Review: Dell XPS 13 Ultrabook

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Desde o seu anúncio em maio do ano passado, a plataforma Ultrabook da Intel mostra a cara aos poucos no mercado brasileiro: Acer e Asus já têm os seus modelos nas lojas, e HP e LG prometem os seus para breve. A Dell — sem fazer muito barulho e indo direto aos finalmente — trouxe para o País o seu primeiro modelo: o Dell XPS 13 Ultrabook, que vai ser lançado oficialmente no dia 2 de abril.

Como o próprio nome sugere, o XPS 13 Ultrabook é um modelo leve e fino equipado com uma tela LCD/LED de 13,3″ cujo visual lembra vagamente o Asus Zenbook UX31 que, por sua vez lembra mais ainda o MacBook Air da Apple. De qualquer modo, é injusto chamar o XPS 13 de “cópia”,  já que ele incorpora idéias e recursos bem interessantes para um portátil da sua categoria.

Recebi um modelo de pré-produção aqui na Zumo-caverna, que já veio na sua embalagem final.

Ao abrí-lo já damos de cara com o produto…

… sendo que ao retirá-lo encontramos a sua fonte de alimentação e um envelope contendo a documentação do produto. Segundo a Dell, a idéia é que itens adicionais podem ser adquiridos na hora de comprar o portátil.

Assim como o Zenbook UX31, a tampa superior do XPS 13 também é de alumínio usinado (= maior rigidez estrutural) com acabamento em prata fosco. Tata-se de um tom neutro, elegante e bastante sóbrio que tem a vantagem de não reter marcas de dedos, como ocorre por exemplo, com o acabamento Blacknão olha feio que eu riscoPiano.

O sistema que recebemos veio equipado com um processador Intel Core i7 2637M de 1,80 GHz (com Turbo Boost 2.0 de até 2,80 GHz). Trata-se de um Sandy Bridge “Ultra” com TDP de apenas 17 watts, 4 MB de cache L3 e dois núcleos com HT (= 4 threads):

Sua aceleradora gráfica integrada é a Intel HD 3000,

Ao lado do processador podemos ver o chipset Intel QS67 Express — uma versão compacta da chamada Série 6 (codinome Cougar Point), desenvolvida para uso em notebooks leves e finos. Ele incorpora diversos recursos e tecnologias da casa como o Intel vPro, Intel Anti-Theft Technology (Intel AT), Intel Wireless Display, suporte nativo para reprodução de discos em Blu-Ray e SATA 3.0 com suporte para Intel Rapid Storage Technology (Intel RST) e RAID:

Fora isso ele vem equipado com 4 GB de SDRAM DDR3 de 1.333 MHz (dual channel), disco SSD de 256 GB, Wi-Fi 802.11 a/g/n, Bluetooth 3.0, uma USB 2.0 powered e uma USB 3.0. O sistema operacional é o Windows 7 Home Premium de 64 bits.

Medindo apenas 31,6 x 1,8  x 20,5 cm (LxAxP) e 1,35 kg de peso (1,62 kg com a fonte inclusa), o XPS 13 é apenas 3,1 cm mais largo que o Dell Inspiron Duo, um dos últimos netbooks da casa. De fato, o uso de tons de preto na sua metade inferior — e uma frente levemente “rebaixada” passam a impressão de ele ser ainda mais fino do que ele realmente é. Mas para chegar a isso, os projetistas da Dell tiveram que abrir mão de alguma coisa, o que nesse caso foi o número de portas de entrada e de saída. Assim tanto a frente quanto a parte de trás do portátil são completamente limpas, já que não sobra espaço para nada.

De fato, os poucos controles externos e portas de comunicação disponíveis estão nas laterais do portátil. À direita temos uma porta USB 3.0 e uma saída de vídeo DisplayPort Mini, um conector relativamente novo no mercado o que vai exigir — na maioria dos casos — um adaptador para HDMI ou DVI para tirar proveito desse recurso. Note que esse acessório não acompanha o produto.

Para minha surpresa, o XPS 13 vem equipado com um medidor de carga da bateria. Basta pressionar o botão à direita para se ter uma rápida leitura do seu estado (cinco LEDs acesos = bateria cheia) mesmo com o equipamento desligado.

Já no lado esquerdo temos a entrada da fonte de alimentação, mais uma USB 2.0 “powered” e uma saída de som estéreo/microfone combinados em um único conector, como os que temos nos telefones celulares.

Para aqueles que  já trabalham com portáteis podem ter sentido a falta de alguns recursos que alguns podem julgar relevantes, como uma porta Ethernet, leitor de cartão de memória Flash, modem 3G integradochave do Wi-Fi,  saída de vídeo SVGA (ainda muito presente em projetores multimídia) e até do slot para trava anti-furto padrão Kensington. Mas como disse acima, acredito que a Dell teve que abrir mão desses recursos em favor de um equipamento mais compacto. No geral, a maioria desses recursos que faltam podem ser implementados — de uma maneira ou de outra — por meio de adaptadores USB, uma espécie de hub com diversas interfaces como Ethernet, porta paralela, serial, USB , áudio e até video SVGA/DVI que se comunica com o PC via porta USB 2.0. Muitos fabricantes de PCs incluem esse acessório na sua lista de opcionais, mas eles também são vendidos por empresas como a Targus ou a Kensington que comercializa o Universal Notebook Docking Station with VGA/DVI and Ethernet 4 (embaixo). Pela nossa experiência esse acessório funciona bem, mas é preciso lembrar que como todas essas interfaces passam por uma única porta USB 2.0, pode haver algum estrangulamento do tráfego de dados entre esse dispositivo e o PC. Esperamos que com a popularização do USB 3.0 possa surgir uma nova geração de replicadores que minimize esse problema.

Já a trava anti-furto é algo mais complicado já que, segundo a Dell a ausência desse slot é por causa da total pela inexistência de um local para implementá-lo. Já se fala numa versão “mini” do slot Kensington mas até que ela chegue ao mercado a solução pode estar nas travas de segurança que se encaixam na porta USB, um item aparentemente mais raro no varejo do que dente em galinha.

Como podemos ver, o interior do XPS 13 é dominado pelos tons de preto, cujos limites são ladeados por uma fina borda metálica. E como está na moda nos dias de hoje, o seu visual é simples, funcional, elegante e até um pouco despojado se comparado com modelos do passado com seus LEDs azuis e teclas de atalho que pouca gente usava.

 

No geral, suas linhas suaves e o logo redondo da Dell na parte de trás da tela me fazem lembrar do Dell Inspiron 14, um modelo voltado para o consumidor final de meados de 2009.

Mas o que realmente chama a atenção do XPS 13 é a espessura da sua tela…

… com apenas 5 mm de espessura!

Sua tela LCD/LED — batizada de Truelife WLED Display — é um modelo de 13,3″ (duh!) e 1.366 x 768 pixels — resolução normal para essa categoria de produto. Note a borda relativamente fina da tela, o que indica uma melhor relação entre a área de tela e o tamanho do portátil. De fato, o XPS 13 é 0,9 cm mais estreito e 1,8 cm mais curto que o ZenBook UX31 (32,5 x 1,7 x 22,3 x 1,7 cm (LxAxP) contando a altura dos pezinhos).

Na parte de cima podemos ver sua webcam de 0,3 megapixel, o array de microfones e o que parece ser o sensor de luminosidade, usado pelo sistema para adequar o brilho da tela com o ambiente ao seu redor.

Entretanto, a boa notícia é que assim como o ThinkPad X1sua tela LCD é coberta por uma camada de Gorilla Glass da Corning (uia!), algo que ainda não vimos em nenhum Ultrabook da concorrência. O inconveniente neste caso é que ela não possui tratamento anti-reflexivo o que pode ser um incômodo em algumas situações.

E ao contrário do XPS 15z com seu pavoroso teclado na cor prata com caracteres cinza claro a Dell acertou na mosca com o XPS 13 ao optar por um teclado com botões pretos e fundo escuro. Nossa versão de pré-produção veio com layout US International mas acreditamos que a versão local saia com o layout ABNT-2 nacional.

E que como é comum nos modelos corporativos e premium da Dell, seus botões retroiluminados, resultando assim num portátil que pode ser usado na penumbra ou mesmo no escuro.

E mesmo sob luz clara, as teclas acessas proporcionam um contraste ainda mais acentuado dos caracteres sobre as teclas, melhorando ainda mais a sua leitura. E como no Samsung Série 9o nível de brilho dessas teclas pode ser ajustado automaticamente de acordo com a luz ambiente graças ao uso do sensor de luminosidade citado acima.

Mas ao contrário de outros Ultrabooks que já vimos, a única luz indicadora de estado que existe no XPS 13 é o da caixa alta (Caps Lock). Nada de Wi-Fi, acesso ao disco etc.

De fato essa aversão por luzes indicadoras chegou ao ponto do seu botão de liga-desliga não possui nenhum indicador de que o PC está ligado.Você aperta o botão e fica por alguns segundos pensando se o portátil ligou ou não, o que você descobre apenas quando a tela acende. :-/

E para não dizer que a Dell não possui uma luz indicadora de liga/desliga — Sim… Ele tem!  — só que ele fica bem escondido na borda externa logo abaixo do touchpad, que também funciona como indicador de recarga da bateria.

E seguindo a última moda em dispositivos apontadores, o XPS 13 vem equipado com um generoso touchpad multitoque com base de vidro e área útil de 10 x 6,2 cm (LxA), o que inclui uma “área preferencial” de clique dos botões de mouse delimitado por uma linha vertical na sua base.

Vale a pena observar que a área do teclado possui um curioso acabamento fosco e meio áspero, porém bastante agradável ao toque. O mais legal é que como a tampa superior, ele é menos sujeito a marcas de dedos e as poucas manchas podem ser facilmente removidas com um pano seco e limpo. A Dell afirma que seu teclado é resistente a respingos d’água, mas não tive coragem de verificar isso.

Mas se o assunto é resistência e durabilidade, a grande novidade do Ultrabook da Dell é o uso de uma base de fibra de carbono — ou mais exatamente polímero reforçado com fibra de carbono — um material leve, super-resistente e muito usado na indústria aeroespacial e automobilística (em especial na Fórmula 1). É material ainda singular, arrojado e super high-tech. (Ainda em tempo: Note os pezinhos na forma de duas barras paralelas que aumentam a área de toque com a superfície de trabalho, impedindo que a máquina escorregue).

Segundo a empresa,  esse material é tão forte quanto o alumínio — porém mais leve — e que passa uma sensação de toque (em especial na temperatura) bem diferente do plástico ou mesmo do metal. Fora isso, a superfície desta base possui um curioso acabamento semi-transparente e até meio áspero — que garante assim uma ótima pegada e maior resistência a marca de dedos (yaaaay!) — ao mesmo tempo que o entrelaçamento das suas fibras proporcionam uma curiosa textura xadrez.

… e que pelo que pudemos ver pelas nossas macros, não se trata de algo impresso ou pintado:

Por dentro, a máquina possui um acabamento interno que pode ser sido aplicado para evitar o vazamento de radiações de rádio-frequência.

O nosso leitor Marcelo Neubert nos chamou a atenção para um curioso detalhe no design desse produto que nos passsou totalmente despercebido: que a placa metálica localizada na base do XPS 13…

… é uma espécie de portinha que esconde as informações de COA (Certificate of Authenticity) do S.O. e o service tag da Dell.

E já que tive que remover a tampa do XPS 13 para fazer a imagem acima, aproveitei a oportunidade para também dar uma olhada no seu interior…

… cujo layout dos componentes internos é muuuito parecido com o do Zenbook UX31 da Asus:

… que por sua vez é muuuito parecido com o MacBook Air daquela famosa empresa com nome de fruta:

Como podemos ver, não se tratam de cópias idênticas, mas fica claro que a inspiração veio de algum local em comum. E pela aparente complacência do pessoal de Cupertino em não processar seus concorrentes, sempre fica a dúvida se o pessoal de Santa Clara tem alguma coisa a ver com isso (apesar de todos os lados negarem qualquer coisa até hoje).

O sistema do cooler do XPS 13 é bastante simples, formado por um trocador de calor que transfere a energia térmica gerada pela CPU — mas não do chipset (WTF!) — para um pequeno irradiador montado na frente da ventoinha à direita.

Mas ao contrário do sistema da Asus, o trocador de calor é uma peça independente do ventilador…

… o que para mim é algo positivo, já que ele facilita a sua manutenção e limpeza. De fato, depois de passar dias trabalhando a plena carga aqui na Zumo-caverna, já notei o acúmulo de alguns fiapos de poeira no irradiador o que com o passar (de muuuito tempo, diga-se de passagem) pode entupi-lo e levar a problemas de aquecimento.

Removendo o trocador de calor e algumas etiquetas de proteção, podemos ver o chipset e o processador:

Core i7 2637M “Ultra” tem esse apelido porque seu encapsulamento é ligeriamente menor que um chip móvel de linha. Esse formato foi criado originalmente para a Apple usar nos seus primeiros MacBook Air e que agora também está sendo usado nos Ultrabooks.

À sua esquerda vemos o chipset Intel QS67 Express — também uma versão compacta da chamada Série 6 (codinome Cougar Point) igualmente compacto e também desenvolvido para uso em notebooks leves e finos.

Como já vimos em outros ultracompactos, os chips de memória do XPS 13 são soldados diretamente na placa-mãe. Desse modo, economiza-se em espaço, mas ao mesmo tempo perde-se em flexibilidade já que não existe meios de fazer upgrades de memória, que no caso desta série só vem com 4 GB de SDRAM. Observe que — por enquanto — a Dell não oferece nenhuma outra opção com mais ou menos memória para o XPS 13.

No canto esquerdo encontramos dois slots ocupados por dois componentes bem interessantes:

O primeiro deles é um cartão Intel Centrino Advanced-N 6230 802.11 a/g/n com Bluetooth 3.0 integrado e já equipado com a tecnologia Intel Wireless Display que permite transmitir o conteúdo de vídeo do portátil — via Wi-Fi — diretamente para uma TV conectada a um adaptador apropriado. Uma demonstração de como funciona essa tecnologia foi feita para nós com exclusividade pelo nosso colega e chapa David Salvator na CES em 2010.

Já o cartão da direita que parece até ser algum tipo de módulo Turbo Memory…

… é na realidade um disco SSD de 256 GB da Samsung (uia!) — um módulo de apenas 50,9 x 30 x 3,8 mm e 8 gramas de peso e que segundo a Samsung foi criado especialmente para ser usado em equipamentos ultra-slim como os Ultrabooks.

De acordo com o HD Tune Pro, trata-se de um modelo PM830 mS equipado com uma interface Micro-SATA e já compatível com o atual padrão SATA 600/3.0

Já sua bateria interna — modelo Y9N00 de polímero de lítio – é do tipo prismática formada por seis células de energia e capaz de fornecer 47 WHr x 7,4 volts.

Que é recarregada por meio de um pequeno adaptador de rede elétrica (part number: 3RG0T) bivolt de 19,5 volts x 2,31 A. Note que essa versão preliminar veio equipada com um plugue de tomada tripolar padrão americano, sendo que a versão final deve vir com a versão nacional (também conhecido pelo apelido carinhoso de tridente do capeta).

Removendo a bateria podemos ver a base do teclado…

…  formado uma peça sólida de magnésio fundido que proporciona toda a rigidez estrutural desse Ultrabook…

… incluindo sua tela LCD, cujas dobradiças estão firmemente fixadas nessa mesma base. A propósito, deste lado podemos ver (a partir da esquerda) a saída de som/microfone, a porta USB 2.0 e a entrada de alimentação.

Do lado oposto vemos a porta Displayport Mini e a USB 3.0:

E de cada lado, podemos ver as “finas” caixas de som de 1,5 watt cada (= 3 watts! de potência).

Na base vemos o circuito do touchpad que se conecta com a placa mãe por meio de um longo flat cable.

Sob Testes:

O sistema veio equipado com Windows 7 Home Premium de 64 bits, sendo que a Dell incluiu diversos utilitários bem interessantes,  a maioria deles ligados a segurança, backup e armazenamento na nuvem. O mais “presente” (ou na sua cara) deles é o Dell Stage, um ambiente de trabalho que dá acesso a diversas aplicações do sistema por meio de ícones que até lembram aplicativos de tablets. No seu estágio atual ele não me parece lá muita coisa, mas acredito que a medida que os PCs incorporem cada vez mais recursos dos tablets — como GPS, aceleradores e telas touchscreen — esse tipo de aplicação vai ser algo realmente legal.

Outro utilitário realmente útil e bem divertido é seu sistema de reconhecimento de faces Fast Access, que se integra ao sistema de senhas do Windows, o que permite logar no sistema sem o uso de senhas. Note a curiosa recomendação de que o usuário mantenha suas mãos no teclado – em uma postura parada que facilita o enquadramento e captura da face.

Como o equipamento analisado já veio com o a versão do Windows em inglês, optamos por não reformatar o disco do sistema. Apenas removemos a maioria dos aplicativos que achamos desnecessários ou que poderiam interferir nos nossos benchmarks e executamos o Windows Update para instalar alguma atualização de sistema de última hora.

Para nossa surpresa, no Índice de Experiência do Windows o Zenbook marcou 5,8 pontos, o que segundo a métrica da Microsoft, esse resultado o coloca na categoria de um sistema adequado para trabalhar intensivamente com aplicações gráficas ou de processamento de mídia. Nada mal para um equipamento thin and light.


Nos testes de aplicativos, o XPS 13 bateu 111 pontos no Sysmark 2012

11.882 pontos no PCMark Vantage:

… e 3.841 pontos no PCMark 7:

Já no PCMark Vantage, o sistema bateu 8.122 pontos no modo Entry…

1.686 pontos no modo Performance:

No DVDFlick 1.3.0.6, que cria uma imagem de disco de filme em DVD a partir de um arquivo de vídeo, o XPS 13 levou 2h26m57s (2h28m59s) utilizando um thread e 1h50m33s (1h55m00s)com quatro threads.

Até recentemente para converter um um filme em DVD para um arquivo em AVI de 700 MB nós utilizamos por anos em nossos testes o AutoGK (Auto Gordian Knot) 2.55. Mas como o desenvolvimento esse produto anda meio parado e começou a apresentar sinais da sua idade (partes da suas rotinas não trabalham em multithread, muito menos em 64 bits) de modo que a partir desse review estamos substituindo o mesmo pelo Freemake Video Converter, um sistema mais moderno e que tira melhor proveito do hardware (incluindo aceleração por GPU). Com esse programa foi possível converter nosso mesmo filme de referência num arquivo AVI em 1h13m012s.

Outro benchmark novo que incorporamos na nossa lista foi o Peacekeeper da Futuremark rodando sempre com a versão mais recente do Google Chrome:

Segue abaixo os resultados do Cinebench 11.5:

 

E o Super-Pi do David Lopes:

Nos testes de desempenho feitos com o Battery (comedor de farinhaEater, o notebook da Dell funcionou a plena carga por 1h31m21s, nada mal para um equipamento de seu porte, principalmente se levarmos em consideração que o Thinkpad X1 abriu o bico em apenas 0h44m30s, somente chegando perto do XPS 13 usando sua bateria externa.

Observamos que rodamos o Batery Eater com todos os recursos de economia de energia oferecido pelo sistema desativados, de modo que esse resultado não pode — e nem deve  — ser usado para contrariar a autonomia anunciada pelo fabricante.

E para aqueles interessados no desempenho do novo disco SSD da Samsung fiz alguns testes mais detalhados com o HD Tune Pro 4.01. Se fosse uma corrida de cavalos, seu desempenho ficou um nariz atrás do U100 da Sandisk que vi no UX31 da Asus.

(PM830)

(Sandisk U100)

(PM830)

(Sandisk U100)

 

 (PM830)

(Sandisk U100)

 

ZTOP in a BOX:

Quente! Quente! Quente!

Durante a realização de alguns dos nossos testes de desempenho — em especial aqueles que estressam o processador por horas e horas — notamos que a base do portátil estava estranhamente quente. Não em toda a base — que no geral que se mantinha na faixa dos 20 °C — e sim em um único ponto onde fica o processador onde medimos picos de quase 70 °C (uia!).

Minha primeira suspeita caiu em cima do processador, mas como os testes estavam rodando perfeitamente sem apresentar problemas de lentidão/travamento (comportamento normal no caso de superaquecimento da CPU). Mas foi ai que me lembrei que o chipset fica ao lado do processador e o seu calor não está sendo dispersado pelo cooler do processador — ao contrário do que ocorre no UX31 da Asus e no MacBook Air.

De fato o chip é até coberto por um adesivo plástico preto que deve funcionar como um cobertor, deixando-o bem quentinho.

Minha conclusão é que aparentemente esse ponto de calor era algo mais ou menos previsível e que ao contrário de outros modelos ultrafinos, sua base de fibra de carbono não dispersa o calor tão bem quanto os outros modelos com base de metal/alumínio, mantendo o calor concentrado em apenas um ponto. Fora isso é preciso levar em conta que como esse equipamento é mais voltado para mobilidade e não para trabalhos pesados, acredito que no dia a dia não existam muitos casos que forcem o processador no mesmo nível dos nossos testes.

De qualquer modo, para aqueles que estão considerando esse produto para aplicações de processamento intensivo — como converter vídeos — fica aqui o alerta de que o sistema pode esquentar um pouco, mas isso aparentemente é normal (apesar de como testamos um modelo pré-série pode ser que esse problema seja resolvido ou pelo menos bem minimizado até a versão final).

E é claro, nada de trabalhar com o computador em cima de qualquer superfície que possa bloquear a entrada de ar pela sua base, como em cima de uma almofada, sofá ou cama.

Nossas conclusões:

No geral, o desempenho do Ultrabook da Dell ficou no mesmo nível de desempenho do Zenbook UX31 da ASUS (ficando um pouco na frente nos testes de aplicativos, um pouco atrás em alguns testes sintéticos), o que de um certo modo era de se esperar de uma plataforma relativamente nova e ainda fortemente baseada nos modelos de referência da Intel.

De qualquer modo não podemos negar que fiquei impressionado na maneira bastante criativa com que a Dell soube trabalhar com uma plataforma tão “cara de um, focinho do outro” adicionando novos materiais e componentes ao conjunto, o que resultou em melhorias tanto no lado estético quanto operaci0nal do portátil.

No lado estético, destaque para o seu acabamento soft-touch formado por tons de prata e preto fosco, que além de elegante minimiza o efeito das marcas de dedo que costumam “arruinar o clima” de qualquer produto com acabamento brilhante. Fora isso, o uso de fibra de carbono na sua base adiciona um elemento extra de sofisticação ao produto, tanto pelo seu visual diferenciado quanto pela sua associação com produtos de alta tecnologia como a indústria aeroespacial e os carros de Fórmula-1.

Do lado prático, a implementação de um teclado retroiluminado é um recurso muito bem vindo (e ausente no Asus UX31), apesar de que isso de um certo modo era algo que esperávamos da Dell já que ela oferece esse recurso faz tempo nas suas linhas de portáteis Latitude, Adamo e Alienware.

Para mim, a grande surpresa foi a adoção do Gorilla Glass para proteger a parte mais frágil do portátil — sua tela LCD — que somado à sua base de fibra de carbono e seu teclado resistente a de respingos d’água faz do XPS 13 um equipamento bem preparado para aguentar o dia a dia dos chamados Road Warriors — profissionais que vivem em trânsito correndo de um lado para outro com seus escritórios na mala e que por causa disso, seus computadores sempre estão sujeitos a uma batida, queda ou cambalhota de vez em quando.

Isso significa que ele é uma boa solução corporativa? O XPS 13, para mim, está mais para um compacto esportivo moderno do que um confortável sedã para executivo: trata-se de um equipamento veloz, que chama a atenção, mas que abre mão de alguns “itens de conforto” em favor de um gabinete leve, fino e estiloso. Por exemplo: o XPS vem equipado com apenas duas portas USB (uma 2.0 e outra 3.0), saída de vídeo DisplayPort Mini, Wi-Fi, Bluteooth, som e só. Nada de porta de rede Ethernet, leitor de cartão ou mesmo um slot para trava anti-furto.

Como já disse acima, a maioria dessas deficiências pode ser contornada com o uso de adaptadores, o que não é a mesma coisa que ter o recurso disponível e pronto para uso no portátil. Fora isso, o XPS 13 (e a plataforma Ultrabook no geral)  não incorporam a tecnologia Intel VPro cada vez mais populares no mundo corporativo, mas acreditamos que isso não seja empecilho para o seu uso entre altos executivos.

Com relação ao preço sugerido, a versão analisada por este ZTOP custa R$ 5.999 (curiosamente o mesmo do UX31 na época do seu lançamento) entretanto, a Dell também oferece uma versão mais em conta, equipados com um processador Intel Core i5  Core i5 2467M de 1,6 GHz (~2,3 GHz no modo Turbo) com disco SSD de 128 GB (a partir de 3.799) ou SSD de 256 GB (a partir de R$ 4.999).

Dito isso, qual é o público alvo desse produto? O XPS 13 é um portátil mais voltado para profissionais liberais, donos de pequenas e médias empresas e até de entusiastas que gostariam de ter um portátil leve e fino para uso geral e que pode abrir mão de alguns recursos em favor de maior mobilidade, mas sem perder o charme e estilo.

Se você se encaixa nesse perfil, eu garanto que o Ultrabook da Dell não irá decepcioná-lo.

 

Resumo: Dell XPS 13 Ultrabook

O que é isso? Ultrabook leve e fino de uso geral.
O que é legal?
 Belíssimo design e acabamento, tecnologia de ponta, teclado retroiluminado e tela com Gorilla Glass.
O que é imoral? Apenas duas portas USB. Saída para rede Ethernet, vídeo HDMI/DVI ou mesmo SVGA somente com o uso de adaptadores (não inclusos).
O que mais?
 Fabricante tambem oferece versão mais em conta com Core i5 2467M (1,6~2,3 GHz) + 128 GB de disco a partir de R$ 3.799.
Avaliação: 8,5
 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço estimado:
 modelo analisado a partir de R$ 5.999 
Onde encontrar: 
www.dell.com.br

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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