Review: impressora Laser Samsung ML-1665

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Em vez de ficar batendo cabeça no concorrido segmento de  jato de tinta, a Samsung sempre apostou numa solução alternativa baseada nos modelos compactos a laser. É o caso da ML-1665, um modelo de entrada com preço que chega a encostar nas jato de tinta.

Voltada para o mercado doméstico ou qualquer outra aplicação profissional que exija a presença de uma impressora exclusiva ao lado do computador, a ML-1665L é um equipamento de desenho bastante compacto para uma laser —  34,1 x 18,4 x 22,4 cm (LxAxP fechada) e 4,2 kg de peso — o que faz com que ela ocupe relativamente pouco espaço na mesa de trabalho quando não está em uso.

A impressora exige um pouco mais de espaço livre na sua frente (algo entre 12,5 ~ 19,0 cm) para funcionar. Isso ocorre porque o sistema de alimentação de papel da ML-1665 adota um desenho que lembra uma ponte levadiça e que precisa ser baixada para que a mídia (até 150 folhas até tamanho Legal) seja colocada na sua posição correta. Essa idéia também é adotada na saída da impressora, cuja tampa se abre pra fora funcionando assim como um suporte para as folhas que saem da mesma (até 100 delas com a face impressa para baixo). A grande vantagem desse sistema está na sua simplicidade mas existe o problema de que a mídia fica mais exposta ao ambiente de trabalho (entenda-se umidade e poeira que pode entrar junto com o papel no mecanismo de impressão). O ideal nesse caso é o usuário coloque na máquina somente a quantidade de papel que ele realmente irá utilizar no se trabalho.

Para mim essa solução é particularmente interessante para o usuário doméstico — em especial para aqueles que imprimem ocasionalmente — já que tanto a bandeja de entrada quanto a de saída funcionam como tampas que protegem a entrada de pó no interior da impressora. Esse sistema de alimentação pela frente também facilita a vida daqueles que pensam em colocar sua impressora em algum lugar de acesso mais restrito como uma vaga na estante ou prateleira, obviamente tomando-se o cuidado de manter um espaço livre nas laterais para que o ar circule livremente pelo seu interior. Na parte de trás, temos apenas a entrada de força e a porta USB:

Com relação as suas especificações técnicas, a ML-1665 é uma impressora monocromática com resolução de 1.200 x 600 ppp e que imprime até 16 ppm com folha A4 ou até 17 ppm em Carta. Ela vem equipada com um processador de 150 MHz e 8 MB de memória interna. E como era de se esperar de um modelo de entrada, ela trabalha no modo GDI (onde a geração da imagem a ser impressa é assumida pelo sistema operacional) utilizando um protocolo de impressão proprietário que a empresa chama de SPL (Samsung Printer Language). Seu ciclo de trabalho está em torno de até 5 mil páginas/mês e ela conta com suporte para Windows e Mac OS X.

Ao contrário de seus antecessores como a ML-1610, o acesso ao interior da ML-1665 é feito por cima, bastando levantar a bandeja superior…

… para ter acesso ao compartimento do toner.

Ao remover esse componente, podemos ver que tanto o mecanismo de impressão (e o percurso do papel por ele) é bastante simples, o que facilita por exemplo, a remoção de mídias no caso de atolamentos.

Assim como a HP, o cartucho de impressão da ML-1556 — modelo MLT-D104S (preço sugerido de R$ 169)—  incorpora no mesmo volume o cilindro de imagem e a carga de toner para aproximadamente 1.500 páginas segundo a norma ISO/IEC 19752. Observe, porém, que o cartucho inicial que acompanha o produto tem autonomia menor: aproximadamente 700 páginas. Pelas minhas contas somarmos a autonomia do toner inicial + o custo da compra do primeiro toner usuário irá passar um bom tempo (ou ~ 2.200 impressões) pagando 7,7 centavos de real por página impressa. A partir da compra do segundo toner o custo de impressão da ML-1665L fica em torno de 11 centavos de real por página impressa.

Alguns podem até torcer o nariz para essa solução de toner com cilindro integrado em favor de outras concorrentes onde o toner esses dois componentes são vendidos separadamente. Pela minha experiência, tanto uma quanto a outra solução apresentam suas vantagens e desvantagens mas, em ambos os casos, elas se baseiam na possibilidade de o cilindro de imagem se danifique antes do esperado. Caso isso ocorra, o sistema de toner independente pode levar  vantagem no sentido de que a tinta pode ser transferida para o novo cartucho. Entretanto, ela ai por terra caso o segundo cilindro também se danifique antes do esperado, aumentando assim os custos de manutenção. Sob esse ponto de vista, a solução da Samsung tem a vantagen de oferecer um cilindro novo a cada troca de toner.

O procedimento de instalação e desinstalação do toner é bastante simples: Basta alinhar os ressaltos do cartucho com as guias internas da compartimento, deixar o mesmo escorregar para o seu interior e encaixar o mesmo na sua posição correta por meio de uma leve pressão. A bandeja superior possui duas colunas internas que mantém o toner no lugar quando baixado.

Como é comum entre as impressoras de entrada, o painel de controle da ML-1556 se resume a duas luzes indicadoras (problemas no alimentador de papel) e conexão/alerta do PC, um botão de conexão com o PC (que também é usado para outras operações como impressão de frente/verso ou o print screen da tela do PC via utilitário oferecido pela Samsung) e o botão liga/desliga.

Seu driver de impressão oferece a maioria dos recursos desejáveis numa laser monocromática, cujo foco se concentra mais nos modos de como imprimir uma página (normal, duas páginas na mesma folha etc.) do que outras outras características como qualidade fotográfica. Mesmo assim ela guarda alguns recursos  interessantes como impressão de livretos, frente e verso e até mesmo pôster (quebra uma grande imagem em diversas folhas).

Um utilitário muito interessante que já acompanha o produto é o Samsung AnyWeb Print, um utilitário para Internet Explorer que permite tirar cópias e imprimir o conteúdo de páginas web da maneira que as visualizamos na tela do computador.

Nos testes realizados, a ML-1665 imprimiu nossos documentos de referência no modo normal a 11,42 ppm (páginas por minuto), o que ficou muito próximo do que há haviamos medido na ML-1610 (11,74 ppm). No chamado modo de melhor qualidade o desempenho caiu para 11,19 ppm o que para nós é algo desprezível. Isso ocorre porque ao contrário das jato de tinta, a velocidade do mecanismo de impressão tende a ser constante ficando a qualidade da imagem mais ligada à quantidade e na maneira com que o toner é aplicado no papel. Isso talvez explique a ausência de um modo “rascunho” no seu driver de impressão.

Outro fenômeno curioso que observamos ao trabalhar com a ML-1665 é a sua capacidade de trabalhar com papel úmido — uma mídia manhosa que costuma engasgar em muita laser de maior porte. No nosso caso, a saída do papel chegava a “soltar fumaça”— ou mais exatamente vapor d’água — resultando num material impresso sequinho mas não ao ponto de chegar a enrolar a folha como já cheguei a ver em algumas concorrentes. Se isso foi proposital trata-se de um grande feito de engenharia e algo muito desejável numa impressora de entrada onde o usuário não costuma imprimir todos os dias nem possui estufa para manter seu papel seco.

Como é padrão neste zumo nossos testes de qualidade e desempenho são feitos utilizando os modelos de impressão padrão ISO-IEC 24712:

Com relação à qualidade de impressão a formação das letras é bastante precisa, com curvas suaves e não serrilhadas tanto no modo normal quanto no de melhor qualidade:

Nesse detalhe, podemos ver a diferença entre o modo nomal de impressão…

… e com o modo econômico ativado ou seja menos toner é aplicado à imagem. De qualquer modo se levarmos em consideração que as letras D e E dessa imagem tem ~ 5 mm de altura essas diferenças não são muito perceptíveis a olho nu.

Nos testes de impressão de fotos em preto e branco, podemos afirmar que o dizer que o driver da impressora soube reproduzir bem as áreas de alto constraste e também os meios tons de cinza.

Com relação ao consumo, pudemos ver pelas nossas medições de que no modo de dormência a ML-1665 consumiu algo tem torno de 1,7 watts, mas ao responder à um comando vindo do PC (primeiro pico) o consumo subiu para ~ 342,0 watts e no ínicio da impressão (hora em que ele esquenta o mecanismo de impressão) o consumo teve um pico de 653,8 watts, caindo para uma média de 35o watts durante todo o tempo levado para imprimir um documento de cinco folhas, seguindo depois para um patamar de comsumo de 2,5 watts no seu modo de stand by por alguns instantes antes de voltar a dormir.

Nossas conclusões:

Para mim, a decisão de optar por uma laser monocromática sempre dependeu de dois dilemas: primeiro o custo de aquisição,  segundo, a sua real necessidade de imprimir em cores. No primeiro caso os preços das lasers em cores estão num patamar de preços bastante atrativos ao ponto de encostarem nos preços de algumas jato de tinta topo de linha. Já o segundo caso eu acredito que o uso de cores só se justifica se você imprime muitas fotos, já que a não ser que você seja um web designer ou profissional da área, não vejo porque uma página web, um email, extrato de conta ou mesmo um boleto de banco — não possa ser em preto e branco. E analise bem tudo aquilo que você imprime e veja realmente o que você guarda e o que acaba em pouco tempo na lata de lixo.

Assim, se você se convencer que uma laser pode ser um investimento viável o que podemos dizer é que a ML-1665 é uma laser simples, funcional e honesta e que faz tudo aquilo que poderiamos esperar de uma laser mono. Ela não é uma impressora lerda nem barulhenta e sua qualidade de impressão é bastante satisfatória.

Resumo: Samsung ML-1665
O que é isso? — Impressora laser mono para uso pessoal.
O que é legal? — Operação simples, boa qualidade de imagem.
O que é imoral? — Vem com um cartucho de toner com meia carga de tinta.
O que mais? — Acompanha um utilitário de impressão de conteúdo web.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 299.
Onde encontrar: www.samsung.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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