Review: Nettop Digitron Cape 7 525

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Desktop compacto da PCWare ocupa pouco espaço na mesa de trabalho e pode ser uma opção interessante para uso doméstico ou automação comercial.

Em um mercado como o nosso onde a venda de desktops é ainda é algo relevante — principalmente entre aqueles que estão adquirindo o seu primeiro PC — é curioso como ainda somos pouco receptivos aos “padrões alternativos” de PCs, como os PCs Barebone, sistemas compactos com mini-ITX  e até mesmo os nettops como o Cape 7 525, da Digitron.

Em termos simples, um nettop pode ser descrito como um netbook sem tela, mouse e teclado, o que resulta num computador super compacto, mas que mantém quase que todas as funcionalidades de um desktop de linha, faltando apenas o gravador de CD/DVD – que pode ser usado por meio de um modelo externo com porta USB.


O computador vem equipado com um processador Intel Atom D525 “Pineview” dual core de 1,8 GHz com HT, o que garante um desempenho ligeiramente melhor que um Atom single core. Pela nossa experiência, a vantagem desses chips dual core nem está muito no ganho na capacidade de processamento, e sim no seu multiprocessamento: seus quatro threads fazem com que as aplicações ativas no desktop respondam com mais agilidade aos seus comandos, o que pode passar a impressão de ganho de desempenho.

Já a sua GPU integrada é uma Intel GMA 3150 que roda a 200 MHz, cujo desempenho é um pouco melhor que a boa e velha GMA 950 que fazia par com os Atom N270, de modo que ela atende às necessidades de um usuário básico de desktop (aplicativos de escritório, redes sociais e Internet) porém nada muito além disso.

Medindo aproximadamente de apenas 15,4 x 2,5 x 17,3 cm (LxAxP) o gabinete do Cape 7 é praticamente um tablete com perfil trapezoidal e decorado com um simpático grafismo “risco de giz” na sua parte de cima, o que quebra um pouco a monotonia do desenho, apesar de ser um verdadeiro ímã de marcas de dedos e bastante sensível a riscos.

Sua base possui um curiosa base na forma de um anel de borracha, o que torna esse equipamento bastante estável quando usado como “desktop”.

Para aqueles que acham que esse modo ocupa muito espaço, a boa notícia é que acompanha o produto um suporte vertical…

… o que permite deixar o equipamento de pé ao lado do monitor. Eu particularmente gosto dessa montagem porque como a saída do ventilador do cooler do processador fica para cima, o ar frio entra naturalmente por baixo e sai aquecido por cima como em uma chaminé, o que acredito ser a maneira mais eficiente de controlar a temperatura interna desse computador.

Uma terceira alternativa é o uso de um suporte que permite fixar o Cape 7 na parte de trás de um monitor LCD compatível com o padrão de fixação VESA também conhecido como FDMI (Flat Display Mounting Interface).

O único controle disponível no Cape 7 é seu botão de liga/desliga, cuja luz permanece acesa enquanto o PC estiver ligado. Fora isso ele também conta com uma luz indicadora de uso do HD.

Na parte da frente do gabinete existe um pequeno compartimento com tampa que esconde duas portas USB 2.0.

No lado oposto vemos as outras portas de E/S. A partir da esquerda temos a saída de vídeo SVGA, duas USB 2.0, rede Gigabit Ethernet, entrada de alimentação e as portas de som.

Na face esquerda podemos ver o furo de fixação do suporte vertical e uma grande grade de entrada de ar.

Como era de se esperar, o sistema é alimentado por uma fonte externa bivolt de 19 volts x 3,42 A do mesmo tipo usado em notebooks:

Abrir esse gabinete não é uma tarefa simples  — porém não impossível — de modo que não recomendamos que o usuário tente fazer isso em casa, a não ser que ele já tenha bastante prática em usar algumas ferramentas exóticas, como um cartão de crédito.

A boa notícia é que o Cape 7 utiliza praticamente os mesmos componentes usados em notebooks, o que pode facilitar a sua manutenção ou upgrade de memória ou disco.

No canto inferior direito podemos ver o botão de liga e os dois LED indicadores de estado nas cores azul (Power On) e laranja (acessando o HD).

A placa-mãe em si é fixada numa espécie de estrutura metálica que proporciona grande rigidez ao conjunto. Note embaixo o ponto de fixação do suporte vertical, também em metal.

Cerca de 1/4 do espaço interno do gabinete é ocupado pelo cooler do processador.

Já o disco rígido de 2,5″ é um Western Digital Scorpio Blue modelo WD3200BEVT de 320 GB e 5.400 rpm com interface SATA 300.

Já o seu pente de memória SODIMM é um modelo DDR3 800 de 2 GB. Apesar da Intel informar que o D525 aceita até 4 GB de RAM a PCWare não recomenda mais do que 2 GB.

Ao remover o cooler do processador…

Pudemos ver algumas características interessantes desse projeto. A primeira delas é que como já vimos em outros produtos da PCWare o projeto dessa placa-mãe é da Pegatron (ex-divisão de fabricação de placas da ASUS), modelo IPPPV-D3G. Segundo é que essa o projeto dessa placa prevê a instalação de uma GPU+memória de vídeo…

… o que não é o nosso caso já que como sabemos, o processador Atom D525 (embaixo) já conta com vídeo integrado.

Aqui podemos ter uma visão mais completa dessa pequena placa-mãe e seus diversos componentes e conectores.

Note que a parte de baixo dessa placa também esconde algumas surpresinhas.

Por exemplo, é lá que encontramos o chipset Intel NM10 lançado na mesma época do Pineview e que substituiu o antigo Intel 945GSE.

Em um dos cantos também vimos uma curiosa montagem…

… que abriga sua interface Wi-Fi 802.11 b/g/n AW-NU103 da AzureWave.

Curiosamente ela é ligada a apenas uma antena montada na lateral do gabinete.

Sob testes:

Como é padrão em nossos testes, nós formatamos o seu disco rígido e instalamos nossa versão do Windows 7 Ultimate de 32 bits com SP1, instalamos os drivers que acompanharam o produto e realizamos todas as atualizações oferecidas pelo Windows Update.

No índice de Experiência do Windows o sistema bateu 3,0 pontos, o que segundo a métrica da Microsoft é o mínimo necessário para se ter uma boa experiência de uso do Windows Aero e que o coloca um pouco acima do que poderíamos esperar de um netbook com Atom.

Com relação aos outros resultados, o Cape 7 bateu 45 pontos no Sysmark 2007 preview:

E 1.965 pontos no PCMark Vantage:

No AutoGK 2.45, o nettop llevou aproximadamente 3h39m40s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de três arquivos de vídeo) feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 12h03m34s utilizando um thread e 9h43m12s com quatro threads.

No novo PCMark 7 Professional Edition, o sistema obteve 603 pontos no PCMark Score e 898 pontos no Lightweight Score.

Ah sim, o Super Pi do David Lopes:

Nossas conclusões:

Como podemos ver, força bruta e desempenho não são os grandes atrativos dessa plataforma. Mas como não cansamos de dizer, a plataforma Atom foi feita para realizar tarefas simples do dia a dia como preencher documentos, trocar mensagens e consumir conteúdo da Internet sendo a sua maior limitação sua inabilidade de reproduzir conteúdo em alta definição, algo que antes era até tolerado mas que hoje é um assunto sério com a chegada das novas plataformas da AMD com Fusion Zacate.

Entretanto é preciso dizer que apesar disso, existe todo um mundo de aplicações que podem tirar muito proveito de um PC compacto de uso geral que roda Windows, tanto em casa como um segundo PC da família como nas escolas primárias cujas atividades são essencialmente exploratórias. Fora isso existe todo um universo a ser explorado no mundo dos negócios, onde um equipamento compacto e baixo consumo pode ser usado tanto nas empresas quanto no comércio para realizar tarefas específicas, como terminais de consulta, sistemas de monitoramento e coleta de dados, controle de estoques e vendas, call center, estacionamento etc. Já os entusiastas por sua vez podem encontrar no Cape 7 a solução atrativa para aquele servidorzinho doméstico com Windows ou até mesmo Linux que pode ser usado para organizar a sua vida digital.

O limite neste caso fica por conta da cabeça do usuário.

 

Resumo: Nettop Digitron Cape 7 525

O que é isso? Desktop ultracompacto de uso geral. 
O que é legal?
 Boa apresentação e desenho compacto. Processador dual core com HT.
O que é imoral? Desempenho geral bastante modesto.
O que mais?
 Sistema já conta com porta WiFi, algo ainda incomum em computadores de mesa.
Avaliação: 6,0
(de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação. 
Preço sugerido:
 US$ 390
Onde encontrar:
 www.digitron.com.br

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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