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Review: Disco SSD Intel X25-M/E

ssd_intel_intro

Entre as novas tecnologias que começaram a chegar ao mercado em 2008, uma das mais badaladas é a dos discos de estado sólido — SSD. O periférico mal saiu da infância, mas surge com promessa de entrar de sola no mercado com maior durabilidade, desempenho e menor consumo de energia e uma capacidade de armazenamento que, apesar de ainda modesta para os padrões atuais (80~160 GB), já atende a diversas aplicações do mercado, apesar de seu preço ainda meio elevado.

Colocamos dois modelos em teste. Depois do clique, veja o que aconteceu em comparação a um disco rígido convencional.

ssd_intel_ssd_x_hdd

Apresentada pela primeira vez no último IDF em São Francisco, a nova linha de SSDs da Intel está inicialmente disponível em dois modelos: o X18 no padrão de formato de 1,8″ usado em dispositivos móveis subcompactos como o Lenovo X300, e o X25 compatível com o padrão de 2,5″ muito usado em notebooks e até desktops ou servidores.

Este Zumo teve acesso ao último modelo em duas versões, o X25-E (Extreme) SSDSA2SH032G1GN de 32 GB, voltado para aplicações de servidores, e o X25-M (Mainstream) SSDSA2SH080G1GN de 80 GB, voltado para desktops e notebooks. Fora a capacidade de armazenamento, a principal diferença entre os modelos M e E está no seu MTBF (tempo médio entre falhas) estimado de 1 milhão de horas na versão para notes e 2,2 milhões na versão para servidores.

Se comparado com um disco rígido padrão (HDD), o SSD X25 tem as mesmas dimensões, seus furos de fixação e seus conectores são do mesmo tipo e estão na mesma posição. Isso significa total compatibilibilidade com as atuais plataformas do mercado. Notamos porém que o modelo analisado era 2 mm mais fino (7 mm de espessura) se comparado com o HDD (9 mm). Segundo a Intel isso é apenas uma questão de formato, já que o mesmo modelo também pode ser adquirido com gabinete de 9 mm de espessura.

ssd_intel_ssd_x_hdd_altura

Ao remover os quatro parafusos que fixam a tampa superior, podemos ver que o SSD é basicamente uma placa de circuito impresso protegida por um gabinete metálico. Ela possui duas características muito interessantes: a ausência de partes móveis. Isso o torna praticamente imune a choques diversos que podem danificar um HDD convencional e seu padrão de construção bastante simples o que abre perspectivas promissoras em termos de redução de custos, se isso depender apenas da sua escala de produção — o que não é exatamente o caso, diga-se de passagem.

ssd_intel_ssd_aberto

Sob um certo ponto de vista, o SDD da Intel não deixa de ter uma versão supervitaminada dos cartões CF ou mesmo  dos memory keys. Ele é formado basicamente um grande banco de memória flash do tipo NAND equipado com um controlador de memória e uma interface SATA. Na parte de baixo da placa do SSD podemos ver isso com mais clareza:

ssd_intel_ssd_inside

Pelo que pude entender, a grande sacada do SSD da Intel não está na memória flash e sim no seu chip controlador de memória e no firmware desenvolvido pela empresa, responsável pelo desempenho do produto considerado tão bom que motivou a empresa a entrar de sola nesse mercado, em vez de simplesmente licenciar a tecnologia para terceiros.

Pelo que nos explicou Américo Tomé, da Intel, durante o último Editor’s Day 2008, a grande sacada desse chip controlador é que o mesmo utiliza dez canais de comunicação para manipular os dados no banco de memória Flash, o que ajuda a minimizar algumas das limitações da tecnologia flash como a maior velocidade de gravação. Esse chip também é capaz de executar 32 comandos de NCQ simultaneamente, além de contar com um algoritmo responsável por utilizar todos os endereços de memória disponíveis no SSD de maneira uniforme, permitindo assim que o disco se “desgaste” por igual, impedindo assim a falha prematura do componente por fadiga de apenas um compomente. Certas rotinas de manutenção do disco como desfragmentação de setores não é necessário nos SDD. De fato isso deve ser até evitado já que isso só desgastaria o disco com operações desnecessárias, reduzindo sua vida útil.

Veja abaixo algumas especificações mais técnicas do produto, coletados pelo HD Tune 2.55:

INTEL X25-M (SSDSA2MH080G1GN)

Firmware version : 045C8610
Serial number    : CVEM82920015080DGN
Capacity         : 74.5 GB (~80.0 GB)
Buffer size      : n/a
Standard         : ATA/ATAPI-0 – SATA II
Supported mode   : UDMA Mode 6 (Ultra ATA/133)
Current mode     : UDMA Mode 5 (Ultra ATA/100)

S.M.A.R.T                    : yes
48-bit Address               : yes
Read Look-Ahead              : yes
Write Cache                  : yes
Host Protected Area          : yes
Device Configuration Overlay : yes
Automatic Acoustic Management: no
Power Management             : yes
Advanced Power Management    : no
Power-up in Standby          : no
Security Mode                : yes
Firmware Upgradable          : yes

Intel X25-E (SSDSA2SH032G1GN)

Firmware version : 045C8620
Serial number    : CVEM838100F9032HGN
Capacity         : 29.8 GB (~32.0 GB)
Buffer size      : n/a
Standard         : ATA/ATAPI-0 – SATA II
Supported mode   : UDMA Mode 6 (Ultra ATA/133)
Current mode     : UDMA Mode 5 (Ultra ATA/100)

S.M.A.R.T                    : yes
48-bit Address               : yes
Read Look-Ahead              : yes
Write Cache                  : yes
Host Protected Area          : yes
Device Configuration Overlay : yes
Automatic Acoustic Management: no
Power Management             : yes
Advanced Power Management    : no
Power-up in Standby          : no
Security Mode                : yes
Firmware Upgradable          : yes

Sob testes:

Para efeito de comparação, coloquei os discos da Intel lado a lado com um HDD Hitachi HTS541080G9SA00 de 80 GB e 5.400 RPM com interface SATA. Assim, pude ter uma idéia das diferenças entre as duas tecnologias. Para isso utilizei um desktop baseado num processador Athlon 64 FX60, placa-mãe com chipset NForce 6100, 1 GB de SDRAM e Windows XP Pro. Montei os discos numa docking station com porta E-SATA com sua própria fonte de alimentação, o que permitiu analisar alguns dados de consumo de energia.

O que podemos ver no teste do Hitachi é que a taxa de transferência (linha azul) varia de acordo com a posição da cabeça de leitura/gravação em relação à midia, resultando numa média  de 28,7 MB/s. O mesmo pode ser dito do tempo de acesso (pontos amarelos).

ssd_intel_ssd_hd_tune_hitachi

Na segunda medição realizada com o SSD X25-M podemos ver que a taxa de transferência, além de constante, é bastante alta (106,1 MB/s). Mais impressionante ainda é ver o tempo de resposta (0,1 ms), tão baixo que nem aparece na escala do gráfico.

ssd_intel_ssd_hd_tune_x25m

Como era previsto, não vimos muita diferença de desempenho do SSD X25-E de 32 GB:

ssd_intel_ssd_hd_tune_x25e

Como isolamos o disco sob teste num módulo externo, tivemos condições de ter uma idéia de consumo de energia, ligando seu conversor de energia no nosso medidor. Pode ser que não seja uma leitura direta, mas pelo menos nos dá uma idéia da diferença de consumo entre um HDD e um SSD. Para realizar esses testes utilizei o HDTach 3.0.1.0, que possui componentes específicos para testes de leitura e gravação de dados.

No caso do HDD da Hitachi, observei uma média de consumo médio de 6,5 watts nos testes de leitura e 5,8 watts nos testes de gravação de dados.

ssd_intel_ssd_consumo_hitachi

Já no SSD X25-M é possível ver uma comportamento bastante distinto entre os testes de leitura (média de 3,1 watts) e nos testes de gravação (média de 4,7 watts). Isso compr0va a informação de que apenas ler dados no disco SSD consome menos energia do que gravar dados.

ssd_intel_ssd_consumo_x25m

O mesmo pode ser visto no X25-E: média de 3,0 watts na leitura e 4,7 watts na gravação de dados.

ssd_intel_ssd_consumo_x25e

Minha conclusão é que os discos SSD da Intel realmente oferecem diversas vantagens se comparadas com os discos convencionais com mídia magnética. Eles são velozes, resistentes a maus tratos, consomem menos energia e são totalmente compatíveis com as atuais plataformas do mercado, o que pode soar como música para usuários de computadores móveis e aplicações de servidores que também podem tirar grande proveito desses recursos.

Nesse último caso, o uso de discos de menor capacidade têm melhor uso em sistemas que demandem um rápido acesso e recuperação de dados. Em contrapartida, os discos magnéticos oferecem mais vantagens em termos de maior capacidade de armazenamento, durabilidade comprovada (e não teorizada) e menor custo por bit armazenado.

E, mesmo que um dia o custo e a capacidade dos SSDs superem a dos HDDs, existe uma desvantagem que todos os usuários de SSD deveriam estar cientes: caso um disco SSD queime ou simplesmente pife, não existem meios de recuperar seus dados armazenados, ao contrário dos HDDs cuja mídia pode sempre ser aberta e seus dados lidos diretamente da superfície magnética. E nesse caso até a própria Intel diz que o melhor mesmo é manter backups de segurança dos dados gravados em SSD, mesmo que seja em um outro disco magnético. >;^)

A boa notícia é que esses discos poderão ser encontrados em breve até no Brasil, graças ao acordo da Intel junto à Kinsgton que se encarregará da distribuição global do produto, incluindo o mercado local.

Resumo: SSD Intel X25-E e X25-M de 80 e 32 GB
O que é isso?
disco rígido de estado sólido para uso em desktops, notebooks e servidores.
O que é legal?
rápido, silencioso, baixo consumo e silencioso.
O que é imoral?
capacidade modesta para os padrões de mercado, relativamente caro.
O que mais?
totalmente compatível com as atuais plataformas de PC.
Avaliação:
6,9 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido:
R$ 2.583 (X25-E) e R$ 2.418 (X25-M) (Atualizado em 03/02/2009)
Onde encontrar: www.kingston.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Rodrigo

    Essa ansiedade que mata !

    Uso o SSD no netbook meu deus, impressiona mesmo.

    Imagina no Desk!

  • Parabéns pela matéria,

    agora vem a pergunta noobie… Pode formatar em FAT32 para usar no PS3??? Imagine a velocidade de acesso?! lol

    e fazer backup em hd convencional por causa da durabilidade do SSD?! Ainda sou muito cético qto a isso, e vou preferir – por muito tempo – os magnéticos.

    A não ser que façam um teste colocando um SSD numa lan house por um ano (existe teste pior?)! Aí vamos ver se haverá algum problema de durabilidade!

    dflopes

  • Bruno Azevedo

    Uma informação por favor:
    Que tipo de equipamento vocês usaram para conseguir essa medição do consumo de energia?

  • Luciano Silveira

    Devido a alta taxa de transferência, será que nos modelos pra servidor não haverá um com interface SAS?

  • Sim David, ele formata em FAT32 (testei aqui no meu PC).

    Acredito que, como o SSD foi feito para se comportar como um disco convencional, de modo que — na teoria — ele deveria funcionar em qualquer plataforma que suporte o padrão SATA, incluindo o Linux e Mac.

    Com relação à durabilidade dos discos SSD, trata-se de uma tecnologia muito nova e só o tempo dirá quanto esses discos podem realmente durar. De qualquer modo, o que os fabricantes procuram deixar claro é que não é o fato da memória flash ser uma tecnologia de estado sólido irão que elas vão durar até depois dos macacos conquistarem a terra, lá pelo ano 3 mil duzentos e bolinha. Fato é que a memória flash tem uma vida útil e que algum dia vai pifar, de preferência daqui a 1 milhão de horas.

    E cá entre nós, sempre ouvi dizer que o LD iria preservar seus vídeos para sempre, assim como os CDs e DVDs. >:^)

  • Oi Luciano,

    Acredito que sim, já que o SAS não deixa de ser um parente do SATA.

  • Cabral

    Existe ele o RAID-0 nativo? Exemplo um disco de “64GB” em RAID-0 32/32GB = 64GB. Para notebook seria muito bom.

  • Oi Cabral,

    Já cheguei a ver algumas demonstrações da Intel onde eles montaram dois discos SSD em RAID 1 num servidor e cuja taxa de transferência — segundo o pessoal de Santa Clara — chegava a ser até melhor que um WD Velociraptor. Infelizmente não tenho dois SSDs de mesma capacidade para tentar reproduzir esse experimento.

  • Cabral

    Oi Nagano, você não entendeu, não fui bem claro, o que queria era 1 disco SSD mas ele sendo RAID-0. Exemplo, na ultima foto os bancos de memoria NAND tem 5 pares, somando 10 unidades de memoria, o queria era que 5 fossem de 32GB e outras cinco de 32GB, unindo as 2 em RAID-0. 64GB virtual ou um disco de 32GB em RAID-0.

  • Oi Cabral, acho q não me expressei direito:

    O que queria dizer é que ainda não vi um SSD formatado em RAID 0. Só montagens em RAID 1 numas demos da Intel.

    [ ]s

    Mário

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