Review: GPS Motonav TN30 da Motorola

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Apesar de a tecnologia de GPS não ser novidade para a  Motorola, esta é a primeira vez que a empresa investe  nessa linha de produtos para o consumidor final. São eles os Motonav TN20, com tela de 3,5 polegadas, e o Motonav TN30 (foto) com tela de 4,3 polegadas. No geral, ambos oferecem os mesmos recursos de navegação mas, como não poderia deixar de ser, além da tela maior o TN30 também oferece suporte de viva-voz para qualquer aparelho celular com bluetooth.

Este Zumo passou — ou melhor, passeou — algum tempo com o TN30 e constatou que o primeiro GPS da casa é um produto de uso bastante simples, prático e sem muita frescura, o que pode agradar — ou não — aos adeptos da marca.

Medindo aproximadamente 12,1 x 8,1  x 1,7  cm (LxAxP) e 170 gramas de peso, o TN30 não é maior que um handheld, o que facilita carregá-lo no bolso. Produto típico do design americano, seu visual é limpo, funcional e bem construído. Seu seu corpo em plástico preto fosco (que até lembra os primeiros pagers e Startacs) parece ter disposição para resistir bem aos maus tratos do dia a dia como um esbarrões ou uma queda acidental.

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O sistema é baseado no Destinator V8 e que aparentemente roda sobre alguma versão do Windows CE da Microsoft:

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Tanto o TN20 quanto o TN30 vem equipados com um alto-falante traseiro que é mais usado pelo sistema de orientação por voz e que está disponível em três idiomas: português brasileiro, espanhol e inglês. A voz é feminina, limpa e clara mas sem opção de troca. Apesar disso, existe ainda a opção de selecionar quais mensagens serão faladas (ou não) como nome de ruas, manobras etc.

Segundo a empresa, sua bateria recarregável tem autonomia estimada em torno de quatro horas e pode ser recarregada por meio da sua porta USB por meio de um adaptador de rede elétrica ou acendedor de cigarro que já acompanha o produto. Pode parecer muito mas pela nossa experiência, aconselhamos que o usuário mantenha sempre o carregador à mão no caso de um percurso mais longo ou congestionamento mais demorado.

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Segundo a empresa, esse adaptador de carro não pode ser usado para recarregar os celulares da Motorola. O curioso é que alguns adaptadores de rede elétrica dos celulares da empresa podem ser usados no Motonav já que eles não vem com esse acessório.

A maioria dos controles externos se concentram na lateral direita do TN30 como os botões de liga/desliga, o slot para cartão SD e a porta USB. A exceção fica por conta do botão de reset que fica discretamente oculto na sua base. Vale a pena observar que a entrada de cartão serve apenas para adicionar novos mapas, ou seja, nada de suporte para fotos ou músicas.

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Entre os acessórios que acompanham o Motovav, destaque para seu suporte de parabrisa com trava de ventosa, equipada com um eixo semi-rígido que pode ser dobrado com um pouco (mais) de força, resultando assim numa plataforma bastante firme e estável para uso do GPS no carro.

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Para aqueles que tem receio de deixar o GPS tão à vista dentro do carro, acompanha o produto um curioso acessório na forma de um disco com adesivo forte de um lado e uma superfície lisa no lado oposto, permitindo assim usar a ventosa do suporte em algum local mais discreto ou protegido, como no painel ou console central do veículo.

Configuração e uso:

A interface do TN30 é bastante limpa formada por apenas quatro funções principais: determinar destino, ver o mapa, fazer ligação telefônica (que não existe no TN20) e configuração do sistema. Com menos elementos visuais, fica mais entrar com informações e/ou entrar com comandos na sua tela sensível ao toque, principalmente quando transitamos por vias mal conservadas:

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Recurso exclusivo do TN30, a opção Chamar permite conectar o GPS a qualquer celular de qualquer marca equipado com bluetooth e fazer ligações diretamente na tela do Motonav até por meio de comandos de voz (desde que o celular disponha de tal recurso). Ao contrário de alguns concorrentes, o TN30 não transfere sua lista de contatos para sua memória interna, mas registra os números de suas últimas ligações que podem ser usadas para novas chamadas:

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Entre suas diversas configurações internas, o que mais me chamou a atenção foram as opções de rota, que permitem evitar alguns elementos indesejáveis no cálculo de percursos, como vias pedagiadas ou locais perigosos. Na minha opinião, tais opções deveriam ficar mais a mão — como na hora de determinar o percurso —  ao invés disso ficar escondidas por trás de quatro níveis de menu.

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Outra opção permite visualizar os número de satélites captados pelo GPS e as coordenadas espaciais do usuário. Ótimo para impressionar as garotas e os amigos.

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Na opção Destino, o usuário pode selecionar um endereço previamente cadastrado (Localizações Recentes e Casa) ou digitar um novo no seu teclado virtual que pode ser configurado para trabalhar no modo alfabético (ABC) ou  QWERTY, como nos teclados de PC (o meu preferido). Não é necessário acentuar o texto e o sistema também sugere opções a partir de partes da palavras. Já a opção Meus Favoritos permite organizar seus destinos por meio de grupos criados pelo usuário ou pré-definidos como amigos, bares, Business etc.

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Um dos grandes atrativos dos Motonav é o fato dos mesmos já virem equipados com o conteúdo de dois guias nacionais: o Guia Quatro Rodas e o TeleListas. A intenção da empresa é de atualizar as informações desses guias regularmente a cada seis meses sem custo adicional para seu usuário (uia!).

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Nesses guias, o usuário pode procurar informações de produtos e serviços diversos por meio de tópicos ou palavras-chave. Como é época de páscoa, fizemos um teste usando a opção “Chocolates Kopenhagen” e o sistema retornou diversas opções classificadas de acordo com a distância e, ao optar por um deles (como o mais perto), o GPS mostra o endereço do mesmo e sua localização no mapa. Ai é só botar o pé na estrada.

Passeando com o Motonav

Assim como seus concorrentes, o Motonav pode mostrar listas de direções (c0m opção de evitar algum trecho) ou mapas do percurso completo, mas a opção mais usada é o modo 3D que pode ser visualizado no chamado modo diurno, que funciona melhor na penumbra do que sob o sol direto…

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… e o modo noturno que mininiza o excesso de brilho no interior do veículo:

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Abaixo, podemos ver as principais informações disponíveis na tela de navegação:

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O sistema oferece um conjunto de informações simples e de fácil uso, apesar de sentirmos a falta de algumas opções interessantes como a velocidade do veículo ou realmente úteis como o cálcular a rota para chegar até um horário pré-determinado. No caso do Motonav, as rotas são calculadas de acordo com sua configuração interna, que dá preferência para o caminho mais rápido (por vias principais) ou o caminho mais curto (por atalhos) feito por carro. Existe ainda o curioso modo pedestre onde o GPS mostra apenas sua localização atual e o caminho até o seu objetivo sem determinar uma rota baseada no sentidio das ruas ou orientações em tempo real. Isso pode parecer estranho, mas pode ser útil para mensageiros e até mesmo turistas que andam por aí abrindo e fechando mapas de papel no meio da calçada.

Veja aqui uma demonstração de rota por carro:

E o mesmo percurso no modo a pé:

Depois de passar alguns dias andando de lá pra cá com o Motonav no Zumo-móvel, minha experiência com o produto foi boa no sentido de que o GPS traçou caminhos — na minha opinião — bastante coerentes, recalculando rapidamente mudanças de rotas (ao contrário do cálculo inicial) nos momentos em que desobedeci o sistema optei passar pelo meus caminhos preferidos, funcionando assim mais como um orientador de navegação do que  um guia onisciente.

A única anormalidade que percebi no sistema foi ao trafegar pela Via Anchieta (SP 150) em direção a São Paulo: numa certa parte do trajeto, apesar do Motonav pedir para entrar na via expressa da rodovia (entrar à esquerda) eu preferi ir em frente me mantendo na marginal, seguindo — na prática —  a mesma direção e sentido. O curioso é que o GPS  não percebeu essa mudança, mostrando na tela que eu entrei e me mantive via central pelo resto do percurso…

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… apesar de estar na pista do lado…

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…e,  por causa disso, ignorou completamente a necessidade de avisar sobre a proximidade do entroncamento quando a marginal se encontrava com a via principal. Aconteceu algo semelhante ao fazer o caminho de volta quando desobedeci o GPS e peguei a marginal. E não foi problema de satélite torto já que o mesmo ocorreu todas as vezes que peguei a Anchieta em diferentes dias da semana.

Fora essa pequena anormalidade, não percebi nenhuma ocorrência realmente grave ao ponto de me levar para um endereço errado ou para o fundo do rio Tietê. Os mapas me pareceram bem atualizados e — a exemplo dos guias —  deverão ser atualizados regularmente sem custo adicional. Também é intenção da empresa colocar em breve um site do produto dentro do portal da empresa no Brasil, onde o usuário poderá fazer downloads e sugerir alterações nos mapas, já que os Motonav não incorporam nenhum serviço de conexão online.

Como dissemos no início desse review, a intenção do TN30 é ser um produto simples, prático e sem muita fescura ou recurso mirabolante, o que pode ser considerado algo positivo ou negativo dependendo do usuário.

Isso me faz lembrar da comparação entre uma raposa com um porco-espinho, ou seja, para fugir dos predadores, a raposa conhece um monte de truques que nem sempre funcionam como o esperado. O porco-espinho por sua vez conhece apenas um truque que funciona sempre e muito bem, diga-se de passagem. >;^)

Se o seu objetivo é de apenas chegar ao endereço correto da maneira mais simples e prática possível, podemos dizer que o Motonav é um ótimo porco-espinho!

Resumo: Motonav TN30
O que é isso? GPS para uso pessoal e em navegação em carros.
O que é legal? Uso simples e intuitivo, atualização gratuita de mapas e conteúdos.
O que é imoral? Faltam recursos como velocidade do veículo ou chegar ao destinatário até uma certa hora. Seu carregador de carro não é compatível com os celulares da empresa.
O que mais? Curiosamente, esse GPS não vem com carregador de tomada mas ele aceita um carregador de celular da Motorola.
Avaliação: 5,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.190 (TN30) e R$ 799 (TN20)
Onde encontrar: www.motorola.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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