Review: Epson L200 All-in-One (com tanque de tinta original de fábrica!)

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No mundo dos negócios existe uma idéia que ficou conhecida como Freebie Marketing, ou o mito do barbeador e das lâminas de barbear. Trata-se de um modelo de negócios onde um item é vendido por um preço baixo (ou mesmo distribuído de graça) com o objetivo de criar uma ampla base de consumo para um produto/serviço complementar.

O caso mais famoso (ou talvez o mais fácil de ser compreendido) é o das lâminas de barbear descartáveis criadas por King Camp Gillette, que até hoje vende barbeadores baratos (digamos por R$ 8,48) mas obriga os seus usuários a consumirem lâminas compatíveis por um valor até bem mais que o próprio aparelho (algo como R$ 41 por um kit com oito unidades) gerando assim um belo retorno.

Essa estratégia também é muito popular no mercado de tecnologia — em especial no mercado de videogames (consoles baratos e cartuchos caros), telefonia celular (aparelhos baratos ou até de graça e planos caros) e, em especial, no de impressoras (aparelhos baratos e até de graça e tinta cara). Este último, por sinal, virou até um mito — ou mais exatamente, um fantasma— que sempre assombrou essa indústria, apesar de todos seus esforços em oferecer uma melhor relação de custo x benefício em especial quando o assunto é custo por página impressa.

Uma das alternativas encontradas pela indústria foi a introdução dos cartuchos com menos tinta e (consequentemente, mais em conta,  o que até faz sentido para um consumidor doméstico que imprime algo de vez em nunca. O problema sim fica por conta daqueles que realmente precisam de uma maior demanda de impressão em cores,  mas que — ao mesmo tempo — não estão dispostos ou nem têm condições financeiras de investir em um equipamento de maior porte e consequentemente mais caros como uma laser colorida.

O pior dessa história é que muitos descobrem isso (e da pior maneira) depois de adquirir seu novo equipamento e notar que precisam trocar seus cartuchos de tinta com uma frequência bem maior do que esperavam. Daí quatro coisas podem acontecer:

  • Ele se senta no chão e chora.
  • Volta para a loja e compra uma impressora mais dentro das suas necessidades.
  • Procura por suprimentos mais em conta, como cartuchos alternativos novos ou mesmo remanufaturados.
  • Chuta o balde e adota mods/hacks do tipo bulk ink (uso de tinta a granel). Esta, por sinal, é uma tecnologia popular entre os equipamentos da Epson:

Sob esse ponto de vista, o lançamento da All-in-One L200 nos pega de surpresa, mas não nos pareceu uma iniciativa de todo estranha. Isso porque a existência de toda uma indústria ao redor da engenhoca acima, mostra que existe uma demanda reprimida por um equipamento de entrada que proporcione o menor custo por página impressa possível. Assim, a Epson não fez mais do que criar uma solução que atenda a essa necessidade de uma maneira honesta, tecnicamente correta e dentro dos padrões de qualidade e de garantia da empresa.

Medindo 50,3 x 29,4 x 14,3 cm (LxAxP — fechada) e 4,6 kg de peso (com tinta), a L200 All-in-One é uma impressora multifuncional a jato de tinta cujo visual lembra muito outros produtos da casa, como a Stylus TX135. Segundo a fabricante, a multifuncional foi especialmente desenvolvida para o mercado latino-americano a partir de pesquisas que identificaram a demanda por uma impressora de pequeno porte que proporcionasse a troca menos freqüente dos cartuchos e que fosse fácil de recarregar.

Como é usual nesses modelos de entrada, a L200 é dona de linhas simples cujo tom predominante é o preto fosco (na minha opinião muito melhor que o black “não olha feio que risco” piano). Eu particularmente gosto desse desenho porque graças ao seu formato “caixa”, quando fora de uso todos os acessos ao seu interior ficam tampados o que além de economizar espaço, ainda impede a entrada de pó no seu interior o que faz muito sentido para aqueles que só imprimem algo de vez em quando.

E para não dizer que o seu visual é de todo monótono, sua tampa superior possui um simpático grafismo na forma de pontos na cor cinza, porém pouco perceptível de longe. Às vezes me pergunto por que essa indústria não adota outras cores mais radicais nesses produtos como  tampas do scanner em vermelho Ferrari, verde escuro, pink moderno ou mesmo um corpo totalmente transparente (see-thru).

A única pista que não estamos diante de algo não que vemos todo dia nas prateleiras das lojas é o seu reservatório (ou tanque) de tinta, um módulo de 16,7 x 11 x 6 cm (LxAxP) montado na lateral do equipamento.

Vale a pena notar que — tecnicamente falando — esse tanque não está montado e sim “enganchado” na lateral da impressora, já que não existe nenhum pino ou trava que o mantenha no lugar caso a multifuncional caia da sua mesa o que deixa claro que ela foi feita para trabalhar sobre uma superfície firme e plana. De fato, a L200 possui dois sistemas de segurança que devem ser usados na hora do seu transporte: A primeira é fechar uma pequena válvula localizada na sua base, que bloqueia o fluxo de tinta para a impressora…

… já a segunda é usar quatro tampinhas de borracha (que acompanham o produto num envelope a parte)…

… que devem ser usadas para tampar os respiros de ar de cada tanque de tinta, evitando assim que a mesma escorra por esses orifícios durante o transporte…

… mesmo com os tanques na sua posição vertical. Note que as abas quadradas podem ficar tanto para dentro quanto para fora do compartimento, funcionando assim como um alerta de que os respiros estão fechados.

Isso porque a empresa deixa muito claro que essas tampinhas não devem ser usadas durante o uso da impressora, caso contrário o fluxo de tinta do tanque para a cabeça de impressão é bloqueado levando assim a falhas no documento impresso.

Ao desenganchar o tanque do seu suporte, podemos ver os dutos de tinta (na cor cinza) que saem do reservatório e entram na impressora…

… passam por dentro do equipamento por meio de uma espécie de calha …

… que vai até à cabeça de impressão:

O resultado é um sistema de impressão bem implementado, que funciona bem e é original de fábrica!

A traseira da L200 é bastante simples e sem muita coisa para ser vista ou mexida.

Sua única interface de comunicação disponível é uma porta USB 2.0 que se conecta ao PC por meio de um cabo USB padrão do tipo A-B já incluso no pacote. Note que ao contrário de outros modelos, a L200 não possui uma porta USB extra (para instalar um um memory key ou ligar a uma câmera via PictBridge) ou mesmo slots para cartão de memória o que impede que possamos imprimir imagens diretamente da impressora, apesar de isso ser possível via PC.

A fonte de alimentação dessa impressora vem embutida na máquina, de modo que basta ligar o equipamento na tomada com o cabo de força incluso. Segundo a etiqueta colada na impressora que recebemos para teste, esse equipamento funciona apenas em 110 volts a 50/60 Hz, o que pode ser algo problemático em um País como o nosso, servido por mais de uma tensão de tomada (110 ou 220 volts).

Curiosamente, existe uma pequena porta na parte de trás da impressora…

… que dá acesso a uma espécie de compartimento que parece ser algum tipo de sistema de coleta de resíduo líquido — aparentemente tinta. O material branco parece ser algum tipo de feltro cuja função é de reter o líquido e evitar transbordamentos caso a impressora vire.

Segundo a fabricante, o alimentador de mídia da L200 tem capacidade máxima para até 100 folhas de papel sulfite (75 gramas/m²), mas também aceita mídias menores como papel para fotos 10 x 15 cm (até 10 folhas) ou maiores de até 8,5 x 44″ (algo como quatro folhas de papel carta unidas pelo comprimento). Note a régua transparente que minimiza a queda acidental de pequenos objetos no alimentador como canetas, borrachas ou clipes que as pessoas podem esquecer sobre a impressora e que podem rolar para o interior caso o usuário levante a tampa do scanner.

Já a sua bandeja de saída tem a capacidade máxima de 50 folhas de papel sulfite de 75 gramas/m²:

Interessante notar que logo acima dessa saída de papel existe uma pequena porta de manutenção, o que ajuda na remoção de folhas atoladas no mecanismo de impressão.

O scanner da L200 é do tipo CIS (que utiliza um pente de LEDs como fonte de luz) com resolução óptica de 600 dpi com profundidade de cores de 48 bits interno e 24 bits externo e velocidade de digitalização de aproximadamente 4 mseg/linha em preto ou 5 mseg/linha em cores a 300 ppp. Para os padrões atuais, trata-de se uma resolução modesta, mas atende bem a sua função básica de copiar documentos.

Simplicidade por sinal é a palavra de ordem também nesse caso, já que o sistema de cópia oferece apenas duas opções: copiar em cores e copiar e preto e branco. Nada de determinar número de cópias, reduzir ou ampliar e coisas do tipo. Basta colocar o documento na mesa do scanner que o sistema reproduz tudo que estiver sobre ela, independente do tamanho. Fora isso a L200, ainda incorpora dois controles: liga/desliga e parada de emergência.

Vale a pena observar que ao lado da mesa digitalizadora existe uma tampa que dá acesso aos cartuchos de impressão. Mas como eles não são removíveis, pode ser que ela sirva apenas para facilitar a sua manutenção na assitência técnica.

Uma das coisas mais legais da L200 é que em vez de um raquítico Starter Kit (como cartuchos com meia carga e coisas do tipo) a Epson inclui no seu pacote inicial um generoso kit de tinta, formado por um jogo completo recarga de tinta CMYK (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto) e mais dois frascos adicionais de preto.

Segundo a fabricante, o kit colorido (CMYK)  tem autonomia estimada de 6.500 impressões em cores baseado no padrão ISO/IEC24712, com metodologia Epson. Já os refis de preto capazes de imprimir mais 12 mil páginas (ou 4.000 cada). Um número impressionante se comparado, por exemplo com os atuais cartuchos de tinta que, na média, mal chegam a 200 impressões por recarga.

E por fazer o mesmo trabalho de diversos cartuchos de tinta, esse sistema de refil gera até menos resíduos (a empresa cita algo como um frasco = 35 cartuchos) o que torna esse produto até mais amigável para o meio ambiente.

Cada cartucho contém 70 ml de tinta e vem embalado a vácuo, o que garante a integridade do seu conteúdo. Cada frasco vem claramente identificado e codificado (BK/Black: T6641, C/Cyan: T6642, M/Magenta: T6642 e Y/Yellow: T6642) e vem até com um número de série individual (mais sobre isso adiante). A tinta é fabricada no Japão e o preço sugerido de cada frasco é de apenas R$ 25 indepente da cor (uia!).

Pelas nossas contas e as informações oficiais da Epson (preço e autonomia), o custo de impressão da L200 em cores é de ~ 1,5 centavos de real (ou mais exatamente R$ 0,0154) para imprimir uma página em cores ou ~ 0,6 centavo de real (R$ 0,0063) para o preto, valor que, por sinal, cai pela metade já que a L200 já vem com dois frascos de tinta preta na caixa.

Como medida adicional de segurança e proteção contra vazamentos e contaminações como fungos, cada frasco vem selado com um lacre de alumínio que deve ser removido manualmente antes de ser usado.

Feito isso, basta recolocar sua tampa de plástico e romper a tampinha superior para liberar o fluxo da tinta.

Interessante notar que depois de separada do bico, a ponta ainda serve como tampinha para o frasco.

E para preencher o reservatório da L200 com tinta…

… basta desenganchá-lo da impressora e tombá-lo, sempre tomado-se o cuidado de não torcer/dobrar os dutos de tinta.

Feito isso, basta remover a tampinha do reservatório da cor a ser abastecido…

… pegar o frasco de tinta correspondente, remover a tampa e retirar o lacre de alumínio…

… recolocar a tampa superior e fixá-lo firmemente no frasco para evitar vazamentos…

… quebrar e remover a tampinha superior…

… e despejar a tinta no reservatório. O único cuidado que deve ser tomado é de não colocar a tinta no tanque errado, já que nada impede que isso não ocorra.

Note que o bico da tampa possui duas aletas na forma de “V” que impede que o bico entre demais no tanque (seta preta), ao mesmo tempo que proporciona um ponto de apoio que ajuda o usuário a pressionar o frasco com segurança. Como era de se esperar, cada frasco possui tinta suficiente para encher um reservatório vazio. Mas caso o usuário deseje apenas completar o tanque, existe no mesmo um indicador de nível máximo de tinta (seta laranja). Finalizado esse passo, basta remover qualquer respingo de tinta com um pedaço de papel absorvente, recolocar a tampinha e repetir esse procedimento com as outras cores.

Note que cada reservatório também possui uma indicação de nível mínimo de tinta na sua base.

O processo de instalação da L200 não difere muitos de outros produtos da Epson: insira o CD de instalação no computador e siga os passos indicados pelo programa. Seus drivers são compatíveis com os sistemas operacionais Windows 7, Vista e XP mas, infelizmente, nenhum suporte para Mac ou Linux.

Uma das novidades desse procedimento de instalação é que o driver de impressão solicita que o usuário informe localize o número de identificação individual de cada frasco (ID) …

… e informe o número para o sistema. Trata-se de uma maneira de garantir que suprimento é original e o mesmo (ou pelo menos seu ID) nunca foi usado anteriormente:

Só por curiosidade, numa recarga posterior inserimos de farra um ID de um frasco já utilizado e não é que o sistema recusou o número?

Caso os instalador valide os IDs de todas as tintas, a instalação continua ao mesmo tempo que a preparação da impressora continua. Tal procedimento, segundo o instalador, pode demorar até 20 minutos para ser finalizado e caso não ocorra nenhum imprevisto, a multifuncional está pronta para uso.

Caso essa explicação não ficou muito clara, preparamos um vídeo que demonstra esse procedimento:

Se você achou o procedimento acima muito complicado, compare o sistema acima com um video de instalação de um sistema de bulk ink alternativo que encontramos na rede. Diversão garantida para quem gosta de brincar com líquidos coloridos e seringas de injeção:

Esse outro exemplo tiliza um sistema de garrafinhas do lugar do tanque, mas o procedimento de instalação não deixa de ser igualmente fascinante, beirando a gambiarra.

Sob testes:

Nos testes realizados, a L200 imprimiu o documento padrão ISO/IEC 24712 otimizado para o modo monocromático a 2,16 ppm (páginas por minuto) no modo normal, o que é um desempenho  modesto, mas dentro do esperado para uma impressora de entrada.

A qualidade em si também não empolga muito, já que ela lembra mesmo uma impressão a jato de tinta com seus contornos levemente borrados (devido ao uso de papel simples de 75 gramas/m²) ao contrário de sistemas mais sofisticados (e caros) que até passam por uma impressão a laser:

Uma alternativa para melhorar a velocidade de impressão é o uso do modo rascunho, cujo desempenho saltou para 9,5 ppm, o que é um resultado bem interessante para um equipamento da sua classe. Entrentanto, a qualidade de impressão não é das melhores, já que houve distorção na formação dos caracteres dificultando significativamente a sua legibilidade, ao contrário de outros modelos onde os caracteres ficam apenas mais claros, porém perfeitamente legíveis.

Já na impressão de textos em cores, o desempenho foi ainda pior com outro documento ISO/IEC 24712 otimizado para cores…

Que imprimiu a 0,81 ppm,  algo como esperar de 5 a 6 minutos para imprimir um documento de cinco páginas no modo Text & Image. Em contrapartida, a qualidade de impressão nos pareceu até melhor que no modo monocromático:

no modo draft, a L200 imprimiu a 3,6 ppm. Novamente, achamos esse modo pouco utilizável, a não ser para estudar o layout da página:

Com relação ao modo de impressão fotográfica, até que ficamos impressionados com o resultado, já que ela não fica muito atrás da Epson PictureMate Charm em termos de qualidade, ainda que ficando atrás novamente em velocidade — uma média de 2min44s para imprimir uma foto em cores no modo Best Photo com programa Epson Easy Photo Printcontra menos de 1 min na PictureMate.

Veja por exemplo uma foto impressa originalmente na Picturemate e digitalizada na L200 a 600 dpi:

Detalhe da imagem em 100%:

E a mesma foto impressa na L200 também digitalizada a 600 ppp:

Detalhe da imagem em 100%. Note que a imagem apresenta uma névoa de pontos mais evidentes que a da PictureMate, mas essa diferença não é perceptível a olho nu.

Interessante notar que até no modo de menor qualidade da Easy Photo Print (Photo), a qualidade em si não caiu tanto ficando até dentro de parâmetros até que bastante aceitáveis. Significativo mesmo foi o ganho de desempenho, já que o tempo de  impressão caiu para apenas 2min47s:

No detalhe em 100% notamos apenas que a imagem perdeu um pouco de contraste, passando assim a impressão de que a foto ficou levemente mais clara.

Nossas conclusões:

Para mim a L200 é um grande experimento, já que é a primeira vez que vemos uma fabricante de jato de tinta adotar uma solução de bulk ink em um equipamento de pequeno porte no melhor estilo “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. E como tal, isso me lembra um programa na versão 1.0 ou seja, no geral, funciona, mas sinto que o produto ainda precisa de alguns ajustes e refinamentos para se tornar um produto realmente matador.

E depois de ver alguns dos vídeos disponíveis no YouTube que mostram as atuais soluções de bulk ink disponíveis do mercado, achei que alguns dos procedimentos apresentados são bem precários (puxe o fio da tomada, enfie a mão dentro da impressora e puxe o carro para direita etc.) que não creio que um usuário doméstico — aquele que tem até medo de abrir o gabinete do seu PC para ver o que tem dentro — se arriscaria numa aventura dessas, a não ser por extrema necessidade.

De fato, isso me lembra uma entrevista de Steve Jobs da década de 1980 em que ele dizia que enquanto estava claro para ele que se para cada entusiasta de hardware capaz de montar seu próprio computador haveria milhares de outros que não teriam a mesma habilidade, mas que gostariam de ter e programar um computador. Daí nasceu a idéia de transformar o Apple I (uma placa de computador que o usuário comprava na loja e depois se virava para adicionar o resto)…

… no Apple II — um sistema completo e pronto para usar:

O que quero dizer com isso é que a Epson reinventou o sistema de bulk ink, transformando uma tremenda gambiarra em algo simples, prático e atrativo para um público muito mais amplo, mais interessado em baixar seus custos de impressão do que ficar montando e desmontando impressoras no melhor estilo “faça por sua conta e risco” — e isso é muito positivo.

Em contrapartida, seu desempenho modesto pode até atender a demanda de um usuário doméstico, mas limita em muito o seu uso num universo mais amplo como o de pequenos estabelecimentos comerciais que possuem uma alta demanda de impressão que poderiam até usufruir do menor custo de impressão da L200, porém sem contar com agilidade.

Com o preço sugerido de R$ 749, alguns podem se assustar com esse valor, principalmente se levarmos em consideração que uma multifuncional de entrada chega a ser oferecido no mercado pela bagatela de R$ 199 e isso quando ela não vem de brinde junto com um PC de supermercado.

E porque existe essa diferença? Acredito que isso tem a ver com a história do aparelho de barba que citamos no início desse post ou seja, como na L200 a empresa não vai lucrar tanto com suprimentos, ela de um certo modo vai cobrar aquilo que ela acha que sua impressora realmente vale. E como a Epson não é nenhuma instituição filantrópica, não há muito o que se queixar nesse caso.

Observamos porém que a L200 oferece algo que nenhuma jato de tinta de menos de R$ 200 (ou até mais) consegue bater. Seu kit inicial de tinta para 6.500 páginas em cores + 12.000 em preto é muito mais que o de qualquer outro concorrente com cartucho de tinta (e suas centenas de cópias) pode oferecer. De fato isso é um fator que deveria ser descontado do preço da impressora na hora de avaliar a sua relação de custo x benefício.

Só para relembrar o que dissemos anteriormente, pelas nossas contas o custo de impressão da L200 em cores é de ~ 1,5 centavos de real (ou mais exatamente R$ 0,0154) para imprimir uma página em cores ou ~ 0,6 centavo de real (R$ 0,063) para o preto, valor que por sinal cai pela metade já que a L200 já vem com dois frascos de tinta preta na caixa. Trata-se de um valor bastante atraente, principalmente se levarmos em consideração um modelo de entrada que mais se aproxima da L200 —  a Stylus TX135 — cujo custo por página impressa fica em torno de 34 centavos de real em cores e 13 centavos em preto (sem contar o kit inicial).

No geral, a proposta da L200 é muuuito interessante, mas para nós seu desempenho limita um pouco o seu uso generalizado. Assim esperamos que essa solução de tanque também seja implementada em um equipamento mais veloz e que nem precisaria ser uma multifuncional (o que ajudaria a reduzir o seu custo) – isso tornaria esse produto realmente matador.

Resumo: Epson All-in-One L200

O que é isso? Impressora do tipo all-in-one de uso geral.
O que é legal?
 Sistema de tanque funciona de maneira simples, prática e limpa. Baixíssimo custo de impressão.
O que é imoral? Desempenho modesto. Não possui drivers para Mac ou Linux.
O que mais?
 Cada refil de tinta sai por R$ 25 independente da cor. Autonomia estimada em 6,5 mil impressões em cores e 12 mil impressões em preto.
Avaliação: 7,5
 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço estimado:
 R$ 749 
Onde encontrar:
www.epson.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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