Review: Lenovo Thinkpad X1 (1 de 3: introdução)

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Mais do que um novo portátil, o Lenovo Thinkpad X1 é uma grande renovação da linha Thinkpad que, aos poucos, também chega aos outros modelos da casa.

Reza a lenda que, depois da aquisição da divisão de PCs da IBM em 2005, a Lenovo precisava mostrar para o mundo que, mesmo sob nova direção, sua linha de produtos Thinkpad continuaria a ser tão resistente e inovadora como sempre foi. Para provar isso, em 2006 a equipe de desenvolvimento do Thinkpad iniciou o projeto “Kodachi” nome dado a uma pequena espada japonesa, cujo resultado final foi lançado comercialmente em 2008 com o nome de Thinkpad X300.

O X300 fez parte da primeira leva de portáteis com tela de 13,3 polegadas (uma novidade na época) que consolidaria uma nova categoria de computador hoje chamada de “thin and light”, com modelos leves e finos que não abriam mão do conforto de uso. E ao contrário dos seus concorrentes, o X300 mantinha praticamente todas as características de um Thinkpad de linha, como todas as interfaces de linha (USB, vídeo, Wi-Fi, rede), bateria removível e até um unidade de disco óptico embutido. Em termos de inovação, ele foi o primeiro portátil da casa a vir equipado com um disco rígido SSD e a utilizar um processador Intel Core 2 Duo LV7100 criado especialmente para o X300 e o Macbook Air.

Se computadores fossem carros, o X300 foi uma espécie de esportivo compacto da marca. Era mais um objeto de desejo do que um produto de linha (como os modelos da linha T), cujo legado está presente até os dias de hoje e com muitas das suas inovações que se espalharam para outros modelos, em especial a linha T4xxs.

Bom, e o que essa história tem a ver com o X1? Para mim, muita coisa.

Sob um certo ponto de vista, o novo Thinkpad X1 é o sucessor direto do X300, tanto na proposta de ser um marco e referência de inovação para a Lenovo quanto no seu modelo de uso: um equipamento leve e fino para aqueles que valorizam mobilidade sem abrir mão do conforto e desempenho.

E o que mudou nesses dois anos? Bastante coisa.

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Medindo 33,7 x 23,1 x 2,1 cm (LxAxP) e pesando 1,69 kg (2,09 kg com o adaptador de rede elétrica), por fora o X1 tem a mesma aparência sóbria com seu gabinete em liga de magnésio com acabamento emborrachado em preto. Como já vimos no X100/X120, as articulações que sustentam a tela LCD continuam a ser de metal, porém pintadas na cor preta.

Seus únicos indicadores externos são duas luzes que informam o estado da carga da bateria (que também fazem o papel de informar que o portátil está ligado na rede elétrica) e o modo de dormência do sistema.

Assim como a maioria dos modelos “slim” da empresa, o X1 possui um gabinete na forma de cunha com sua frente levemente “rebaixada” (apenas 1,6 cm de altura), melhorando assim a sua ergonomia. Ao virar o gabinete de cabeça para baixo podemos ver melhor os ângulos da lateral: isso torna a sua pegada bem mais confortável e segura, já que as suas bordas se encaixam naturalmente nas articulações dos dedos.

Ao colocá-lo junto de um modelo mais mainstream como o T61 dá para ter uma idéia mais clara do conceito de thin and light:

… ele procura na medida do possível — oferecer a mesma experiência de uso de um notebook de linha em um equipamento um pouco menor…

… e bem mais leve, principalmente se levarmos em consideração que o T61 pesa um pouco mais de 3 kg com sua bateria estendida.

Assim, o X1 mantém muitas das características de construção e acabamento de seus irmãos maiores, em especial do uso de liga de magnésio tanto na parte de fora quanto de dentro do portátil o que proporciona ao conjunto uma sensação de solidez no produto bem acima do normal já que mesmo levantando o mesmo (aberto) pelo canto do teclado e chacoalhando-o vigorosamente, não ouvimos um mísero rangido ou estalo de qualquer tipo.

Ztop in a Box:

Para fazer barulho e azucrinar a concorrência, o pessoal de marketing da Lenovo adora maltratar seus Thinkpads das maneiras mais espalhafatosas possíveis para mostrar como os produtos são duros na queda e resistentes. E é claro que o X1 não ficou fora dessa:

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Entre as outras clássicas maldades estão pisar nos portáteis…

… e molhar o teclado. Nessas demos é comum eles utilizarem água, mas nos testes internos de certificação eles já usam outros líquidos bem mais pegajosos, como refrigerante ou café com leite bem açucarado.

Até ai, nada demais já que essas demonstrações a gente tem visto desde a época da IBM. Novidade mesmo foi o teste de resistência da sua nova tela LCD — agora recoberta com o famoso Gorilla Glass da Corning — que aguentou uma violenta estocada dada por este que lhes escreve com o instrumento abaixo, um  Gerber Artifact — uma multiferramenta de bolso feita de aço inox com acabamento de nitreto de titânio.

Infelizmente, não registrei imagens da pancada (já que não dava para bater no X1 e tirar foto ao mesmo tempo), mas eu tenho da tela depois da agressão:

Sim… A mardita não sofreu um mísero arranhão.

Disclaimer: Esse ZTOP não não apoia nem incentiva qualquer tipo de agressão ou maus tratos a qualquer dispositivo ou gadget de qualquer tipo, já que achamos que maltratar um equipamento é o mesmo que bater em uma criancinha criatura indefesa. Para nós, mesmo os modelos robustecidos/rugged foram feitos para sobreviver a pequenas quedas e acidentes e não para apanhar que nem mulher de malandro. Se essa é a sua intenção, sugerimos tomar um banho de água fervendo (para expulsar o diabo do seu corpo) ou procurar ajuda médica para tratar sua cabeça.

 

(De volta ao que interessa:)

Visualmente falando, quem já está acostumado a trabalhar com a série T pode se impressionar com visual simples do X1 que, por sinal, assume de vez a reformulação estética iniciada com o Thinkpad Edge.

A mudança mais perceptível fica por conta do teclado que abandona de vez o tradicional estilo “tablete de chocolate” que era praticamente o mesmo desde os modelos da série 700 de mil novecentos e antigamente…


Para o novo formato “island key”, mais conhecido por aqui como teclado “chiclete”:

Apesar das aparências, esse novo design não é uma simples cópia que só leva em conta a sua estética, levando muito mais em consideração a pessoa que vai usá-lo. Disso nasceu uma solução que a Lenovo batizou de teclado “smile” (= sorriso).

No diagrama abaixo, podemos ver que uma das grande sacadas do teclado chiclete foi o aumento da área de contato da tecla com o dedo (indicado em rosa) melhorando assim a sua “mira”. Só que para reduzir a possibilidade de pressionarmos mais de uma tecla ao mesmo tempo, elas são fisicamente isoladas (daí o termo “island key”), criando assim uma área de tolerância (forgiveness zone) entre elas.

Nesse caso, o que a Lenovo fez foi não adotar o formato de tecla plana, mantendo-se fiel ao tradicional formato côncavo que faz com que o dedo naturalmente toque a parte central da tecla. Além disso, a forma curva da tecla Smile aumenta sensivelmente a área de tolerância, minimizando a possibilidade de pressionar mais de uma ao mesmo tempo.

Também para maximizar a área útil do teclado, os botões de controles do X1 foram para o canto direito do portátil, onde podemos ver a partir de cima, o botão de liga/desliga, a famosa tecla “Thinkvantage” usada para invocar as ferramentas do sistema ou restaurar o ambiente operacional depois de algum acidente, o botão de mudo para o microfone, volume e o mudo do alto0falante.

E falando sobre o sistema de áudio, o som nos modelos da linha X nunca foram lá grande coisa, caso do meu X60s equipado com apenas um alto falante mono. Já no X1, a Lenovo chutou o balde e implementou um sistema com tecnologia Dolby Home Theater v4 que oferece uma excelente impressionante nível de ajustes e qualidade de som, principalmente vindo — na teoria — de um equipamento voltado para o mercado corporativo.

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Outra novidade (pelo menos para os usuários de ThinkPad) é que no lugar do tradicional iluminador de teclado (com LED branco) montado na tela, o X1 adota o sistema de retroiluminação das teclas, com ajuste de brilho pela combinação da tecla fn + espaço. A luz escapa um pouco nos lados das teclas, facilitando sua localização.

Para mim (pelo menos), a boa notícia é que, ao contrário do Edge, o layout novo teclado do X1 não inverteu a função das teclas mantendo a prioridade sobre as teclas F1~F12. Observe porém que a Lenovo limpou o layout das teclas eliminando diversas como o Print Screen, Scroll Lock, SysReq, Break e até algumas funções secundárias, como selecionar o dispositivo apontador, desconectar a docking station, entre outros. Para mim, a grande ruptura foi o fim do Num Lock, que eliminou de quebra o seu teclado númerico que sobrepunha o alfabético, resultando assim num layout mais limpo e descongestionado.

O sistema de navegação Ultranav (trackpoint + touchpad) também evoluíram, sendo que a mudança mais óbvia é o desaparecimento das teclas do touchpad, sendo que para clicar no botão direito ou esquerdo basta pressionar os cantos inferiores, como já vimos no Samsung Série 9.

Para mim, a grande surpresa é que não é mais necessário configurar o Ultranav para funcionar apenas com um ou outro dispositivo, já que ao tocar na ponta do trackpoint, o touchpad pára de funcionar, permitindo que possamos até apoiar a palma da mão sobre o ele. Trata-se de algo tão simples que até me pergunto como ninguém pensou nisso antes.

E como não podia faltar em um notebook corporativo, o modelo analisado veio equipado com sensor biométrico para autenticar o usuário e melhorar a segurança.

Um recurso interessante que veio instalado no X1 é o AutoLock: utiliza a webcam e uma rotina de identificação de rosto que entra em ação caso o mouse ou o teclado não sejam usados por algum tempo. O computador “dá uma olhada” (via webcam) para ver se tem alguém na sua frente e caso negativo, ele espera alguns instantes para ver se alguém aparece, caso contrário, bloqueia o computador.

Leia a parte 2/3: por dentro do Lenovo Thinkpad X1 e, na quarta-feira, os resultados do teste. 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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