Review: Impressora Epson PictureMate Charm (PM 225)

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Modelo portátil imprime fotos 10 x 15 cm em menos de um minuto com ou sem a ajuda de um computador.

Nos últimos anos, as impressoras jato de tinta para uso doméstico vêm passando por uma crise existencial — para não dizer luta pela sobrevivência — sendo pressionadas de um lado pelas multifuncionais cada vez mais versáteis e do outro pelas lasers cada vez mais acessíveis. Conclusão? Alguns fabricantes optaram pela extinção da tecnologia, outros se adaptaram ao novo ambiente com tarefas especializadas.

Um bom exemplo são as impressoras fotográficas, um nicho onde a tecnologia a jato de tinta ainda oferece vantagens se comparado com a concorrência, desde os modelos de grande formato capazes de imprimir cartazes e banners de até 1,62 metros de largura até os modelos compactos que só imprimem fotos de 10 x 15 cm. Este por sinal é o caso da Epson PictureMate PM225 Charm que recebemos para testes aqui no ZTOP.

Um pouco maior que um pote de sorvete (23,1 x 14,9 x 16,9 cm — LxAxP) e 2,2 kg de peso (2,7 kg com o carregador + cartucho de tinta instalado, a PictureMate PM225 é um modelo mais voltado para aqueles que precisam de uma solução simples, rápida e direta para imprimir fotos de até 10 x 15 cm (ou mais exatamente 4 x 6 polegadas) sem o uso de um PC. Assim, ela é uma solução interessante para eventos e ocasiões especiais onde o anfitrião pode presentear seus convidados com uma foto tirada e impressa na hora, uma lembrança bem mais consistente que um álbum no Facebook.

Fechada, a PictureMate lembra muito uma caixinha térmica com sua alça que facilita o transporte. A fabricante oferece ainda uma bolsa de transporte opcional feita para carregar a impressora e todos os seus suprimentos e acessórios dentro de um único volume.

Ao levantar a tampa, temos acesso à entrada de papel e ao painel de controle. A bandeja de saída se abre quando liberamos uma trava localizada no canto superior direito.

Os controles em si são simples e intuitivos, ao ponto de qualquer pessoa poder imprimir uma foto mesmo sem ler o manual de instruções. E no caso de dúvidas, algumas dicas e orientações são apresentadas pelo próprio equipamento na  sua tela LCD com interface já traduzida para o português.

Para os padrões atuais, sua tela LCD de 2,5″ é relativamente pequena e sua resolução baixa, de modo que ela serve mais como um auxílio visual para usar a impressora do que um instrumento de pré-visualização e tratamento de imagem.

Curiosamente, notamos que a tampa superior possui uma janelina de acrílico fumê que fica mais ou menos sobre a tela LCD.

Inicialmente achávamos que se tratava de alguma máscara de tela especial que permitiria operar a PictureMate sob a luz do sol mas vimos que isso não era viável.  Agora, nosso melhor palpite é que ela serve apenas para ver se a impressora não foi esquecida ligada.

Logo abaixo do painel de controle estão entradas para cartão de memória flash. A impressora aceita os padrões SD/SDHC, MMC, xD, Memory Stick/Pro e CF, assim como os padrões Mini e Micro SD e MS Duo com o uso de adaptadores (não inclusos). Uma luz verde localizada a direita dos slots informa que a mídia está conectada corretamente e sendo acessada.

Logo atrás da tela fica a entrada de papel, com capacidade máxima de até 20 folhas.

Apesar de a Epson não especificar a capacidade máxima da bandeja de saída, o bom senso nos diz que o usuário deve evitar que muitas fotos recém-impressas se acumulem sob o risco de a tinta da foto de baixo manchar a parte de trás da foto de cima. De fato a Epson recomenda que a foto impressa descanse e seque pelo menos 24 horas antes dela ser colocada em um álbum ou em uma moldura .

Na parte de trás da PictureMate temos acesso a outros compartimentos, entrada de alimentação e outras interfaces.

Como era de se esperar de um produto voltado para mobilidade, a PM 225 também funciona ligada auma bateria de íons de lítio opcional (preço sugerido: R$ 189). Segundo o manual do usuário, ela se comporta como uma bateria de notebook: se recarrega quando a impressora está ligada na tomada, levando quase 2 horas para completar sua carga com a impressora desligada. demorando um pouco mais caso esteja ligada e imprimindo.

Logo abaixo desse espaço fica o compartimento do cartucho de tinta (mais sobre isso adiante).

E no canto superior esquerdo ficam duas portas USB: Uma do tipo A (a esquerda) e outra do tipo B (a direita).

E por que duas portas? A USB do tipo B é usada essencialmente para ligar a PictureMate a um PC para usá-la como uma impressora normal. Nesse caso a Epson até oferece um utilitário conhecido como Easy Photo Print que agiliza o procedimento de selecionar imagens e colocá-las numa fila para enviar para a impressora. Tanto esse programa quanto outros (incluindo os drivers mais recentes) para a PM 225 estão disponíveis para download no site da empresa.

Já o conector USB do tipo A tem diversos usos como conectar um memory key (para acessar/imprimir o seu conteúdo) ou ligar uma câmera digital via PictBridge, tecnologia criada em 2003 pela CIPA que permite que uma câmera controle a impressora como se fosse um PC, permitindo até selecionar algumas opções como layout, número de cópias, recorte da imagem etc.

Outra utilidade para essa porta é a de instalar um adaptador Bluetooth. Isso permite, por exemplo, que um telefone celular envie uma foto direto para a PictureMate sem usar um cabo de comunicação.

Neste caso, o problema é que a Epson até tem um adaptador Bluetooth de marca própria para essa aplicação, mas ele não é comercializado por aqui. A boa notícia é que a PM 225 até funciona com um adaptador genérico, mas a má notícia é que nem todos eles são compatíveis de modo que o usuário pode ter um pouco de trabalho (ou não) para encontrar um que funcione.

A entrada de alimentação da PM 225 utiliza um conector de desenho proprietário de três pinos, sendo um deles um sinal de controle.

Isso faz com que a fonte de alimentação dessa impressora seja algo meio que fora do que estamos acostumador a ver no mercado (42 volts x 0,6 A) de modo que a mensagem subliminar neste caso é bastante clara: cuide bem dela e não a perca!

Finalmente, na parte de baixo da impressora notamos que existe uma abertura retangular tampada com um painel na mesma medida. Inicialmente pensei que ela serviria para instalar algum tipo de upgrade de hardware, mas como essa tampa está firmemente presa no lugar, acreditamos que seja algum tipo de acesso ao mecanismo de impressão usado pelo pessoal da manutenção.

Assim como já fazia a HP com suas impressoras Photosmart da série A, a estratégia de consumíveis das PictureMate não é de vender “papel e tinta para impressão” e sim um “pacote de impressão” (Print Pack), formado por um generoso maço de papel fotográfico de 4″ x 6″  e um cartucho com tinta suficiente para imprimir tudo.

No Brasil, a Epson comercializa dois deles: o T5845-M Matte (preço sugerido: R$ 110) que vem com um cartucho de tinta mais 100 folhas de papel “fosco” o que daria R$ 1,10 por foto e o T5846 Glossy (preço sugerido: R$ 140) formado pelo cartucho de tinta mais 150 folhas de papel brilhante, o que resultaria num custo de R$ 0,93 por foto.

Talvez o que mais chame a atenção nesse produto é o tamanho do seu cartucho de tinta que me fez lembrar das boas e velhas fitas Betamax. Para uma empresa que sempre investiu forte na idéia que cartuchos individuais, esse formato pode parecer meio estranho, mas a estratégia nesse caso é de simplificar as coisas para o usuário final, incluindo a manipulação dos consumíveis.

O cartucho vem equipado com quatro reservatórios de tinta (preto + magenta + ciano + amarelo). Note que as saídas de tinta do modelo novo possuem uma película de plástico indicando a falta de uso. Acredito que o furo mais à direita e fora do alinhamento seja uma espécie de respiro.

E como outros cartuchos de tinta da casa, este também possui o notório chip contador de impressões.

O processo de instalação é bastante simples: basta inserir o cartucho no seu slot e voltar a alavanca de trava para a posição de trancado. Acredito que esse movimento também rompa os lacres, liberando o fluxo de tinta.

Em funcionamento:

Como já dissemos anteriormente, a PictureMate é um equipamento bastante simples de usar: Basta inserir o cartão de memória (ou memory key) na impressora, selecionar as fotos a serem impressas, o seu respectivo número de cópias e mandar imprimir.

Para facilitar a vida do usuário, todos esses passos são acompanhados pela sua interface na tela que dá dicas de operação, como informar qual botão deve ser pressionado para avançar para o próximo passo. Tudo em português.

Para mim, uma coisa que não me agradou nesse procedimento é a maneira como o sistema ajusta uma imagem capturada num formato (4:3) que não se encaixa no layout da foto a ser impressa (3:2). Nesse caso, o que ele faz é definir por c0nta própria a área de recorte (linha azul) usando como referência o centro da foto não se importando se isso vai ou não cortar a perna ou cabeça de alguém.

Assim, como a impressora não oferece nenhuma opção do usuário mover esse recorte para nenhum lado, o melhor é editar a imagem no PC e fazer a edição desejada antes de mandar para a impressora ou passar a fotografar no formato 3:2.

Nos testes realizados, a qualidade de impressão da PictureMate é realmente muito boa. Segundo a Epson, sua tecnologia de impressão Advanced MicroPiezo foi otimizada para impressão de fotos com a cabeça de impressão, sendo que cada cor primária dispõe de 90 ejetores de tinta, resultando numa resolução máxima de 5.760 x 1.440 ppp (pontos por polegada).

No exemplo abaixo, pudemos ver que a foto final possui um acabamento brilhante, cores vivas e bem contrastadas, praticamente idêntica ao que obtemos em ampliações de mini-lab fotográfico ou em sistemas de dye-sublimation. Segundo a empresa a durabilidade dessa impressão é estimada em 200 anos se colocada em um álbum guardado em um local protegido da luz direta do sol ou 96 anos exposta numa moldura com proteção de vidro.

De fato só podemos ver que a tecnologia de impressão é a jato de tinta quando ampliamos a imagem e podemos notar que a imagem é formada por nuvens de pontos coloridos, algo imperceptível a olho nu.

Fora isso, a PM 225 oferece diversos modos de impressão com e sem borda, além de fazer prova de contatos (até 20 por folha).

Fora isso, também é possível imprimir mais de uma foto por folha — ou mais exatamente duas fotos de 5 x 7,5 cm ou oito de 3,5 x 4,5 — note que essas dimensões são ligeiramente maiores que alguns formatos usados em documentos oficiais como 5 x 7 cm (foto de passaporte) e 3 x 4 cm (identidade). Isso abre uma perspectivas muito interessantes de usar a PictureMate em lojas que oferecem esse tipo de conveniência. Interessante notar que nesses modos também é possível imprimir fotos diferentes no mesmo papel, o que torna esse recurso ainda mais versátil.

A PictureMate também incorpora diversos filtros de imagem, como conversão de uma foto em cores para sépia ou preto e branco (embaixo), correção de olhos vermelhos, otimização de cores para certas cenas (paisagem, pessoas, fotos noturnas), colocar a data em que a foto foi tirada etc.

Observamos, porém, que de acordo com a demanda de processamento necessária para aplicar esses filtros — somado ao tamanho da imagem — pode comprometer o desempenho da impressora, que demora mais a começar a imprimir.

Além dos testes de qualidade, também costumamos fazer alguns testes de maus tratos para ver se a foto é capaz de resistir a alguns acidentes do dia a dia. Para isso fizemos diversas cópias da mesma foto e as deixamos descansar por mais de um dia para garantir que elas estão realmente secas.

O primeiro teste que fazemos é o de vinco, onde dobramos a foto no meio (tanto pra dentro quanto para fora) e fazemos um vinco bem forte para ver se a foto sobre algum dano. Em alguns casos a película da foto chega a romper de até descascar, mas nesse caso apesar do vinco a película resistiu firme e forte.

Nesse segundo teste, pegamos uma caneta esferográfica e tentamos escrever sobre a foto. Fazemos isso porque achamos interessante que o usuário possa escrever sobre a foto o que pode agradar aqueles que gostam de autografar ou escrever dedicatórias nas suas imagens. Nesse caso, o pior que pode acontecer é a esfera da caneta escorregar sobre a mídia e a tinta não sair ou até sair mas não se fixar adequadamente o que pode resultar em borrões ao passarmos o dedo. Novamente, no nosso caso a foto se comportou de maneira exemplar aceitando muito bem a tinta que não borrou.

Outro teste que fazemos é de derrubar algumas gotas d’água sobre a foto e deixar ela lá até se evaporar por completo. Em alguns casos (em especial nas impressões de jato de tinta com tinta à base de corante), a área molhada tende a soltar tinta formando assim algumas manchas que variam de um simples círculo colorido até uma mancha descolorida. No nosso caso, pudemos notar alguns danos na forma de anéis coloridos que podem passar até despercebidos por uma pessoa mais desatenta, mas elas estão lá.

E para chutar o balde fizemos o teste do copo, onde mergulhamos a foto num copo com meio-cheio de água e deixamos assim por alguns dias. Depois retiramos a impressão desse molho e a deixamos secar num varal para ver se houve alguma mudança dentre a metade de baixo em relação a metade de cima.

Para nossa surpresa, fora a foto (à esquerda) sair dessa prova meio torta devido a maneira como ela secou a imagem em si realmente não sofreu nenhum dano, algo notável se compararmos com o que ocorreu nos testes de respingos (à direita):

Nossas conclusões:

Com  o preço sugerido de R$ 779 a PictureMate não é exatamente um equipamento barato e o fato dela imprimir apenas em papel de 10 x 15 cm pode parecer algo limitante. Apesar disso achamos que ela faz e entrega o que promete ou seja, fotos de ótima qualidade a qualquer hora e em qualquer lugar — mesmo longe da tomada.

Se comparado com tecnologias como a Dye Sublimation nossa opinião é que tecnologia de jato de tinta da PictureMate evoluiu bastante e se não encostou chegou bem perto da sua concorrente cujo principal atrativo sempre foi sua qualidade da impressão praticamente idêntica ao sistema ampliação de mini-labs.

Neste caso, a vantagem fica por conta do seu custo por página impressa. Por exemplo se pegarmos uma solução de dye sublimation com características semelhantes a da PictureMate — como a Canon Selphy CP 800 (R$ 699) — e levarmos em consideração o custo do seu kit de impressão KP 36-IP (R$ 88) formado por um cartucho de ribbon e 36 folhas de impressão, temos um custo por cópia de aproximadamente R$ 2,40 ou quase três vezes o custo da cópia da PictureMate (R$ 0,93) usando o Print Pack de 150 folhas.

Assim acreditamos que além do usuário doméstico a PictureMate também atraia um público mais profissional que poderia incorporar esse produto ao seu pacote de serviços, desde estabelecimentos comerciais que poderiam vender fotos para documentos até fotógrafos de eventos que poderiam disponibilizar rapidamente cópias impressas de suas imagens para sua clientela.

E cá entre nós, quem não curte uma foto impressa na hora?

 

Resumo: Epson PictureMate P225 Charm

O que é isso? Impressora portátil para fotos 10 x 15 cm
O que é legal?
 Operação simples, versátil, excelente qualidade de imagem, custo de impressão pode chegar a menos de R$ 1 por cópia.
O que é imoral? Seu software de edição não é muito flexível. Sua tela LCD poderia ser maior e ter melhor resolução. Produto vem apenas com apenas 20 folhas de papel fotográfico (BOOO!!!).
O que mais?
 Seu desempenho varia de acordo com a carga de processamento e tamanho do aquivo, o que pode passar a impressão de que ela é meio lerda. 
Avaliação: 8,5
 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço estimado:
 R$ 779
Onde encontrar: 
www.epson.com.br

 

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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