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Review: Motorola Dext com MotoBlur

Samsung Galaxy e Motorola Dext são ótimos aparelhos para quem nunca teve contato com a plataforma Android e, por que não dizer, com um smartphone propriamente dito. São dois dispositivos muito parecidos em hardware, com ofertas de serviços online bastante distintas. Com este review, finalmente começo a falar dos Androids à venda no Brasil. O primeiro é o Dext, da Motorola.

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>>>Primeiras impressões do Motorola Dext e Samsung Galaxy

O Android da Motorola segue a escola de design da companhia: linhas arredondadas, detalhes cromados, lembra até o velho e bom Moto PEBL ou o U9. Pelo menos o nome (Dext aqui, Cliq nos EUA) é mais amigável (KRZR, RAZR e tenho dito). Estou com uma versão desbloqueada do Dext (exclusivo da Claro até o começo de 2010).

O principal problema do Dext, entretanto, já vale avisar, não é da Motorola ou do sistema operacional Android: é da operadora Claro, que limitou algumas opções do telefone, como fará com o Dell Mini 3iX.

A busca no Dext é feita, por padrão, no Yahoo! dos EUA (logo, você desabilita esse widget de cara e tem que usar a busca móvel do Google, esqueça o atalho para buscas no menu rápido e não dá para mudar essa opção). E o aplicativo do Google Talk, apesar de instalado no aparelho (usando um gerenciador de arquivos deu para descobrir), não aparece em nenhum menu.

Entendo que a América Móvil tenha algum tipo de acordo com o Yahoo, mas mostrar esse tipo de busca num celular para um público (brasileiro) não acostumado a usar esse buscador. Justifico com números deste próprio Zumo: 96,7% das pessoas em 2009 (1 de janeiro a 12 de dezembro) chegaram aqui via Google. O Yahoo aparece em segundo lugar, com pífios 1,52% de visitas.

O design do Dext tem um outro probleminha funcional: o aparelho (assim como o Milestone) não tem botões dedicados para o telefone. Gerenciar ligações pode ser um problema caso você saia da tela de telefone (vá ao menu principal e a ligação fica retida ali nas notificações do sistema – e, sim, invariavelmente você fará ligações sem querer, já que o atalho para telefone e contatos estão ali a um toque. Pelo menos a qualidade de ligação do Dext é excelente.

O Dext se encaixa muito bem no conceito de “meu primeiro Android”. A tela de 3,1″ capacitiva tem resolução de 320 x 480 pixels e responde bem ao toque e à digitação na tela. A flexibilidade do Android permite aos fabricantes modificar a interface do sistema do jeito que querem: no Dext, isso se chama MotoBlur (mais a seguir). O teclado QWERTY responde bem, e um joystick do lado esquerdo do teclado ajuda na navegação.

Câmera: 5 megapixels, sem flash. Efeitos especiais (sépia, PB, solarizar) padrão do Android. Não é para esperar o máximo dela (não é a câmera de um Satio ou um N97, mas quebra um bom galho). Exemplos:

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O gerenciador de músicas do Android é o melhor que já vi num celular. Fácil de criar novas playlists, atalhos para listas rápidas para “festa”, modo shuffle simples de ativar. Isso vale para qualquer Android do mercado (Dext, Galaxy, Milestone).

O MotoBlur

MotoBlur é uma central de redes sociais ligada ao Dext e a possíveis outros aparelhos da Motorola. Ao ligar o aparelho pela primeira vez, você cria sua conta Blur e escolhe os serviços que quer associar ao Blur: MySpace, Facebook, Google, Last.FM, Twitter, e-mail, Exchange, Picasa, Photobucket, Orkut (uma novidade descoberta enquanto escrevia este texto) e um tal Claro e-mail (que ignorei). Escolhi apenas os que uso mais: Facebook e Twitter, conta de e-mail para anúncios aqui do Zumo (que está no Gmail, por sinal). Minha conta pessoal/profissional do Gmail ficaram no aplicativo Gmail (meu item favorito do Android, já que permite buscas nos e-mails antigos). O Android 1.5 permite uma conta apenas no Gmail (algo já resolvido no 2.0).

Configuração pronta (basta inserir e-mail e senha), o Blur pergunta qual serviço será a fonte de fotos para os contatos (fui de Facebook). A partir daí, tudo está muito integrado: dá para enviar mensagens para todos os serviços ao mesmo tempo ou um por vez a partir de uma das telas iniciais (são cinco) do Dext. O Blur fica atualizando informações em tempo real, e isso é fator que come bateria (e dados) de maneira extremamente rápida (recomendação a quem comprar um desses: deixe o Blur ativo apenas no Wi-Fi).

Algo um tanto incômodo no MotoBlur é o fato de ele mostrar um alerta na área de notificações toda vez que não está em uso (ou com configuração para uso exclusivo no Wi-Fi). Poderia ficar sem essa, né, dona Motorola?

Mensagens recebidas em qualquer das redes também aparecem ali, e a sua agenda vira uma coleção de figurinhas com fotos com todos seus contatos das redes cadastradas. E isso é uma baita ideia da Motorola: compre o hardware, use o serviço também. Sem querer, é um serviço online como qualquer um que a Nokia vem tentando (e falhando em alguns) construir nos últimos anos, como o Ovi.

O Blur tem sua função online também. Na web (em um endereço fornecido com o aparelho), basta inserir seu nome de usuário e senha no Blur para acessar os recursos do MyMotoBlur: gerenciar contatos (e importar novos), localizar telefone e, o mais importante, apagar os dados em caso de perda ou roubo. Na página principal – para mim, ainda em inglês – aparece o nome do dono, a operadora (T-Mobile), modelo do aparelho (Motorola Cliq), número do IMEI e versão do software (Blur_Version.0.11.10.MB200.AmericaMovil.en.BR) – única em português disponível ainda para aparelhos por aqui, segundo a Motorola (por sinal, já hackearam o bicho – mais sobre isso aqui no Zumo em breve).

O recurso de localização do aparelho funcionou na quarta vez que tentei: liguei GPS e Wi-Fi no Dext e fiquei esperando. O resultado surgiu cinco minutos depois, em um mapa do Google, com um erro de aproximadamente 3 km do local correto (tudo bem, está perto, de qualquer modo):

blur_locate

Outro recurso bem interessante é o Delete Data, que apaga tudo do Blur no aparelho (não, não fiz esse teste), menos arquivos no cartão de memória.

blur_erase

Conclusão: se és paranóico por redes sociais/serviços online, quer um Android simpático e com teclado QWERTY, vá de Motorola Dext. As limitações impostas pela Claro irritam, mas é a única opção de operadora por enquanto. E, sim, você precisa de um bom plano de dados (pelo menos 500 MB/mês) pra usar o Dext ou qualquer outro Android. Se precisar de mais recursos (corporativos, inclusive), vá de Motorola Milestone.

Resumo: Motorola Dext com MotoBlur
O que é isso?
Primeiro celular com Android da Motorola.
O que é legal?
Serviço MotoBlur integra contatos e serviços online de redes sociais.
O que é imoral?
Gerenciamento de ligações é confuso. Bateria vai embora em seis horas se ficar online o tempo todo. Android 1.5 sem previsão de atualização. Recursos da Claro que limitam o aparelho.
O que mais?
Boa qualidade nas ligações. Teclado QWERTY confortável. Design simpático.
Avaliação: 6,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.599.
Onde encontrar: Motorola

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin