ZTOP+ZUMO (tech, opinião, inteligência)

Review: Motorola Moto X

O Motorola Moto X, primeiro smartphone da marca produzido sob forte influência do novo dono Google, reúne facilidade de uso, simplicidade e recursos quase perfeitos em um aparelho que, sob uma visão menos técnica, poderia ser visto como inferior. Mas não é.

E, por enquanto, é o melhor smartphone Android de 2013 que passou pelas mãos deste ZTOP.

É uma pena a Motorola vendê-lo apenas em branco e preto no Brasil. O X feito nos Estados Unidos é produzido sob demanda, com diversas partes customizadas (botões, anel da câmera, capa traseira, case e já vem com sua conta do Google instalada).

Aqui, a produção local em Jaguariúna não deve estar pronta para isso (ou em preparação, talvez), e por isso apenas as opções do branco e preto. A Motorola poderia, em algum momento (fim do ano?), oferecer as versões especiais e ainda não lançadas lá fora com acabamento em madeira.

O Moto X não peca pelo excesso. A tela não é demasiadamente grande, não sobra telefone para pouca mão. O acabamento emborrachado na traseira clama por marcas de dedos. O Nagano já escreveu sobre o Moto X  na época do lançamento brasileiro e deu uma boa introdução sobre o design do produto.

1) HARDWARE E DESIGN

motorola moto x  - 03

O design do Moto X é envolvente, com o acabamento curvado na parte traseira. O X tem botões físicos apenas na lateral direita (liga/desliga e controle de volume)…
motorola moto x  - 06

…E do lado esquerdo, apenas o slot para o SIM card da operadora. A Motorola adotou o padrão Nano SIM para o Moto X, o mesmo usado pela Apple nos iPhones 5/5S/5C. Ao comprar um, é preciso trocar o SIM card na operadora ou cortar o atual. motorola moto x  - 04

Na parte superior, apenas a entrada para headphone/headset e a câmera de 10 megapixels na traseira com um flash LED. Note o detalhe minúsculo do alto-falante ao lado da lente da câmera.

motorola moto x  - 07

A construção da tela de 4,7″ (1280 x 720) segue a escola de design do Motorola RAZR i, com bordas mínimas nas laterais da tela. A proteção com Gorilla Glass (que, vale lembrar sempre, não é um produto milagroso, mas apenas uma proteção adicional contra quebras) segue até as laterais do aparelho. A tecnologia usada na tela é do tipo AMOLED, que tende a puxar mais para o amarelo/laranja. Eu, particularmente, gosto desse tipo de tela.

motorola moto x  - 10

“Ah, mas não é 1080p como o S4 ou o ZQ!” Bem, a tela é boa, a resolução é boa. Se quer aparelho maior, não faltam opções no mundo Android. Detalhe da tela acima:

motorola moto x  - 11

Completam as configurações do Moto X a nova arquitetura Motorola X8 Mobile Computing System formada pelo processador Qualcomm S4 Pro e dois processadores dedicados para reconhecimento de voz e sensores, 2 GB de RAM,  16 GB de armazenamento (sem expansão por microSD), câmera de 10 megapixels, bateria interna (e não removível) de 2.200mAh, NFC, WiFi, Bluetooth 4.0 e suporte para redes 3G e 4G locais.

Bônus na caixa: apesar do headset com fone-espuminha padrão na caixa (argh), o Moto X vem com uma simpática tomada/carregador com duas saídas USB, algo raro no mercado de smartphones local.

motorola moto x - 12

2) SOFTWARE E SERVIÇOS

É onde a Motorola/Google acerta em cheio.

O Moto X, seus sensores e seu software embarcado dá um passo além na relação homem-celular. Simples: a máquina resolve a questão, com pouca ou sem interferência humana. Pense no que a Apple vem fazendo desde 2007 com o iOS: tornar simples o que é complicado (ou resolver problemas que você nem imaginava que tinha).

Começa com a migração de dados.

Se você tem outro aparelho Android, a migração é muito fácil, sem precisar conectar via Bluetooth. Só baixar o aplicativo Migração Motorola no telefone antigo, conectar os dispositivos e pronto: tudo copiado via Wi-Fi.

Testei com um RAZR i que estava encostado aqui e o X espelhou tudo: fotos, vídeos, músicas, contatos, registros de SMS e ligações. Demorou uns 40 minutos pela quantidade de informação, mas funcionou direitinho.

motorola moto x - 14

Outro exemplo: o uso de uma extensão para Chrome, chamada Motorola Connect, liga o browser ao telefone, permitindo ler e responder SMS direto do navegador.

motoxcalls

E os incríveis MotoCare e MotoAssist, espécie de substituto moral das Smart Actions: graças aos sensores do aparelho (acelerômetro, giroscópio, proximidade, bússola, barômetro e temperatura), eles sugerem ações pré-configuradas de utilização – o MotoCare pede um registro, mas (ooooh) faz isso automaticamente usando sua conta do Google, sem precisar digitar senhas nem nada.

motorola moto x - 16motorola moto x - 15

Finalmente, o Moto X entende que em certos momentos seu consumidor utiliza o aparelho com outros acessórios e configura (também sozinho) para deixar o aparelho desbloqueado. Aqui, foi com uma caixa de som da JBL com Bluetooth e NFC:

motorola moto x - 17

O Android utilizado é a versão 4.2.2, praticamente sem interferência na interface pela Motorola (confesso que sinto falta do widget de previsão do tempo/duração da bateria presente no RAZR i e no RAZR D3). A estrelinha do software, porém, é o reconhecimento de voz (no vídeo do Nagano):

Tá, “OK Google Now”. É divertido? Sim. É útil? Em partes:

  1. Nossa sociedade não está evoluída o suficiente (estou sendo bastante pessimista aqui) para falar com gadgets, sejam eles smartphones, óculos (eu acho o Glass ridículo) ou relógios.
  2. O reconhecimento de voz é perfeito, porém só atende a lista de itens pré-definidos pelo Google/Motorola.

motorola moto x  - 09

E aí você sai da curva e pergunta uma coisa besta pro serviço e ele faz uma simples busca no Google. Nesse quesito “resposta humana”, a Siri do iOS ainda é mais brincalhona e precisa, pois sua inteligência artificial consegue entender e contextualizar a questão. O “OK Google Now” não (ainda). Nem pense em dar bom dia pra ele…

motorola moto x - 18

3) CÂMERA

A reclamação principal do Moto X é sua câmera por enquanto deficiente (amostras de fotos boas de dia e ruins à noite no Facebook), mas ela faz algo incrível no seu modo filmadora: vídeos em câmera lenta em HD (720p). Vídeos em velocidade normal são gravados em qualidade 1080p.

Mesmo a 15 quadros por segundo e sem som, o resultado é sensacional.

Você pode fazer um vídeo de poucos segundos dos seus felinos brincando como gatos normais…

… mas os mesmos segundos se transformam em minutos quando estão em câmera lenta.

Problema?

É altamente viciante e você vai querer fazer vídeos assim o tempo todo.

No aeroporto:

No metrô (lugar onde pessoas apressadas não parecem tão apressadas):

E em máquinas neuróticas que inserem componentes em placas-mãe:

O mais divertido mesmo acaba sendo com crianças e animais. Ou só animais:

No exterior, o software da câmera do Moto X já está sendo atualizado e, pelo visto, os resultados são melhores.

4) Sob testes

Existe uma discussão forte no exterior sobre a validade de benchmarks e sobre como os fabricantes (oi Samsung!) modificam seus aparelhos para responder melhor e mais rápido durante testes de desempenho.

Acredito que o benchmark não é o que faz alguém comprar um smartphone ou tablet ou notebook, mas é um referencial de como o mercado está evoluindo. Se eu quero games e a taxa de quadros por segundo é baixa, o benchmark me diz isso. A experiência e o resto do que o aparelho faz são muito mais importantes.

Felizmente a Motorola está fora da lista dos engana-testes, e o Moto X serve para provar outro ponto: você não precisa ter o hardware mais poderoso se consegue ajustar o software para o desempenho máximo. O Moto X não tem frescuras de interface para atrapalhar.

E aqui, comparando bananas com bananas, o processador Qualcomm Snapdragon S4 Pro de 2012 do Moto X dá um pau no Qualcomm Snapdragon 600 de 2013 do Samsung Galaxy S4 4G. No 3DMark Ice Storm, o Moto X estourou o limite de pontuação do teste. Nos benchmarks de desempenho geral, em alguns o Moto X ganha do S4 4G (Vellamo HTML5/Metal) ou fica bem próximo (Vellamo Original/Antutu).

Os números estão aí para provar:

benchmarks

A duração da bateria é aceitável no uso de rede 4G o dia todo (nota: a Vivo me emprestou um nano SIM card 4G com dados ilimitados para este review. Consegui velocidades de 35 Mbps em média usando o Speedtest, e isso é muito acima do oferecido para pessoa física, que fica entre 10-12 Mbps).

Com 12 horas de uso contínuo (navegação na web via 4G, acesso a e-mail e redes sociais e ouvir pelo menos duas horas de música, com pausas), chegou a 15% de carga restante (e depois disso despencou a 6% em menos de meia hora).  A qualidade de som nas ligações é boa.

5) Conclusões

Se eu precisasse comprar um smartphone Android hoje, minha escolha pessoal seria o Motorola Moto X.

É um aparelho cheio de boas funções e recursos, com acesso à nossa rede 4G-jabuticaba, simples e fácil de usar. Além de tudo, é rápido e ainda responde algumas perguntas se você falar com jeitinho. Tem suas limitações, óbvio: a câmera ainda não está 100% ajustada, porém tira boas fotos de dia, e faz falta um slot de expansão de armazenamento (ou da oferta do aparelho com 32 GB por aqui). Seu preço inicial era alto, já caiu um pouco e, conhecendo a tendência da Motorola, deve cair mais até o fim do ano.

É o que disse no começo: o Moto X foi pensado detalhadamente para resolver seus problemas sem que você saiba deles. E isso, em um mundo cheio de opções, faz muita diferença.

RESUMO: Motorola Moto X

O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 4.2.
O que é legal? Ótimo desempenho, sistema muito amigável, software simples e que ajuda o consumidor
O que é imoral? Câmera poderia ser melhor, falta slot de expansão, nome ridículo.
O que mais?  Responde a comandos de voz, migração entre aparelhos Android facilitada.
Avaliação: 9 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.499 (desbloqueado no varejo; operadoras podem ter planos e ofertas melhores)
Onde encontrar: Motorola

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin