Review: HP Pro All-in-One MS219br Business PC

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Se 2009 foi o ano do netbook, acredito que em 2010 iremos descobrir o “PC tudo-em-um“, desktops com cara de monitor LCD que incorporam todos os componentes (placa-mãe, processador, discos, monitor etc.) num único módulo e que vêm com a proposta de oferecer uma solução simples e prática para aplicações do dia a dia. Entre os big players que se posicionam nesse mercado está a HP com sua linha de all-in-one NS200/NS210. Tivemos acesso ao modelo HP Pro All-in-One MS219br Business PC, que como o próprio nome sugere, é um equipamento especialmente voltado para uso empresarial e pequenos negócios.

Se comparado com o impressionante HP Touchsmart série 600, o NS219br é um equipamento bem mais simples — sem tela touchscreeen —, mas que incorpora alguns recursos ainda pouco usuais em computadores de mesa como webcam e microfone embutidos na moldura do monitor e interface Wi-Fi 802.11b/g. Assim como o atual iMac ou o Dell Studio 19, seu gabinete de 47 x 33 x 4,5 cm (LxAxP) fica suspenso sobre um pequeno, porém sólido, pedestal na forma de “L” que ajuda a  liberar bastante espaço na área de trabalho, permitindo até deixar o teclado sob o computador quando ele não estiver em uso. Como ainda é moda no mercado, tanto o monitor quanto o teclado e o mouse vêm adornados com detalhes em black “não olha feio que eu risco” piano.

Assim como nos notebooks, diversos componentes ficam distribuídos nas laterais do computador, como o gravador de DVD e controle de brilho na lateral esquerda…

… e as saídas de som, duas USB e leitor de cartão SD/MMC/xD à direita. Seu ponto de fixação com a base é articulada, o que permite inclinar a tela num ângulo mais confortável para o usuário.  Digno de nota é descobrir que esse pedestal também conta com um curioso pezinho giratório na sua base, para girar o conjunto tanto para à esquerda quanto para à direita.

Na parte de trás o visual do NS219br é bastante limpo e sóbrio, bom para usar em locais de contato com o público – como recepções, por exemplo. Curiosamente não encontrei nenhum ponto de fixação para trava de segurança padrão Kensington, mas na falta desse é possível abertur ado suporte para “amarrar” o computador à perna da mesa. Pode não ser uma solução muito elegante, mas é melhor do que nada. Note o acabamento fosco do gabinete e do suporte, mais resistente a riscos e marcas de dedos (yay!).

As interfaces na parte de trás se limitam ao essencial: entrada de força, porta de rede Fast Ethernet (10/100 mbps), quatro USB 2.0 e uma saída de áudio out. Nada de firewire, antena de TV, segunda porta de vídeo SVGA, DisplayPort etc., o que enfatiza a mensagem de que esse equipamento abre mão do excesso de recursos (que seu público alvo pode nem usar) em favor de simplicidade de instalação e uso.

De fato é possível colocar esse desktp em operação em pouquíssimo tempo, já que o processo de instalação se limita a retirar o computador da caixa, colocá-lo na mesa, ligar o mouse, teclado, cabo de rede e a fonte de alimentação na tomada e pressionar o botão de ligar.

Vale a pena observar que a HP já equipa seus produtos com novo plug de tomada de três pinos padrão ABNT/NBR 14136, que não entra na tradicional tomada padrão americano de dois pinos chatos e um redondo.

Nesse caso a solução pode estar no uso de um adaptador, como o modelo fabricado pela SMS que encontrei no site da Kalunga pela bagatela de R$ 4,50.

Alguns poderiam até questionar se não valeria investir num notebook em vez de um all-in-one. Apesar de ambos serem frutas, acho que nesse caso estamos comparando maçãs com laranjas: enquanto o grande atrativo dos portáteis está na sua mobilidade, para mim o ponto alto do MS219br está na sua praticidade e conforto de uso.  Além de ocupar pouco espaço, o desktop da HP vem equipado com uma generosa tela LCD wide de 18,5″ com resolução nativa de 1.366 x 768 pixels, item ainda raro tanto em notebooks quanto em desktops de entrada. Os alto-falantes estéreo de 2 watts ficam embutidos numa barra localizada logo abaixo do monitor, dispensando o uso de caixas de som externas que, pra mim, só servem para bagunçar a área de trabalho.

Seu teclado é macio e seu mouse óptico tem boa ergonomia, podendo ser usado tanto por pessoas destras quanto canhotas.

Uma coisa que me chamou a atenção nesse teclado é a reorganização do layout das suas teclas de função, em especial a tecla de Delete que, como no teclado do Lenovo T400s, ganha destaque ocupando o espaço de duas teclas de altura e que, segundo David Hill, do blog Design Matters,  possui um forte envolvimento emocional com o usuário quase no mesmo nível da tecla “Enter” (que representa conclusão, realização). E como disse Hill, quem não adora marretar a tecla Del quando recebemos aquelas ridículas mensagens da chefia cheia de irrelevâncias? 🙂

Para mim, a única coisa estranha — para não dizer meio bizarra — do desenho do MS219br é a localização do seu indicador de acesso ao disco rígido que — apesar de grande — fica num local praticamente impossível de ser visto de frente pelo usuário (a não ser que utilize algum tipo de espelho retrovisor).

Outra vantagem desse equipamento sobre os portáteis é sua facilidade de manutenção e upgrade. Por exemplo, para remover o pedestal basta remover uma pequena tampa de plástico para ter acesso aos parafusos de fixação.

Eu achava que a abertura do suporte servia apenas para organizar cabos mas também serve para facilitar o uso da chave de fenda.

O que nos permite ter uma visão mais clara do desenho e padrão de construção do pedestal:

Ao remover uma pequena tampinha de borracha, temos acesso a dois parafusos que liberam o gravador de DVD (à esquerda) e dão acesso ao compartimento do disco rígido (à direita).

Ao remover este último, podemos ver o disco rígido SATA de 3,5″ — modelo Seagate Barracuda 7200.12 de 250 GB e 7.200 rpm — montado numa gaiola metálica.  Para removê-lo basta levantar a alça e puxar o módulo para a esquerda.

Note o generoso uso de metal na sua estrutura interna, o que garante uma boa solidez da plataforma.

Ao remover o parafuso da esquerda e empurrar uma peça no local indicado, é possível remover o gravador de DVD, um modelo TS-L633 com suporte para LightScribe feito pela TSST (Toshiba Samsung Storage Technology).

Finalmente, removendo outra tampinha de borracha no lado esquerdo, temos acesso ao seu banco de memória RAM…

… formado por dois pentes de memóris SODIMM DDR2 800 de 2 GB cada totalizando 4 GB de RAM plenamente utilizado pelo sistema, já que o MS219br vem equipado com um SO de 64 bits.

Internamente, o MS219br ainda vem equipado com um processador AMD Athlon X2 3250e de 1,5 GHz (TDP de 22 watts) com soquete AM2 e sua placa-mãe é baseada num chipset AMD m780G que também integra uma aceleradora gráfica ATI Radeon HD 3200. Ao contrário dos outros modelos voltados para o usuário doméstico, a versão analisada já vem com Windows 7 professional de 64 bits pré-instalado de fábrica e um pacote de software mais voltado para empresas como o o pacote de aplicativos/produtividade Microsoft Works 9 e sistemas de suporte para o usuário como o HP Advisor, HP Hardware Diagnostic Tools e o HP Support Assistant. Além disso 8 GB do disco rígido são reservados para manter uma imagem de segurança do sistema original, o que permite retornar o computador para as configurações originais de fábrica.

Sob testes:

Assim como o Pentium Dual Core, o AMD Athlon x2 me parece ser uma marca que começa a mostrar sinais de idade principalmente se comparado com seus concorrentes mais novos, em especial com a chegada dos chips Clarkdale como o Intel Core i5 e Core i3 que, de um certo modo, vão mudar a maneira como vemos o mercado de PCs mainstream. No nosso caso, o Athlon X2 3250e é um chip mais voltado para baixo consumo do que desempenho propriamente dito, ou seja ele estaria mais para brigar com o Atom do que com o Core i3 propriamente dito.

O mesmo poderia ser dito da sua aceleradora gráfica HD3200, mas nesse caso essa GPU me parece ser bem mais negócio que o Intel GMA 950/X3100.

Esses fatores refletiram diretamente sobre seus testes de desempenho, onde no índice de experiência do Windows 7 o MS219br obteve apenas 3,2 pontos de 7,9, sendo seus resultados mais modestos vindos do processador e gráficos.

O mesmo pode ser notado do HDxPRT que avalia o desempenho/experiência de uso em High Definition:

Nos outros testes, o Clarkdale bateu 66  pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05 e 2.474 pontos no PCMark Vantage. No AutoGK 2.45, o sistema levou apenas 2h35m14s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo)  feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 6h39m42s utilizando um thread e 5h15m53s com quatro Threads.

Para avaliar o desempenho do processador rodamos o CINEBENCH R10 e os resultados foram os seguintes:

Rendering (Single   CPU): 1.229 CB-CPU
Rendering (Multiple CPU): 2.337 CB-CPU
Multiprocessor Speedup: 1.9
Shading (OpenGL Standard): 1.642 CB-GFX

O Super-Pi do David Lopes:

E segundo o EEcoMark 1.0.0 384 (sem considerar o uso do monitor) nosso sistema consumiu em média 67,5 watts em idle, 8,75 watts no modo sleep e 6,84 watts em off segundo o Energy Star V4.

Para se ter um cenário de uso mais real, eu peguei meu medidor de energia e monitorei o sistema rodando o PCMark 2005. Na média ela consumiu em média de 52,8 watts (linha amarela) com picos de 68,6 watts.



Esses números mostram que o público alvo do MS219br não é quem procura um equipamento voltado para alta produtividade e desempenho — como edição de imagens, vídeos, cálculo de projetos de engenharia, etc — e sim paras atividades mais ligadas ao dia a dia onde as pessoas passam o tempo inteiro trabalhando com aplicações departamentais, elaborando documentos, consultando informações, cadastrando dados, trocando mensagens etc.

Pelo preço sugerido de R$ 2.399, o MS219br não é um equipamento barato, mas acredito que versões mais simples — digamos com apenas 2 GB de SDRAM e unidade de CD-RW/DVD combo — poderiam atingir uma faixa de preço mais em conta. De fato acho que versões ainda mais simples sem unidade de disco óptico poderiam até encontrar seu espaço em departamento de telemarketing, cybercafés, telecentros, escolas e assim por diante. Pode não ser a solução para os problemas mais complexos, mas que atenderia muito bem aquelas aplicações cujas demandas sejam bem especificadas em especial no mundo nos negócios, onde alguns computadores passam o dia inteiro rodando apenas um programa.

Resumo: HP Pro All-in-One MS219br Business PC
O que é isso? Desktop de uso geral voltado para aplicações comerciais.
O que é legal? Construção sólida, uso confortável e não ocupa muito espaço na mesa de trabalho.
O que é imoral? Desempenho modesto, luz de acesso ao disco fora do campo de visão do usuário.
O que mais? Deve bater mais de frente com as soluções baseadas em Atom 330 do que Core 2 Duo/Core i3.
Avaliação: 6,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 2.399 (versão analisada)
Onde encontrar: www.hp.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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