, certo?

E tem algumas frescurinhas do sistema operacional que eu acho incríveis: primeiro, o alarme pode ser desligado virando o aparelho (isso vale para silenciar ligações histriônicas no meio de uma reunião: vire o 5800 com a tela para baixo e ele continua a tocar em modo silencioso). Aposentei de vez meu rádio-relógio e agora acordo com o 5800 todos os dias. Em vez de ter que abrir os olhos e procurar o botão de soneca, basta virar o telefone para baixo e garantir mais 15 minutos de sono.

Outra é a luz de presença quando você recebe mensagens ou notificações do sistema. Saiu da mesa e recebeu uma ligação? O botão branco fica “pulsando” pra indicar que tem algo ali. É um jeito fácil e simples de mostrar visualmente algo que talvez você não percebesse caso não olhasse para a tela (apagada) do celular em modo de espera.

Na tela, ao tocar no relógio, você abre o aplicativo e já programa seu alarme. Toque no perfil de uso e altere-o (silencioso/normal/reunião etc). E um toque na barra superior mostra a conexão ativa e o horário. Toque na conexão e vá para o novo gerenciador de conectividade, com detalhes sobre as redes em uso/inativas. Ocasionalmente (e acredito ser um bug), o 5800 se mantém conectado mesmo sem o navegador ou o e-mail abertos.

Moral da história: O 5800 não é o melhor celular do mundo (e nem acho que ele exista hoje), mas é um baita tocador de música com boa capacidade de memória, bons recursos multimídia e para acesso à internet e um design simples e eficaz. Sua câmera é fraca, a tela não é fácil de usar como a de um iPhone (e todo mundo, invariavelmente, que me pede para ver o aparelho tenta mexer nele como num iPhone), porém serve para seus propósitos.E, olha, repetindo o chavão de sempre, é um bom telefone para ligar e receber ligações (ei, e com o Fring dá pra fazer VoIP sem medo).

O 5800 não tem suporte a Flash no navegador nem multitoque, e acredito que futuras versões de aparelhos da Nokia venham a resolver a questão da tela, principalmente. O dedo pode ser o principal modo de entrada de texto, e se precisar o teclado ou a caneta stylus estão lá (tem uma palheta também, mas, bem, ela fica trancada na gaveta de casa). Não sei os detalhes ainda (escrevo este review antes da coletiva da Nokia em São Paulo na manhã de terça – mais infos mais tarde, ok?) do serviço Comes With Music, que me parece no mínimo interessante do ponto de vista de “baixar músicas sem parar”. Sobre o Flash: roda videos do YouTube numa boa, num player separado (efeitos do jet lag na hora de escrever…)

E valeu o dinheiro investido no aparelho? Sim. Agora quando volto ao N95 acho até meio esquisito. Acredito que o 5800 tem bons concorrentes, mais notadamente o LG Arena (que me causou uma ótima impressão com sua resposta rápida ao toque, o cubo 3D na tela e o… multitoque!) e o vindouro Samsung Omnia HD, um monstrinho comedor de vídeo que também roda Symbian e tem potencial para ser um bom instrutor de novas lições à Nokia modificando algo já existente para uma coisa melhor.

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Resumo: Nokia 5800 XpressMusic
O que é isso? celular 3G com tela sensível ao toque.
O que é legal? ótimo tocador de música, bom para navegar na internet e baixar e-mails.
O que é imoral? Esqueça a câmera de 3,2 megapixels para uso à noite. Só de dia, e sem flash.
O que mais? O serviço Comes With Music promete complementar a experiência de música no aparelho.
Avaliação: 8 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação. Observação: modifiquei a nota por conta do serviço Comes With Music, que vem integrado ao aparelho no Brasil.
Preço sugerido: R$ 1.799 na Nokia, R$ 399 na Tim com plano de 250 minutos + 3G ilimitado.
Onde encontrar: www.nokia.com.br

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin


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