Review: Motorola RAZR

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O Motorola RAZR voltou. Agora não é mais um telefone simples, básico e lindo: o design evoluiu e o aparelho, agora um smartphone, é movido a Android. Apesar do belo visual, é um dispositivo com foco mais corporativo que pessoal, e pelo preço sugerido (R$ 1.999), deve fazer mais sucesso entre engravatados que com o público original do RAZR V3 (que, pelo que me lembro, também não era nada barato na época do lançamento na era paleozóica dos telefones celulares).

O RAZR, movido a Android 2.3.5 (e promessa de upgrade para Android 4.0 “Ice Cream Sandwich” no começo de 2012), usa um processador dual-core de 1,2 GHz. A navegação no aparelho, a execução de aplicativos, navegação na web (agora sem Flash, né?)  e até mesmo o intervalo de disparo são bastante rápidos, mas o desempenho em números ainda é um pouco inferior ao Samsung Galaxy S II.

Bons motivos para comprar um RAZR? A boa tela, a câmera  – talvez a melhor já feita pela Motorola – e o design diferenciado.

Sobre o hardware, já fizemos um hands-on mostrando todos os detalhes do RAZR. A interface, como dá para ver acima e abaixo, tem poucas adaptações da Motorola: os botões na tela (telefone/SMS/Câmera/Aplicativos) são fixos, e a navegação no menu de apps é  com a lista em lateral, não vertical. O MotoBlur, interface integrada a redes sociais presentes nos primeiros Androids da fabricante, não morreu: evoluiu e mudou de nome – agora se chama MotoCast – e se faz presente em várias partes do aparelho.

Outra novidade bem-vinda é o que a Motorola chama de Smart Actions: é um aplicativo para criar pequenas regras de funcionamento do aparelho dependendo da situação. São vários exemplos predefinidos, mas dá para editar e criar novas regras ao seu gosto.

Como esse abaixo, da Academia: basta plugar os fones de ouvido e o RAZR abre automaticamente o tocador de música.

 

Mas a Motorola inseriu diversos exemplos, e é um recurso bastante útil para lembrar o usuário ou fazer o smartphone realizar tarefas por conta própria.

O RAZR vem também com um medidor de consumo de dados bastante claro e simples – em tempos de planos caros para celular, é um jeito interessante de manter o controle.

Já o MotoCast aparece em vários aplicativos do RAZR: música e fotos são os principais. É preciso criar uma conta no serviço MyMotoCast e baixar um aplicativo para o computador (Mac ou PC), que transforma a máquina em um servidor de mídia que pode ser acessado pelo smartphone de qualquer lugar – basta o PC estar ligado e online e, claro, ter uma conexão de dados no RAZR (Wi-Fi ou 3G).

O MotoCast aparece como o símbolo de “O com seta” abaixo.

 

O player de música mostra todas suas músicas, e aquelas no servidor  têm o símbolo ao lado. Basta selecionar para ouvir/ver. 

E se quiser baixar a música, dá para fazer sem nenhum esforço.

 

O mesmo vale para as fotos. Configurar o MotoCast pode ser um pouco complicado – ainda mais quando o software MotoCast resolve sincronizar dados pelo cabo. Poderia ser mais simples (consegui criar a senha rápido na web, mas o celular demorou a entender que eu já tinha uma senha). 

 

Ainda no pacote de software corporativo, o RAZR vem com versões pré-instaladas de apps da Citrix, como o GoToMeeting…

 

E o Citrix Receiver, para acessar dados “na firma”. 

 

Multimídia: O RAZR é um aparelho superior ao Milestone 3 na questão multimídia. Reproduz vídeos AVI quase sem nenhum problema (480p)…

 

 

Mas há controvérsias entre formatos: alguns AVI foram bem, sem engasgos.

 

Outros, por conta do formato de tela, se adaptaram.

 

E outros nem rodaram – assim como vídeos em 720p (no DicePlayer a reprodução em 720p também não funcionou). 

 

Outra novidade do RAZR é o fim da dock padrão presente no Atrix, lançado em janeiro e que vinha com uma base de expansão com porta HDMI e USB para conectar a um teclado/monitor/mouse e usar os recursos de webtop (ambiente Linux que emula um PC a partir do aparelho). O RAZR vem com os mesmos conectores microUSB e microHDMI, mas agora traz na caixa um adaptador/extensor:

 

Basta plugar seu mouse/monitor aí e usar o webtop. 

Uma questão importante: como e quanto é fino o RAZR? O aparelho, de 7,1 mm de espessura na parte mais fina, ao lado de um iPod touch (segunda geração):

 

De um iPhone 3GS na parte mais fina:

E de um iPhone 3GS na parte mais espessa:

E ao lado do Atrix:

É fino e leve? Sem dúvida, mas o desnível causado pela câmera + fone + conectores USB/HDMI deixa o aparelho mais pesado nessa parte, e acredito que ele possa forçar a quebra da tela nessa área se cair no chão.

Câmera

A câmera do RAZR é a grata surpresa da Motorola. Pela primeira vez em muito tempo acertaram a mão nessa área, tão sensível e cada vez mais necessária.

Primeiro, ela faz vídeos em 1080p. Três exemplos abaixo, à luz do dia:

Segundo: o nível de detalhe é muito bom, com pouco ruído. O único problema é deixar a foto um pouco mais escura (subesposta) que outras câmeras, como demonstro a seguir:

Foto tirada com o iPhone 4S (obrigados ao Pedro Burgos pelo empréstimo da câmera da Apple):

Foto tirada com o Motorola RAZR:

E no detalhe dos 100% do RAZR:

Foto tirada com o iPhone 4S:

Foto tirada com o Motorola RAZR:

Fotos subespostas?  Sim, mas nada que um recurso de auto-correção em um editor de imagens não resolva. Tem mais fotos no Flickr.

Desempenho:

Em números gerais, o Motorola RAZR é mais rápido que o Milestone 3 (com processador dual-core de 1 GHz), mas um pouco mais lento que o Samsung Galaxy S II, nossa atual escolha ZTOP Indica para aparelhos Android sem teclado. Nada que cause problemas de atraso/lentidão/travamento do aparelho, entretanto. Por ser mais voltado ao mercado corporativo, não é mesmo um problema para recomendar a compra do RAZR.

O desempenho da bateria, como já é comum nos smartphones Android, é o grande gargalo do sistema. E lembre que, por conta do design diferenciado do RAZR, não é possível trocá-la: a solução é andar sempre com o cabo e carregador ou usar um carregador de emergência.

Em um dia de uso intenso (3G, GPS, e-mail, ligações, Twitter, Foursquare, Facebook, Internet, SMS, câmera digital), a bateria levou cerca de seis horas para atingir o nível de 30% (e mais de uma vez repetiu esse desempenho), desempenho praticamente igual ao do Milestone 3.

Apesar do bom gerenciamento de bateria fornecido pela Motorola (e gerenciamento de dados também), é menor que o Galaxy S II. E, como já disse, ainda estamos longe do mundo ideal em que a bateria de um smartphone atinja um dia inteiro -no meu ponto de vista, das 8h às 22h – sem pedir recarga.

Conclusões

O RAZR é um sopro de ar fresco no design de smartphones Android. Reforçado com Kevlar, novos ângulos e uma tela grande, representa uma mudança na linha de desenho industrial da turma de Chicago. Por dentro, é um aparelho rápido, que tira boas fotos e aproveita ao máximo novos recursos inseridos pela Motorola, como as Smart Actions. É um aparelho melhor em hardware que o Milestone 3, mas ainda um pouco inferior ao Galaxy S II. Como disse lá no começo, é um smartphone que vale investir pelo design, tela e câmera.

Vale lembrar que ainda estamos na fase pré-Google da Motorola, mas isso não deve mudar muita coisa (pelo menos é o que o Google diz) em um futuro próximo.

Resumo: Motorola RAZR

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 2.3
O que é legal? Tela grande e com ótima resolução, bom desempenho, ótima câmera
O que é imoral? GPS demora a responder, tamanho do aparelho pode incomodar, bateria dura pouco. Poderia vir com Android 4.0, já que foi anunciado no mesmo dia.
O que mais? Apps MotoCast e Smart Actions ampliam os recursos do smartphone.
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.999 (operadoras podem ter ofertas com planos de dados e voz melhores)
Onde encontrar: Motorola

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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