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Review: câmera digital Fujifilm X-Pro1

Anunciada durante a CES 2012, a Fujifilm X-Pro1 foi o ponto alto de uma série de lançamentos que teve início em meados de 2010 com o surgimento da Finepix X100 e que — num ritmo alucinante (pelo menos, para uma fabricante de câmeras) — recebeu a companhia de mais cinco modelos com características distintas — que hoje  formam a X Series.

XPro1_familia

Nada mal para Fuji se levarmos em consideração que essa linha de produtos simplesmente não existia três anos atrás.

Assim, mais do que uma nova câmera no pedaço, a X-Pro1 é um sistema completo, formado pela câmera propriamente dita, e uma série de acessórios formados por um conjunto de lentes, flashes, capas e outros dispositivos.

XPro1_sistema

Medindo aproximadamente 13,9 x 8,2 x 4,2 cm (LxAxP) e 400 gramas de peso (sem bateria), a X-Pro1 segue o mesmo visual retrô de seus irmãos menores com seu corpo totalmente em liga de magnésio pintado de preto, detalhes em couro sintético e nenhuma identificação de marca/modelo na parte frontal, o que acentua ainda mais o mistério se essa câmera é ou não digital ou analógica.

XPro1_Frente

No meu primeiro contato com a X-Pro1 durante a CES 2012, achei ela meio grande e volumosa. Mas quando colocada ao lado da minha Fujica Compact Deluxe da década de 1960 dá para ver que suas proporções estão de acordo com a época que ela pretende retratar, com exceção da cor.

XPro1_comp1

XPro1_comp2

XPro1_comp3

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Sob um certo ponto de vista a frente da X-Pro1 lembra muito a X100 (ou mais exatamente a versão Limited na cor preta), porém com diversas melhorias, em especial na sua facilidade de uso.

XPro1_corpo

Por exemplo, a ergonomia da câmera melhorou muito com a implementação de um “grip” mais acentuado que, somado ao ponto de apoio do polegar na parte de trás, torna a sua pegada bem mais firme, o que é algo importante para uma câmera do seu porte. E para aqueles que gostam de der uma empunhadura ainda mais acentuada, a Fuji vende um grip auxiliar na forma de um acessório opcional.

XPro1_Assist_grip

 

Curiosamente, a alavanca frontal que seleciona o modo de uso do visor híbrido mudou de posição, de modo que para acioná-la o usuário pode puxá-la com o dedo polegar  em vez de empurrá-la como na X100. Logo acima à direita podemos ver o iluminador de auxílio de foco na forma de um LED laranja, que fica entre as duas entradas do seu sistema de microfone estéreo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Observamos porém que ao receber essa câmera para testes, já notamos que a pintura dessa alavanca já estava bem descascada. Para mim não está claro se esse problema foi causado porque a camada de tinta é fina ou por excesso de uso já que, afinal de contas, ela é uma câmera de demonstração. Minha desconfiança é que, além do uso exagerado, as pessoas tendem a puxar essa alavanca com a ponta da unha, o que pode ter levado a esse desgaste prematuro. Curiosamente, o resto da câmera não mostrou nenhum sinal de desgaste na sua pintura. Com exceção de dois pequenos ressaltos na sua base que parecem funcionar como pezinhos.

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Já o controle de foco é do mesmo tipo usado na FinePix X10 e que possui três posições: Auto-foco simples (S), auto-foco contínuo (C) e foco manual (M). Um detalhe interessante desse layout é que os modos mais usados ficam  nas extremidades do seletor, o que facilita o seu uso, sem mesmo precisar de olhar para ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Sua traseira segue mais ou menos o mesmo estilo/disposição dos modelos X10 e X100 só que neste caso — devido às maiores dimensões do seu corpo — os controles parecem estar mais dispersos, o que não é algo ruim diga-se de passagem. Note a frase “Made In Japan” gravada logo abaixo da sapata de flash, indicando que esse modelo (e boa parte da linha X) ainda é fabricada na terra do sol nascente e não no império do centro.

XPro1_Tras

Na lateral esquerda, podemos temos um pequeno compartimento que abriga o conector HDMI padrão (yaaay!) e outro proprietário (boo!) que combina sinais de vídeo analógico e USB 2.0:

XPro1_Lat_esq

Do lado direito temos apenas um pequeno alto-falante mono…

XPro1_Lat_dir

… e um conector padrão para cabo de flash de estúdio (PC-Sync) que sincroniza com o disparador da câmera na velocidade a 1/180 s ou menos. Ele vem protegido por uma tampinha protetora que, no caso de perda, pode ser substituída por uma tampinha traseira de caneta Bic Cristal.

XPro1_PC_conector

Também existe uma sapata para flash externo na parte de cima da câmera que aceita tanto um flash manual quanto os modelos da empresa como a EF-X200 e EF-42 capazes de interagir com a câmera calculando a exposição por meio de medição da luz ambiente via TTL (através da lente)  possibilitando assim melhores imagens. Vale observar que a X-Pro1 não possui flash embutido, de modo que o usuário deve considerar a compra desse acessório junto com a câmera.

Na época do seu lançamento da X-Pro1 a Fuji também colocou no mercado um novo flash compacto modelo EF-X20 que é, na teoria, o par ideal dessa câmera e aparentemente o primeiro flash desenvolvido pela empresa, já que os modelos anteriores são baseados em modelos da Sunpak.

O EF-X20 oferece alguns recursos interessantes como controle de potência no modo manual e compensação de exposição no modo TTL automático. Ele possui um dissipador de luz embutido para uso com lentes grande-angular e também pode funcionar com flash mestre ou escravo podendo ser disparado por meio do seu sensor embutido. Ele trabalha com pilhas AAA e, ao contrário da EF-x200/EF-42, seu feixe de luz não pode ser rebatido no teto. Seu número guia é 20 (para ISO 100).

Flash_Fuji_EFX200

À direita da sapata, podemos ver o dial de controle de velocidade, a chave de liga/desliga com o botão de disparo ao centro, botão de função programável (Fn) e um segundo dial de compensação de exposição de +/- 2 pontos de exposição com passos de 1/3. O pequeno círculo cortado por uma linha (a esquerda da sapata de flash) marca a posição exata do plano do sensor de imagem, o que pode ser útil em aplicações mais técnicas onde o usuário precisa saber o descobrir a distância exata entre o tema a ser fotografado e o sensor usando uma régua ou fita métrica.

XPro1_top

E assim como seus irmãos menores, o botão de disparo possui um encaixe de rosca que permite utilizar um cabo disparador mecânico, muito útil para evitar fotos tremidas em longas exposições (abaixo de 1/60 seg) e nos modos B e T. Trata-se de um acessório genérico, relativamente barato e que para mim faz bem mais sentido que as caras versões eletrônicas com seus plugs proprietários (boo!). De fato, gostaria de ver a volta dessa solução em mais câmeras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Já do lado oposto — na sua base — temos apenas o compartimento do cartão SD/bateria e o encaixe de tripé com rosca de 1/4″ que, por sinal, não está alinhado com o eixo da objetiva, o que pode ser um problema na hora de fazer fotos panorâmicas

XPro1_bottom

O compartimento inferior abriga o slot para cartão SD/SDHC/SDXC…

XPro1_bottomb

… e sua bateria recarregável de íons de lítio…

XPro1_bottomc

… modelo NP-W126 de 7,2 volts x 1.260 mAh com autonomia estimada em torno de 300 fotos.

XPro1_bateria_1

Ela é recarregada por meio de um adaptador de rede elétrica modelo BC-W126 que já acompanha o produto. Trata-se de um modelo bivolt de 100~240 volts/50~60 Hz com saída de 8,4 volts x 600 mA.

XPro1_bateria

Uma apresentação mais detalhada de todos os componentes e controles da X-Pro1 pode ser vista no diagrama abaixo:

XPro1_controls1

XPro1_controls2

 

Seu sensor de imagem é do tipo APS-C de 16 MB capaz de capturar imagens de até 4.896 x 3.264 pixels no formato 3:2. Fora isso ele também pode capturar imagens nos formatos 16:9 (até 4.896 x 2.760 pixels), 1:1 (até 3.264 x 3.264 pixels) e panoramas verticais de até 2.160 x 7.680 pixels ou horizontais de até 7.680 x 1.440 pixels. Curiosamente, ela não fotografa no padrão 4:3 usado nas TVs analógicas e monitores de tubo.

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Para quem não sabe, a Fuji é uma das poucas fabricantes de câmeras a desenvolver e fabricar seu próprio sensor de imagem, sendo que na X-Pro1 ela introduz um novo modelo batizado de Trans-CMOS, que adota uma nova técnica de filtros de cores inspirada nos filmes analógicos.

Atualmente, o arranjo do array de filtro de cores montado no sensor de imagem (o chamado Filtro Bayer) adota um padrão simétrico que pode levar a formação de efeito moiré e cores falsas. Para minimizar isso, utilizam-se filtros especiais (chamados de Low-Pass) que, segundo a empresa, leva a perda na resolução da imagem final.

XPro1_Color-filter-array-before

Inspirado na disposição dos grãos de halogeneto de prata no filme fotográfico, a grande sacada da Fuji foi de mudar esse padrão de repetição de 2 x 2 pixels do filtro Bayer (acima) por um de 6 x 6 pixels (embaixo) onde as cores são distribuídas num padrão mais aleatório, reduzindo assim o efeito moiré. Fora isso, ao garantir presença de um filtro R, G e B em todas as linhas de colunas desse novo conjunto, também reduz a formação de falsas cores. Tudo isso permitiu a remoção do filtro Low Pass, evitando assim a perda na resolução:

XPro1_Color-filter-array_aftera

Mas para isso, o processador de imagem da câmera também precisou ser reforçado para ser capaz de lidar com esse novo conjunto de 6 x 6 pixels, ao contrário dos arrays de 2 x 2 pixels do filtro Bayer. Para isso a Fuji desenvolveu um novo chip batizado de EXR Processor Pro capaz de processar esse maior número de combinação de cores, o que aumentou a sua carga de trabalho em até quatro vezes.

Sua sensibilidade ISO varia de 200~6.400 sendo que o usuário também pode selecionar quatro modos “automáticos” onde a câmera ajusta a sensibilidade de ISO 200 até ISO 400/800/1600/3200. Fora isso ainda podem ser selecionados o ISO 100, ISO 12800 e ISO 25600 porém sob risco de haver perda na qualidade de imagem por reducão do seu alcance dinâmico (DR) ou excesso de ruído.

Como todos já sabem, a X-Pro1 é a primeira câmera da série X com sistema de lente intercambiável. Mas ao contrário de outros modelos do passado como a Finepix S3/S5 Pro que aceita lentes com baioneta Nikon, desta vez a empresa decidiu por criar seu próprio padrão de lentes/baioneta que ela batizou de X-Mount.

XPro1_baioneta_body
A primeira vista, o X-Mount lembra muito o padrão Four-Thirds com seu sistema de engate de três pontos e contatos eletrônicos na sua base (um pino a mais que no Four Thirds). Seu botão de trava da lente fica na posição “de 7 horas” o que permite que o fotógrafo consiga pressioná-la com a mesma mão que segura a câmera, facilitando assim a troca da lente.

Tanto o anel de engate na lente quanto na câmera são feitas de metal, o que garante melhor resistência a desgastes por excesso de uso. Segundo a Fuji, o fator de corte dessas lentes é 1,5 de modo que a distância focal dessas novas lentes devem ser multiplicadas por 1,5 para saber a sua equivalência com sistemas 35 mm (mais sobre isso abaixo).

Observe também que apesar de todo o seu jeitão de lente antiga, não existe nenhum tipo de acoplamento mecânico entre a lente e o corpo. De fato, nem o seu anel de foco está acoplado mecanicamente na lente. O seu movimento (cujo sentido para focar no infinito pode ser configurada pelo usuário) envia sinais para o motor interno da objetiva que movimenta as lentes para fazer o ajuste de foco. Essa tecnologia que alguns chamam de “focus-by-wire” é comum nas lentes Four Thirds e não é visto com bons olhos por alguns entusiastas e fotógrafos mais puristas, alegando perda de sensibilidade ou intervenção direta no processo de foco manual.

XPro1_baioneta_lens

E assim como todas as DSLM, por não ter caixa de espelho a Fuji tira proveito disso para reduzir a distância entre o engate da baioneta e o sensor de imagem (17,7 mm)  permitindo assim que o elemento traseiro da objetiva chegue o mais próximo possível deste último (1) — aproximadamente 7,5 mm — melhorando assim o seu desempenho óptico e a captura da imagem.

XPro1_backfocus

Outra consequência dessa solução é que devido à menor distância da baioneta em relação ao sensor, é tecnicamente possível instalar objetivas de outros padrões/fabricantes/épocas — por exemplo, Leica de rosca M39, Canon FD, Nikon F, Olympus OM, rosca M42 etc. — na X-Pro1 por meio de anéis adaptadores comercializados por terceiros. De fato, até a Fuji comercializa um anel adaptador para lentes Leica M, criadas na década de 1950!

XPro1_LeicaM_adapter

Para tirar proveito desse recurso, a câmera possui um ajuste especial chamado “Shoot Without Lens/Mount Adaptor Setting” onde o usuário precisa selecionar a distância focal ou criar uma nova opção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Também recebemos para testes as três primeiras lentes — chamadas XF — que foram lançadas junto com a X-Pro1: A partir da esquerda a XF 60mm/F 2.4 R Macro, a XF 35mm/f 1.4 R e a XF 18 mm/f 2.0 R. Todas são classificadas como lentes prime (de foco fixo) e que apesar delas não serem tão versáteis como as lentes zoom, elas são bastante luminosas e proporcionam melhor qualidade de imagem. Cada uma já veio acompanhada do seu respectivo parassol de metal, além das tampas de proteção dianteira e traseira.

XPro1_XF_prime_lens1

A Fuji XF 18mm/f2.0 (preço sugerido: R$ 1.999) é uma lente grande angular (equiv. ~27 mm). Seu desenho compacto (apenas 4,06 cm de comprimento e 116 gramas de peso) a coloca categoria de lentes “pancake” e é muito apreciada pelos fotógrafos por reduzir o volume do conjunto câmera + lente. Ele aceita filtros de 52 mm e sua distância mínima de foco é de 18 cm.

XPro1_XF18mm_lens

Ela é formada por oito elementos em sete grupos sendo que o quinto e o sétimo elemento são anesféricos moldados em vidro, o que ajudou a aumentar a luminosidade da lente e deixar o conjunto mais compacto.

XF18mmF2 R

Outra curiosidade dessa lente é que o seu elemento frontal não é côncavo e sim levemente convexo (algo que só tinha visto na Olympus ED 50 mm/f2.0  Macro), o que mostra que esse projeto óptico foge um pouco do que estamos acostumados a ver no dia a dia.

XPro1_XF18mm_lens2

Outro exemplo deste estilo “fora da caixa” é o desenho pouco convencional do seu parassol. Algo por sinal muito apreciado pelos entusiastas.

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A desvantagem dessa solução é que ela impede o uso da tampa de lente inclusa. A solução encontrada foi fornecer uma segunda tampa especial para ser encaixa no parassol.

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Com seu ângulo de visão de 76,5º ela é mais indicada para tirar fotos de paisagens, interiores e retratos de grupos. E devido as suas pequenas dimensões ela também é muito usada para fotos casuais.

XPro1_XF_18

Já a Fuji XF 35mm/f1.4 (preço sugerido R$ 2.299) é considerado uma lente “normal” (equiv. ~52,5 mm). E como era comum nessas objetivas, ela é a mais luminosa desse grupo o que permite tirar fotos sem flash em ambientes relativamente mal iluminados além de oferecer o máximo efeito de desfoque (= bokeh) muito apreciados por fotógrafos de retrato.

XPro1_XF35mm_lens

Ele é formado por oito elementos em seis grupos, sendo que o último é do tipo anesférico moldado em vidro. A objetiva tem um diâmetro máximo de 6,5 cm x 5,49 cm de comprimento e pesa ~187 gramas. Ele também aceita filtros de 52 mm e possui um parassol semelhante porém incompatível com o XF 18mm/f2.0.

XPro1_XF35mm

Para quem não sabe, as chamadas lentes “normais” tem um ângulo de visão do olho humano — no nosso caso 44,2º. No geral elas lembram um pouco aquela estória do copo meio-cheio ou meio-vazio ou seja, alguns acham que seu ângulo de visão é muito fechado para paisagens ou muito aberto para detalhes. Fato é que o grande atrativo dessa lente está na sua abertura máxima — f1.4 — que é algo notável (para não dizer raro) mesmo nos dias de hoje.

XPro1_XF_35

Para mim, a lente mais impressionante desse grupo é a XF 60mm/f2.4 Macro (preço sugerido R$ 2.999), uma meia-tele bem luminosa e relativamente compacta (6,41 cm de diâmetro e 7,09 cm de comprimento).

XPro1_XF60mm_lens

Essa lente é formada por 10 elementos em 8 grupos sendo o sexto do tipo ED (Extra-low Dispersion) e o sétimo elemento anesférico também moldado em vidro.

XPro1_XF60mm

Descrita como uma meia-tele  (equiv. ~90 mm) sua capacidade de ampliação não é capaz, por exemplo, de fotografar as crateras da lua. Mas sua capacidade de aproximação ou ângulo de visão (~26,6º) permite que o fotógrafo seja capaz de fotografar detalhes a uma distância bem confortável.

XPro1_XF_60

 

Some-se a isso sua abertura máxima de f2.4 e temos uma solução super-interessante para fazer retratos de rosto ou destacar um tema de um fundo bem confuso ou sem graça:

XPro1_macro_demo

Um item que chama a atenção dessa lente é seu grande parassol que possui aberturas na sua base.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A sua utilidade fica mais clara quando instalamos a mesma na câmera, já que como o parassol tende a encobrir boa parte da cena no visor óptico essas aberturas permitem que possamos ver algum detalhes que poderiam passar desapercebido caso elas não existissem. Não dá pra ver lá muita coisa mas cá entre nós — é bem melhor do que nada, né?

XPro1_XF60mm_shade_view2

Um recurso que pode passar meio desapercebido nessa lente é seu modo macro onde seu elemento frontal literalmente salta da lente.

XPro1_XF_60_macro_mode

E para ajudar no enquadramento e foco a câmera possui um botão MACRO que ajusta o visor para trabalhar apenas com a imagem capturada pela lente, facilitando assim o enquadramento.

XPro1_Macro_setup

Com isso essa lente oferece um fator de ampliação de 0,5x com distância mínima de foco de 26,7 cm ou seja, você pode tirar sua foto de inseto favorito a uma distância segura e que não a espante.

XPro1_macro

Aqui um recorte de 100% da imagem acima:

XPro1_macro_det1

XPro1_macro_det2

Outro exemplo. Note o efeito de desfoque (= bokeh) causado pela pequeno campo de profundidade dessa lente em grandes aberturas:

XPro1_macroe

Recorte de 100% da imagem acima:

XPro1_macroe_det1

A boa notícia é que desde o seu lançamento, o número de objetivas XF já passou para cinco modelos, sendo que a previsão é que esse número dobre até o fim deste ano.

Fuji_XF_Lens_roadmap

Chegamos a ver duas delas durante a última CES 2013 em janeiro, mas não tivemos a oportunidade de testá-las (ainda). A primeira delas é a XF 14mm/f2.8 (preço sugerido: R$ 2.499) uma super grande angular (equiv. ~21 mm) com ângulo de visão de 89º corrigida ou seja, sem aquele efeito “olho de peixe”. Uma curiosidade desse modelo é que ele vem com escala de profundidade de campo (= DOF scale) o que ajuda o fotografo a estimar ou mesmo ajustar manualmente o quanto da cena entra em foco com o uso de uma determinada abertura focal.

XPro1_XF14mm

Outro modelo que vimos foi a XF 18-55mm/F2.8-4 R LM OIS (preço sugerido: R$ 1.599)a primeira lente zoom para X-Pro1. Trata-se de uma lente zoom de 3 vezes (equiv. 27~84 mm) ou grande angular para meia-tele que pode ser considerada uma lente de uso geral já que ela é capaz de fotografar a maioria das cenas mais comuns como paisagens, fotos de interior, grupos, detalhes, retratos de rosto, etc. Mas nada de crateras da lua. 🙂

Note também que esta é a primeira lente XF que vimos a não vir com anel de ajuste abertura existindo apenas um botão que seleciona o modo de ajuste manual/automático. Como a abertura máxima dessa lente varia de acordo com a posição do zoom, o seu anel de abertura não possui marcação de abertura. Neste caso, para cada movimento desse anel de passo corresponde a 1/3 de ponto de abertura cujo valor pode ser conferido na câmera.

XPro1_XF18_55mm

Mais relevante ainda é o fato dessa objetiva ser a primeira a vir com estabilizador de imagem (OIS) na lente, solução também adotada pela Canon, Nikon e Panasonic. Essa informação é importante já que como empresa divulta que a X-Pro1 tem esse recurso, isso pode passar a impressão errada de que o sistema está no corpo da lente (como nas Olympus, Pentax e Sony Alpha), permitindo assim que todas as lentes tirem proveito desse recurso — o que não é o caso. Fora isso, a designação LM refere-se ao uso de um motor linear que, como o nome sugere, movimenta os elementos ópticos de maneira linear e não por rotação resultando assim num foco mais ligeiro e silencioso.

XPro1_OISa

Mas, voltando ao que interessa…

Para quem já mexeu com os modelos X10 ou X100 pode notar que a X-Pro1 traz o mesmo DNA dos seus irmãos menores. A impressão que passa é que a Fuji tirou proveito das lições aprendidas com os modelos anteriores para chegar num layout mais eficiente, prático e intuitivo.

XPro1_corpo_back

Por exemplo, a câmera não tem mais um botão RAW e o botão de trava de foco/exposição (AE-F/AF-L) foi reposicionado para o apoio do polegar. O botão DRIVE também saiu do direcional ficando numa posição a esquerda onde ficava a tecla de visualizar as imagens gravadas que passou para o lado direito.

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Outra novidade é a inclusão do botão Q logo abaixo do controle de (AE-F/AF-L) que dá acesso ao chamado Quick Menu onde é possível fazer ajustes rápidos na configuração da câmera.

XPro1_LCD_2

A impressão que passa é que a idéia por trás dessas mudanças é que os principais comandos da câmera fiquem ao alcance do polegar direito, restando a mão esquerda segurar a câmera e controlar a lente.

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Seu painel LCD traseiro de 3 polegadas de 1.230.000 pontos adota a tecnologia RGBW que — como o nome sugere — adiciona um quarto pixel branco (ou mais exatamente, sem filtro de cor) além dos tradicionais vermelho, verde e azul. Com isso, é possível obter uma imagem com mais brilho se comparado com o RGB convencional usando a mesma quantidade de energia ou obter o mesmo nível de brilho gastando menos energia.  Mais sobre isso aqui.

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Ao pressionar o botão DISP/BACK é possível mudar a função da tela do seu modo de enquadramento padrão…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

… para o modo customizado onde o usuário pode adicionar/remover diversas opções de acordo com seu gosto.

XPro1_LCD_3

No diagrama abaixo podemos ver todas as informações que podem ser apresentadas na tela:

XPro1_viewfinder_diagram

XPro1_LCD_diagram1a

Fora isso, essa tecla também pode ser usada para muda a tela para mostrar apenas as informações de estado da câmera, o que faz bastante sentido…

XPro1_LCD_1

… caso o usuário utilize mais o visor embutido do que a tela para enquadrar e bater as fotos. De fato, assim como as Panasonic GF-1/GF-5 e a Olympus OM-D EM-5 a X-Pro1 possui um sensor de proximidade montado a direita da ocular do visor…

XPro1_viewfinder_1

… que desliga automaticamente o LCD caso o usuário aproxime o seu olho (ou mais exatamente sua face) do visor.

XPro1_viewfinder_2

Se comparado com a versão anterior, a Fuji realmente chutou o balde na hora de desenvolver seu novo visor híbrido, resolvendo um dos grandes desafios desse sistema, ou seja, como usar lentes de diferentes distâncias focais (ou áreas de visualização) num visor óptico de desenho clássico?

XPro1_LCD_Hybrid_finder

Como era de se esperar de um modelo topo de linha no estilo retrô, a resposta também veio do passado (ou mais exatamente em meados dos anos 1950) na forma de molduras brilhantes projetadas no visor que delimitam a área de visão da objetiva instalada. O exemplo abaixo mostra o sistema usado pela Cosina na suas câmeras Bessa cuja seleção da distância focal é feita manualmente por meio de um botão seletor. Solução semelhante já foi adotada no passado por diversas câmeras cult como as Leica M, Nikon SP e outras nem tanto como a Agfa Ambi Silette.

Bessa_Brightframe

Só que naquela época essas molduras eram projetadas no visor por meio de um complexo mecanismo formado por máscaras e prismas. No caso da X-Pro1 a moldura brilhante é desenhada numa minúscula tela LCD cuja imagem é sobreposta sobre a imagem analógica também por meio de prismas. O resultado final é praticamente o mesmo da solução mecânica …

XPro1_brightframe_60

… mas com a vantagem de poder incorporar diversas informações adicionais do mesmo (yaaay!)

XPro1_brightframe_60_deluxe

Para quem já fotografou com uma câmera com visor direto (em especial aqueles mais simples) deve estar familiarizado com um problema conhecido como erro de paralaxe ou seja, a diferença que existe entre a imagem capturada pelo visor e pela lente que é irrelevante quando fotografamos grandes cenas como paisagens, mas se torna sério quando o assunto fica muito próximo da câmera. Novamente a Fuji inspirou-se no passado e utiliza a informação da distância de foco (passada pela objetiva)…

XPro1_brightframe_35

… para calcular a posição exata da imagem vista pela lente em relação ao visor, deslocando a moldura para uma nova posição:

XPro1_brightframe_35_paralax

Outra solução é usar o visor digital (EVF) para se ter a imagem exata capturada pela lente. Para isso basta puxar a alavanca frontal na direção da lente para chavear entre os dois modos.

XPro1_hybrid_viewfindera

No vídeo abaixo podemos ver como é fotografar com esse visor híbrido, primeiro no modo óptico e depois no modo EVF:

Aqui um outro exemplo comparando o modo de uso com o visor óptico x EFV. Note que no sistema óptico, para compensar o erro de paralaxe, o visor desloca a área de enquadramento de acordo com o ponto de foco o que obriga o usuário a reenquadrar a imagem a ser capturada dentro da área delimitada pelo retângulo branco. Já no modo EVF isso não ocorre porque observamos a imagem que está sendo capturada pelo sensor de imagem de modo que ela preenche totalmente o visor o que torna o processo de bater uma foto bem mais intuitivo e direto.

Entre escolher um desses modos, eu diria que é uma questão de gosto pessoal. Mas como ambos os modos estão disponíveis com um simples movimento de alavanca, por que não usar um ou outro quando for mais conveniente? 🙂

De fato, uma maneira do usuário tirar proveito de ambos os modo de foco manual, onde uma dica é chavear a tela do visor óptico para o EVF apenas para ajustar o foco e depois voltar para o modo analógico para enquadrar e bater a foto:

Já um recurso que pode passar desapercebido pelo usuário é que o visor óptico possui um modo “normal” (0,6x HVF) e um modo “grande angular”  (0,37x) que abre sensivelmente a imagem no visor:

XPro1_hybrid_viewfinder_wide_modePara isso ele possui um elemento frontal móvel deslizante que se desloca para a esquerda para ajustar o sistema para o modo grande angular, dispensando assim o uso de visores auxiliares que — apesar de charmosos, costumam ser instalados na sapata do flash, impedindo assim o uso deste importante acessório.

XPro1_hybrid_viewfinder_wide_mode2

O legal é que esse ajuste é automático, sendo ativada toda vez que instalamos uma lente grande-angular na câmera. Isso é possível porque a lente passa essa informação por meio de seus contatos eletrônicos (mais sobre isso adiante).

Essa idéia de inspiração no passado também se reflete na maneira de como ajustar o modo de exposição da câmera. Assim, ao invés de adotar o tradicional botão de seleção de modos (como na X10)…

Finepix_X10_mode_dial

… a empresa optou por usar o mesmo sistema da X100 ou seja, os diversos modos são ajustados por meio da interação entre o seletor de velocidade do obturador, localizado no topo da câmera a esquerda do botão de disparo:

XPro1_topo2

… e do anel de abertura da lente cujo ajuste aceita incrementos de mais ou menos 0,3 ponto de exposição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

Como podemos ver tanto o seletor de velocidades quanto o anel de aberturas possui uma posição A (de Automático) o que faz com que ao colocarmos esses dois controles em A a câmera trabalha no modo totalmente automático (Program ou P) ajustando automaticamente a velocidade e abertura de acordo com a cena.

XPro1_full_auto_mode

Mantendo a velocidade em A e selecionando uma abertura, entramos no modo de prioridade de abertura (ou AV) ou seja, a câmera escolhe uma velocidade que garanta uma exposição correta com a abertura determinada. Esse recurso é muito usado em fotos de objetos, paisagens e retratos onde o usuário deseja controlar a profundidade de campo.

XPro1_full_AV_mode

Já o contrário também é válido: mantendo a abertura em A e selecionando uma velocidade, a câmera entra no modo de prioridade de velocidade (S ou TV) onde a câmera seleciona uma abertura correta para a velocidade selecionada, algo muito usado em fotos de ação.

XPro1_full_TV_mode

Já o modo totalmente manual (M) é possível bastando apenas selecionar a velocidade/abertura desejados:

XPro1_full_manual_mode

Curiosamente, a X-Pro1 não possui os chamados modos de cena/criativos como retrato, paisagem, fogos de artifício, comida, bebê, mascote, peixe em aquário etc. Entretanto ele possui alguns ajustes especiais como a Simulação de Filme que, como o nome sugere, ajusta os tons de cores de diversos modos. Obviamente, os modos coloridos recebe os nomes de marca de  filmes Fujichrome da empresa. A saber:

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Provia / Cor Padrão: Esse modo reproduz as cores de modo normal e é indicado para uso geral: de retratos até paisagens.

XPro1_teste_filme_Provia_standard
XPro1_teste_filme_Proviab

Velvia / Cores Vivas: Esse filtro ressalta as cores  tornando as mais vivas e saturadas — mas não ao ponto da cena ficar com cara de desenho animado — sendo mais indicada para fotos de natureza.

XPro1_teste_filme_Velvia_Vivid

XPro1_teste_filme_Velvia_Vividb

Astia / Cores Suaves: Mais indicada para retratos de pessoas, ela produz cores menos saturadas que o Velvia.

XPro1_teste_filme_Astia_soft

XPro1_teste_filme_Astia_softb

PRO Neg. Std: Oferece uma paleta de cores mais suave e tons de pele mais acentuadas, o que torna essa opção mais indicada para retratos de estúdio.

XPro1_teste_filme_Pro_Neg_Standard

XPro1_teste_filme_Pro_Neg_Standardb

PRO Neg. Hi: Oferece um nível de contraste ligeiramente maior de o Neg. Standard, mais indicada para retratos ao ar livre.

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Monocromático: Esse filtro reproduz os tons normais de preto e branco. Nesse caso, alguns tons como azul e vermelho ou laranja e rosa claro ficam praticamente idênticos o que para alguns faz com que a imagem fique meio que monótona e sem graça.

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Para contornar esse problema, uma solução mais antiga do que andar pra frente é o uso de filtros coloridos que realça certos tons e minimiza outros, produzindo assim resultados mais interessantes: Monocromático com Filtro Amarelo (Ye): Ele melhora levemente o contraste dos tons daquelas cores que ficam muito parecidas em preto e branco.

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Monocromático com Filtro Vermelho (R): É o filtro que mais mexe nas cores dos objetos como o quimono da bonequinha que fica quase branca ou a cor do céu (realçando a presença das nuvens). É o mais indicado para aqueles que procuram os efeitos mais dramáticos/incomuns.

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Monocromático com Filtro Verde (G): É o mais indicado para fotos de paisagem com bastante vegetação já que ele melhora o contraste entre diversos tons de verde das plantas.

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Sépia: Um clássico da fotografia digital que troca o preto e branco por tons de marrom.

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Segundo o manual, os efeitos acima também podem ser usados na gravação de vídeos.

Diversas funções adicionais estão disponíveis ao pressionar o botão DRIVE como o modo de disparo contínuo (3 ou 6 qps), braketing, dinamic range, gravação de vídeos…

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… e o chamado Motion Panorama onde o usuário mantém o botão de disparo pressionado e movimenta a câmera tanto na horizontal…

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(clique para ampliar)

… quanto na vertical, para obter uma imagem completa, sem a necessidade de tirar várias fotos em sequência. Para isso a empresa recomenda o uso de lentes XF abaixo de 35 mm.

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Outro recurso curioso da X-Pro1 é o chamado Silent Mode (= modo silencioso) que é ativado ao pressionar a tecla DISP/BACK por mais de um segundo ou selecionando o mesmo no menu de configurações. Para mim esse recurso poderia ser chamado de “modo discreto” já que ele desliga o flash, os bipes e avisos sonoros gerados pelo alto falante, a luz de auxilio de foco além de outros comandos que possam, de algum modo, chamar a atenção para o fotógrafo.

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Seu modo de playback possui diversos modos de apresentação, desde o mais simples…

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… até os mais elaborados.

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Interessante observar que, no Menu de Playback é possível editar imagens, converter imagens a partir de arquivos RAW, corrigir olhos vermelhos, fazer buscas (por data, face, tipo, pontuação, etc.), separar imagens para subir para redes sociais (Youtube ou Facebook),  imprimir imagens via DPOF) e até montar pequenos show de slides com alguns efeitos de transição.

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Já o menu principal (shooting menu) concentra todas as funções e ajustes ligados a tirar fotos.

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Sua sensibilidade ISO varia de 200~6.400 sendo que o ajuste padrão da câmera é ISO 200, apesar do ISO 100 — ou L (100) — pode ser selecionado, porém sob risco de reduzir seu alcance dinâmico das cores (dynamic range). Fora isso o usuário também pode optar por quatro modos “automáticos” onde a câmera ajusta a sensibilidade ISO de 200 até ISO 400/800/1600/3200:

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Acima do limite de 6400 ainda existem os modos H (12800) e H (25600) que podem ser usados,  porém sob risco de produzir excesso de ruído.

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O sistema de Ajuste de Branco (White Balance) pode ser selecionado automaticamente ou de uma lista pré selecionada (luz do sol, artificial, sombra, temperatura da cor (K), sob a água, etc.) além de um modo medido diretamente pela câmera.

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A grande sacada neste caso é o WB SHIFT que permite realizar um ajuste fino na opção selecionada:

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Nossas conclusões:

A Fuji Photo Film Co. poderia ser considerada a “Kodak japonesa” no sentido que sua estratégia comercial no segmento de câmeras amadoras sempre foi muito parecida com a pioneira americana — ou seja — oferecer modelos simples, acessíveis e que pode ter sido a porta de entrada para muitos no mundo da  fotografia. Porém com a chegada da era digital, esse apelo “popular” não fez nada bem para o pessoal de Rochester o que, de um certo modo, foi até sua ruína já que nem sua marca inspirava a mesma paixão e respeito de outras como Canon, Nikon, Samsung ou Sony.

De fato, a Fuji tinha tudo para seguir o mesmo caminho do pássaro Dodó, mas ela tinha algumas cartas na manga — como suas divisões de digital imaging, fotografia profissional  e lentes Fujinon — que ela usou para reinventar-se como uma marca premium, capaz de oferecer produtos topo de linha de qualidade e alto valor agregado também para o consumidor final e que, no fim das contas — também poderá ajudar nas vendas dos modelos mais em conta como a linha Finepix:

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Sob esse ponto de vista a X-Pro1 é uma interessante combinação de tecnologia de ponta com um equipamento de linhas clássicas e que procura resgatar aqueles bons tempos em que as câmeras eram instrumentos de precisão e parte do patrimônio da família, como o carro do pai ou a espingarda do avô.

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E assim como a X-10 e a X-100, nada na X-Pro1 tem cara de fugaz, efêmero ou descartável. Ela é relativamente grande, bem construída e dona de um excelente acabamento na cor preta, uma cor meio batida nos dias de hoje, mas que passa um tom de sobriedade, discrição e elegância ao produto e que, de um certo modo deixa bem claro o seu público alvo: fotógrafos maduros que não querem chamar muito a atenção e que também não tem pressa de observar, compor e fazer uma boa foto — algo como atirar com uma rifle de precisão em vez de um fuzil de assalto.

Essa analogia é interessante no caso da X-Pro1 porque ela ajuda a entender as suas limitações. Por exemplo: Com seu sistema de foco não muito veloz e capacidade de bater de 3 a 6 fotos por segundo, ela não é a câmera mais recomendada para fotos de ação. Fora isso, nem o corpo ou as lentes são protegidas contra respingos d’água (splash-proof) de modo que ela não deveria participar de nenhum curso de sobrevivência na selva em dia de chuva.

Assim, qual é o público da X-Pro1?  Para mim profissionais, entusiastas e até alguns saudosistas que procuram uma câmera de boa qualidade para uso casual e eventos sociais. O fato dela parecer uma câmera antiga pode ser algo interessante em especial para aqueles que gostam de fotografar cenários urbanos sem serem muito notados, nesse último caso podemos citar pesquisadores, antropólogos, agentes sociais e até jornalistas cuja aparência com uma câmera de visor pode ser menos intimidadora para certas pessoas  do que com uma DSLR preta com uma lente zoom que mais parece um canhão.

Tecnologicamente falando, o novo sensor Trans-CMOS produz imagens muito boas especialmente principalmente se ficarmos longe dos ajustes ISO L e W. Apesar de a luminosidade das lentes XF fazer com que o usuário não precise puxar muito a sensibilidade do sensor, apesar de que um flash embutido — por mais fraco que fosse — também poderia ajudar nessas horas. De fato, o único recurso que senti falta nesse sensor é sua capacidade de baixar automaticamente sua resolução para aumentar a sua sensibilidade — algo que vimos no sensor EXR da Finepix X10 que também produziu resultados impressionantes. Acreditamos que, neste caso, a Fuji preferiu não abrir mão da resolução para não comprometer as especificações do seu modelo topo de linha ou por simplesmente não precisar de tal recurso.

Com relação a sua experiência de uso, fica claro que os controles da X-Pro1 foram fortemente inspiradas da X-100 que por sinal já era bom e intuitivo, mas que ficou melhor na X-Pro1 graças ao maior espaçamento entre os controles e a adição do botão de Quick Menu  “Q” que agilizou o acesso a diversos comandos, melhorando assim a sua operação. E é claro que o novo visor híbrido também merece destaque pela maneira engenhosa que os engenheiros da Fuji conseguiran adaptar o sistema de visor direto das câmeras analógicas para o formato digital. Trata-se de um sistema tão interessante que não duvidaria se algum concorrente já não esteja desenvolvendo sua própria versão.

E com relação ao seu custo? Com o preço sugerido de R$ 4.999, a X-Pro1 não é uma câmera barata, mas ela está chegando no mesmo preço da X-100 na época do seu lançamento em julho de 2011.

E para aqueles que gostaram dos recursos da X-Pro1 mas não do seu preço, a alternativa também pode estar na X-E1 que pode ser considerada uma versão mais em conta da X-Pro1 (preço sugerido R$ 3.999 — só o corpo) equipado com um simples visor eletrônico (EVF). Interessante notar que o espaço liberado pelo complexo sistema hibrido foi aproveitado para implementar um flash embutido na XE-1 (yay!).

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Fora isso, vale a pena observar que a garantia dessas câmeras da Fuji é mundial. Isso significa que a Fuji do Brasil irá honrar a garantia dessas câmeras mesmo se elas forem adquiridas no exterior. Com isso ela deixa claro que sua estratégia com a linha X não é de vender milhões dessas câmeras por aqui e sim oferecer a melhor experiência de uso para seus clientes, oferecendo manutenção e até a venda de acessórios originais para todos, algo raro nesse mercado.

Observe porém que apesar do seu preço no Brasil, ela não está muito fora daquilo do que alguém pagaria para trazê-la do exterior — ou mais exatamente nos EUA. Por exemplo, o preço sugerido do corpo da X-Pro1 por lá é de US$ 1.399 ou ~R$ 2.730 com o dólar a R$ 1,957 sem a incidência de impostos. Se incidirmos a taxa de consumo americano (+ 6%), 5% de IOF (se for comprado com cartão de crédito) e a taxa de importação de 60% sobre US$ 899 (levando em conta que o usuário está tirando proveito da isenção de US$ 500 em compras) chegaríamos num valor perto de R$ 3.586 e isso sem contar do custo da passagem para os EUA (digamos para Nova Iorque) e os gastos com hospedagem, alimentação e compras adicionais.

(Esse post foi originalmente escrito e publicado por este Editor de Testes durante seu exílio no ZUMO.)

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Resumo: Fujifilm X-Pro1

O que é isso? Sistema de câmera digital com lente intercambiável topo de linha para uso casual e social.
O que é legal? Visual retrô, excelente apresentação, acabamento e qualidade de imagem. Impressionante visor híbrido.
O que é imoral? Câmera não é resistente a respingos d’água, recurso de estabilização de imagem (OIS) está presente na lente e não no corpo. Flash não incluso.
O que mais? Filma em Full HD, oferece suporte para RAW. Garantia internacional para corpo e lentes.
Avaliação: 7,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 4.999
Onde encontrar: www.fujifilm.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.