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Review: Impressora laser em cores Oki C110

 

Para aqueles que precisam imprimir documentos e relatórios em quantidade e qualidade e não estão satisfeitos com os resultados “caseiros” de uma jato de tinta, a solução pode estar na C110 uma das lasers mais acessíveis do mercado a oferecer a opção de cores.

Voltada para o mercado doméstico e pequenos escritórios, a C110 se encaixa numa classe de produtos que poderíamos chamar de  “impressora monocromática com capacidade de imprimir cores“. Essa idéia meio estranha nasceu em meados desta década como uma estratégia dos fabricantes de tentar quebrar a resistência dos usuários em consumir impressões em cores ( na época sinônimo de alto custo). Para isso eles reduziram o custo da impressão em preto dos seus modelos em cores para que se aproximassem das monocromáticas.  Isso fica mais claro ao analisarmos as características dos consumíveis da C110:

  • Cartucho de toner preto Oki modelo 44250716 para 2.500 impressões (preço sugerido R$ 189).
  • Cartucho de toner ciano Oki modelo 44250711 para 1.500 impressões (preço sugerido R$ 189).
  • Cartucho de toner magenta Oki modelo 44250710 para 1.500 impressões (preço sugerido R$ 189).
  • Cartucho de toner amarelo Oki modelo 44250709 para 1.500 impressões (preço sugerido R$ 189).

Isso mostra que, pelo mesmo custo dos cartuchos em cores, o preto imprime 1.000 páginas a mais o que reduz sensivelmente o seu custo de impressão em mono (R$ 0,08 em preto x R$ 0,38 em cores). Mas para que essa idéia dê certo é necessário que as pessoas mantenham a disciplina de utilizar mais o preto nas suas atividades do dia a dia e usar cores apenas quando necessário, uma estratégia por sinal também adotada em alguns modelos a jato de tinta.

Medindo aproximadamente : 39,6 x 27,5 x 38,0 cm (LxAxP) e 14,4 kg de peso — a C110 não é exatamente um equipamento compacto, mas suas dimensões são bem reduzidas para um modelo em cores principalmente se levarmos em consideração que ela incorpora quatro mecanismos de imagens (ciano, magenta, amarelo e preto). Ele vem equipado com um processador de 80 MHz, 16 MB de memória interna e carga de trabalho de até 35 mil páginas/mês o que um valor bastante respeitável para um equipamento voltado para uso pessoal e pequenos negócios. Como era de se esperar de um modelo de entrada, ela só trabalha no modo GDI onde a geração da imagem a ser impressa é assumida pelo sistema operacional. O sistema conta com drivers para Windows 7, XP, Vista, 2000 e 2003, incluindo versões para 64 bits. Infelizmente nenhum suporte para Mac OS X ou Linux.

Em nome da simplicidade, a C110 adota algumas soluções de design muito parecidas com outras lasers de entrada como a Samsung ML-1665 ou seja, nada de sistemas de alimentação elaborados para alimentação de papel — apenas uma simples entrada frontal tipo “ponte levadiça” para até 200 folhas e uma abertura semelhante na parte de cima para recolher o material impresso. Para mim a vantagem dessa solução é que quando fora de uso a C11o se fecha completamente, impedindo assim a entrada de impurezas no seu interior. Em contrapartida a pilha de papel de entrada fica parcialmente exposto ao ambiente exposta ao ambiente de trabalho (entenda-se umidade, poeira e até mesmo um clipe que ficou em cima da primeira folha e que pode entrar junto com o papel no mecanismo de impressão). O ideal nesse caso é o usuário coloque na máquina somente a quantidade de papel que ele realmente irá utilizar no seu trabalho.

A bandeja de entrada aceita mídias de diversos tamanhos e espessuras incluindo etiquetas e papel cartão. Observe porém que ela não aceita algumas mídias especiais voltadas para jato de tinta como papéis fotográficos.

De fato existe até um aviso em diversos idiomas onde notamos que a versão PT-BR não deixa claro que estamos falando de papel.

Na lateral direita podemos ver a chave geral que liga/desliga o equipameto, algumas informações técnicas adicionais e um recesso na sua base (também presente no lado oposto) que serve como um ponto de apoio para as mãos o que facilita a sua movimentação e transporte.

Finalmente na partes de trás podemos ver a entrada de força (100~127 volts / 8,2 A) e a entrada da sua porta de comunicação USB 2.0. Observamos que a C110 não oferece nenhum suporte interno para rede, mas o PC nele conectado pode compartilhá-lo com outros PCs através do Windows.

Abrindo uma porta superior temos acesso ao seu mecanismo de impressão cujo espaço está quase que totalmente ocupado pelo seu cilindro de imagem.

Para removê-lo, basta  segurar na sua alça banca e puxá-la para cima.

Segundo o fabricante essa componente (modelo 44250801) é considerado mais uma peça de manutenção do que um consumível, já que com vida útil estimada em 45.000 impressões em perto (ou 11.250 em cores) a empresa acredita que o usuário nem chegue a substituir essa peça durante sua carreira de uso.

Sem o cilindro podemos ver que o percurso do papel pela impressora até que é bastante linear com o papel entrando horizontalmente por baixo, fazendo uma leve curva para cima passando pelo processo transferência de imagem e fixação saindo quase que na vertical pelo fusor antes de fazer outra leve curva para cair na bandeja de saída. Esse percurso “suave” é por sinal uma das grandes sacadas dessa impressora já que por causa disso ela consegue trabalhar com mídias até que bem pesadas — até  até 209 g/m² — o que é quase três vezes mais que uma folha de papel sulfite de copiadora (75 g/m²), caso por exemplo de mídia para cartões de vistas.

O acesso aos cartuchos de toner é feito por meio de outra porta fontal localizado logo acima da entrada de papel. Em nome da economia de espaço, a C110 utiliza um curioso sistema de toner onde os cartuchos ficam montados numa espécie de tambor que gira como uma roda gigante. Isso faz com que tenhamos acesso à apenas um cartucho por vez…

… que pode ser facilmente removido puxando uma trava frontal.

Para aqueles que mexeram com o produto desligado na loja pode até ter a errada idéia que a C110 só funciona com um cartucho. Para se ter acesso aos outros toners é preciso fechar sua portinha frontal e, com o equipamento ligado pressionar o botão  Rotate Toner por alguns segundos para entrar no modo “troca de toner” onde a cor que pode ser acessada é indicada no seu painel superior por meio de um LED aceso. Pressionando novamente o botão faz com que as cores se alternem na saída. Note à direita o botão dentro de um anel amarelo que cancela imediamente qualquer impressão em andamento.

O processo de instalação da C110 não poderia ser mais simples já que o CD de instalação contém apenas os driver e a documentação do produto. Nenhum programa e/ou utilitário de impressão é oferecido nesse pacote.

O driver de impressão da C110 oferece opções de configuração bastante elaboradas porém nada muito fora da caixa ou seja, ela oferece quase tudo aquilo que poderiamos esperar desse recurso, mas nada além disso.

Um bom exemplo é a aba “Marca d’água” presente em diversas impressoras mas que recebe um tratamento todo especial na C110:

De qualquer modo, aconselhamos que o usuário passe algum tempo estudando esse driver já que alguns recursos importantes não ficam muito em destaque. Por exemplo a opção de imprimir somente e em preto (e a de economia de toner) está na aba Qualidade dentro da janela Cor que — como era de se esperar — oferece diversas opções de ajustes.

Mas o que realmente senti falta na C110 é o suporte para impressão no modo duplex (mesmo que seja manual), de fato essa opção até existe na aba “Layout”  (Dois Lados) mas ele está desativado.

Sob Testes:

Nos testes realizados, pudemos comprovar na prática o que significa ter uma impressora mono com opção de trabalhar em cores, já que o comportamento da mesma em cada um desses modos difere radicalmente:

No modo monocromático, em nossos testes a C110 imprimiu no modo normal (600 x 600 ppp) a 11,9 ppm o que é um desempenho muito bom para uma impressora de entrada ou seja, veloz o suficiente para que o usuário não tenha a impressão de estar perdendo tempo na frente da impressora. Para nossa satisfação a formação dos caracteres é muito boa com curvas bem formadas e sem serrilhados nas linhas diagonais tanto no modo 600 x 600 ppp quanto 600 x 1.200 ppp.

(modo 600 x 600 ppp)

(modo 600 x 1.200 ppp)

(modo 600 x 600 ppp — economia de toner ativado)

De fato, só podemos notar o modo de economia de toner em ação em gráficos blocados e hachuras:

(modo 600 x 600 ppp “normal”)

(modo 600 x 600 ppp com econonomia de toner)

 

Para uma laser de uso geral a C110 reproduz imagens e gráficos de excelente qualidade — mas nada comparável com uma jato de tinta fotográfica — isso porque C110 trabalha com tinta seca (que não se misturam tão facilmente como as tintas à base de líquido) de modo que ela ajusta os tons e contrastes apenas controlando a intensidade dos pontos. Observamos porém que em casos extremos como grandes blocos de cor totalmente em preto pudemos notar leves variações de tons que se manifesta na forma de faixas mais ou menos claras. Mas como disse, trata-se de uma situação excepcional que pode acontecer uma vez na vida e outra na morte.

Isso fica mais evidente nas impressões em cores onde o processo de geração de imagem lembra muito a usada em jornais e revistas:

E já que estamos falando em cores, nos nossos testes de desempenho a C110 imprimiu nossas páginas de testa a 4,3 ppm, menos que a metade do que o modo em preto. Isso porque para gerar uma página em cores as lasers em cores fazem isso por etapas ou seja, ao contrário das jato de tinta onde todas cores são aplicadas ao mesmo tempo no papel. Na C110 cada camada de cor (ciano, magenta, amarelo e preto) é gerada uma de cada vez e aplicada no cilindro de imagem antes de ser transferida para o papel. De fato podemos até ouvir o movimento dos cartuchos de imagem (quatros cliques e claques) dentro da impressora antes do documento impresso sair da mesma:

Esse tempo extra necessário para imprimir em cores pode ser observado no seu gráfico de consumo de energia onde o gráfico da esquerda (antes da marca de 1 min) representa a impressão de 5 páginas (em cores) no modo monocromático e a mesma impressão no modo em cores. Paarada, a C11o consumiu algo em torno de 9,5 watts alcançando um pico de consumo de 948 watts. Mas no geral o consumo máximo ficou entre 750 a 800 watts e a media nos 300 watts. Segundo o fabricante seu nível de ruído fica em torno de ~50 dB em uso e ~29 dB em stand by.

Nossas conclusões:

Como dissemos no início desse review, é preciso ter um certo cuidado ao avaliar a Oki C110 já que, dependendo do ponto de vista — ou mais exatamente as necessidades  de impressão — de cada usuário poderá levar à conclusões completamente diferentes para esse produto, tanto para o lado bom quanto para o ruim.

Como pudemos ver, a C110 se comporta muito bem como uma impressora monocromática combiando boa qualidade de impressão, bom desempenho e um custo por página impressa (R$ 0,08) relativamente baixo. Já no modo em cores a velocidade de impressão cai, o custo por página impressa sobe (R$ 0,38) mas pelo menos a qualidade de impressão se mantém boa. Ou seja fica claro que esse produto é realmente voltado para aqueles que desejam trabalhar essencialmente com preto mas que gostariam de contar com os recursos de cor para alguma eventualidade, como imprimir um lote de cartões de visita em casa ou preparar um elaborado relatório técnico para ser entregue para alguma empresa. E cá entre nós — nesse último caso — para mim  uma impressão a laser em cores ainda passa uma sensação de profissionalismo ao contrário das jato de tinta que me lembra algo “feito em casa” como um trabalho escolar. Agora se o foco do usuário é de trabalhar intensivamente com cores, aí a própria empresa recomenda outro modelo, nesse caso a Oki C330.

Na nossa opinião — se a idéia é de incentivar o usuário a usar mais preto do que cor — esse ajuste deveria estar bem em destaque na aba Básico (acima) ou até mesmo ter um controle instalado na própria impressora a exemplo que a Samsung fez com o botão “modo econônico” presente em algumas de suas impressoras. Quando perguntei para o executivo por que eles tinham feito isso (já que essa função já existia por software) ele me explicou que o botão estava lá por dois motivos: a primeira para dizer para o usuário “olha eu aqui… me usa!” e a segunda (quanto ativado) para dizer “olha eu estou economizando toner!” Obviamente na C110 um botão “imprimir em pretro/cor” poderia ter até uma terceira função muito mais prática que seria de evitar do usuário imprimisse algo em cores quando a intenção era em preto.

Com o preço sugerido de R$ 699 a Oki tem um posicionamento de preço bastante agressivo apesar de que —  como é meio que padrão nesse segmento de mercado — os cartuchos de toner que acompanham o produto são do tipo “starter” — uma maneira elegante de dizer “com pouca tinta” — com autonomia de apenas 500 páginas (incluindo o preto). Isso faz com que a primeira troca de toner ocorra bem antes do que o usuário possa esperar o que pode não ser um susto tão grande no caso do preto — já que R$ 160 é um valor dentro da média do mercado — mas que poderá ser no caso dos toners em cores (R$ 160 x 3 = R$ 480) .

Isso pode ser até ser um desaforo se levarmos em consideração que um cartucho individual para jato de tinta custa hoje algo na faixa dos R$ 30. Mas como esses cartuchos tem autonomia relativamente baixa e que precisam ser trocadas mais de um por vez (o que abala um pouco o mito cartucho barato) e isso sem contar no incômodo de ter que parar seu serviço e ir na loja para comprar mais suprimentos, talvez seja melhor gastar mais uma ou duas vezes por ano do que um pouquino a cada duas (ou mais) semanas.

Assim nossa conclusão é que a C110 não é um produto que não deve ser comprada por impulso e sim baseada numa minuciosa avaliação das suas reais necessidades de impressão, e acho que é pra ajudar nisso que a gente escreve esses reviews aqui no Ztop né?

Resumo: Oki C110
O que é isso? — Impressora laser mono com suporte para cores para uso pessoal/SMB.
O que é legal? — Operação simples, ótima qualidade de imagem, imprime sobre papel cartão.
O que é imoral? — Vem com um cartuchos de toner incial com menos tinta, não oferece suporte para impressão frente e verso.
O que mais? — Desempenho varia muito do modo mono para o colorido. Não oferece suporte para Mac OS X ou Linux.
Avaliação: 7,5 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 699.
Onde encontrar: Oki Printing Solutions

ela trabalha no modo GDI (onde a geração da imagem a ser impressa é assumida pelo sistema operacional) utilizando um protocolo de impressão proprietário que a empresa chama de SPL (Samsung Printer Language). Seu ciclo de trabalho está em torno de até 5 mil páginas/mês e ela conta com suporte para Windows e Mac OS X.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • benny 08/08/2011, 15:44

    Oi, e para imprimir transfer em camisetas à cores? Qual a qualidade das cores em relação às grandes máquinas das lojas de xerox"? É que estava lendo paa saber se valea pena pela qualidade e preço, já que imprimmos em lojas de "xerox" e pagamos muito por isso, com o preço das camisetas ficando caras para os nossos clientes (e jato de tinta não fica com uma qualidade tão boa quanto às das máquinas de "xerox"). Se puderem avaliar e avisar quando publicaram a resposta, agradeço! att. benny

    • mnagano 08/08/2011, 16:10

      Oi Benny,

      Não fizemos esse teste, mas não vejo porque não funcionaria.

      Nosso único conselho — para não dizer alerta — é que caso você queira fazer esse teste que você use uma mídia de transfer especialmente feita para Laser/Xerox e não aquela para jato de tinta.

      Isso porque o transfer de jato de tinta é diferente e foi feito para trabalhar a frio ao contrário da versão para laser que precisa resistor as altas temperaturas do fusor.

      [ ]s

      M.

  • Marindia Boscatto 09/12/2011, 14:15

    Boa tarde. Comprei esta impressora para fazer estampas de camiseta, só que até agora não acertei o papel transfer que devo usar nesta impressora. Saberia me dizer? Agardo contato, obrigada.

  • Douglas Shibuya 30/01/2012, 12:42

    Boa tarde amigo, meu toner amarelo acabou, antes estava funcionando uma maravilha, troquei o toner, e agora quano faço a impressão sai uma faixar pretas na folha..pode me ajudar.

    Abraço
    Douglas

  • Ricardo Favero 01/10/2016, 11:37

    a minha esta aparecendo um faixa branca na pagina toda na vertical o que pode ser ???

    • Mario Nagano 03/10/2016, 10:08

      Isso costuma ser algum problema no pente de LED ou cilindro de imagem/impressão.

      Sugiro que você tente limpar o pente de LEDs com um pano de microfibra (ou aqueles sachês de limpeza de lentes) e se isso não resolveu, tente trocar o cartucho de toner ou o cilindro de imagem.

      • Ricardo Favero 03/10/2016, 11:00

        o que seria esse pente de leds???

        Em 3 de outubro de 2016 10:08, Disqus escreveu:

  • Adriano De Lima 04/10/2016, 14:23

    Estava lendo feliz e contente lendo o review e pensando que no final iria perguntar:
    Nagano, por que você não aproveita e faz um teste desta impressora usando Linux!?
    Aí cheguei nas considerações finais…. ;-(
    Mesmo assim, gostaria de ler sobre a tentativa de procurar imprimir usando um sabor de Linux com grande suporte de HW pra ver a experiência de uso.