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Review: Câmera digital Fujifilm Finepix X100

Com a Finepix X100, a Fujifilm mostra que quando o assunto é pensar fora da caixa, ela não fica atrás de outras marcas.

Como suas concorrentes históricas como Kodak e Agfa, as câmeras mainstream da Fujifilm nunca tiveram o mesmo prestígio de outras marcas como Canon e Nikon. Apesar disso, nunca perdi minha fascinação pela marca, especialmente pela rebeldia e criatividade de seus projetos que muitas vezes passam longe do que podemos chamar de óbvio ou previsível.

Sob esse ponto de vista, a Finepix X100 não foge a essa regra.

Anunciada na Photokina 2010, ela chamou a atenção de todos primeiro pelo seu design totalmente retrô e segundo por utilizar um sensor APS-C (23,6 x 15,8 mm) de 12,3 megapixels — o mesmo usado pela maioria dos fabricantes de DSLR como Canon, Nikon, Sony, Pentax, Samsung etc.

A idéia original da Fuji era fazer uma câmera topo de linha de alta qualidade, bom acabamento, ajustes manuais e um visor óptico fácil de usar. Como todas essas características eram comuns nas câmeras do passado, nada mais lógico do que fazer uma releitura desse estilo clássico para uma câmera atual.

Para a Fuji, a X100 não é apenas uma câmera estilosa e sim um conceito — ou melhor, uma metáfora — cuja intenção é de evocar memórias do passado, transportando o consumidor para tempos mais felizes, quando o mundo era mais simples e as máquinas fotográficas, instrumentos de precisão tratadas como um patrimônio da família (como o carro do pai ou a espingarda do avô).

De fato, para muitos adultos de hoje o primeiro contato com uma câmera foi durante a infância, época em que tais equipamentos ficavam sob a guarda do pai que nunca deixava os filhos botarem a não ser em datas festivas mas bater uma foto só depois de completarem 16 anos (e olha lá). E mesmo para as gerações mais novas, que sempre viveram num mundo onde tudo é de plástico e/ou descartável, a visão de um equipamento construído como um tanque e cheio de controles analógicos transmite uma sensação de qualidade que parece desafiar a nossa percepção de tempo.

E de fato, se colocarmos a X100 ao lado de câmeras das décadas de 1960~1970, como uma Olympus 35 RC

… uma Voigtlander Vitomatic IIa

… uma Canon Canonet QL17

… ou mesmo uma Fujica Compact Deluxe, da própria Fujifilm, é difícil dizer que a X100 é uma câmera moderna…

… a não ser que dermos uma olhada na parte de trás dos equipamentos. Alguns dizem que isso pode ser até um fator de tranquilidade para turistas e fotógrafos de rua,  já que ela não chama tanto a atenção de ladrões.

Essa referência ao passado se reflete em outros acessórios da câmera, como sua tampa de lente (também de metal e facilmente perdível), que se encaixa na objetiva por meio de pressão…

… e mais ainda na sua capa de proteção e correia de couro (opcionais) modelo LC-X100:

A bolsa em especial é muito bem acabada e é formada por duas partes unidas por notões de pressão. Já a lingueta central é presa por meio de um fecho magnético.

Curiosamente, a parte de cima da capa abre para trás e não pela frente, como era comum no passado. Isso porque não existe espaço atrás da X100 para colocar um fecho. Note a pecinha de couro que impede que a argola da correia arranhe a lateral da câmera.

De qualquer modo, é possível remover a parte de cima e mesmo assim ter acesso a todos os controles da câmera, tanto na parte da frente…

… quanto na parte de trás:

Outro toque nostálgico de mil novecentos e antigamente é o seu botão de disparo, que possui um encaixe de rosca que permite utilizar um cabo disparador mecânico, muito útil para evitar fotos tremidas nos modos de longa exposição, B e T.

Trata-se de um acessório simples e genérico, relativamente barato e que para mim faz bem mais sentido que as caras versões eletrônicas. Gostaria de ver essa solução de volta em outras câmeras.

Ok, chega de falar do passado e vamos ao que interessa:

Medindo aproximadamente 12,5 x 7,4 x 5,4 cm (LxAxP com a lente) e 453 gramas com a bateria + tampa + cartão SD, a Finepix X100 é uma câmera equipada com um sensor CMOS de 12,3 megapixels, capaz de capturar imagens de até 4.288 x 2.848 pixels no formato 4:3 ou 4.288 x 2.416 pixels no formato 16:9.

Digna de nota é sua capacidade de bater fotos em sequência a 5 quadros/segundo na sua resolução máxima e também trabalhar no modo RAW.

Seu painel traseiro é bastante rico em controles, com a parte central dominada pela sua tela LCD de 2,8 polegadas e 460 mil pontos. No canto superior esquerdo podemos ver um controle de jog (semelhante ao usado em alguns handhelds para rolar e selecionar opções) e o botão de navegação direcional também possuiu um anel de rolagem que gira para ambos os lados. Interessante notar que a X100 é a única câmera da Fujifilm ainda produzida no Japão.

Esses controles são no geral simples e diretos, apesar de que — na minha opinião — alguns deles não são muito intuitivos. Por exemplo, para se ter acesso aos modos de exposição (foto simples, contínua, bracketing e até gravação de vídeo) é preciso pressionar o comando DRIVE:


Já o botão AE (Auto Exposure) seleciona o modo de fotometragem da câmera (Região Central, Spot, Toda a Cena):

Já o botão AF (Autofocus) não seleciona os diversos modos de foco (simples, contínuo ou desligado), e sim a seleção da sua área de foco. Como disse, nada muito complicado, mas que exige que o usuário assimile esses novos truques, o que fica muito mais fácil depois de ler seu manual.

Interessante notar que também é possível focar manualmente com a X100, bastando para isso passar a chave do AF para o modo MF e mudar o foco ao girar o anel central. A direção do anel e o sentido do foco podem ser configurados pelo usuário no menu de opções.

E para auxiliar nesse procedimento, pode-se pressionar o botão de jog que a parte central da imagem é ampliada permitindo assim acertar o foco com maior precisão:

Observação importante:

De fato, a primeira vez que tive contato com essa câmera, ela deu uma impressão de que não era das mais “amigáveis” e parecia fazer algumas coisas por conta própria. Um bom exemplo era o ajuste de fotografia Macro, que depois de selecionado, voltava para o modo “normal” após um clique. Se você quisesse tirar duas ou mais fotos — digamos, de uma borboleta — você precisaria re-selecionar o modo a cada disparo e isso antes do motivo sair voando. Outro exemplo é  a seleção do modo de flash: ao navegar por uma opção, é melhor você confirmar a opção em menos de 2 segundos, caso contrário ele saía desse menu (hein!!!)

A maioria desses comportamentos meio estranhos pareciam ser pequenos ajustes do firmware que, se não interferiam no resultado final da imagem, com certeza interferiam e muito no processo de tirá-las, ao ponto de que ao descobrirmos que a Fujifilm estava para lançar um novo firmware para a X100. Então interrompemos esse review, devolvemos a câmera (com o firmware versão 1.01) e esperamos algumas semanas até a Fuji retornar o equipamento no início de  julho já com a nova versão 1.10

Se você é dono de uma Finepix X100 e ainda não fez esse upgrade, recomendamos que o faça o mais rápido possível, já que o comportamento da câmera muda da água para o vinho. É praticamente uma nova câmera.

No lado esquerdo vemos o botão de seleção de modo de foco manual (MF), autofoco simples (AF-S) e autofoco contínuo (AF-C). Como esse controle fica num local onde alguns apoiam as mãos — principalmente na hora de pressionar os botões da coluna esquerda (acima), existe o risco desse ajuste ser mudado sem querer – o que pode passar a errada impressão de que a câmera parou de focar ou seu motor de foco fica funcionando sem parar. O uso da capa de proteção elimina esse problema.

Do outro lado temos acesso a uma pequena porta que dá acesso as interfaces HDMI mini e USB.

Na parte de cima podemos ver que a maioria dos controles concentram-se no lado direito, bem ao alcance dos dedos indicador e polegar.

Note que dessa posição podemos ver o ajuste de abertura (F 2.0~16 + Auto) no anel da objetiva, o dial de de velocidade (B, T, 4 ~ 1/4000 seg  + Auto) à direita da sapata de flash e um segundo dial que faz a compensação de exposição (-2 ~ +2 pontos com passos intermediários de 1/3 de exposição). O botão de disparo é montado no centro da chave liga/desliga e a direita fica o pequeno botão Fn pode ser programado pelo usuário para acionar rapidamente um ou outro comando de mais difícil acesso. O movimento dos anéis e dials foram propositalmente ajustados para serem firmes (porém macios) enfatizando assim o look-and-feel  de um instrumento mecânico de precisão apesar de serem na realidade controles eletrônicos.

Segundo a Fuji, essa parte de cima dessa câmera é feita de magnésio fundido, material leve e resistente e muito usado no interior das câmeras topo de linha (para lhes proporcionar rigidez estrutural), mas pouco usado do lado de fora devido a sua dificuldade de se conseguir um bom acabamento nesse material. No caso da X100, isso foi resolvido graças ao uso de uma nova tecnologia de coating (cobertura) cujo objetivo era de chegar na aparência de aço fosco, tom que foi só conseguido por meio de um processo de tentativa e erro.

Esse acabamento foi aplicado na sua base, onde também podemos ver a saída do seu pequeno alto-falante, o encaixe da rosca do tripé (1/4 polegada) e o compartimento da bateria + cartão de memória SD / SDHC / SDXC. O que parece ser um quadradinho à direita da porta da bateria é uma tampinha secundária normalmente usada para instalar um adaptador de rede elétrica na câmera.

Sua bateria é um modelo NP-95 de íons de lítio de 3,6 volts/1.800 mAh que, segundo a fabricante, tem uma autonomia estimada de 300 fotos.

Já seu carregador incluso é um modelo BC-65N com entrada bivolt de 100~240 volts/50~60 Hz e saída CC de 4,2 volts/650 mAh. Uma curiosidade desse carregador é que seu compartimento da bateria é maior que a NP-95, de modo que acompanha o produto uma pequena peça de plástico que completa o espaço vago. Sugerimos que o usuário tome um cuidado extra com essa pecinha, já que nada a prende ao carregador, caindo facilmente ao virá-lo ao contrário.

Apesar de todas as preocupações com o estilo retrô, a X100 não deixa de incorporar alguns conceitos “modernos” em especial no campo da ergonomia. Um bom exemplo é a sua lateral direita (ou esquerda para quem vê a câmera de frente) que possui um leve ressalto…

…  e que tem o objetivo de melhorar sua empunhadura e ajudar na pegada. Nada de extraordinário, diga-se de passagem mas convenhamos que isso é bem melhor do que nada.

Ao contrário de suas concorrentes (como a Sony NEX ou a Samsung NX100), a lente da X100 é fixa e tem distância focal de 23 mm/f 2.0 — o que equivale a uma meia grande angular de 35 mm nas câmeras de filme 135.

A Fuji chegou a considerar outras opções como 28 mm (grande angular)  e 50 mm (normal). Acredito que a solução intermediária (35 mm) foi escolhida por ser um formato bastante versátil, podendo ser usada tanto para fotografar paisagens, grupos de pessoas e retratos, além de proporcionar uma distância mínima de foco de apenas 10 cm no modo macro. Fora isso, essa medida também era muito popular entre as câmeras do passado que ela imita.

desenho dessa lente Fujinon é formado por oito elementos em seis grupos, sendo uma de geometria complexa (aesférica). Todas as faces (com exceção das coladas) recebem tratamento antirreflexo multicamadas (até nove) Super EBC e seu diafragma utiliza nove lâminas o que, segundo os expertos, quanto mais circular o formato da iris, o efeito de desfoque (bokeh) é mais bonito.

Essa objetiva ainda conta com um filtro ND (Densidade Neutra) embutido o que permite utilizar aberturas maiores (-3 pontos de exposição) mesmo em dias muito claros. Já nas situações onde as condições de iluminação são mais precárias, a abertura máxima da lente de f/2.0 permite tirar boas fotos sem o uso de tripés, ao ponto da Fuji dizer até abriu mão do recurso de estabilização de imagem (lens shift ou sensor shift) nessa câmera, por achá-la desnecessária. Mas no geral, ela afirma que sua lente apresenta seu melhor desempenho quando usado nas aberturas de f 4.0 ~ f 5.6.

Interessante notar que a Fuji até considerou o uso de um sensor de imagens Micro Four-Thirds para a X100, mas depois de vários testes optou pelo formato APS-C por concluir que este oferece a melhor relação entre desempenho e consumo de energia. Fora isso a escolha por um sensor maior não foi para se ter mais pontos de imagem e sim para ter pontos de imagem maiores (hein?). Isso porque quanto maior é o fotodiodo, maior a sua sensibilidade ou a sua capacidade de capturar a luz de maneira mais eficiente. Algo como pegar as gotas da chuva com um balde ao invés de um copo.

Finalmente seu processador de imagem — batizado de EXR — que além do processador de sinal (EXR Core), ainda conta com duas CPUs (uia! dual-core!) e um processador reconfigurável o que permite realizar rapidamente diversas tarefas como remover olhos vermelhos, processar panoramas, fazer buscas complexas, capturar vídeos em HD etc. Interessante notar a presença de um acelerador gráfico de vetores, usado pela câmera para gerenciar sua interface com o usuário.

Como nas câmeras clássicas, o ajuste de abertura é feita por um anel montado na objetiva, note a posição “A” que ajusta automaticamente a abertura de acordo com o contexto (mais sobre isso adiante).

Uma das esquisitices desse produto é que essa lente não possui rosca para filtro. Para utilizar esse acessório é preciso desrosquear um anel frontal…

… que para mim não serve pra nada…

… e colocar no seu lugar um anel adaptador Ar-X100 que possui uma rosca interna (aceita filtros de 49 mm) e um engate do tipo baioneta que aceita um parassol modelo LH-X100. Esses acessórios não vêm com a câmera (boo!) e podem ser adquiridos juntos ou separados (só o anel adaptador). Fora a ganância, eu não imagino o por que dessa solução, mas se servir de consolo  já existem versões alternativas (aquiaqui) a preços mais camaradas.

Ainda sobre acessórios, é a primeira vez que vemos a Fujifilm introduzir seu próprio padrão de flash dedicado com suporte para fotometragem através da lente (TTL metering) , o que faz com que sua sapata de acessórios (hot shoe) incorpore mais três pontos de contato usados para trocar informações entre a câmera e o flash.

Isso tem seu lado bom porque faz com que a câmera tenha uma maior interação com o flash externo, permitindo assim maior controle sobre as imagens tiradas com flash. Em contrapartida, ela obriga o usuário a investir em mais um acessório da marca. Nesse caso, a Fujifilm já oferece dois modelos (aparentemente OEMs da Sunpak): o EF-42 (semelhante ao modelo PZ42X) e o pequeno EF-20 (semelhante ao modelo RD2000).

Como eu tenho um RD2000 (para Canon) aqui em casa, eu instalei-o na X100 (obviamente ambas desligadas) só para ver como ficava a cara do conjunto. Eu particularmente gosto desse modelo por causa do seu desenho compacto, trabalhar com 2 pilhas AA e permitir o rebatimento da luz para cima.

Entretanto, eu notei que o anel de fixação da sapata do flash chega a cobrir o ponto que marca a velocidade selecionada, o que pode ser um incômodo para alguns. O usuário não fica de todo “cego”, já que essa informação pode ser conferida no seu LCD traseiro. De qualquer modo, esperamos que a Fuji de algum modo tenha resolvido esse problema na sua versão no EF-20.

Com relação ao seu flash embutido (1), ele é um dos únicos toques de modernidade que pode ser percebidos na frente da X100. Com número guia (GN) de 4,5 para ISO 100, ele pode parecer a primeira vista um pouco fraco, mas combinando sua lente f 2.0 e seu grande sensor de imagem é possível obter imagens até que bem iluminadas. Segundo a empresa, com a sensibilidade ajustada para ISO 1600, a luz do flash tem um alcance de até 9 metros, o que é uma façanha notável para um iluminador tão pequeno.

A grande desvantagem desse desenho é que como ela fica muito perto do eixo da lente, maior a possibilidade de gerar fotos com olhos vermelhos. Entretanto, nós acreditamos que essa solução foi adotada por oferecer um conjunto mais íntegro e sólido com menos peças móveis ou cabeças que saltam para fora da câmera.

A janelinha redonda ao lado da alavanca (2) é um LED que emite uma luz branca que ajuda no foco da câmera em locais pouco iluminados e também serve de indicador do temporizador de disparo (self-timer). O que parece ser dois pontos (3) e (4) são na verdade dois microfones para capturar som em estéreo.

Apesar de tudo que vimos até agora, a grande atrativo dessa câmera é — de longe — o seu sistema de enquadramento que combina em um único sistema, um visor óptico (OVF) e eletrônico (EVF).

Batizado de Hibribid Viewfinder, esse visor — inspirado nos visores com quadros iluminados (bright-frame) do passado — possui um conjunto de prismas que funcionam como uma espécie de espelho semi-transparente que combina as imagens capturadas do mundo exterior com uma imagem digital gerada por uma pequena tela LCD de 1,4 MP.

Nesse modo (OVF), é possível passar para o usuário diversas informações como velocidade, abertura, distância, zona de foco, campo de profundidade, histograma etc. Fora isso o retângulo maior que delimita a área de imagem pode se mover pelo visor para fazer correções de paralaxe, um problema de enquadramento que ocorre nas câmeras de visor direto (como a X100) quando o tema se aproxima muito da câmera.

Só isso já seria um recurso muito legal. Entretanto esse visor também pode trabalhar de segundo modo: ao puxar a alavanca frontal para fora…

… uma cortina tampa a entrada frontal do visor óptico…

… fazendo com que o usuário só receba as imagens da telinha LCD funcionando assim como um visor totalmente eletrônico.

Esse modo apresenta as mesmas imagens mostradas na sua tela traseira.

Se comparado com outros visores eletrônicos que já passaram aqui na Zumocaverna, o da X100 é de excelente qualidade com taxa de atualização bastante elevada — o que faz com que as imagens se movimentem de maneira bastante natural e a resolução alta o suficiente para rever as imagens no visor interno (algo muito útil em ambientes externos sob o sol forte) usando o zoom de imagem com ótimo nivel de detalhamento.

E como isso funciona na prática? Veja por si mesmo:

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Para aqueles que usam óculos, a boa notícia é que esse visor possui ajuste de -2 a + 1 dioptrias  (disco a esquerda do visor) e um sensor de proximidade (à direita) que percebe a aproximação do olho (ou mais exatamente da face) no visor desligando assim a tela LCD, algo que já vimos no passado nas DSLM Lumix DMC-G1 e G2 da Panasonic.

O visor traseiro é do tipo LCD TFT de 1,8 polegadas e resolução nativa de 48 mil pontos e que cobre praticamente 100% da área de captura da imagem.

Esse painel pode funcionar de três modos (selecionados via botão DISP/BACK): a primeira é como um painel de status (INFO VISOR) que apresenta informações de exposição e ajustes da câmera.

A segunda é o chamado modo Standard (padrão) que apresenta menos informações, permitindo assim que o usuário concentre-se mais na composição da imagem:

Finalmente existe o modo PERSONALIZADO, mais rico em informações, sendo que algumas delas podem ser adicionadas ou não de acordo com as preferências do usuário:

Um recurso muito legal que vi pela primeira vez na DSLR Olympus E-30 e que agora se espalha para outros modelos é a presença de um sensor de orientação (nesse caso a linha azul) que funciona como um horizonte artificial, o que ajuda o fotógrafo a alinhar a câmera perfeitamente na horizontal  e é muito útil, por exemplo, em fotos panorâmicas.

Outra sacada legal dessa interface é sua escala de distâncias (barra azul) que possui uma escala de profundidade de campo – que é a região da cena antes e depois do ponto de foco (linha vermelha) que também está em foco, representado nesse caso por uma faixa branca. Quem manja de fotografia sabe que essa zona de foco varia de acordo com a abertura do diafragma, de modo que essa escala eletrônica mostra exatamente isso: que com F/4.0 a profundidade de campo é bem menor que, por exemplo f/16. Isso ajuda demais aqueles que desejam ter um maior controle sobre a foto.

Obviamente, a tela LCD também é usada para rever a fotos batidas. Assim como no modo fotografar, é possível configurar essa tela para apresentar mais ou menos informações de acordo com o nosso gosto:

Note que no modo acima é possível acessar ainda mais informações usando o botão de jog:

E nesse modo podemos utilizar os botões AE e AF para dar um zoom maior ou menor na imagem passeando pela cena usando os botões direcionais:

Como era de se esperar de uma câmera de visual retrô, a Finepix X100 não possui disco seletor de modos de modo que ele adota uma estratégia mais “analógica” de como selecionar os diversos modos de exposição:

Como podemos ver tanto o seletor de velocidades quanto o anel de aberturas possui um modo Automático (A) o que faz com que ao colocarmos esses dois controles em A a câmera trabalha no modo totalmente automático (Program ou P) ajustando automaticamente a velocidade e abertura de acordo com o contexto.

Mantendo a velocidade em A e selecionando uma abertura, entramos no modo de prioridade de abertura (A ou AV) ou seja, a câmera escolhe uma velocidade que garanta uma exposição correta com a abertura determinada. Esse recurso é muito usado em fotos de objetos, paisagens e retratos onde o usuário deseja controlar a profundidade de campo.

Já o contrário também é válido: mantendo a abertura em A e selecionando uma velocidade, a câmera entra no modo de prioridade de velocidade (S ou TV) onde a câmera seleciona uma abertura correta para a velocidade selecionada, algo muito usado em fotos de ação.

Já o modo totalmente manual é conseguido bastando apenas selecionar a velocidade/abertura desejados:

Só que nesse caso é preciso ficar de olho na escala de exposição que, nesse modo, funciona como uma espécie de fotômetro indicando nesse caso que, com a velocidade escolhida 1/15 seg, a cena está subexposta em aproximadamente menos um ponto:

Ao aumentar a exposição para 1/4 seg, a cena está agora superexposta em quase mais um ponto:

Finalmente, ao reduzir a exposição para 1/8 seg, chegamos à exposição correta:

Curiosamente, a X100 não possui os modos de programa (retrato, paisagem, fogos de artifício, comida, bebê, mascote, peixe em aquário etc.), entretanto possui alguns ajustes criativos como a Simulação de Filme que, como o nome sugere, ajusta os tons de cores de diversos modos. Obviamente, os modos coloridos recebe os nomes de marca de  filmes Fujichrome da empresa:

O modo PROVIA reproduz as cores de modo normal e é indicado para uso geral: de retratos até paisagens.

Já o modo VELVIA realça as cores tornando as mais vivas e saturadas sendo mais indicada para fotos de natureza:

O modo ASTIA por sua vez, produz cores menos saturadas que o Velvia o que pode ser desejável em algumas situações, em especial em fotos de pessoas.

No caso de dúvida, a câmera oferece um curioso recurso chamado Simulação BKT Filme, que faz com que ela tire três fotos, uma com cada ajuste de filme.

O modo Monocromático reproduz os tons normais de preto e branco. Nesse caso, alguma cores — azul e vermelho ou laranja e rosa claro — ficam praticamente idênticas.

Para resolver esse problema pode se usar o modo Monocromático com filtro Amarelo (Ye), que aumenta ligeiramente o contraste dessas cores que ficam muito parecidas em preto e branco.

Já o modo Monocromático com filtro Vermelho (R) mexe ainda mais nos tons de cores dos objetos (como a pimenta da cena fica quase branca) assim como escurece o céu, sendo o mais indicado para realçar as nuvens do céu.

Finalmente o Monocromático com filtro Verde (G) é o mais indicado para fotos de paisagem com bastante vegetação por oferecer bom contraste para os diversos tons de verde.

Uma quarta opção disponível é o tradicional modo Sépia:

Fora isso, a X100 possui um sofisticado modo panorama que, ao contrário das técnicas mais comuns que obrigam o usuário a tirar várias fotos em sequência para depois fundi-la em uma única imagem, na câmera da Fuji isso pode ser feito numa única operação bastando para isso pressionar o botão e girar a câmera para direita (ou para esquerda) num movimento constante (sweep), sendo que a câmera automaticamente tira as fotos necessárias e já cria a imagem num panorama.

Note que a câmera trabalha com dois ângulos de abertura: 120 graus

… ou 180 graus:

Interessante notar que esse modo panorama pode também ser aplicado na vertical com a câmera se movendo tanto de baixo para cima e vice-versa. Em ambos os casos o melhor é usar um tripé para alinhar o seu movimento tanto na vertical quanto na horizontal.

Com relação à qualidade de imagem, os resultados nos pareceram bastante consistentes com bom nível de detalhamento mesmo nos cantos da foto:

Abaixo alguns detalhes da imagem acima na sua resolução nativa (100%):

No seu modo normal, a distância mínima de foco da X1oo é a partir de 80 cm até o infinito. Entretanto, ela possui um modo “macro” que foca objetos a partir de 10 cm até 2 metros. Nesse segundo modo o desempenho da sua lente é impressionante…

… principalmente na abertura recomendada de f 8.0:

Nas fotos noturnas, o que mais chama a atenção é a baixa granulação da imagem mesmo com o uso de ISO alto. A imagem abaixo por exemplo, foi tirada com exposição de 1,5 seg/f5.6 a ISO 3200:

Novamente, detalhes da imagem acima na sua resolução nativa (100%):

Assim como a maioria das novas câmeras que tem chegado ao mercado nos últimos dois anos, a X100 também grava vídeos em HD (720p) a 24 quadros por segundo no formato MOV (H.264) e em estéreo e duração máxima de 10 minutos por clipe.

O estranho nesse caso é que, ao contrário da concorrência que chega a colocar um botão específico para iniciar/parar a gravação (com bolinha vermelha e tudo), o modo de gravação fica escondido na última opção do menu DRIVE. A solução nesse caso é usar reprogramar o botão Fn para pelo menos selecionar essa função mas, de qualquer modo, é preciso pressionar o botão de disparo para começar/parar a filmagem.

A boa notícia é que o sistema de foco automático funciona sem problemas durante a gravação (com ênfase para a área central da cena) e a profundidade de campo pode ser controlada pelo anel de abertura da lente (yay!), apesar de que aberturas menores podem comprometer a iluminação da cena (o que pode ser parcialmente resolvido mexendo na ISO). A má notícia é que a função macro não funciona nesse modo.

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Interessante notar que a X100 também grava nos diversos modos de filme, incluindo o preto e branco:

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Nossas conclusões:

Como dissemos no início desse review, para mim mais do que uma câmera a Finepix X100 é uma declaração pública de que a Fuji é uma empresa inovadora e que ainda gosta de fazer as coisas à sua maneira. Isso pode ter seu lado bom quanto o lado ruim.

Do lado bom, podemos afirmar que fiquei impressionado com a combinação de lente Fujinon F 2.0 + sensor APS-C de máquina grande + processador EXR dual core que produziram imagens de excepcional qualidade, mesmo em situações de baixíssima iluminação produzindo imagens com pouco ou quase nenhum nível de ruído (com exceção dos ignorantes modos ISO 6400/12800).

Apesar do conceito de visor óptico com elementos de LCD não ser novo (datando das primeiras Minolta Maxxum de 1993), a implementação dessa tecnologia na X100 (junto com um visor totalmente eletrônico no mesmo local) é algo tão legal que não duvidaria se algum concorrente já não esteja desenvolvendo sua própria versão. Some-se a isso um corpo de metal cheio de sustância, construído como um blindado, com excelente acabamento e estilo singular (para não dizer eterno), temos algo que parece que foi feito para durar bem mais que o último viral da internet ou mesmo do cara que o criou.

Mas como todo produto pioneiro na sua área (e ainda mais na sua primeira versão) não considero a X100 um produto perfeito, mas que pode ser melhorado. Prova disso é a primeira câmera que recebi para testes (com seu firmware meio revoltado) capaz de tirar muito usuário do sério ou a pouca importância que a empresa deu para certos recursos da moda, como a gravação de vídeo que apesar de presente, fica meio escondida na câmera, o que pode até passar a impressão de que nem existe.

Outra ausência por mim sentida é a falta de um sistema ativo (lens-shift ou sensor-shift) de estabilização de imagem (ou IS). A fabricante  afirma que isso não é necessário devido à alta luminosidade da sua lente e ao alto ISO do seu sensor — o que não deixa de ser verdade — mas eu digo que, sem IS a X100 é boa, com IS ela ficaria ainda melhor.

Fora isso, a X100 deverá sofrer concorrência direta de um lado de outras câmeras “de luxo” (como a Lumix LX5, Olympus XZ-1, Nikon Coolpix P7000, Canon G12)  bem mais em conta e equipadas com lentes zoom, e do outro das novas câmeras com lentes intercambiáveis sem espelho (DSLRM) como a Panasonic Lumix GF, Olympus Pen Digital e Sony NEX. Sob esse ponto de vista, a X100 pode até ganhar na qualidade de imagem mas perde alguns pontos em versatilidade.

Assim, qual é o público da X100?  Para mim profissionais, entusiastas e até alguns saudosistas que procuram uma câmera de boa qualidade para uso casual e eventos sociais. O fato dela parecer uma câmera antiga pode ser algo interessante em especial para aqueles que frequentam locais digamos “mais perigosos” ou que gostam de fotografar sem serem muito notados, nesse último caso podemos citar pesquisadores, antropólogos, agentes sociais e até etnografistas que preferem equipamentos menores e menos “ameaçadores” que uma DSLR preta com uma zoom que mais parece um canhão.

E como disse antes, sua lente meia grande angular (35 mm) é a mais indicada para uso casual já que ela serve para paisagens, fotos de grupos e até retratos de pessoas. Ela realmente perde na hora em que queremos registrar um detalhe da cena a uma distância segura (com um objeto na rua, um animal na mata ou mesmo um jogador no meio da quadra). Nesse caso, essa limitação pode até ser contornada selecionando e recortando o que nos interessa no Photoshop.

De um certo modo, adquirir uma X100 é como adotar um cachorro: no abrigo ele é tudo de bom e fofinho, mas só quando trazemos ele pra casa é que descobrimos que ele possui alguns traquejos e manhas que devemos nos acostumar até sofrendo um pouco. Mas quando conseguimos chegar num ponto de equilíbrio e harmonia, a nova Finepix poderá até ser uma grande paixão e um companheiro fiel e divertido que irá acompanhá-lo por anos a fio e sem o risco de arruinar a sua cama ou o seu tapete quando ele estiver sozinho e estressado.

Resumo: Fujifilm Finepix X100

O que é isso? Câmera digital topo de linha para uso casual e social.
O que é legal? Visual retrô, excelente qualidade de imagem, visor híbrido.
O que é imoral? Lente é fixa e não é zoom, não aceita filtros (a não ser com o uso de acessório opcional), interface com o usuário pode ser melhorado.
O que mais? Filma em HD, oferece suporte para RAW. Todos os acessórios estarão disponíveis no Brasil.
Avaliação: 7,9 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 4.999
Onde encontrar: www.fujifilm.com.br

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • @justdu 17/07/2011, 22:14

    Achei linda mas com um preço imoral. Por esse preço se compra uma boa DSRL

  • hugosilva 18/07/2011, 11:19

    Tempo mais felizes… Desde quando esperar pra revelar um filme era sinônimo de felicidade?

    • mnagano 18/07/2011, 12:09

      E quem está falando de revelar filme?

      Naquele tempos “felizes” poluição, aquecimento global e buraco de ozônio eram delírios de eco chato, água era um recurso infinito, Batman era bonzinho e o governo iraniano aliado nos americanos. Podia-se fumar em qualquer lugar, a molecada podia brincar sozinho na rua ou no terreno baldio do bairro sem ter receio de acabar no dia seguinte dentro de um saco de lixo. Fora o fato de se formar na faculdade era sinônimo de emprego garantido e uma vida tranquila para o resto da vida.

      Ah sim, naquela época nossa seleção de futebol também não errava quatro penaltis em seguida em qualquer partida, mesmo se fosse jogo de botão.

      Ahhhh… Happy times indeed.

      • rubens 18/07/2011, 15:54

        Sem contar que você só descobria se acertou mesmo a mão na foto na hora da revelação/ampliação.
        Descobrir que a foto ficou boa já na primeira emulsão era só alegria. 🙂

        Hoje em dia que é fácil demais :p

      • Dorival 18/07/2011, 19:08

        Nagano San, você tem toda a razão. Só complementando, o pessoal saía da faculdade sabendo ao menos a teoria.
        Ah, e no tempo dos filmes em película, a quantidade de fotos era limitada, o que obrigava a ser bastante seletivo na hora de tirar uma foto. Hoje, com cartões de memória de zilhões de megas e gigas, as fotos foram banalizadas…

        É, bons tempos aqueles…

        • mnagano 18/07/2011, 19:25

          E isso sem falar que tenho fotos de negativos da época dos meus avós que estão perfeitamente preservados, enquanto que as zilhões de imagens digitais que tirei aqui pro Ztop irão com certeza, durar até a próximo crash de disco do meu servidor, ficando elas literalmente na memória

          (pun intended).

        • Marcelo 22/09/2011, 15:05

          Concordo contigo em gênero, número e grau. Hoje em dia, as fotos são completamente banalizadas. Qualquer um tira qualquer coisa. De gente acidentada (mau gosto) até bobeira da bobeira que nem nas lembranças ficarão. Mundo moderno, porém lamentável.
          Saudades daqueles tempos…

  • Fabiano_js 18/07/2011, 11:59

    Excelente review.
    O preço da câmera? Ridículo!

  • dflopes 19/07/2011, 09:20

    se não fosse o preço, os acessórios proprietários e a UI esquisofrenica (quer ser analogica, mas não pode deixar de ser digital), ela PODERIA ser uma boa compra.

    Gostei muito do equipamento. Meu pai tinha uma olympus da primeira foto, e gostava de brincar com ela (qdo ele não estava vendo, é claro).

  • João 15/11/2011, 14:55

    Olá pessoal da ZTOP, estava procurando post`s da X10, quando achei vc`s, achei os tops ótimos, tanto da X10 quanto da X100.
    Acabei de receber a minha X100 direto de NY, uma amiga trouxe par mim, lacrada e com nota fiscal de lá, US$ 1.299,00 + imposto.
    Até aí tudo bem, não via a hora de começar a usar a "Danada", no início tudo bem, mas quando comecei os testes percebi que ela apresenta algumas estranhezas, no modo "P", tudo bem, mas quando coloco nos outros modos de fotografar, "A", "S" ou "M", a coisa muda de figura. A câmera se comporta com se estivesse sempre na abertura máxima"f-2,0", mesmo que eu, mude a abertura para uma abertura menor, f-11, em modo "A" por exemplo, o display mostra uma nova velocidade compatível, porém o display fica muito claro (como se fosse uma sobreexposição) totalmente fora da composição correta, e a foto também fica clara como mostrado no display. Isso se repete para os outros modos de fotografar, menos o "P".
    Já reiniciei a maquina via menu, sem successo, chequei o versão do firware, é a "V-1.11", conforme procedimento do manual
    Não fosse por isso, seria o cara mais feliz do mundo de posse da minha X-100, já cliquei varias vezes e as fotos são realmente ótimas, mas sempre em modo "P", não foi pra isso que comp[rei a "Danada", fotografo a mais de 30 anos, já fui dono de uma Olympus TRIP, faz tempo, foi a minha primeira maquina.
    Sei o quê estou falando, pois já fotografei muito, fiz até fotos de lembranças escolares, lembram, aquelas no albinho com as fotos do aluno sózinho e da turma com o professor(a), bons tempos, eventos sociais e muitas fotas da família.
    A minha esperança é que voces possam me ajudar, pois não tenho como enviar a câmera para NY. Teria como entrar em contato com a Fuji e explanar o meu problema, já que a "Danada" é ZERADA, NÃO DÁ PARA ACEITAR UMA CÂMERA NA ÚLTIMA VERSÃO TER UM "BUG" DESTE TAMANHO.

    • mnagano 15/11/2011, 15:22

      Tente esse endereço no site da Fuji Brasil:

      Serviço de Atendimento ao Consumidor: 0800-7706627

      Telemarketing FUJIFILM: 0800-128600

      MATRIZ:
      FUJIFILM do Brasil Ltda.
      Av. Vereador José Diniz, 3400
      São Paulo-SP 04604-901

      FÁBRICA:
      Av. Desembargador João Machado, 700
      Manaus-AM 69044-000

      http://www.fujifilm.com.br/contato/telefones_ende

      • João 15/11/2011, 20:52

        Oi Mario, boa noite, obrigado pela dica vou tentar um contato amanhã mesmo, pois não queria ficar desapontado com o investimento deste porte. Att. João.