Review: Dell Studio Hybrid

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A primeira vez que ouvi falar do Dell Studio Hybrid 140G foi numa nota do Henrique aqui no Zumo, onde Mike Dell — em comemoração ao Dia da Terra — mostrou um pequeno desktop com cara de thin client 81% menor que um desktop de linha e que consumiria até 70% menos energia.

Meu segundo encontro foi pessoal — antes do seu lançamento oficial — no Austin Design Center da Dell encostado em um canto da sala de reuniões. Apesar de diferente, confesso que não dei muita bola pra ele já que estava mais interessado do Inspiron Mini. Isso porque na época, eu ainda acreditava que o Hybrid seria um mini desktop baseado na plataforma Mini-ITX da Via Technologies ou mesmo na placa-mãe Intel D945GCLF com processador Atom, ou seja, um brinquedinho legal para presentear os filhos no natal.

Ok, engulo minhas palavras. Durante sua apresentação oficial no Brasil, descobri que apesar de compacto, o Hybrid é uma plataforma bastante elaborada, sendo que na sua versão mais sofisticada (P/N BRH5127) ele já vem com processador Intel Core 2 Duo Mobile T8300 de 2,40 GHz (3 MB Cache e FSB de 800 MHz), 4 GB de SDRAM, 320 GB de disco rígido SATA de 5.400 rpm e unidade de Blu-ray Combo (gravador de DVD e CD e leitor de Blu-ray), tudo espremido num gabinete de apenas 19,6 x 7,1 x 21,1 cm (LxAxP) e 2,18 kg de peso.

O modelo mais simples (P/N BRH5120) não fica atrás, vindo com gravador de DVD, disco rígido de 160 GB e o ainda pouco conhecido processador Celeron Dual Core T1400 (uia!) de 1,73 GHz (512 KB L2 Cache e FSB de 533 MHz), nada mal para um modelo de entrada.

Este Zumo teve acesso ao modelo mais avançado e teve a oportunidade de analisá-lo mais detalhadamente (por dentro e por fora) e posso adiantar que o Hybrid é algo novo num mercado marcado pela mesmice dos produtos.

Voltado para o mercado doméstico ou mesmo para empresas mais “descoladas”, como agências de publicidade, o Hybrid é dono de um desenho muito simpático, cujo gabinete está disponível em diversas cores (embaixo a partir da direita: azul safira, laranja topázio, lilás quartzo, verde esmeralda, vermelho rubi e cinza slate) que podem ser mudadas pelo próprio usuário, já que capas avulsas podem ser adquiridas à parte. Ainda existe o badalado acabamento em madeira de bambu (à esquerda) que, apesar da sua origem orgânica, quem quiser levá-lo pra casa deverá desembolsar R$ 233 a mais, ao contrário dos acabamentos em acrílico, cuja cor pode ser trocada na hora de fazer o pedido sem custo adicional.

Outra sacada interessante do Hybrid é que ele pode ficar “de pé” ou “deitado” de acordo com o gosto e disponibilidade de espaço do seu usuário. Notei que o nome luminoso Hybrid assume uma posição diferente de acordo com a sua orientação, chique não?

Isso é possível graças ao desenho de sua base de alumínio, cujas peças podem ser montadas de maneiras diferentes como em um brinquedo Lego. O gabinete se apóia firmemente na base, assentando-se nos dois ressaltos à esquerda:

Segundo a Dell, o nome Hybrid não vem de nenhuma tecnologia capturada de alienígenas e sim do fato desse desktop utilizar componentes normalmente usados em notebooks, como um processador móvel, chipset, discos rígidos de 2,5″ e até uma fonte externa. Essa mistura — ou híbrido — inspirou o nome do produto.

Para verificar essa afirmação, dei uma de Arquivo-X e abri o Hybrid com minha fiel chave philips e dei uma olhada em seus segredos:

A primeira coisa que fiz foi remover a capa de acrílico que sai facilmente ao retirar um parafuso localizado na sua lateral:

Podemos ver que o gabinete do Hybrid é feito de plástico ABS na cor cinza metálico, o que ajuda a contrastar com suas capas coloridas. O logo da Dell se acende quando ligado.

Ao remover um segundo parafuso localizado na parte de trás do gabinete, a tampa superior pode ser retirada revelando pela primeira vez o seu interior, que é dominado pelo conjunto da unidade óptica e do disco rígido SATA de 250 GB. A plaquinha branca ao centro é o iluminador que acende o logotipo lateral da Dell.

Como era de se esperar de um produto da Dell — as instruções de desmonte estavam descritas no seu interior — de modo que bastou soltar mais um parafuso e puxar a alça de metal para retirar o conjunto dos discos (abaixo). Curiosamente, sua conexão com a placa mãe é feita por meio de um encaixe mecânico e não por um cabo de dados, o que agiliza a montagem e desmontagem do Hybrid, principalmente na sua linha de produção.

Chegamos assim, à placa-mãe propriamente dita, onde vários componente normalmente usados em notebooks já podem ser notados:

Na lateral esquerda podemos ver seu processador móvel Core 2 Duo T8300 (com seu característico soquete com trava de parafuso) e o chipset 965GM sob um dissipador de alumínio encaixado sobre um enhenhoso tubo trocador de calor com dissipador de cobre, montado atrás de uma ventoinha que força a circulação de ar pelo interior do gabinete.

Do outro lado, podemos ver diversos componentes muito usados em notebooks como os pentes de memória SODIMM DDR2 667 (2 GB cada), cartão de rede Wi-Fi e um curioso cartão localizado na parte de baixo, na horizontal que, à primeira vista, me pareceu ser um módulo de memória Turbo Cache “Robinson”.

Mas depois de uma olhada mais cuidadosa, notei que o circuito dessa plaquinha é bem mais complexo do que um módulo de memória. Depois de analisar os perfis de hardware no painel de controle do Hybrid, descobri tratar-se de um módulo decodificador de vídeo BCM70010 da Broadcom, com toda certeza usado para ajudar o processador na hora de reproduzir discos Blu-ray.

Finalmente, na parte de trás ainda existe uma daughtercard onde se localizam a maioria dos conectores de entrada e saída de dados:

Na parte de trás do gabinete podemos ver um conjunto bastante resumido de interfaces: slot para trava antifurto padrão Kensington, som, SPDIF, IEEE 1394 (Firewire), três USBs 2.0, entrada de força, rede Fast Ethernet, HDMI e DVI que pode ser ligado em um monitor analógico com conexão SVGA por meio de um adaptador. Gostaria de ver mais portas USB disponíveis nesse produto, já que ao instalarmos o teclado, o mouse e talvez uma impressoa não temos mais portas USB livres para conectar outros acessórios mais permanentes.

Apesar da sua frente parecer — à primeira vista — limpa e simétrico, podemos ver que em um dos lados ficam o leitor de cartão SD, mais duas USB 2.0 e saída de som para fone de ouvido. Do outro podemos ver uma grande ranhura qyue seria a entrada do disco óptico que engole a mídia como nos CD players de carro. Note que, fora o botão de ligar, ainda existe um botão/indicador luminoso e sensível ao toque que ejeta o disco óptico.

A propósito, sua fonte de alimentação externa tem uma sacada muito interessante: seu conector com o PC possui um LED azul que indica que o mesmo está ligado na tomada. Simples, prático e genial.

O modelo analisado veio com Windows Vista Home Premium pré-instalado com um visual próprio na sua área de trabalho, aparentemente padrão na linha Studio:

Em especial, me chamou a atenção a curiosa barra de ferramentas na parte superior da tela — o chamado Dell Dock 1.0 desenvolvido pela Stardock Corp.— que me lembrou muito o sistema operacional de uma empresa com nome de fruta. Para quem quiser brincar com esse aplicativo (somente para Vista) ele pode ser baixado do site da Dell. (Gostou da brincadeira? Conheça também o ObjectDock).

Entre os acessórios inclusos, fora o modelo de entrada no Brasil o Hybrid vem com um monitor LCD de 19″ Wide Dell UItrasharp com ajuste de altura (P/N 1908FPC), mouse e teclado USB, adaptador de rede elétrica e duas caixinhas de som externas. Curiosamente, o Hybrid não tem alto-falante embutido ligado na placa de som. :^P

Sob testes

Como é de praxe, apagamos o Windows Vista Home que veio com o produto e instalamos uma cópia do Vista Ultimate com as versões mais recentes dos drivers de dispositivo disponíveis no site da Dell. Nos testes realizados, o Hybrid bateu 118 pontos no Sysmark 2007 Preview 1.04, 4.891 pontos no PCMark 2005, 526 pontos no 3DMark 2006 e no AutoGK 2.45, o portátil levou aproximadamente 1h27 m4s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. Por ser um produto “verde”, também medimos o seu consumo de energia — em watts — aplicando uma carga de trabalho no Hybrid:

Na média, o Hybrid consumiu apenas 34,8 watts (com picos de 50,5 watts), totalizando 19 watts/h. Nada mal se notarmos que essas medições foram feitas com todas as opções de economia de energia desativadas no seu painel de controle.

Tratam-se de resultados muito interessantes para um desktop de linha, apesar de acharmos seu desempenho em 3D (impulsionado pela aceleradora gráfica Intel GMA X3100) bastante modesta — o que também arrastou seu Índice de Experiência do Vista para apenas 3,5 pontos, de modo que o Hybrid pode não ser a melhor opção para jogadores.

Assim acredito que, como outros produtos que as empresas dizem ser voltadas para “entretenimento”, para o Hybrid esse termo estaria mais relacionado com outras atividades de produtividade como capturar, editar e reproduzir imagens, fotos e músicas, além de atender as necessidades diárias de computação e de uso da Internet. Seu suporte nativo para redes Wi-Fi é um recurso bem vindo para casas e até pequenos negócios que não possuem estrutura de rede cabeada.

Entretanto, apesar de seu grande potencial como central de mídia, tal aplicação fica prejudicada pelo fato da Dell não oferecer ainda por aqui acessórios específicos como controle remoto ou mesmo um sintonizador de TV ou capturador de vídeo. De qualquer modo, um usuário mais determinado pode até encontrar algumas soluções de terceiros no mercado, de preferência com porta USB, já que o Hybrid não possui muitas possibilidade de expansão.

A esperança fica por conta do Hybrid ter — ou poder vir a ter — suporte interno para conectar um teclado ou mouse sem fio. Na parte de trás do seu gabinete, existe um botão meio escondido que eu achava ser de Reset, mas depois de cansar de pressioná-lo e não acontecer nada, eu dei uma olhada no guia de manutenção do Hybrid e notei que esse componente é descrito como “RF receiver” (receptor de RF). Se isso se confirmar, esse botão poderia ter a função de reinicializar a conexão do teclado ou mouse sem fio, o que faz muito sentido para esse produto, além de liberar mais portas USB (yay!).

Apesar de não ser muito o seu público alvo, o visual diferenciado do Dell Hybrid pode até encontrar o seu espaço nas empresas — em especial nas recepções ou na mesa da secretária da diretoria — apesar de que o mundo corporativo possa sentir falta de alguns recursos como suporte para rede Gigabit Ethernet e ferramentas de gerenciamento remoto como o VPro.

Resumindo, o Studio Hybrid é uma novidade bem vinda ao nosso mercado e uma opção interessante para aqueles que procuram uma solução compacta, moderna e completa para suas necessidades diárias de computação pessoal.

Resumo: Dell Studio Hybrid 140G
O que é isso? Desktop compacto de uso geral para uso doméstico e até SMB (com restrições).
O que é legal? Bem construído, boa capacidade de processamento, baixo consumo de energia.
O que é imoral? Desempenho gráfico modesto, possibilidades limitadas de expansão.
O que mais? Wi-Fi embutido ainda é um recurso raro, porém bem vindo em computadores de mesa.
Avaliação: 4,5 (de 5,0).

Preço sugerido: Configurações à partir de R$ 1.799 + frete (modelo analisado com monitor LCD de 19″ wide e caixas de som: R$ 4.779 + frete).
Onde encontrar: www.dell.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.


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