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Review: Câmera digital Fujifilm X-T1

De olho no mercado profissional e usuários avançados, a Fujifilm X-T1 é a primeira DSLM da série X com “look and feel” de uma câmera reflex clássica preparada para resistir as intempéries  do tempo, como chuva, neve e até pó.

Para quem achava que a Fujifilm não tinha mais o que inventar para sua linha X, eis que o pessoal de Akasaka tira da cartola uma nova câmera sob medida para atender um público que, não era necessariamente atendido e/ou atraído pelas suas “rangefinders digitais” como a X-10/20, X-100s, X-E1/E2 e X-Pro1.

Estamos falando da nova Fujifilm X-T1:

Curiosamente, ela não é a primeira câmera da série X com “look and feel” de uma SLR clássica, já que esse crédito deve ser dado a X-S1, uma super-zoom com lente de zoom manual (porém fixa), cujo protótipo mockup vimos pela primeira vez antes do seu lançamento num evento reservado em 2011 aqui em São Paulo.

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Se comparado com esse modelo, a X-T1 deixou para trás as linhas curvas e “orgânicas” adotando linhas mais retas, mas não ao ponto de comprometer a sua ergonomia. Isso fica evidente ao vermos que suas laterais mantém algumas linhas curvas, assim como a empunhadura é mais saliente do lado esquerdo, o que proporciona uma pegada bem mais firme e confortável.

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Medindo aproximadamente 12,9 x 9,0 x 4,7 cm (LxAxP) e 440 gramas de peso (com a bateria e cartão de memória) a X-T1 é uma câmera de porte médio — nem muito grande, nem muito pequena — o que se encaixa bem na proposta de ser uma câmera de uso geral. Como muitos já podem ter notado, seu visual segue o mesmo estilo clássico das câmeras profissionais de foco manual dos anos 1980 como a Nikon F3 ou a Canon F1n (embaixo):

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Se comparado com as câmeras de desenho mais atual como a Olympus E-30, podemos ver que o modelo da Fuji é dono de um conjunto bem mais compacto, porém sem sacrificar seus controles:

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Porém, o que mais me impressionou nesse design é o quanto a X-T1 é parecida com a Olympys OM-D E-M5 — apesar de que o corpo desta ser ligeiramente menor (ou menos encorpado), o que compromete um pouco a sua ergonomia, principalmente para aqueles usuários com mão grandes — problema por sinal, que a X-T1 tão padece.

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Fora isso, é preciso deixar claro que, tecnicamente falando, tratam-se de animais bem diferentes já que — por exemplo — a X-T1 adota um Sensor APS-C X-Trans CMOS II (23,6 x 15,6 mm) de 16 MP enquanto que a E-M5 segue o padrão Micro Four Thirds (18 x 13,5 mm) também de 16 MP.

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Sob esse ponto de vista, a X-T1 leva vantagem sobre a E-M5 já que foto-sensores maiores proporcionam melhor captura de imagem e isso sem contar algumas bruxarias tecnológicas que o pessoal da Fuji implementa nos sensores que, por sinal, eles mesmo fabricam.

Um desses truques é o curioso arranjo de filtros de cores que ajuda a minimizar com mais eficiência o efeito moiré e as falsas cores sem a necessidade de usar um filtro óptico low-pass. Isso possibilita a câmera maximizar a captura de imagens com maior resolução, gravando cada foto com luminosidade e clareza em toda a área da imagem.

Fuji_X-E1_filtro_cor1

Segundo a Fuji, os filtros de cores convencionais usam uma disposição repetida de conjuntos de 2×2 pixels, o que tende a gerar efeito moiré e falsas cores. Esse problema é controlado com o uso de um filtro óptico low-pass inserido entre o filtro e a lente. No entanto, o próprio filtro low-pass degrada a resolução da imagem.

XPro1_Color-filter-array-before

Para resolver esse problema, os criadores do sensor da Fuji procuraram inspiração na disposição aleatória dos grãos finos de haleto de prata nos filmes fotográficos, que adotam uma disposição mais complexa e aleatória de conjuntos de 6×6 pixels. Esse arranjo evita a redução na resolução e garante a captura de imagens com maior definição suportando ampliações de até 2,7 x 1,8 metro (!)

XPro1_Color-filter-array_aftera

Outra novidade é a integração de pixels de detecção de fase no sensor de imagem o que permite que a câmera consiga focalizar imagens utilizando tanto essa tecnologia quanto o método de detecção por contraste (o chamad AF Híbrido Inteligente) automaticamente de acordo com a cena e condições de exposição de modo que a empresa afirma que seu novo mecanismo de foco é o mais rápido do mundo (0,08 segundo), além de aumentar a precisão do foco automático ao fotografar objetos de baixo contraste e cenas escuras.

E é claro que tudo isso também é possível graças ao uso do Processador de imagem EXR II um chip equipado com dois núcleos de processamento + um processador reconfigurável o que permite realizar rapidamente diversas tarefas como remover olhos vermelhos, reconhecer faces, capturar panoramas em tempo real, fazer buscas complexas, capturar vídeos em HD etc. Fora isso ele também conta com uma aceleradora gráfica de vetores, usado gerenciar sua interface com o usuário.

Fuji_xt1_EXR_processor_IIa

Essa combinação singular dos filtros de cores, sistema de foco híbrido e processador de imagem multi-core permite capturar imagens com precisão e baixo ruído mesmo em condições bem extremas como o exemplo abaixo…

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… cujo resultado é — no mínimo — de cair o queixo:

Fuji_xt1_low_light2

1/13s / f1.2 @ ISO 800 — Clique para ampliar

Fuji_xt1_low_light2a

Detalhe da imagem (100%)

Além disso, uma das vantagens de dispor de um amplo sensor APS-C é a capacidade de criar um belo efeito bokeh — aquele desfocado do segundo plano da foto obtida ao fotografar com pequena profundidade de campo.

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E apesar dessa câmera trazer no seu interior (e até um pouco no exterior) o DNA da série X, a X-T1 não é apenas um X-E1/X-E2 com visor no topo e sim um projeto novo e cheio de novidades, o que é algo muito legal diga-se de passagem.

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Como é comum nessa linha, o chassis da X-T1 é feito de liga de magnésio fundido, o que garante leveza, resistência, durabilidade e um alinhamento mais preciso entre a lente e o sensor de imagem. Até onde sabemos a X-T1 só será oferecido na cor preta, o tom preferido pelos profissionais pela sua discrição. E por falar nisso, essa câmera possui um curioso “modo silencioso” que desativa todos os sons, o flash e outras luzes emitidas pela câmera.

Fuji_xt1_chassis

A Fujifilm também gosta de enfatizar de que suas câmeras e lentes da série X (ou pelo menos seus modelos mais topo de linha) ainda são fabricadas no Japão, algo que para muitos ainda é um grande atrativo.

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Fora isso, a X-T1 também é a primeira câmera da série X a ser protegida contra as intempéries do tempo, como respingos d’água, entrada de pó e temperaturas extremas (-10°C a +40°C com nível de humidade de 10% a 80%). Além disso, sua tela LCD traseira também é protegida por uma camada de vidro temperado.

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Mas antes que você pense em fazer embaixadinhas com essa câmera ou derrubá-la no chão de propósito só para impressionar as garotas e seus amigos nerds, avisamos que essa câmera pode ser até à prova de mau tempo, mas não de quedas e impactos acidentais. Para essas façanhas, a Fuji recomenda a Finepix XP.

E junto com esse lançamento, a Fuji também anunciou uma nova linha de lentes weatherproof — que serão identificadas pelo sufixo WR — e serão lançadas durante este ano de 2014. Entre elas estão a X F18-135mm F3.5-5.6 R OIS WR, a XF 16-55mm F2.8 R OIS WR  e a XF 50-140mm F2.8 R OIS WR — sendo essas duas últimas com abertura máxima de f2.8 (uia!)

Fuji_xt1_WR_lens

O curioso é que na sua opção de venda na forma de kit de lente + câmera, a X-T1 virá com a XF 18-55 mm/f 2.8-4 R LM OIS, uma lente zoom de 3x para uso geral (equiv. 27~82 mm) com estabilização de imagem que também acompanha a X-E1/E2.

Fuji_XF 18-55 mm

Observamos porém que essa lente não é do tipo WR o que pode parecer um paradoxo — como vender um jipe com capota de papelão — mas que até faz sentido sob o ponto de vista mercadológico, já que as chamadas “kit lens” costumam ser os modelos bem mais em conta que os topo de linha da casa, pesando assim menos no preço final para o consumidor. A boa notícia é que, pela nossa experiência, a XF 18-55 é uma lente que oferece boa qualidade de imagem e possui um acabamento bem melhor do que muitas kit lens da concorrência que mais parecem brinquedos de plástico.

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Só não deixe ela tomar chuva na próxima vez que levá-la para passear fora de casa! 🙂

Com relação ao seu visual e facilidade de uso, apesar do seu design nos remeter à uma época onde a ciência da ergonomia ainda engatinhava, a X-T1 até que é dona de uma pegada bastante firme e confortável…

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… principalmente por causa de um curioso — porém eficiente — apoio para o polegar localizado na parte de trás da câmera. Isso é algo bem vindo, já que o seu balanço tende a puxar o conjunto para a esquerda, principalmente com o uso de lentes mais pesadas e/ou volumosas.

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A dica neste caso é de sempre usar a palma da mão esquerda como base para sustentar o corpo + lente, usando o polegar e o indicador para controlar o anel de foco e de zoom.

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E para melhorar ainda mais a ergonomia dessa câmera, a Fujifilm oferece a Empunhadura MHG-XT LG  (~R$ 449) um acessório opcional que é fixo na base da câmera e adiciona um volume adicional ao grip da câmera melhorando ainda mais a sua pegada.

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Fora isso, a Fuji ainda comercializa uma outra opção de grip opcional ainda mais sofisticado, mas falaremos dele mais adiante neste review.

Como muitos já sabem, a X-T1  adota o padrão de lente X-Mount (também conhecida como XF/XC) criado pela Fuji em 2012 como parte do lançamento da X-Pro1 em 2012. A primeira vista, ela lembra vagamente o padrão Four-Thirds com seu sistema de engate de três pontos e contatos eletrônicos na sua base (por sinal um pino a mais que no Four Thirds). Para quem não sabe, o fator de corte das lentes X-Mount é 1,5 de modo que uma lente “meia grande-angular” de 35 mm equivale a uma “normal” de 52,5 mm no padrão da Fuji.

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A câmera possui um obturador de Plano Focal com velocidade que varia de 30 seg. até 1/4.000 seg. ou de  1/4 seg. a 1/4.000 seg. no modo P (Program). No modo Bulb a exposição pode ser de, no máximo até 60 minutos e no modo T de  0,5 seg. até a 30 seg.

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A câmera ainda conta com disparador automático com atraso de 2 ou 10 segundos e intervalômetro (time-lapse) para até 999 fotos com pausa de 1 seg até 24 horas entre cada imagem.

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Seu botão de trava da lente fica na posição “de 7 horas” o que permite na teoria que o fotógrafo consiga pressioná-la bastando esticar um dos dedos da mesma mão que segura a câmera (direita). Essa posição parece boa, mas exige um pouco de prática principalmente entre os usuários (destros) de sistemas Nikon/Olympus cujo botão fica na posição de 3 horas e estão habituados de trocar a lente com a mão direita e segurar o corpo com a mão esquerda.

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E devido ao fato das câmeras da série X não terem caixa de espelho, a Fuji tira proveito disso para reduzir a distância entre o engate da baioneta e o sensor de imagem — 17,7 mm [1] — permitindo assim que o elemento traseiro da objetiva chegue o mais próximo possível deste último (1) — aproximadamente 7,5 mm — melhorando assim o seu desempenho óptico e a captura da imagem.

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Um efeito colateral dessa solução, é que devido à menor distância da baioneta em relação ao sensor, é tecnicamente possível instalar objetivas de outros padrões/fabricantes/épocas — por exemplo, Leica de rosca M39, Canon FD, Nikon F, Olympus OM, rosca M42, Arri, etc. — na X-Pro1 por meio de anéis adaptadores comercializados por terceiros o que abre inúmeras possibilidades para os fotógrafos da velha guarda que possuem lentes manuais que estão encostadas porque o corpo da câmera está obsoleto.

Fuji_xt1_adpatador_nikon

 

De fato, a X-T1 possui ajustes específicos para trabalhar com essas lentes totalmente mecânicas e sem contatos eletrônicos. No caso desses adaptadores mais simples é preciso ativar a função “FOTOG. SEM LENTE” (ou “SHOOT WITHOUT LENS”em inglês) o que faz com que a câmera ignore o fato de não estar trocando informações com a lente.

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De fato, até a Fuji comercializa um sofisticado anel adaptador para lentes Leica M (surgidas na década de 1950) a Fujifilm X-Pro 1 M-Mount Lens Adapter (~R$ 799). A diferença neste caso é que esse adaptador possui contatos eletrônicos que são usados para agilizar o processo de reconfigurar  a câmera para tirar o máximo proveito de uma lente manual, ajustando diversos parâmetros como distorções, iluminação, distância focal, etc. Observe porém que esse acessório só é compatível com lentes padrão Leica M (boo!)

Fuji_lens_adapter

Um recurso que vimos pela primeira vez numa câmera da série X é a presença de um disco de navegação/seleção dianteiro o que permite fazer ajustes rápidos na câmera (exposição/velocidade/abertura/etc.) Perto dele podemos ver a luz de auxílio ao foco/temporizador e um botão de função (Fn1) que sai de fábrica pré programado para fazer o acesso rápido ao controle de Bracketing e Filtros Avançados (mais sobre isso adiante).

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Já do lado oposto, podemos ver o conector PC Sync, ainda usado nos dias de hoje para usar a câmera com flash de estúdio e o seletor de modo de foco da câmera: [M]anual, [C]ontinuous e [S]ingle, que segue um estilo inalgurado com a Fujifilm X10.

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Para quem não sabe, o conector PC Sync não tem nada a ver com computador e sim é uma abreviação de “ProntorCompur“, dois fabricantes de mecanismo de disparo de câmeras (leaf shutter) da Alemanha que padronizaram o sistema conexão com flashes externos segundo a norma ISO 519.

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Neste caso, a velocidade de sincronismo (X-Sync) do flash é de 1/180 segundos, de modo que até existe uma marcação no seletor de velocidades indicando isso:

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Outro grande atrativo da X-T1 é o acesso rápido e intuitivo aos controles básicos da câmera — apresentados na forma de controles analógicos — o que também permite checar com apenas uma olhada, todos os ajustes de exposição da câmera, mesmo com ela desligada!

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Todos os dials, anéis e seletores sã0 feitos de alumínio usinado e possuem um agradável feedback táctil/mecânico — o que aumenta ainda mais o conforto operacional e o prazer de uso — além de passar a sensação de estarmos operando um instrumento de alta qualidade e  precisão.

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Note que tanto o seletor de velocidade quanto o de sensibilidade ISO travam na posição “A” (de Modo Automático) de modo que é necessário pressionar o botão do centro para liberar o movimento. Já o botão seletor do visor EVF/LCD — o chamado “VIEWMODE“— controla os diversos modos de uso da tela LCD e o visor eletrônico.

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Apesar de ser comum nas câmeras desse tipo não virem com flash embutido, é fato que a fuji não pode ignorar o fato do consumidor atual esperar/desejar/exigir esse recurso. Para resolver esse dilema, já acompanha a X-T1 o novo Fujifilm EF-X8, um flash TTL de desenho simples, compacto e não muito potente (número guia 8 para ISO 100 ou 11 para ISO 200 em metros) cuja característica mais curiosa é o fato do mesmo não usar pilhas…

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… já que o mesmo se alimenta da energia da câmera, aparentemente fornecido por um novo contato elétrico existente na sua sapata de flash, que não vimos em outros modelos da linha X. Observe que essa câmera também aceita flashes analógicos/com fotocélula padrão de mercado equipados com contato simples padrão X-Sync. E é claro que a X-T1 também aceita qualquer flash compatível com a série X.

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Ao ser instalado na câmera o EF-X8 mantém-se no firme lugar por meio de uma trava de pino que pode ser liberando ao pressionar um botão localizado na base do acessório:

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Para ligá-lo, basta levantar sua cabeça o que faz com que a fonte de luz fique quase que a 6 cm acima da câmera…

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… o que minimiza o risco de fotografar pessoas com aquele indesejável efeito de “olhos vermelhos” e — quando fora de uso — o flash fica deitado praticamente na horizontal, permitindo assim que o conjunto da câmera + flash + lente possa ser guardado numa bolsa de câmera ocupando o mínimo de espaço, o que pode ser uma mão na roda para aqueles que gostam de ter sua câmera sempre pronta para uso.

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O painel traseiro da X-T1 parece ser uma reformulação do design da X-E1 já que praticamente os mesmos controles estão presentes em ambos os modelos, porém dispostos de uma maneria diferente. Eu particularmente gostei desse layout já que os controles estão dispostos de maneira lógica e com bom espaçamento entre eles, sendo que a carreira superior de botões está dentro da idéia de concentrar a maioria dos controles na parte de cima da câmera, bem ao alcance dos dedos.

Observe porém que essa tela não é sensível ao toque o que — na minha opinião — não faz lá muita falta frente a fartura de controles e o público alvo dessa câmera, mais habituado a girar seletores e apertar botões do que encher a tela de marcas de dedos.

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Outro recurso bem vindo na X-T1 é sua tela articulada (algo que vimos pela primeira vez na X-M1) que permite uma maior flexibilidade no uso dessa câmera…

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… principalmente na hora de fotografar cenas de ângulos altos e/ou acima de uma multidão…

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… ou de ângulos de baixos e/ou olhando diretamente para baixo. Para o desprazer daqueles que gostam de tirar selfies, essa tela não pode ser rebatida 180° para frente o que dificulta a captura de auto-retrato. Novamente, não creio que isso faça muita diferença para seu público-alvo, mas quem sabe isso não pode ser melhorado na X-T2?

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Segundo a empresa, sua tela LCD de 3,0″ tem resolução de 1.040.000 pontos na proporção 4:3 que pode ser usada para enquadrar cenas…

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… revisar imagens…

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… funcionar como um simples painel de estado para mostrar os ajustes da câmera…

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… que podem ser rapidamente alterados com o uso de um recurso chamado “Quick Menu” ativado quando pressionamos o botão “Q“…

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…  localizado a direita da tela, junto com outros controles. Observe que apesar de não haver marcações, os quatro botões direcionais montados ao redor do botão MENU/OK também funcionam como botões de função reprogramáveis. Já o botão DISP/BACK é usado para alternar os diversos modos de tela da X-T1.

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Já no canto superior direito ficam os botões de trava de foco e abertura/exposição e um segundo disco de seleçã0 traseiro. Observe que ao contrário de outros modelos esse disco não possui a opção de confirmação ou seja, ao pressioná-lo ele não cede e nada acontece.

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Um detalhe que pode passar desapercebido é a presença de um LED indicador de estado no apoio do polegar…

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… que passa diversas informações de alerta para o usuário:

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Já do lado oposto ficam os botões de apagar e visualizar as imagens já capturadas e armazenadas no seu cartão de memória.

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Dos novos recursos apresentados pela X-T1 nenhuma outra chama mais a atenção do que seu novo e amplo visor EVF do tipo OLED de 0,5″

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O que mais chama a atenção desse visor é seu padrão de formato “wide” de  alta resolução 2.360.000 pontos, fator de ampliação de 0,77x e taxa de atualização de 200 quadros por segundo (qps), o que é um número notável se lembrarmos que um monitor LCD de PC trabalha com uma taxa de apenas 60~75 qps. Note as linhas de enquadramento (que podem ser trocadas ou removidas) e o indicador de nível na forma de horizonte artificial.

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Observe que as margens superior e inferior da borda do visor da X-T1 também fazem parte da tela e que é usada para apresentar informações básicas de exposição sem congestionar demais a área de visualização. De fato, ela consegue apresentar praticamente a mesma quantidade de informação do painel LCD traseiro:

Fuji_xt1_EVF_diagram

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Observamos que ao pressionar o botão DISP/BACK é possível mudar o modo Full do visor (acima) para o chamado modo Normal:

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Aqui uma comparação com o visor OLED da Olympus OM-D EM-5 de 1.400.000 pixels na proporção 4:3 e taxa de atualização de 120 Hz e que já foi considerado o melhor visor EVF na época do seu lançamento.

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Outro truque legal do visor da X-T1 é que, ao enquadrar uma imagem na vertical (modo retrato) todos os indicadores também giram 90°, facilitando assim a leitura das informações.

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Na lateral direita da câmera fica o compartimento do cartão de memória compatível com o padrão SD, SDHC e SDXC o que permite neste último caso (pelo menos na teoria) armazenar até 2 TB de imagens e/ou vídeos em um único cartão. No caso de gravação de vídeos, Fuji recomenda o uso de — no mínimo — cartões Classe 1o ou UHC Classe 1.

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O interessante é que a X-T1 é a primeira câmera da casa (ou até do mundo) a ser compatível com o novo cartão SD UHS-II

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… cuja velocidade de gravação no modo RAW pode chegar ao dobro dos cartões convencionais, o que pode ser um recurso bem vindo para gravação de vídeos em Full HD ou fotografar fotos em sequência no modo de disparo em alta velocidade. A empresa esclarece que cada tomada de vídeo em Full HD não não pode exceder 14 minutos ou ~ 27 minutos no modo HD.

SDXC_UHS-II

Do lado oposto existe um segundo compartimento que abriga entrada do microfone externo como o Microfone Fujifilm Estéreo MIC-ST1 (~ R$ 549) um modelo unidireci0nal que se encaixa na sapata de flash, a saída de vídeo HDMI Mini e a porta USB Micro usada para transferir dados da câmera para o PC ou para conectar o Controle Remoto com fio RR-90 (~R$ 199):

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ZTOP in a Box:

No dia 18 de março de 2014  a Fujifilm do Brasil noticiou um problema relatado por alguns usuários da X-T1 que está sendo chamado de “efeito ofuscante”.

Esse fenômeno foi  observado durante o uso da câmera com a tampa citada acima aberta e uma intensa fonte de luz é aplicada aos conectores de um certo ângulo. Ela pode penetrar no interior da na câmera e aparecer no visor ou até mesmo ser capturada pelo sensor de imagem. Isso não ocorre se a tampa estiver fechada mas pode ocorrer em situações específicas como, por exemplo, quando instalamos um microfone externo.

A empresa informa que esse problema já foi corrigido na linha de produção da X-T1 e a empresa pede que os donos da X-T1 entrem em contato com a Fujifilm por meio do seu SAC (0800 770 6627) de segunda a sexta, das 9h00 às 16h30. O equipamento será inspecionado e,  caso seja necessário, serão feitos os ajustes necessários para evitar que essa anomalia ocorra. Este serviço será realizado sem nenhum custo.

Já na base da câmera podemos ver o compartimento da bateria, o ponto de fixação do tripé (rosca de 1/4″) e o um curioso compartimento…

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… coberto por uma simples (e facilmente perdível) tampinha de borracha que, ao ser removida revela um conjunto de contatos eletrônicos usados para se conectar acessórios opcionais (mais sobre isso adiante).

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Ao abrir o compartimento temos acesso a sua bateria de íons de lítio modelo NP-126 de 7,2 volts x 1.260 mAh (~ R$ 199), por sinal a mesma usada na X-Pro1, X-E1/E2, X-M1 e  X-A1.

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Segundo a Fuji a autonomia estimada dessa bateria é de ~350 imagens (com a lente XF 35 mm F 1.4 R instalada, painel LCD e visor EVF ligado e sem o uso de flash) ou 103 minutos de gravação de vídeo. Para uma câmera do seu porte voltado para o mercado profissional, essa autonomia pode parecer modesta, de modo que nossa recomendação é que o usuário não pense suas vezes em adquirir pelo menos uma bateria de reserva (~ R$ 199).

Também já acompanha a câmera um carregador de bateria modelo BC-W126 (~R$ 299):

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Dentre todos os opcionais talvez o mais interessante de todos na nossa opinião é a Empunhadura Vertical com Bateria VG-Xt1 (~R$ 999) que adiciona diversos recursos muito legais para a X-T1…

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… além de adicionar 4 cm na altura e 158 gramas de peso (com a bateria) da câmera e um visual bem mais imponente.:

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Assim como a X-T1 o VG-XT1 é um acessório protegido contra as intempéries do tempo e, ao contrário do que imaginávamos, é feito de policarbonato porém sem abrir mão do bom acabamento. Note a presença da porta de comunicação/energia que se conecta com os contatos eletrônicos localizados na base da câmera por meio de uma “cama de pregos”. Para que o usuário não perca aquela tampinha de borracha, essa empunhadura possui um espaço (o “guarda tampa”) onde o usuário pode encaixar a mesma quando fora de uso.

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Novamente, não podemos ignorar a semelhança desse acessório com o suporte de bateria HLD-6 da Olympus:

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Devido ao aumento da área de pegada da câmera (incluindo espaço para o dedo mindinho) a ergonomia da X-T1 melhora ainda mais com o uso desse acessório tanto na horizontal…

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… quanto na vertical, já que esse grip duplica alguns controles da câmera, como o botão de disparo, o disco de seleção dianteiro…

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… e traseiro (yaay!) e os botões de auxilio de foco manual (F.A.), trava de exposição/abertura (AE-L) e de autofoco (AF-L):

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O curioso é que no lugar do anel de liga/desliga ao redor do botão de disparo, no grip essa função foi substituída por um controle que ativa ou desativa (Lock) todos os controle do grip.

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E é claro que além da melhora na ergonomia o grande atrativo desse acessório é a presença de um compartimento lateral…

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… que abriga uma segunda bateria NP-W126:

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Quando a segunda bateria é instalada, a câmera reconhece a mesma e coloca um segundo indicador de estado logo abaixo do da bateria principal. E como era de se esperar, o sistema é inteligente o bastante para consumir primeiro a bateria do grip antes de começar consumir a outra dentro da câmera. A Idéia neste caso é que caso o usuário decida por algum motivo desconectar o grip, ele ainda terá uma bateria cheia de carga na X-T1.

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Pela nossa experiência esse sistema de bateria funciona bem, mas não é tão prático quanto outras soluções que utilizam duas baterias no grip e nenhuma no corpo. Isso porque no caso da VG-XT1, caso o usuário esgote a energia contida na bateria externa e interna é necessário desconectar o acessório, retirar ambas as baterias, recarregá-las uma de cada vez (caso o usuário só tenha um carregador) para depois finalmente reinstalar a bateria interna, reencaixar o grip e finalmente inserir a bateria secundária no mesmo.

Curiosamente, é possível alimentar a câmera apenas com a bateria do grip.

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Outro detalhe interessante da VG-XT1 é que ele possui uma pequena abertura no compartimento da bateria…

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…  o que permite a instalação do adaptador CP-W126 que permite conectar o mesmo num adaptador de rede elétrica modelo AC-9V da Fuji.

Fuji_CP-W126

 

Finalmente, na sua base, o acessório possui um ponto de fixação para correia e uma rosca de fixação de tripé que, ao contrário do da câmera está alinhado com o eixo da lente, facilitando assim o uso de adaptadores panorama.

Fuji_xt1_grip_baseb

Com relação a seu modo de uso, ela segue o mesmo sistema dos modelos topo de linha da linha X como a X-Pro1 ou a X-100s ou seja, ele não possui um seletor de modos do tipo P, A, S, M e sim um sistema que exige apenas um pouco de bom senso para ser compreendido e dominado.

Como já vimos em outros modelos, tanto o anel de abertura da lente quanto do seletor de velocidade da câmera possuem uma posição “A — de ajuste Automático — de modo que caso a abertura e a velocidade estejam nessa posição, a câmera está no modo “totalmente automático” (= modo Program ou P) :

Fuji_xt1_full_auto_1

E caso o usuário deseje fazer uma mais ou menos exposta, basta fazer esse ajuste no botão de compensação de exposição (= modo Program Shift ou Ps):

Fuji_xt1_full_auto_comp_1

Se o usuário determinar uma abertura desejada e manter a velocidade no automático, esta entra no modo de prioridade de abertura (modo A ou Av):

Fuji_xt1_AV_1

Dependendo da lentes zoom sem anel de abertura a entrada/saída do modo automático é feito por meio de uma chave localizada na base da lente e o ajuste da abertura passa a ser feito eletronicamente por meio de um anel sem marcação.

Fuji_xt1_XF_app_setup_1

Já no caso oposto — ajustar a velocidade e manter a abertura no automático — a câmera entra no modo de prioridade de  velocidade (modo S ou Tv):

Fuji_xt1_TV_1

E é claro que se ajustarmos a velocidade e a abertura por nossa conta estamos no modo totalmente manual (modo M) mas nesse caso é preciso chegar a escala de exposição…

Fuji_xt1_manual_1

… para encontrarmos o ajuste correto:

Fuji_xt1_foto_misc1

Clique para ampliar

E assim como já vimos na X100s a X-T1 também incorpora o interessante e extremamente útil sistema de auxílio de foco…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

… por Imagem Digital Dividida ou por Realce de Pico de Foco:

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No sistema de imagem dividida, quando colocamos a X-T1 no modo de foco manual, aparece na no centro da tela do visor um retângulo monocromático cuja imagem fica recortada por quatro faixas ou segmentos que ficam desalinhados quando a imagem está fora de foco.

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O interessante é que ao pressionarmos o botão de auxílio de foco manual (FOCUS ASSIST ou F.A.) esse quadro pode ser maximizado para encher toda a tela, facilitando ainda mais o ajuste preciso do foco…

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… fujo objetivo é de fazer com que as faixas se movimentem até o ponto de formar uma imagem perfeita:

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Feito isso, basta pressionar levemente o botão de disparo para conferir o enquadramento geral…

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… e finalmente bater a foto:

Fuji_xt1_foto_MF

O vídeo abaixo, demonstra melhor esse procedimento:

Interessante notar que ao pressionar o botão DISP/BACK ativa-se um modo de foco alternativo onde a imagem principal e região bipartida são apresentadas em telas individuais apresentadas lado a lado:

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Notamos porém que esse modo só é apresentado no painel traseiro e não no visor EVF:

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Eu particularmente aprecio muito ADORO esse sistema de foco, tanto pela sua facilidade e simplicidade de uso e pelo seu apelo retrô 0 que torna a experiência de focar manualmente ainda mais parecida com as SLRs de desenho clássico que a X-T1 imita.

Já o sistema por Realce de Pico de Foco é um conceito mais convencional e menos intuitivo, mas que pode ter suas vantagens em algumas situações ou seja, a medida que ajustamos o foco da lente e chegamos ao ponto ideal…

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… podemos ver (como o modo de auxílio acionado) que as partes que entram em foco são destacados por meio de linhas/contornos coloridos (que podem ser pré definidos pelo usuário), o que pode parecer meio estranho à primeira vista, mas que fornece informações bem precisas do que está realmente nítido ou não.

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Ai novamente, basta pressionar levemente o botão de disparo para conferir o enquadramento geral e bater a foto.

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O vídeo abaixo, demonstra melhor esse procedimento:

Entre os chamados recursos avançados, a X-T1 oferece dois modo de disparo contínuo: o de velocidade baixa/CL (3 qps) e o de velocidade alta/CH (8 qps). É claro que para chegar nesse desempenho máximo é preciso que as condições de exposição sejam favoráveis e o tipo de mídia de gravação suficientemente veloz.

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No experimento abaixo, utilizando um cartão SDHC de 32 GB Classe 10 no modo de alta velocidade a câmer foi capaz de bater ~ 30 fotos de 3.456 x 2.034 em jpeg antes de começar a “engasgar”. Mas mesmo assim a câmera consegue entrar no modo de revisão de imagens mesmo com a gravação das últimas imagens em andamento (LED piscando).

Outro recurso bem curioso da X-T1 é sua função de bracketing uma técnica que tira diversas fotos de um mesmo tempo usando ajustes diferentes. No geral, essa variante é a exposição da imagem (sub-exposta, normal e super-exposta) só que a Fuji avançou nesse conceito, permitindo variar outros parâmetros como sensibilidade ISO, faixa dinâmica, simulação de filme e balanço de branco:

Fuji_xt1_bracketing_criativo

Fora isso, a empresa mantém sua estratégia de oferecer ajustes de cores pré-programados batizados com seus nomes de filmes. A saber:

O modo PROVIA/Standard reproduz as cores de modo normal e é indicado para uso geral: de retratos até paisagens.

Fuji_xt1_filme_Provia

Já o modo VELVIA realça as cores tornando as mais vivas e saturadas sendo mais indicada para fotos de natureza:

Fuji_xt1_filme_Velvia

O modo ASTIA por sua vez, produz cores menos saturadas que o Velvia o que pode ser desejável em algumas situações, em especial em fotos de pessoas.

Fuji_xt1_filme_Astia

Além deles, a câmera também dispõe de outros ajustes específicos para fotos em preto e branco:

O modo Monocromático reproduz os tons normais de preto e branco. Nesse caso, alguma cores — azul e vermelho ou laranja e rosa claro — ficam praticamente idênticas.

Fuji_xt1_filme_PB

Para resolver esse problema pode-se usar o modo Monocromático com filtro Amarelo (Ye) que aumenta ligeiramente o contraste dessas cores que ficam muito parecidas em preto e branco.

Fuji_xt1_filme_PB_Y

Já o modo Monocromático com filtro Vermelho (R) mexe ainda mais nos tons de cores dos objetos (como a pimenta da cena fica quase branca) assim como escurece o céu, sendo o mais indicado para realçar as nuvens do céu.

Fuji_xt1_filme_PB_R

Finalmente o Monocromático com filtro Verde (G) é o mais indicado para fotos de paisagem com bastante vegetação por oferecer bom contraste para os diversos tons de verde.

Fuji_xt1_filme_PB_G

E como não podia deixar de ser, a X-T1 também oferece o tradicional modo Sépia:

Fuji_xt1_Sepia

E apesar de ser um produto voltado para usuários avançados e profissionais, a X-T1 incorpora alguns filtros criativos que aplicam efeitos especiais diretamente nas fotos capturadas e em tempo real e que podem ser rapidamente acessados por meio de um ajuste rápido na câmera:

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Fuji_xt1_filtro_sem

Foto de referência sem aplicação de filtro.

Muitos desses filtros já são bem conhecidos — como o Câmera de Brinquedo (Toy Camera):

Fuji_xt1_filtro_Brinquedo

Efeito Miniatura:

Fuji_xt1_filtro_Miniatura

Explosão de Cores (Pop Art):

Fuji_xt1_filtro_Expl_cores

Foco Suave (Soft Focus):

Fuji_xt1_filtro_Soft_Focus

Tom Dinâmico (Dynamic):

Fuji_xt1_filtro_Tom_Dinamico

Tons Claros (Hi Key):

Fuji_xt1_filtro_Hi_Key

Tom Escuro (Low Key):

Fuji_xt1_filtro_Lo_Key

Já um efeito especial que já vimos no passado (porém abordado de maneria diferente) é um onde o usuário tem a opção de retirar todas as cores da imagem com exceção de uma, como o Vermelho:

Fuji_xt1_filtro_Selec_Red

Fuji_xt1_filtro_Selec_Red2

O Verde:

Fuji_xt1_filtro_Selec_Green

Fuji_xt1_filtro_Selec_Green2

O Azul:

Fuji_xt1_filtro_Selec_Blue

Fuji_xt1_filtro_Selec_Blue2

O Amarelo:

Fuji_xt1_filtro_Selec_Yellow

Fuji_xt1_filtro_Selec_Yellow2

O Laranja:

Fuji_xt1_filtro_Selec_Orange

Fuji_xt1_filtro_Selec_Orange2

E o Roxo:

Fuji_xt1_filtro_Selec_Purple

Fuji_xt1_filtro_Selec_Purple2

Já o recurso de Multiexposição permite que o usuário combine duas exposições numa única imagem. Para isso, é preciso enquadrar a primeira imagem…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

… e bater a foto. Caso ela esteja de acordo com o desejado, partimos para a segunda exposição…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

… só que a primeira também aparece na tela como se fosse uma transparência e que serve para não fazermos sobreposições indesejadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capturado a segunda imagem é possível pré-visualizar o resultado final para concluir o processo ou refazê-la caso necessário.

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A primeira vista, o resultado que sai da câmera não parece lá grande coisa…

Fuji_xt1_Multi_Exp5

… mas depois de alguns ajustes de brilho e contraste no seu editor de fotos preferido, o resultado final bem mais aceitável:

Fuji_xt1_Multi_Exp6a

A câmera também tem a capacidade de fazer “sweep panoramas” ou seja, ela monta uma grande imagem panorâmica por meio de imagens capturadas num movimento constante e não foto a foto.  Nesse caso, é possível definir a direção do movimento (da direita para esquerda, debaixo para cima ou vice-versa)  se o panorama será horizontal ou vertical.

Fuji_xt1_PANORAMA1b

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Finalmente, para fazer frente a concorrência das câmeras em celulares, praticamente todos os fabricantes estão implementando meios para que seus equipamentos consigam transmitir suas fotos para smartphones, tablets e até mesmo PCs agilizando assim o fluxo de trabalho ou mesmo a publicação daquela foto bacana na sua rede social favorita.

No geral, a tecnologia que está sendo mais usada é o Wi-Fi onde a câmera pode se conectar numa infraestrutura de rede sem fio já existente ou ela pode funcionar como um ponto de acesso com seu próprio SSD onde outros dispositivos podem se conectar e trocar imagens. Na minha opinião essa abordagem tem vantagens e desvantagens. A vantagem mais óbvia é a quase onipresença e/ou popularidade da tecnologia Wi-Fi. Já a desvantagem está no fato de que o Wi-Fi não é a tecnologia mais simples de ser configurada sendo necessário, definir certos parâmetros que podem parecer até meio complicados para os não iniciados como SSD, endereço IP, senhas, etc.

Assim, a primeira coisa a ser feita é configurar a câmera para que ela funcione como um ponto de acesso Wi-Fi (com SSID e tudo) o que pode ser feito via menu de configuração da câmera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Feito isso, existe uma segunda opção no menu de fotografia da X-T1 que faz a conexão com o dispositivo móvel desejado. Essa operação também pode ser ativada por meio do botão Wi-Fi localizado no topo da câmera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

No caso de dispositivos móveis com Android a Fujifilm disponibiliza pelo menos três Apps para interagir com suas câmeras, mas no nosso caso a mais indicada é o Camera Remote que, ao contrário do que o nome sugere, incorpora outras aplicações como transferir imagens e fornecer informações de geotagging.

Fuji_App_camera_remote

E como é feito a conexão? Depois de selecionar qualquer uma das opcões acima, é preciso ativar a função de Wi-Fi na câmera que inicia o processo de busca do dispositivo móvel (no nosso caso XT890-2014.0404).

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Encontrado algum dispositivo, a câmera solicita uma confirmação para iniciar o processo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Como uma imagem vale mais do que mil palavras, resolvemos fazer uma série de vídeos para demonstrar o funcionamento das opções de Controle Remoto:

 Receber imagens:

E procurar na câmera:

No caso da opção de Geo Referenciamento não há muito o que mostrar já que ela, basicamente conecta a câmera com o smartphone/tablet que repassa informações de localização do seu GPS para a X-T1 registrar nas suas fotos.

Fuji_App_camera_geotaging

Nossas conclusões:

Se até hoje a X-Pro1, X100s ou a X-E2 podem ser descritas por meio de palavras como “tradição”,  “estilo”, “atitude”, “nostalgia”, “precisão”, “prazer”, “tecnologia” e até um pouco de “soberba” a X-T1 é um importante passo numa nova direção direção onde palavras como “resistência”,  “versatilidade”, “descoberta”, “emoção” e até mesmo “diversão” podem ser adicionados ao dicionário da série X. Se câmeras fossem carros, a X-T1 seria um Land Rover, um Toyota SW4 ou mesmo um Jeep Wrangler.

Sendo simples e direto a X-T1 é na minha opinião, uma das melhores câmeras da série X que a Fuji lançou até hoje já que ela combina tecnologia de ponta com uma plataforma de hardware que apesar do seu visual retrô, evolui a cada novo modelo, recebendo ajustes, melhorias e refinamentos no seu design, sendo que muitas delas tem origem no feedback dos seus usuários que, por sua vez, tem a sensação de estarem sendo ouvidos.

E ao contrário da X100s ou a X-Pro1 que mais parecem instrumentos de precisão e como tal devem ser tratados, a X-T1 com seu corpo resistente as intempéries do tempo convida o usuário a explorar um mundo mais amplo fora dos ambientes fechados e até por causa disso, atrair um público mais amplo como usuários avançados, exploradores, engenheiros de campo, aventureiros e até alguns profissionais que podem ver na X-T1 como uma segunda câmera para trabalhos específicos ou um sistema de reserva.

De fato, acredito que a X-T1 seja a opção mais atraente da Fuji para os profissionais, em especial aqueles que ainda possuem uma boa coleção de lentes antigas de foco manual. Como citamos acima, a possibilidade de uso de adaptadores de terceiros já é uma realidade nesse mercado, mas o sistema de auxílio de foco da X-T1 resolve o problema de oferecer uma maneira prática e eficiente de focar com essas lentes.

Observamos porém, que essa câmera não deixa de ter alguns problemas sendo a principal delas a autonomia modesta da sua bateria, algo que pode ser resolvido com o uso da empunhadura vertical VG-XT1. Fora isso, não me agrada a adoção daquela tampinha de borracha na base da câmera que fica no lugar apenas por pressão. Apesar de que isso não é nada que um pedaço de fita adesiva não resolva, caso o usuário opte por nunca usar o grip com bateria.

Outro recurso que acho que precisa ser melhorado é o sistema de conexão via Wi-Fi. Como primeira tentativa reconheço que a interface funciona, mas o seu procedimento de configuração poderia ser mais simples e amigável.

No geral, trata-se de uma câmera visualmente atraente, gostosa de usar, cheia de recursos, possibilidades e uma opção que deveria ser considerada por qualquer um interessado numa câmera de uso geral e que gostaria de experimentar algo diferente e fora do universo Canon/Nikon.

Legal né?

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Resumo: Fujifilm X-T1

O que é isso? Câmera DSLM de uso geral.
O que é legal? Ótima apresentação e acabamento, tecnologia de ponta,  excelente sistema de foco manual.
O que é imoral? Desempenho modesto da bateria.
O que mais? Apesar do corpo ser resistente as intempéries do tempo, a objetiva XF 18-55 mm que vem no kit de corpo + lente não é!
Avaliação: 9,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 5.299 (corpo) / R$ 6.499 (corpo mais lente XF 18-55 mm)
Onde encontrar: Fujifilm Brasil

 

 Ainda em tempo:

 Para a realização desse review, a Fujifilm do Brasil ( hi Leonardo! ) também nos forneceu algumas lentes Fujinon XF para usarmos junto com a X-T1. Como sempre tratam-se de produtos que impressionam pela sua ótima apresentação, acabamento e desempenho óptico.

A primeira delas é a Fujinon XF 18-55 mm/f 2.8-4 R LM OIS uma lente de uso geral com zoom de 3x (equiv. 27~82,5 mm) o que permite tirar desde fotos de paisagens e/ou grupos de pessoas até retratos de rosto. Para aqueles que desejam cobrir maiores distâncias (como fotografar um passarinho na árvore) e recomendável o uso de uma objetiva tele.

Ela é formada por 14 elementos organizados em 10 grupos o que inclui três elementos aesféricos e uma de ultra baixa dispersão. Ela foi uma das primeiras lentes zoom da série XF e incorpora alguns recursos interessantes como estabilizador de imagem e ajuste eletrônico de abertura controlado por um anel na lente ou diretamente no corpo da câmera.

Fujinon_XF18mm-55mm

Curiosamente, ela é a lente que acompanha a X-E1/E2 (e agora também a X-T1) na oferta de compra de lente + câmera. E apesar dela não ser a opção mais cara da linha, sua apresentação é bem superior a muitas opções de “kit-lens” oferecido por alguns concorrentes, que mais parecem brinquedos de plástico.

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Aqui uma imagem da lente no modo grande angular (18 mm):

Fuji_xt1_fujinon_XF_18-55mm_Ex1

… e aqui o máximo que seu modo tele (55 mm) alcança:

Fuji_xt1_fujinon_XF_18-55mm_Ex2

Aqui, outros exemplos de fotos tiradas com essa lente:

Fuji_xt1_fujinon_XF_18-55mm_Ex3

Fuji_xt1_fujinon_XF_18-55mm_Ex4

Clique para ampliar

Para os apreciadores de paisagens e grandes cenários, a novidade é a nova Fujinon XF 10-24mm F4 R OIS, uma impressionante lente zoom  super grande-angular (equiv. 15 mm) para meia grande-angular/normal (equiv. 35 mm) o que a torna uma opção interessante para turistas, profissionais de viagens e principalmente arquitetos.

Fuji_XF_10-24mm

Ela é formada por 14 elementos organizados em 10 grupos (incluindo quatro elementos aesféricos e três elementos de baixa dispersão)

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Aqui um exemplo no modo super grande angular (ângulo de abertura de 110°):

Fuji_xt1_fujinon_XF_10-14mm_Ex2

… e aqui o modo meia-grande angular (ângulo de abertura de 61,2°):

Fuji_xt1_fujinon_XF_10-14mm_Ex1

Vale a pena observar que essa lente na posição de 10 mm produz alguma distorção na imagem, um efeito que pode ser até usado a favor do fotógrafo por adicionar uma certa dramaticidade na cena…

Fuji_xt1_fujinon_XF_10-14mm_Ex3

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… ou até mesmo algum efeito cômico:

Fuji_xt1_fujinon_XF_10-14mm_Ex2a

Outro recente lançamento da Fuji é a nova Fujinon XF 56mm F1.2 R uma impressionante meia tele do tipo Prime de 56 mm (equiv. 84 mm) com abertura máxima de f1.2:

Fuji_XF_56mm

Por ser super luminosa, trata-se de uma lente grande e pesada (405 gramas). Ela é formada por 11 elementos em 8 grupos sendo um elemento aesférico e dois elementos de dispersão extra-baixa.

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Um dos principais atrativos desse tipo de lente sua capacidade limitar a sua zona de foco de modo a permitir isolar um elemento da cena desfocando o seu fundo. Por exemplo no exemplo abaixo, a imagem foi capturada com abertura f16 o que faz com que as folhas no primeiro plano se misture com a grama ao fundo:

Fuji_xt1_fujinon_XF_56mm_1_Ex2_f16

Mas ao utilizarmos a abertura máxima de f1.2 a diferença é dramática, gerando um efeito de desfoque de fundo que muitos chamam de “bokeh”.

Fuji_xt1_fujinon_XF_56mm_1_Ex2_f12

Esse efeito é muito usado em fotos de retrato ou em situações onde queremos realmente destacar algum elemento da cena:

Fuji_xt1_fujinon_XF_56mm_1_Ex1

Né gato?

Fuji_xt1_fujinon_XF_56mm_1_Ex3a

Ah sim, e é claro que lentes luminosas permitem fotografar cenas noturnas com mais clareza…

Fuji_xt1_fujinon_XF_56mm_1_Ex4

Fuji_xt1_fujinon_XF_56mm_1_Ex5.JPG

 

Mais informações no site da Fuji Brasil

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Adriano De Lima 07/04/2014, 15:53

    Excelente Review! Daria um belo manual para a câmera, simples e prático!

  • Luis Carlos Colonezi 07/04/2014, 17:14

    Sensacional o review! Estou interessado na câmera, olhei em sites gringos especializados em fotografia (DPreview, Image-resource) e gostei muito, principalmente sobre os comandos da câmera.

    Senti falta apenas de uma análise sobre o vídeo. Sei que essa câmera não é voltada para pessoas que privilegiam o video, mas acho que é a primeira da Fuji a gravar 1080p em 60fps. Você chegou a fazer testes sobre a qualidade do vídeo?

    • Mario Nagano 07/04/2014, 17:52

      Cheguei a fazer um vídeo rápido, mas ainda não tive tempo de analisá-lo com calma. Se quiser dar uma olhada:

      http://goo.gl/P74oqV

  • Luiz Sérgio Aurich 01/11/2015, 16:43

    O melhor review sobre a Fuji XT1 já lido e deveria ser aproveitado pela Fujifilm Brasil para nós que temos este equipamento. Parabéns.