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Review: Apple iPad mini

O iPad inaugurou a categoria dos tablets como produtos de consumo. O iPad mini, mesmo não sendo uma grande inovação em formato, muda bastante coisa nos tablets com telas menores de 8″. E é um grande concorrente do seu irmão maior, algo curioso para um produto Apple.

Nem parece que o iPad original foi lançado apenas três anos atrás. Meu iPad mini, ainda sem previsão de chegada ao Brasil, foi comprado no começo do mês, lá em Las Vegas, para ajudar na cobertura da CES 2013 (mentira: foi pra falar no Skype e jogar Angry Birds mesmo).

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Queria o iPad mini 16 GB branco/prata Wi-Fi, na sua falta veio o preto/chumbo (e no dia seguinte à compra, quando começou a CES para valer, só se encontrava o iPad mini de 32 GB ou superior na loja da Apple).

Mas por que comprar um iPad mini? Minhas teorias:

1) É menor que um iPad 4 e cabe melhor em bolsas/mochilas (meu primeiro motivo para comprar um)
2) É mais barato que o iPad 4 (e um pouco mais barato que iPad 2, ainda à venda)
3) É o “foblet” da Apple: um bom aparelho de tela grande/maior que a do iPhone 5 e que serve como complemento para acesso à internet/apps.
4) No meu caso específico, o iPad anterior (um de primeira geração) já estava pedindo água. As atualizações de sistema operacional foram deixando o tablet lento (quase impossível usar mais de uma aba no navegador, seja o Safari ou o Chrome) e ele era usado apenas para Twitter/Facebook e jogar… Angry Birds.
5) Ah, mas não tem tela Retina (argumento comum a reclamões online): não precisa e não faz falta. A tela atual é nítida e boa para ler.

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E é um aparelho leve, rápido e que, após quase um mês de uso, vem suprindo todas minhas necessidades de internet (ainda que somente no Wi-Fi) e aplicativos/games que não rodavam no iPad antigo. Não tem nada de mágico ou especial ali (de novo, quando falam de mágica em gadgets me lembro do povo Nacirema): é um belo trabalho de engenharia e design. No ponto de vista “estamos em um mundo pós-PC”, já me pego só com o iPad mini na frente da TV para ler e-mails e acessar redes sociais – o notebook fica lá guardado.

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Tem o motivo bônus para sua aquisição: é um baita aparelho para ler livros em um formato mais convencional/menor/que lembra um livro de verdade. Nem precisa segurar com as duas mãos.

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Para dar uma ideia do tamanho do iPad mini (7,9″), aqui ao lado/sobre de um iPad 2 (9,7″):

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Note como o iPad mini é mais fino:

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Assim como o iPhone 5, o iPad mini usa o novo conector Lightning para troca de dados com o computador/recarga da bateria. Note que em sua parte inferior ele traz alto-falantes integrados estéreo (bom som para ver um filme na cama, no máximo).

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Na lateral direita, vemos o controle de volume (praticamente em alto-relevo) e a trava de volume/tela:

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E acima, o botão de liga/desliga, o microfone integrado e o plug para fone padrão 3,5 mm.

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Na parte da frente, ainda temos a câmera de 1,2 megapixel integrada para uso com videochamadas. Fiz várias ligações por vídeo usando Skype no iPad mini e a qualidade de imagem foi descrita como excelente pelo outro lado da linha (que falava do iPad 2 acima…).

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Atrás, uma câmera integrada de 5 megapixels, que produz boas imagens à luz do dia. Não sou fã de fotos com tablets, mas botei algumas amostras de imagens no nosso Facebook. Faz falta o recurso HDR integrado às câmeras do iPhone, por sinal.

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Uma amostra de vídeo em 1080p feita com o iPad mini (igualmente ridículo filmar com um desses – note a sombra do aparelho sobre o gato):

A parte traseira do aparelho passa uma sensação de solidez ao iPad mini (ao contrário de outros tablets com plástico atrás, mais notadamente os da Samsung), mas não resiste a marcas de dedos/gordura. Argh.

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Acessórios: comprei uma Smart Cover, da Apple, para proteger a tela. Gosto do seu conceito dobrável e do uso de ímãs para prendê-la à lateral esquerda do tablet, mas com pouco mais de três semanas de uso ela já demonstra sinais de sujeira. Pelo menos protege bem a frente do aparelho…

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…serve de suporte ao segurar o tablet com a mão esquerda (ou direita, se precisar inverter a tela):

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E é um bom apoio para o tablet servir de segunda tela para ver e-mails/redes sociais ao lado do computador:

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O conector Lightning é uma boa novidade. Ainda não significa que a Apple adotou e nem vai adotar um padrão universal (como microUSB usado em Androids e Windows Phones mundo afora). Pelo menos é menor e mais fácil de conectar – sem precisar acertar o lado, como no conector de 30 pinos padrão dos iPhones/iPads anteriores.

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Existe, claro, a questão da retrocompatibilidade com acessórios antigos com conector de 30 pinos. De qualquer modo, o iPad mini tem conectividade Bluetooth 4.0 nativa, e pode ser usada sem problemas com caixas de som com essa funcionalidade. Ah, a fonte USB também ficou menor – outro belo trabalho de design/engenharia da Apple.

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Sob testes:

Nos testes de desempenho, o iPad mini segue a linha de rapidez/velocidade dos demais produtos móveis da Apple. Eis os resultados:

  • Linpack (cálculo de ponto flutuante): 137,53 mflops/s (máximo) / 130,14 mflops/s (média) (171,44  mflop/s (máximo) / 141,97 (média) no iPhone 4S)
  • Geekbench (desempenho geral): 763 pontos (630 pontos no iPhone 4S)

Sua duração de bateria segue o que a Apple promete: cerca de 10h para navegar na web com Wi-Fi/ver vídeos. O iPad mini carrega a bateria mais rápido que o meu modelo anterior, e isso é bom.

No sistema operacional iOS 6, destaque para os comandos de voz Siri (ainda em inglês) no iPad mini e na integração do Twitter e do Facebook ao sistema. Não usei o Apple Maps.

Meus apps favoritos são: Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, Skype, FlipBoard, Vivino (redes sociais); Paper, The Weather Channel, HERE Maps, Flight Track, FlightBoard, HaikuDeck, Keynote, Pages (apps gerais); Angry Birds (original, Seasons, Space e Star Wars), Machinarium, Temple Run 2, Tiny Wings HD, Monsters Ate my Condo e Jetpack Joyride (games); Kindle e iBooks para ler e Diptic e Snapseed para editar fotos.

O iPad mini é um complemento mais que interessante à linha de tablets da Apple e um bom ponto de entrada para quem nunca teve um tablet – pense em um “netbook dos tablets”. O aparelho é rápido, sua tela, mesmo sem a resolução Retina, tem boa visibilidade e nitidez e até mesmo a dispensável câmera produz bons resultados. Se você procura um tablet leve e menor com boa oferta de apps, design imbatível e preço um pouco menor, o iPad mini é uma excelente escolha.

Resumo: Apple iPad mini (2012)

O que é isso? Tablet de 7,9″ com sistema operacional iOS 6
O que é legal? Design, tamanho, Siri e alguns recursos do iOS 6, câmera de 5 megapixels
O que é imoral? Seu preço é próximo demais ao iPad 2, de tela maior; falta de maior resolução na tela deve ser resolvida na próxima geração
O que mais? Navegador rápido (Safari e Chrome), excelente plataforma para games casuais (vício do dia: Temple Run 2!)
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido nos EUA: a partir de US$ 329 (16 GB, Wi-Fi). No Brasil (a partir de 25/06): a partir de R$ 1.299.
Onde encontrar: Apple 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin