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Review: Câmera Fujifilm Instax Square SQ10

Nova câmera hibrida SQ10 da Fuji traz a fotografia instantânea para o século XXI, tornando-a mais versátil, eficiente, flexível e até mais econômica!

Neste mundo em que vivemos onde  tudo parece ser cada vez mais digital, imediato, etéreo e até descartável é impressionante saber que entre os dez itens de fotografia mais vendidos no Amazon.com no fim de 2015 — e até hoje (21/07/2017) — quatro deles, incluindo o primeiro colocado são cartuchos de filme Instax

… e isso sem falar que uma câmera Instax Mini 9 ainda ocupa um honroso sétimo lugar na frente das badaladas câmeras GoPro:

Para mim, o que isso mostra é que muitos consumidores tem essa câmera e não a compraram por impulso, já que a venda de filme mostra que elas estão sendo regularmente usadas.

Segundo a Fuji das vendas globais de Instax, 30% delas ocorrem nos EUA, 30% na Ásia e 15% na Europa, o que também mostra que a paixão pela fotografia instantânea é um fenômeno é global e não localizado.

Como explicar esse fenômeno? Talvez a melhor teoria é a mesma que explica a volta dos discos de vinil e das vitrolas, ou seja, a redescoberta da tecnologia analógica, do estilo vintage e de quebra, do movimento retrô.

Segundo o Wikipedia:

“Retro” pode ser usado para designar simplesmentes o “old fashioned” ou velho, funcionando como “eterno” ou “clássico”. Ele também tem sido associada com o modernismo nos anos do pós-guerra, abrangendo uma estética que varia de tailfins em Cadillacs às casas de fazenda. Às vezes, pode também sugerir uma perspectiva sobre a vida inteira, por exemplo, o conservadorismo social, educação em casa, ou o abraço dos papéis tradicionais de cada gênero (mulher como dona de casa e homem como provedor).

“Retro” também pode ser aplicado a formas de obsolescência tecnológica, como por exemplo, máquinas de escrever manuais, caixas registradoras, volumosos celulares à mão, ou a ressurreição de jogos de computador velho. Mas, mais comumente, retro é usado para descrever objetos e atitudes do passado recente que não parecem mais “modernos”. Sugere-se uma mudança fundamental na maneira como nos relacionamos com o passado. 

Diferente de formas mais tradicionais de revivalismo, retro sugere um meio irônico, e conta saudade da metade dos últimos anos. Ela tem sido chamada de “nostalgia sentimental”, recordando formas “modernas” que não são mais atuais. Retro, por vezes, também se refere à era dos anos cinquenta, os “anos dourados”.

Mas como dizem por ai — quem gosta de ficar parado é poste — de modo que apesar de todo esse oba-oba em cima das câmeras Instax, fato é que elas não são perfeitas e sofrem com algumas limitações e inconveniências inerentes à sua própria tecnologia (por sinal, criada na década de 1970) e que ficam evidentes quando comparadas com a fotografia digital, entre elas uma certa imprevisibilidade da imagem capturada (embaixo) — em parte causada pela falta de experiência de uso da câmera — o que pode até levar a perda da foto (= $$$) e a dificuldade de alterar e compartilhar uma imagem já impressa.


Qual a solução para isso? — Simples…Basta combinar o analógico e o digital em um novo produto que a empresa batizou de Instax SQUARE SQ10:

Como já dissemos em um post anterior, a SQUARE SQ10 é a primeira câmera híbrida da empresa que combina uma câmera digital com sistema de filme e revelação Instax, uma façanha por sinal que só a Fuji seria capaz de fazer já que ela domina ambas as tecnologias.

Apesar de que, no passado, outras empresas já tentaram emplacar esse conceito mas não foram lá bem sucedidas como a Olympus com a Camedia C211 Zoom de 2000…

… a Polaroid Z340 de 2011 e a atual Polaroid Snap:

A diferença neste caso é que, ao contrário desses modelos que tentaram levar os usuários de câmera digital as beneces da fotografia instantânea, a Fuji está fazendo o caminho contrário, ou seja, levar para os usuários de câmeras instantâneas as beneces da fotografia digital, o que para nós, faz mais sentido que o contrário, diga-se de passagem.

E como a SQ10 se compara com outras câmeras da linha Instax? Montamos uma pequena tabela para comparar algumas das suas principais características, assumindo que a SQ10 trabalhe como uma câmera analógica, é claro:

Instax Square SQ10 Instax Mini 8 Instax Wide 300
 
 
Preço sugerido R$ 1.599 R$ 599 R$ 899
Preço estimado no varejo n.d. R$ 349 R$ 749
Captura de imagem Digital Analógica Analógica
Objetiva 28,5 mm / f 2.4 60 mm / f 12.7 95 mm /  f 14.2
Foco Autofoco
10 cm~infinito
Foco fixo
60 cm~infinito
Dual focus
90 cm~ 3 m
ou 3 m~infinito
Alcance do Flash ~50 cm a 8,0 m ~60 cm a 2,7 m ~90 cm a 3,0 m
Bateria NP-50
Recarregável
2 pilhas AA
Alcalinas de 1,5 V
4 pilhas AA
Alcalinas de 1,5 V
Autonomia estimada ~160 fotos ~100 fotos ~100 fotos
Dimensões físicas em cm
(LxAxP)
11,9 x 12,7 x 4,7 12,0 x 12,0 x 7,0 18,8 x 12,1 x 9,6
Peso em gramas 450 307 612
Cartucho de filme Instax Square Instax Mini Instax Wide
Numero de chapas 10 10 10 (*)
Tamanho da foto
(com a borda)
8,6 x 8,6 cm 5,4 x 8,6 cm 10,6 x 8,6 cm
Tamanho da imagem 6,2 x 6,2 mm 4,6 x 6,2 cm 9,9 x 6,2 cm
Preço sugerido
(1x filme normal em cores)
R$ 54,90 R$ 44,90 ~R$ 69,90 (*)
Preço por foto impressa ~R$ 5,49 ~R$ 4,49 ~R$ 6,99 (*)

(*) Aparentemente, no Brasil a Fuji só comercializa o filme Instax Wide em embalagens de dois cartuchos totalizando 20 chapas (R$ 139,90) de modo que dividimos o preço do mesmo pela metade para compará-lo com os outros cartuchos.

Fora isso, vale a pena ressaltar que a SQ10 também introduz um novo padrão de filme Instax com formato quadrado — batizado de Square (duh!) — que seria um meio termo entre o formato Mini e o Wide já que todos eles tem a mesma altura — 6,2 cm. Como era de se esperar, o preço da foto impressa varia de acordo com o tamanho da mesma, apesar de que isso pode variar de acordo com o tipo de filme usado e a quantidade comprada por vez.

Vale a pena observar que o novo formato Square da Fuji é ligeriamente menor que o clássico filme SX70/série 600 da Polaroid, cuja mídia mede 8,8 x 10,7 cm e a imagem 7,9 x 7,9 cm:

Mas voltando ao que interessa, recebemos para testes uma versão da SQ10 formada pela câmera em si e alguns acessórios como uma bateria recarregável NP50, correia de pulso, cabo USB, manual impresso e duas argolas + uma ferramenta para fixar uma correia de pescoço na câmera. Vale a pena notar que a empresa não fornece um cartucho de filme inicial (boo!)

A câmera em si mede aproximadamente 11,9 x 12,7 x 4,7 cm (LxAxP) e, ao contrário das outras Instax que já testamos, neste caso temos a sensação de estarmos manipulando uma câmera de verdade e não um brinquedo de plástico. Isso em parte por causa do seu volume/peso (487 gramas como o filme e bateria instalados) combinado com um gabinete de excelente acabamento feito de policarbonato fosco.

Uma característica bem curiosa da SQ10 é o seu design que até lembra o logotipo do Instagram mas que tem o seu lado funcional já que ela também abriga o mecanismo de impressão da foto.

Além disso, sua ergonomia é muito boa já que devido ao seu design simétrico, a SQ10 pode ser facilmente operada tanto por pessoas destras quanto canhotas.

Um detalhe bem bacana desse design é a presença de “orelhas” na parte de trás da câmera, tanto no lado direito quanto esquerdo…

… que servem de ponto de apoio para ambos os polegares que…

… junto com uma área côncava na parte da frente da câmera redor da lente onde os dedos podem segurar…

… resultando assim num meio bastante firme de segurar e operar a câmera.

Fora isso, a SQ10 também possui pois pontos para fixar uma correia de pescoço (não inclusa) e dois botões de disparo…

… que podem ser configuradas de cinco maneiras diferentes:

 
 
 
 

 

Já a frente da câmera é dominada pela sua objetiva Instax de 28,5mm (equiv.) uma grande angular relativamente luminosa (f2.4) rodeada por um grande anel de metal com borda dentada…

… que também funciona como chave liga-desliga da câmera:

O curioso é que ao contrário de outras Instax (como a Mini 9, a SQ10 não oferece nenhum auxílio visual — como pequenos espelhos — para ajudar as pessoas tirarem selfies. O nosso palpite é que talvez a Fuji não ache que isso seja necessário já que, como o seu design é simétrico (entenda-se alinhe o seu nariz com o centro da câmera) e a objetiva do tipo grande angular, espera-se que o auto-fotógrafo não erre muito no enquadramento. E mesmo que isso ocorra, é possível fazer pequenos ajustes de enquadramento (mais sobre isso embaixo).

Com relação à sua capacidade de capturar imagens o seu sistema de foco automático por detecção de fase (TTL) é capaz de focalizar objetos à partir de 10 cm até o infinito. Já o sensor de imagem é do tipo CMOS de 1,4″ de 3,7 MP o que permite a mesma capturar imagens com resolução nativa de 1.920 x 1.920 pixels.

O seu sistema de fotometragem/exposição (1/2~1/29.500s), ajuste de sensibilidade ISO (100~1600) e balanço de branco são automáticos. Fora isso a câmera ainda conta com o modo de longa exposição (Bulb) de até 10 segundos, dupla exposição e temporizador de 2 e 10 segundos. Para esses casos, a boa notícia é que a SQ10 conta com um ponto de fixação para tripé na sua base:

Já o seu sistema de flash pode funcionar no modo automático, forçado, sincronizado com baixa velocidade e com redutor de olhos vermelhos. No canto inferior esquerdo podemos ver o iluminador de LED que brilha na cor laranja…

… que também serve de luz de estado da carga da bateria quando a câmera está sendo recarreganda:

Falando nisso, a SQ10 possui dois compartimentos laterais, sendo que o da esquerda abriga uma porta USB Micro que é usada apenas para recarregar a sua bateria interna e um slot micro SD que serve para expandir a capacidade interna da câmera que é de apenas 50 fotos.

Segundo a Fuji, cada 1 GB de armazenamento é capaz de armazenar 1.000 fotos tiradas pela Instax e o tempo de recarga completa da bateria varia em torno de 3 a 4 horas se ligada numa porta USB de 0,5 A.

Como é comum nesse tipo de solução, ao inserir um cartão micro-SD na câmera, esta se torna o sistema de arquivamento primário, de modo que as fotos armazenadas na sua memória interna passam a não ser acessíveis a não ser que o usuário transfira as mesmas para o cartão SD (ou até vice-versa) por meio de um comando localizado no menu de configuração da SQ10.

Já do lado oposto fica o outro compartimento que abriga a sua bateria recarregável de íons de lítio…

… modelo NP-50 de 3,6 volts x 1.000 mAh por sinal também usada por outras câmeras da casa como as Finepix F550/600/660 EXR, Real 3D W3, XP150, etc. o que significa que ela não é muto difícil de ser encontrada no mercado, assim como o seu carregador externo.

Já o painel traseiro da SQ10 abriga uma tela LCD TFT de 3,0″ de 460 mil pixels sem interface de toque que fica logo acima de um elaborado painel de controle formado por um botão de menu/confirmação rodeado por um anel na forma de dial (que também funciona como botão direcional) que, por sua vez é rodeado por seis botões que correspondem às funções principais de controle e ajuste de imagem como o controle de vinheta, filtros de efeitos  e ajuste de brilho:

A primeira vista esse sistema pode parecer confuso nas ele é bastante intuitivo e fácil de operar.

E caso você (ou eu) tenha esquecido de algo, segue abaixo um resumo dos controles da SQ10:

Já para acessar o compartimernto do filme é preciso soltar um fecho localizado localizado logo acima da tela LCD…

… o que faz com que o painel desça como uma ponte levadiça:

Para nossa surpresa, o seu interior é limpo e praticamente sem nenhum sensor, mecanismo ou partes móveis visíveis.

De fato, esperávamos algo parecido com o que vimos no interior da mini-impressora Instax Share Sp-1 que possuia uma espécie de cabeça de impressão móvel, e cujo funcionamento lembrava vagamente um scanner de mesa. Só que ao invés da cabeça capturar imagens ela emitia sinais de luz, imprimindo assim a imagem no filme Instax para depois ejetá-lo e iniciar o processo de revelação:

Assim, a nossa nova teoria é que a Fuji aperfeiçoou esse sistema, montando a cabeça (ou barra) de impressão um pouco antes do mecanismo que traciona a mídia Instax para fora da câmera, de modo que ela não mais se movimenta pela mídia e sim a mídia se movimenta sobre a cabeça, mais ou menos como acontece hoje com as impressoras térmicas. Só que neste caso, o mecanismo que puxa a foto é o mesmo que inicia a revelação do filme — o que resulta num sistema mecanicamente mais simples e até mais veloz — já que o processo exposição do filme e a revelação é feita em apenas uma etapa e não mais em duas como na SP-1.

Como já foi dito antes, a SQ10 adota um novo filme com formato quadrado que — filosoficamente falando — é muito apreciado por alguns teóricos da fotografia (alguns exemplos aqui, aqui e aqui) e que voltou com força devido à popularidade do Instagram.

Introduzido em 1929 pela Rollei com o formato 6×6, os defensores desse padrão afirmam que a imagem quadrada ajuda o fotógrafo a se concentrar no seu assunto, eliminando assim detalhes periféricos que podem tirar a atenção de quem estiver apreciando a foto. Isso porque a sua tendência vai ser de mover o seu olhar no centro e em torno da imagem e não de cima para baixo ou da esquerda para direita como no caso de uma imagem retangular.

Fora isso, é mais fácil obter um enquadramento mais equilibrado (já que teorias como a regra dos terços não é aplicável), preencher (ou não) o fundo e tirar o máximo proveito do círculo de imagem da lente,

O cartucho do filme vem dentro de um envelope metalizado que protege o mesmo contra as intempéries do tempo…

… sendo que o cartucho em si segue o mesmo estilo do formato Mini e Wide:

Na parte de trás do mesmo podemos ver um pequeno retângulo amarelo…

… que é usado como um ponto de referência/alinhamento que auxilia o usuário na hora de colocar o cartucho na câmera.

Porém, ao contrário das outras câmeras Instax como a Wide 300 (embaixo) onde essa marca também serve como um indicador visual de que existe ou não filme na máquina, a SQ10 não conta com esse recurso de forma tão simples e direta, o que pode ser um problema para o usuário mais desavisado já que isso pode levar a abertura acidental da câmera e a consequente perda de uma ou mais chapas não expostas (e lembrem-se pessoal, R$ 5,49 a cópia!). Falaremos mais sobre isso adiante.

Mas voltando ao que interessa, o processo de instalação do filme é simples e direta, ou seja, abra a câmera, insira o filme conforme a indicação do fabricante e feche a câmera. Feito isso a SQ10 irá iniciar o processo de inicialização do filme e a ejeção da capa frontal que protege a primeira chapa.

Ao fim desse processo a câmera está pronta para uso.

O visor da SQ10 é bastante simples e descongestionado, apresentando apenas informações essenciais como o seu atual modo de uso e o contador de fotos na forma de uma coluna de pontos onde os mais brilhantes representam o número de chapas/fotos restantes no cartucho de filme. Note também que a imagem na tela é retangular porém delimitada ao formato quadrado por meio de duas faixas escuras o que até proporciona alguma “visão periférica” que ajuda o fotógrafo a conferir de existe algo que gostaríamos que ficasse dentro ou fora da foto.

Informações complementares sobre o estado câmera podem ser aconsultadas pressionando-se o botão “Retorno”:

No que se refere ao seu uso, a SQ10 pode trabalhar de dois modos — o Automático e Manual — sendo que essa opção pode ser selecionada por meio de uma chave localizada no lado direito da câmera:

Na nossa opinião, esse modo Automático deve ter sido implementado apenas por uma questão de retrocompatibilidade — ou para agradar o usuário de Instax mais leigo — já que o que ele faz é automatizar ao máximo o processo de tirar uma foto, ou seja, você enquadra e aperta o botão que a gente faz o resto:

Nossa crítica ao uso desse modo é que ele traz alguns dos inconvenientes das Instax “analógicas” ou seja, existe uma certa imprevisibilidade no resultado final que pode agradar ou não o usuário, e nesse último caso duas possibilidades: Você faz uma careta e passa a chamar aquela foto estranha numa lomografia ou tenta novamente, rezando para que o nova imagem saia melhor (ou não!)

Ah sim,  só para relembrar… R$ 5,49 a cópia viu! 😛

Dai a nossa energética e enfática recomendação pelo uso do modo Manual. Isso porque, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, esse modo não tem nada a ver com ajustes de velocidade, abertura, profundidade de campo, etc. E sim na possibilidade do usuário poder tirar uma foto, analisá-la e fazer alguns ajustes para que ela fique de acordo com suas preferências…

…para ai sim imprimí-la:

Assim para trabalhar nesse modo, basta passar a chave citada acima para o modo Manual que a SQ10 irá se comportar como se fosse uma point-and-shot digital, ou seja, você enquadra o tema, pressiona levemente o botão de disparo para que a câmera ajuste o foco e continue a pressão até o fim para que a foto seja tirada.

A única diferença é que a última foto tirada fica na tela, porque a idéia neste caso é que o usuário pode conferir a qualidade mesma, fazer os ajustes necessários para depois imprimí-la na sequência. Mas caso o usuário queira fazer isso depois, basta pressionar novamente o botão de disparo para que a câmera volte para o modo de capturar imagens.

No geral, o usuário pode fazer três coisas: Ajustar a exposição ou brilho (+/- 3 pontos de exposição em passos de 1/3) na imagem 

… aplicar um efeito de vinheta em 19 intensidades diferentes (que enfatiza aquela idéia de percorrer o olhar no centro e ao redor da imagem quadrada)…

… e aplicar um dos 10 filtros criativos (que não podem ser combinados):

O curioso é que esses efeitos pode ser aplicados tanto antes quanto depois da foto tirada e o mais interessante — esse processo é reversível — ou seja, uma foto em cores que foi batida ou convertida em preto-branco pode voltar a ser em cores e vice-versa!

Como assim? Ao analisar os arquivos digitais gerados pela SQ10, notamos que cada foto em jpg tirada pela mesma vem acompanhada de um pequeno arquivo no formato CSV de mesmo nome…

… que abriga informações da câmera e dos efeitos aplicados na imagem, ou seja, todas as imagens capturadas pela SQ10 são armazenadas no modo normal e em cores e tratadas em tempo real na hora em que ela é recuperada pela câmera. Algo como um RAW super simplificado:

A grande vantagem desse sistema é que o usuário pode ajustar a imagem da maneira e na hora em que ele quiser. Em contrapartida, tais modificações só podem ser consolidadas nas fotos impressas e não em outros dispositivos como um PC ou Smartphone.

E como já dissemos antes, fora esses ajustes e filtros, o usuário ainda conta com alguns recursos adicionais como o Modo B (Bulb) que permite fazer longas exposições de até 10 segundos para capturar rastros de luzes ou fogos de artifício…

… e o curioso modo de dupla exposição (Double Exposure) que, como o próprio nome sugere, permite expor duas imagens na mesma foto para obter algum efeito artístico:

Outro recurso alardeado pela empresa é a capacidade da SQ10 de combinar e imprimir de quatro até nove fotos numa chapa

… mas isso nos pareceu ser algo meio limitado, já que o que a câmera realmente faz é que tirar um “screenshot” do mosaico de imagens usado pela câmera para navegar rapidamente entre as fotos já capturadas — ou seja — você não tem a opção de escolher as fotos que serão impressas, a não ser que elas estejam na sequência:

Outro recurso que também tira proveito desse modo “screenshot” da tela é a possibilidade de dar um zoom na foto (algo normalmente usado para analisar detalhes da mesma) e usá-la como ferramenta de recorte para impressão. Para isso basta dar um zoom na imagem desesjada, ajustar o enquadramento…

…e mandar imprimir:

Um outro recurso bem bacana da SQ10 é que a possibilidade de imprimir fotos tiradas em outras câmeras e reproduzí-las em filme Instax. Mas para isso é necessário transferir as imagens desejadas para um cartão micro SD e depois inserí-la na SQ10. Se você já armazena suas fotos de smartphone nesta mídia esse procedimento é ainda mais simples.

No exemplo acima utilizamos uma imagem de 16 MP tirada com uma Olympus OM-D EM-1 no modo monocromático, o que mostra que a SQ10 tem condições de manipular imagens até bem maiores que as geradas pela mesma e também nos permite explorar o fascinante mundo do preto e branco mesmo sem depender de filme especial.

E como câmera digital, qual o desempenho da SQ10? — Para os padrões atuais, o desempenho da sua câmera de 2,7 MP até que pode ser considerada boa, mas ela só tira fotos de 1.900 x 1.900 pixels.

Porém, não podemos nunca nos esquecer que a imagem digital é meio que um sub-produto da SQ10, já que sua função primária é de produzir uma imagem para ser impressa num equipamento, cuja resolução nativa é de apenas 800 x 800 pixels — ou seja — ela gera uma imagem boa o suficiente para atender a essa demanda, permitindo até que ela seja ampliada e recortada para obter close-ups sem comprometer a qualidade da foto.

E por se tratar de uma lente tipo grande angular, a tendência é que boa parte da imagem fique em foco o que pode não agradar aos retratistas que apreciam o desfoque de fundo (ou bokeh.)

Outra característica que notamos nas imagens é que, apesar de nítidas, elas apresentam um baixo contraste de cores, o que neste caso é algo até desejável já que a intenção é que elas sirvam como ponto de partida para a aplicação dos diversos ajustes e filtros de efeito, ou seja…

…nada que um Photoshop da vida não resolva:


O mesmo pode ser dito das fotos intencionalmente tiradas em preto e branco, mas armazenadas em cores…

… e que pode ser reconvertidas para o seu aspecto original:

E isso sem falar que essas imagens quadradas estão prontinhas para subir no Instagram ou na sua rede social favorita:

No geral, gostamos muito da Square SQ10 pela sua proposta de modernizar a plataforma Instax, permitindo assim que ela se torne ainda mais versátil e flexível do que nunca.

Para nós, a possibilidade de avaliar e ajustar a qualidade da foto antes de imprimí-la é o grande atrativo deste produto, já que ela permite um uso mais racional do filme Instax (que não é exatamente barato), mimizando assim ao máximo a possibilidade de imprimir uma foto ruim o que pode representar uma boa economia no médio e longo prazo — principalmente em certos negócios como os fotógrafos de eventos que utilizam o sistema Instax como foto de lembrança ou brinde.

Sob esse ponto de vista, a SQ10 pode ser uma alternativa até mais interessante que a Instax Wide 300 cujo custo da foto impressa (~R$ 7) é maior que a da Square (~R$ 4,50)

E mesmo que o filme acabe, ainda é possível armazenar milhares de fotos no formato digital (via cartão micro SD) para serem apreciadas e/ou impressas em outra oportunidade.

Essa opção pelo digital também abre novas perspectivas em termos de experimentação já que — novamente — não é mais preciso “queimar filme” para testar novas idéias fotográficas.

Mas isso significa que a SQ10 é um produto perfeito? — Não exatamente, já que sentimos falta de coisas essenciais, como uma maneira simples e direta de verificar se a câmera tem filme ou não, a inexistência de algum recurso que ajude a tirar selfies (como um espelhinho ao lado da lente) e o mais estranho de tudo — a impossibilidade de transferir as fotos da câmera direto para um PC via porta USB.

Alguns adeptos de teorias conspiratórias poderiam até argumentar que isso é um jeito de impedir que as fotos da SQ10 pudessem ser compartilhadas em outras aplicações, mas isso cai por terra, já que é possível transferir as imagens por meio do cartão micro SD.

Falando nisso, em um mundo cada vez mais conectado como o nosso, acreditamos que a SQ10 poderia ser um produto ainda mais atraente e versátil se ela já viesse equipada com algum tipo de interface sem fio como WiFi ou até mesmo Bluetooth — mesmo na forma de um acessório opcional.

Isso porque com esse recurso seria possível conectar a câmera diretamente num smartphone ou tablet, permitindo assim imprimir fotos tiradas nesses dispositivos diretamente na SQ10 ou até o contrário, ou seja, que as fotos tiradas na SQ10 poderiam ser transferidas para um smartphoe ou tablet e dai, compartilhadas nos diversos apps de redes sociais.

Mas quem sabe eles ofereçam isso na futura Instax SQ20 né?

Resumo: Fujifilm Instax SQUARE SQ10

O que é isso? Câmera híbrida que tira fotos digitais e as imprime em mídia Instax (analógica).
O que é legal? Ótima apresentação e acabamento. Permite o tratamento prévio da imagem antes da impressão. Novo formato quadrado é mais agradável que o retângular do Instax Mini.
O que é imoral? Não possui indicador de filme instalado, não é possível transferir imagens da câmera via cabo USB.
O que mais? As fotos digitais podem ser copiadas num cartão micro SD e usadas em outras aplicações. O cartucho de filme Square com 10 poses sai por R$ 54,90
Avaliação: 8 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.599
Onde encontrar: Fujifilm Brasil

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.