Review: Asus Zenfone 5

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Existe um espaço interessante para aparelhos intermediários no mercado brasileiro de smartphones. O novo Asus Zenfone 5 se encaixa direitinho nele.

O consumidor médio brasileiro de smartphone  – na estimativa média do que entendemos por “quem quer comprar um espertofone” tem como objeto de desejo os superfones (Galaxy S5, Xperia Z2, LG G3, Moto X, iPhone 5/6, Lumia 930 etc).

Na prática, a conta não fecha (aparelhos são mais caros/não cabem no orçamento ou, se têm preços reduzidos, são associados a planos igualmente caros) e a opção cai em:

1. Comprar um aparelho de entrada (com preço na faixa dos R$ 400), passar raiva e gastar mais dinheiro depois em um aparelho intermediário. Esse é o risco da faixa de mercado de quem migra do celular convencional para o primeiro smartphone: a decepção com tela, bateria, desempenho. Exemplos baratos e que vendem muito não faltam: grande parte da linha L3 da LG, todos da Positivo, o Moto E, vários Galaxy baratinhos (e é aí que o bicho está pegando pra Samsung, mas isso é outra história).

2. Partir para um aparelho intermediário, como o novo Moto G, um Samsung Galaxy Gran Duos (e variantes), um LG L3 Prime e diversos outros modelos com tela maior, mais RAM, processador mais rápido e uma câmera razoavelmente melhor, na faixa dos R$ 600-800. Por que o intermediário vende? Porque promete, na maioria das vezes, um desempenho parecido (mas não maior) que os grandes topo de linha, com um preço mais em conta e que não precisa ser associado a um plano pós-pago de operadora.

O sucesso do Moto G no último ano me lembra bastante o que aconteceu com o Galaxy S2 Lite em meados de 2012. Era um Galaxy (êee), era um S2 (êeee!) e era… Lite. Tinha nome, fama e preço em conta, vendeu que nem pãozinho quente.

Acreditamos que o Asus Zenfone 5 se encaixa bem na segunda definição.

Zenfone 5

Trata-se de um aparelho de tela grande, bons recursos, câmera interessante (e até surpreendente em alguns momentos por conta da captura em baixa luz) e com preço interessante na configuração que avaliamos (modelo A501CG), equipado com tela de 5 polegadas HD, processador Intel Atom Z2560Clover Trail + de 1,6 GHz com aceleradora gráfica PowerVR SGX 544MP2, 2 GB de RAM (yaaay!) e 8 GB internos (expansíveis com cartões microSD).

Zenfone_5_CPUZ_1

Ele tem entrada para dois SIM cards padrão de fábrica, o que o deixa pronto para uso com qualquer operadora (de novo, a questão do “sem laços”).

Zenfone 5

O Zenfone 5 também tem uma versão com 16 GB de armazenamento interno, e seu irmão Zenfone 6 (com tela de 6″) também será vendido (e fabricado) no Brasil. Tem ainda uma versão mais simples, também com 8 GB internos e processador Atom de 1,2 GHz mais em conta (preço sugerido: R$ 599, com promoção de lançamento por tempo limitado por valor sugerido de R$ 499, só na loja online da Asus). Todos os Zenfones vendidos no Brasil vêm com 2 GB de RAM.

Já fizemos um longo hands-on mostrando detalhes de hardware e de software do Zenfone 5 e não vamos voltar nesse ponto.

O mais interessante nesse momento para a gente agora é entender como o processador Intel Atom dentro do Zenfone 5 se comporta.

Motivos? A Intel perdeu o bonde da história em mobilidade para Qualcomm, MediaTek e vários outros fabricantes de silício. Demorou a responder ao crescimento – principalmente da Qualcomm, que domina os Androids topo de linha – da concorrência e tentou apostar em tablets, híbridos e ultrabooks (que até vão bem, financeiramente falando).

Pelo menos a Intel achou parceiros interessados em botar seus chips em novos aparelhos – como a própria Motorola com o Razr i (que teve um jumbo de dinheiro de marketing e vendeu muito pouco, pelo que sabemos), e sua velha e boa parceira de hardware, a ASUS – e todos os Zenfone vendidos por aqui vêm com o selinho ‘Intel Inside’.

O que gostamos no Zenfone 5?

A câmera de 8 megapixels (exemplos aqui):

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Sua tela grande de 5″ com a mesma densidade de pixels do novo Moto G (por sinal: 294 pontos por polegada)  – aqui ao lado do Razr i, da Motorola (4,3″):

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E a interface ZenUI, que tem detalhes e sutilezas interessantes, sem mexer muito com a cara do Android (já no 4.4, por sinal)

…como pequenos apps integrados que ajudam a vida (como o limpador de memória):

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O que não gostamos no Asus Zenfone?

  • O aparelho segue um padrão antigo de fabricação Android com os botões virtuais ocupando uma parte física da tela (hoje, em smartphones mais novos com Android, esses botões somem de acordo com o contexto)
  • GPS ocasionalmente falha (mas esse problema foi aparentemente resolvido com o update para o Android 4.4.2 KitKat)
  • E, óbvio, a ausência de 4G (mas o preço/categoria de produto não justifica, de qualquer modo).

Desempenho

Na falta de um concorrente Intel Atom atual (já que o Motorola Razr i é de 2012), decidimos rodar os benchmarks padrão de testes do ZTOP no Zenfone 5 (já atualizado para o Kitkat 4.4.2) em comparação com um concorrente da mesma faixa de produto/preço: o Motorola Moto G (Qualcomm Snapdragon 400 quad-core de 1,2 GHz, 1 GB de RAM, 16 GB internos).

Sim, sabemos que é um x86 rodando Android (otimizado pela Intel) contra um ARM, e os benefícios/contrapontos são claros nos números – que acabam sendo bem parecidos:

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O que os números significam:

  • Em desempenho bruto – pensando que o Android lida com multitarefas simultaneamente – os resultados são bem parecidos no geral. Agradeça aos 2 GB de RAM internos do Zenfone 5, que dão mais agilidade ao produto –  e sempre seguimos e indicamos o mantra “em Android, quanto mais RAM melhor”.
  • No que se refere a capacidade de processamento, na prática, a velocidade do chip (em GHz) acaba compensando mais do que mais cores nos testes de navegador (Vellamo HTML) e desempenho geral (Vellamo Metal, Antutu).
  • As aplicações que foram mal no Zenfone 5 são aquelas que usam múltiplos cores simultâneos: apesar do Atom dual-core de 1,6 GHz com multithreading, um Qualcomm quad-core de 1,2 GHz vai mais rápido (vale notar que o benchmark Vellamo é produto dos laboratórios da própria Qualcomm).
  • Em desempenho gráfico, o Zenfone 5 com GPU PowerVR SGX 544MP2 bateu a Adreno 305 do Moto G. Por serem smartphones intermediários, nenhum deles estourou a pontuação do 3DMark comum aos smartphones topo de linha.
  • Bônus de ter menos núcleos é ter mais eficiência energética (não rodamos no Moto G, mas o Zenfone 5 chegou a 11,1 horas no Battery XPRT com Wi-Fi ligado/12,5 horas com modo avião). A bateria do Moto G (2070 mAh) chega a 24% no final de um dia de uso intenso (3G, ligações, redes sociais, GPS etc). A do Zenfone 5 (2110 mAh) chegou ao final do dia com 30% – dá para dizer que com ambos você chega em casa à noite com alguma carga ainda.

Nossas Conclusões: 

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O Asus Zenfone 5 é um produto muito interessante e cheio de atrativos, com destaque para a sua excelente apresentação e acabamento, seus 2 GB de RAM (contra os 512 MB~1 GB da concorrência), câmera digital com sensor BSI CMOS da Sony, vidro Gorilla Glass 3, nova interface com o usuário (realmente útil e amigável), design moderno, rádio FM e suporte para Dual SIM e slot para cartão microSD de até 64 GB.

Observamos porém que o consumidor não deve se esquecer que o Zenfone 5 é um modelo midrange ou intermediário — ou como a própria Asus gosta  de dizer, “Affordable Luxury” — que pode não oferecer alguns recursos que alguns podem achar que são “padrão de mercado” ou mesmo “direito adquirido” — e que a gente só sente falta quando realmente precisamos deles. Um bom exemplo é o teclado “físico” do Zenfone 5 (os botões virtuais) que a gente só descobre que não acende quando estamos no escuro, ou a ausência do NFC e do 4G.

Assim, se o comprador estiver ciente das suas limitações e o produto atender as suas necessidades, o Zenfone 5 é uma ótima opção a ser considerada na sua faixa de smartphone intermediário. É um bom produto, com preço na faixa dos seus concorrentes, e que entrega o que promete.


Resumo: Smartphone Asus Zenfone 5

O que é isso? Smartphone intermediário com Android 4.4.
O que é legal? Tela grande, câmera rápida, slot para cartão de memória, dois SIM cards nativos. Boa qualidade de ligações, bom desempenho, interface interessante com modificações.
O que é imoral? Falta conectividade LTE/4G. Não tem TV digital integrada, som mono.
O que mais?  A empresa também anunciou uma versão do Zenfone 5 com processador Atom de 1,2 GHz, 2 GB de RAM e 8 GB de armazenamento interno por R$ 599. Nosso palpite é que ele pode ter sido lançado no lugar do Zenfone 4 como opção de entrada no Brasil. Já o Zenfone 6 chega apenas em dezembro por R$ 999.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 649 (com Intel Atom 1,6 GHz/8 GB internos) / R$ 699 (Intel Atom 1,6 GHz/16 GB internos)
Onde encontrar: Asus

 

 Ainda em tempo I:

Uma dúvida que temos observado entre os interessados em adquirir esse smartphone é onde encontrar a versão do Zenfone 5 de 1,2 GHz, a de 16 GB de armazenamento interno e o Zenfone 6.

Segundo Marcel Campos, diretor de marketing e produtoda Asus Brasil e chapa deste Ztop, apenas o Zenfone de 1,6 GHz/8 GB de armazenamento está disponível desde a data do lançamento (15/out). 

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Já as versões com 16 GB de armazenamento e a com processador de 1,2 GHz chegarão ao mercado em meados de novembro. Esse lote também inclui a edição comemorativa de R$ 499 para os que se cadastraram no dia do lançamento e estão recebendo um voucher que dá direito ao desconto quando o aparelho chegar na loja da Asus.

Já o Zenfone 6 deve chegar apenas em dezembro em tempo para as vendas de Natal.

Ainda em tempo II:

A Asus confirmou hoje (20/out) uma informação que já tínhamos ouvido não oficialmente de que o Zenfone 5 também será atualizado para a nova versão 5.0 “Lollipop.

Segundo o comunicado da empresa “A atualização de sistema operacional está prevista para o 1º semestre de 2015, após o lançamento oficial do Android 5.0 e seu processo de homologação técnica por parte da equipe de desenvolvimento de software da ASUS, em Taiwan.

Essa informação vem de encontro com uma declaração feita pela Intel durante o último IDF 2014 de liberar para seus desenvolvedores/parceiros de negócios a versão mais atualizada do Android já portado para x86 em torno de 2 semanas após o lançamento oficial do Google.

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Doug Fisher da Intel garante!

Resumindo: Se a ausência do Lollipop era motivo de apreensão para os atuais e futuros usuários do Zenfone 5, agora já podem relaxar e esperar tranquilos pela atualização — apesar de que, para mim, isso é um pouco de paranóia, diga-se de passagem.

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