Review: Huawei Honor

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A disputa pelo Android de R$ 999 fica mais interessante com o Huawei Honor (U8660-51). Como já disse sobre seu concorrente Samsung Galaxy S II Lite, é um smartphone que “faz bastante e cabe no bolso”, com muitos pontos positivos (promessa de Android 4.0, bateria) e alguns negativos (teclado).

Hardware

Nas configurações técnicas, o Honor é um aparelho intermediário. Com tela de 4 polegadas (854 x 480), 2 GB de armazenamento interno (com slot para até 32 GB adicionais em cartão microSD), 4 GB de ROM e processador single-core Qualcomm de 1,4 GHz (MSM 8255T), o Honor bate de frente com o Galaxy S II Lite (1 GHz dual-core, tela de 4″ 800 x 480, 8 GB de armazenamento interno).

O design do Honor é básico e simples: uma barra preta com tela grande rodando Android 2.3. Não tem a sofisticação do desenho dos seus irmãos maiores da linha Ascend, que a Huawei promete lançar ainda este ano no Brasil.

Nada de botões físicos na frente do aparelho, e a interface que vem de fábrica é customizada pela Huawei – mas dá para mudar para o padrão do Android.

Na lateral esquerda, apenas os controles de volume.

Abaixo, microfone e conector microUSB para recarga da bateria e troca de dados com o PC.

Acima, o conector do fone de ouvido padrão 3,5 mm e o botão de liga-desliga do Honor. A fabricante cita na descrição do produto que o boot ocorre “em 5 segundos”, o que não aconteceu por aqui – provavelmente essa amostra enviada para testes não é a final ainda.

Atrás, a câmera de 8 megapixels com flash LED e a tampa da bateria.

Que, ao ser removida, mostra o slot para SIM card (à esquerda acima), a entrada para o microSD e a bateria de 1.900 mAH.

Software e interface:

A interface padrão do Huawei Honor  tem um nome curioso: “Além do céu” (imagino que uma tradução literal para “Beyond the sky“?) – pelo menos é diferente dos TouchWiz e Senses da vida (mas já estão desenvolvendo um modo “Emotion” para os topo de linha). Nesse modo, a tela de bloqueio traz atalhos rápidos para telefone, mensagens, câmera e para o menu principal, a Huawei organizou apps em pastas e, bem, os botões inferiores da parte debaixo da tela podem ser trocados – menos o que dá acesso aos demais apps do aparelho. De qualquer modo, dá para trocar para o padrão do Android se quiser, e isso é bom.

Um fator muito interessante do Huawei Honor é que, por não estar sendo vendido por operadoras (mais sobre isso adiante) e sim direto pela fabricante, é que o aparelho vem com poucos adicionais (leia-se crapware) das operadoras e até mesmo dos fabricantes (estou falando com você, Samsung, que enche seus Androids de tralha inútil).

O único grande extra em software são os aplicativos de backup e sincronização com o serviço Cloud+ (que oferece mais 16 GB de armazenamento online – algo parecido com o que a Microsoft faz com o Skydrive nos Windows Phones).

Além de fazer backup na nuvem, dá para copiar os dados do aparelho em cartões de memória, algo bastante eficiente. Basta, claro, lembrar de fazer backups regularmente.

No software, o principal problema que encontrei se chama TouchPal, o método de entrada no teclado. Não é dos mais simples (nesse quesito, o da Samsung com Swype é muito mais eficiente) e tive que desativar o sistema de correção/sugestões automáticas de imediato, apenas por maus resultados.

Essa é a cara do teclado. Argh.

O Honor, de olho nos consumidores com planos de dados limitados, também vem com um contador de dados que fica na área de notificações. Não é nada novo nos Androids, mas é bastante útil.

Câmera e multimídia:

A câmera de 8 megapixels do Huawei Honor, como a maioria dos telefones, faz o básico bem feito. Gosto das cores durante o dia.

Mas o mais legal dela – e é algo ainda raro nos Androids (pelo menos nos intermediários) é a capacidade de fotografar em HDR (algo que o distante concorrente topo de linha iPhone 4S faz bem).

A mesma foto sem HDR:

E com o ajuste de contraste dinâmico ativado (que deixa o intervalo entre disparos mais lento, vale notar).

Em vídeo, também nada de grande destaque:

Mais amostras de fotos no nosso álbum no Facebook.

O Honor não roda vídeos em formatos alternativos, como AVI e MKV (ponto pro Galaxy S II Lite aqui). Mas vale uma observação minha: hoje em dia, pelo menos em padrão SD, arquivos em MP4 estão cada vez mais populares, certo? O Huawei roda MP4 bem, então a ausência de AVI não é um grande problema.

Desempenho

Nos benchmarks padrão do Android, o Huawei Honor tem um bom desempenho, comparável ao do Galaxy S II Lite em algumas categorias (navegação e vídeo) e um pouco abaixo dos resultados do concorrente (desempenho – creio que por conta do processador dual-core do modelo intermediário da Samsung.

– Vellamo Browser (navegador): 921 pontos // 832 pontos no Galaxy S II Lite
– Quadrant Standard Edition (desempenho) 2.078 pontos // 2.857 pontos no Galaxy S II Lite
– AnTuTu Benchmark (desempenho): 3.647 pontos // 5.159 pontos no Galaxy S II Lite
– NenaMark 1 (vídeo):  51,3 quadros por segundo // 56,6 quadros por segundo no Galaxy S II
– NenaMark 2 (vídeo):  30,2 quadros por segundo // 36,4 quadros por segundo no Galaxy S II

Vale lembrar que em Androids nossas referências em desempenho são o Galaxy S II e o foblet Galaxy Note, ambos da Samsung.

Bateria: em um dia de uso intenso (3G, GPS, e-mail, ligações, Twitter, Instagram, Foursquare, Facebook, Internet, SMS, música), a bateria levou 9h50 para atingir o nível de 29%. Número muito bom para o aparelho, que também tem um modo de economia de energia (que nem foi ligado, por sinal). E nada a reclamar sobre o telefone: boa qualidade de som para fazer e receber ligações, incluindo Skype.

Conclusões

O Honor representa uma nova fase no Brasil para os chineses da Huawei (que já até lançaram o smartphone Pulse por aqui no passado e têm uma parcela considerável do mercado de modems 3G no país, além de fabricar equipamentos de infra-estrutura de redes). Em vez de oferecer o aparelho direto nas operadoras, a Huawei optou pela venda direta online em sua loja – e esse modelo deve ser seguido para os próximos aparelhos.

Para o comprador, são dois fatores a considerar: é bom porque o aparelho vem desbloqueado e sem porcaria das operadoras, mas é ruim pois o preço final pode não ser tão interessante  quanto em uma operadora, que oferece descontos de acordo com o plano escolhido.

Em desempenho, o Honor funciona bem, com menção honrosa para a incrível performance da bateria. Na média, dá para dizer que fica na mesma com o Samsung Galaxy S II Lite. E aí fica a pergunta: qual dos dois aparelhos escolher, já que ambos têm o mesmo preço desbloqueado (sugerido de R$ 999)?

Pelo design e por um possível melhor preço em operadoras, vá de Samsung. Pela garantia de upgrade para Android 4.0 (e, com isso, ter praticamente um novo aparelho), o modelo da Huawei é a escolha (já questionamos mais de uma vez a comunicação da Samsung sobre uma possível atualização do S II Lite, mas não tivemos resposta ainda).

Resumo: Huawei Honor (U8660-51)
O que é isso? Smartphone com sistema operacional Android 2.3.6 (upgrade prometido para junho para Android 4.0)
O que é legal? Tela grande, bom desempenho, boa câmera em HDR.
O que é imoral? teclado virtual fraco, com correção automática ruim.
O que mais? já vem desbloqueado e com customização que pode ser desativada.
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 999
Onde encontrar:  Huawei Smart Store

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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