Review: Asus ZENBOOK UX31E (parte 1: por dentro e por fora)

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Primeiro Ultrabook da Asus combina um belo design, tecnologia de ponta e alguma polêmica com uma certa fabricante com nome de fruta.

Passado o Editor’s Day da Intel e o anúncio dos primeiros Ultrabooks a chegarem ao mercado nacional, estava aqui na Zumo-caverna pensando em maldades quando chegou um pacote da Asus contendo um ZENBOOK, a versão final de um portátil que fez sua primeira aparição pública na Computex 2011 e cuja versão de 12 polegadas — o UX21E — posou para este ZTOP no mês passado.

Só que a versão que recebemos da Asus Brasil (hi Guido!) foi o ZENBOOK UX31E, um modelo ligeiramente maior com tela de 13,3 polegadas (contra 11,6 do UX21E) e que, por causa disso, é 2,6 cm mais largo, 2,7 cm mais longo e 200 gramas mais pesado. Fora isso (e o preço), suas especificações são praticamente idênticas.

Para quem não sabe — ou não leu com atenção nosso post com Mooly Eden (shame, shame, shame) — o UX21/31 fazem parte da primeira geração de Ultrabooks da Intel — codinome Huron River — que incorpora novas soluções e tecnologias de componentes que permitiram chegar a um portátil extremamente fino (menos de 1,8 cm de espessura, sem contar os pezinhos é claro).

Apesar disso — na minha opinião — o Huron River não deixa de ser um pouco mais do mesmo. Em termos práticos, fora o fato de ele ser extremamente leve e fino (algo que já existe no mercado faz tempo), não deixa de ser um computador portátil com a tela montada na tampa, teclado e touchpad na base e portas de som e USB nas laterais. A diferença sim fica por conta da sua excelente apresentação, acabamento primoroso e a evolução da tecnologia que permite hoje colocar o desempenho de um notebook de linha num corpinho de ultraportátil, o que não é algo ruim, diga-se de passagem.

Medindo 32,5 x 1,7 x 22,3 x 1,7 cm (LxAxP — contando os pezinhos) e 1,41 kg de peso (ou 1,82 kg com a fonte e todos os acessórios inclusos), o ZENBOOK lembra muito o Macbook Air com seu belíssimo gabinete todo em metal escovado…

Mas, ao contrário do modelo da empresa com nome de fruta, o UX31E adota um diferente padrão de cores a começar pela cobertura traseira do monitor LCD, que possui um tom de cinza mais escuro que contrasta bem com o prata da sua base com teclado. Observamos, porém, que dependendo da maneira como a luz incide nessa superfície, esse tom pode variar passando até a impressão de que ele é todo prata.

Outra curiosidade desse desenho é que o designers da Asus foram bastante criativos em fazer com que as bordas do gabinete (em especial na sua base) possuam contornos suaves que terminam em um canto bem fino, como vemos na borda de um pastel de feira.

O resultado disso é uma ilusão de óptica que passa a impressão de que o UC31E é bem mais fino do que ele realmente é, com uma frente de apenas 3 mm de espessura e uma traseira de 10,1 mm (contando a borda na tampa do monitor). Sob certos pontos de vista ele ele até parece flutuar no ar.

Mas como era de se esperar, uma das desvantagens desse design é que o número limitado de portas de entrada e saída que podem ser instaladas. No lado direito podemos, ver a partir da esquerda, uma pequena luz de liga/desliga, uma saída HDMI micro, uma mini-VGA, uma porta USB 3.0 (yay!) e a entrada do adaptador de rede elétrica.

Do outro lado temos uma porta USB 2.0, saída de som/fone de ouvido e slot para cartão SD/MMC. Aparentemente a saída de som não incorpora entrada de microfone, o que impede o uso de headphones para falar via Skype, por exemplo.

O seu teclado é grande, espaçoso e relativamente confortável e, no nosso caso já veio com layout em português padrão ABNT2. Ao contrário de outros fabricantes, o layout das teclas de função segue o padrão mais tradicional, com as teclas F1~F12 como função principal e a presença das teclas de Pause/Break, Print Screen e até Sys Req.

Para um produto na sua faixa de preço, sentimos falta de um teclado retroiluminado, mas depois da nossa (má) experiência com o teclado do Dell Adamo, achamos que implementar esse recurso em teclas na cor prata seria pior do que não ter nada, a não ser que a Asus decida mudar as cor das teclas para preto com letras brancas.

Outra curiosidade que vimos nesse sistema é a adoção de um novo padrão de cores para o selo de identificação do processador Intel e do Windows 7, que ficou mais sóbrio e mais elegante. Algum motivo especial além disso? Não sabemos (ainda).

E um selo de garantia da Asus Brasil traz as informações sobre suporte local.

Assim como outros portáteis que temos analisado recentemente, o UX31E vem equipado com um generoso touchpad multitoque com área útil de 10,5 x 7,1 cm (LxA), o que inclui a área de pressão do botões de clique delimitados por uma linha vertical na sua base.

Logo abaixo das teclas de direção existe uma legenda que informa que o sistema de som desse portátil — batizado de ICEPower — foi projetado em parceria com a Bang & Olufsen (mais sobre isso adiante).

Uma sacada muito interessante que vimos neste teclado é o uso de LEDs brancos para indicar o estado do Caps Lock e da interface Wi-Fi (ligado/desligado) — simples e prático.

Curiosamente esse é o primeiro portátil que já passou por este ZTOP que vejo o botão de liga/desliga integrado ao layout do teclado e ainda por cima vizinho de duas teclas bem usadas — o Delete e o Backspace. Observamos que essa tecla de liga/desliga é tão macia quanto as outras o que pode levantar suspeitas — ou até mesmo o medo — de que ela pode ser pressionada acidentalmente por alguém mais descuidado. O que posso dizer é que, durante todo o período de testes, nunca pressionamos esse botão acidentalmente — talvez por ele ser relativamente pequeno e ficar bem no canto do teclado — de modo que esse “receio” pode ser meio exagerado. Mas só o tempo dirá se isso é realmente um problema ou não.

E falando de luzes de estado, outra sacada interessante do pessoal da Asus é o seu conector da fonte de alimentação, que possui um pequena luz verde de ambos os lados.

Até ai nada demais. O que realmente me chamou a atenção é que essa luz também indica o estado da bateria: quando esta sendo recarregada a luz fica laranja, voltando para o verde quando completata — nice!

Para mim um dos destaques desse equipamento é sua tela LCD/LED de alto brilho (450 cd/m²) com resolução nativa de 1.600 x 900 pixels, bem melhor que os modelos de 1.366 x 768 pixels adotado por exemplo pelo ThinkPad X1 ou mesmo no Samsung Série 9 (agora promovido a Ultrabook depois de uma atualização de plataforma). Como era de se esperar de um produto voltado para o consumidor final, sua tela é do tipo de alto contraste sem tratamento anti-reflexivo.

Acima dela podemos ver sua webcam de 0,3 megapixel e microfones estéreo do tipo MEMS, uma técnica onde o captador de som (diafragma) é montado (ou mais exatamente esculpido) diretamente na pastilha de silício integrando-se melhor aos sistemas digitais existentes ao seu redor.

Interessante notar que nos protótipos do UX21/31 era bem difícil abrir a máquina devido à falta de um ponto de apoio na tela, ao ponto de termos vontade de usar uma faca para abrir ostras. Felizmente, os engenheiros da Asus redesenharam a tampa para que ela recebesse uma espécie de aba, que permite agora levantar a tela com mais facilidade.

Como dissemos acima, o gabinete do UX31E é todo em alumínio. A tampa superior possui um curioso acabamento “escovado” formado por milhões de minúsculos riscos concêntricos gravados sobre a superfície que irradiam de dentro para fora – e reza a lenda que a Asus desenvolveu um maquinário especialmente voltado para criar esse acabamento sobre uma superfície curva.

Já a sua base também em alumínio recebeu um acabamento mais convencional com “linhas retas”, sendo que essa peça se encaixa perfeitamente sobre a base do teclado sem formar nenhum ressalto ou coisa do tipo.

Interessante notar que essa base pode ser facilmente removida com o uso de uma ferramenta apropriada.

Para nós, acostumados em ver notebooks por dentro, é impressionante ver que a placa-mãe ocupa menos de um terço do espaço disponível do interior desse portátil…

…  entretanto o que é de realmente de cair o queixo é ver que esse design interno lembra — e muito — a usada no Macbook Air (embaixo).

(Crédito da imagem: Ibazzaar)

Isso me faz pensar até onde a Intel ajudou no desenvolvimento do Air ao ponto da Apple (e seu exército de advogados) ainda não terem pulado com os dois pés em cima da Asus com um processo pelo desenvolvimento do ZENBOOK UX. Observamos, porém, que o desenho da placa-mãe da Asus é muito parecida, porém não é exatamente igual ao do pessoal com nome de fruta o que pode ser um sinal de que a Asus aplicou alguns toques pessoais no seu projeto.

Henrique comenta: Não acho coincidência não. Acredito que a Apple ajudou a Intel a desenvolver a plataforma com exclusividade de uso por um ano antes de liberar para outros fabricantes. Não que Apple ou Intel vão confirmar isso, mas é uma boa teoria da conspiração. 

Um bom exemplo é seu sistema de circulação que utiliza uma grade em “V” na base do monitor que aumenta o fluxo de ar no interior do portátil…

… que combinado com um cooler relativamente simples (cujo trocador de calor é feito com uma liga de cobre e berílio) proporciona uma dispersão mais eficiente do calor interno.

Ao remover esse componente podemos ver o novo processador móvel Intel Core  i7 2677M “Ultra” dual core de 1,8 GHz (até 2,9 GHz no modo turbo) e 4 MB de cache L3. Segundo o pessoal de Santa Clara, a principal característica desses processadores “Ultra” é seu TDP máximo de apenas 17 watts. Fora isso, a Asus também oferecerá o UX31E na versão com Core i5 2557M “Ultra” de 1,7~2,7 GHz e 3 MB de cache L3.

Interessante notar que o Huron River utiliza processadores Core ix de segunda geração, mas a previsão é que o seu sucessor — codinome Chief Bridge — já utilize chips “Ultra” já baseados no Ivy Bridge de 22 nm/de 17 watts, incluindo versões mais simples como o Pentium e Celeron.

Outra característica marcante deste chip é o seu encapsulamento especial (aparentemente o mesmo que a Intel fornece para a Apple) bem menor e que ocupa muito menos espaço que os Core ix Mobile de linha, como o que vimos no Positivo Premium N8660 (abaixo). A diferença de cor do modelo de cima é por causa de um filme protetor laranja colocado sobre o chip, talvez para protegê-lo de alguma coisa.


Ao lado do processador podemos ver o chipset Intel QS67 Express — uma versão compacta da chamada Série 6 (codinome Cougar Point) igualmente compacto e especialmente desenvolvido para uso em notebooks leves e finos:

Além do encapsulamento menor e dimensões compacta, ele incorpora diversos recursos e tecnologias da casa como o Intel vPro, Intel Anti-Theft Technology (Intel AT), Intel Wireless Display, suporte nativo para reprodução de discos em Blu-Ray e SATA 3.0 com suporte para Intel Rapid Storage Technology (Intel RST) e RAID.

 

Segundo a Asus, um dos destaques desse produto é o uso de um disco SSD já equipado com interface SATA 3.0. No caso do X31E a empresa oferece versões com de 128 e 256 GB, sendo que o modelo analisado veio com esta última opção, um Sandisk SDSA5JK-256G:

A plaquinha de rede Wi-Fi 802.11n também foi outra surpresa uma plaquina de apenas 2 cm de altura (contando o conector) que, segundo o painel de controle, é baseado em um chip AR9485WB-EG da Qualcomm Atheros.

E a memória RAM? Segundo o site da Asus, os UX31E vêm com seus chips de memória SDRAM — no nosso caso, 4 GB DDR3 1.333 MHz — soldadas diretamente na placa-mãe. Como não vimos nada parecido com chips de memória na placa, acreditamos que eles estão na parte de baixo da placa-mãe ou mesmo embaixo do disco SSD. Não pudemos verificar essa última possibilidade porque o seu parafuso de fixação estava protegido por um lacre de garantia.

Outra sacada curiosa desse desenho é que, para ganhar espaço, uma pedaço da placa-mãe é separado da parte principal permitindo assim que a ventoinha do cooler possa ser montada entre elas no mesmo nível. Para uni-las, a fabricante utiliza um flat cable que funciona como uma espécie de ponte por onde os sinais elétricos podem trafegar de um lado para outro.

Para viabilizar o desenvolvimento de notebooks tão leves e finos, a Intel incentiva o uso das chamadas de baterias prismáticas, cujo formato pode ser na forma de tabletes ou placas, ao contrário dos modelos atuais cujas células são cilíndricas e que, por causa disso, o seu diâmetro não pode ser menor que um tamanho limite. No caso do UX31E, a bateria tem realmente a forma de uma fina placa de 29 x 13,5 cm.

Segundo a Asus, essa bateria de polímero de ions de lítio modelo C22-UX3 parece ser (se usarmos a bateria do Macbook Air como referência) um módulo de quatro células prismáticas de 7,4 volts e capaz de fornecer uma corrente de 6.840 mAh ou 50Wh.

Ao levantar a bateria, pudemos ter uma boa visão da base do teclado — fundida em uma única peça de alumínio — que proporciona uma excelente rigidez estrutural desse portátil.

Ao levantar a bateria também podemos ver o módulo do touchpad…

… e as caixinhas de de som com tecnologia SonicMaster e desenvolvidas por meio de uma parceria entre a Asus e a Bang & Olufsen.

Interessante notar que esses módulos (um para cada canal estéreo) possuem um alto-falante montado numa espécie de caixa de ressonância na forma de L que, segundo a Asus, proporciona um som mais rico e quatro vezes mais potente que os Ultrabooks da concorrência sem mexer no tamanho ou peso do gabinete.

Entre os acessórios que acompanham o UX31E estão a sua pequena fonte de alimentação modelo ADP-45AW com entrada bivolt (100~240 volts CA) e saída de 19 volts CC x 2,37 ampéres.

Ah sim, e se você estava curioso em saber aonde a Asus colou o selo de licença do Windows 7:

Uma sacada interessante desse adaptador é que seu plug de tomada (já compatível com o novo padrão nacional) pode ser removido do módulo principal…

… e no seu lugar podemos encaixar um cabo de força padrão de dois fios muito usado em outros eletrônicos de consumo, como fontes de alimentação, recarregadores de pilhas etc.

Fora isso, a Asus inclui no pacote dois acessórios muito úteis e uma bolsinha que só permite guardar um deles (boo!):

O primeiro é um adaptador Ethernet para USB para ligar o UX31E a uma rede cabeada. O que não gostamos dessa solução é que esse adaptador é do tipo Fast Ethernet (10/100 mbps) e não Gigabit Ethernet (10/100/1000 mbps).

Acredito que a Asus incluiu esse acessório mais como desencargo de consciência ou quebra-galho, já que a idéia desse produto é que o usuário se conecte sempre a redes Wi-Fi. Entretanto, achamos que muitos ainda optam por utilizar a rede cabeada devido à sua maior velocidade e confiabilidade, de modo que uma porta Gigabit cairia muito melhor que essa Fast oferecida pela Asus. E se o gargalo do trafego estiver na porta USB 2.0, tem uma USB 3.0 dando sopa do outro lado.

Outro acessório ainda mais interessante é um adaptador mini-VGA para SVGA padrão de 15 pinos. Apesar de meio arcaico para os padrões atuais, essa saída ainda é muito útil para profissionais e educadores que precisam conectar seus portáteis a projetores multimídia, sendo que muitos deles só contam com essa interface analógica, um problema por sinal que infernizou muitos usuários do Samsung Série 9.

A Asus também inclui no seu pacote uma capa de transporte do tipo envelope de excelente qualidade e acabamento feita com uma espécie de lona de nylon super resistente e detalhes em couro marrom.

Interessante notar que essa capa é forrada internamente com veludo e possui algum tipo de reforço frontal que impede que ela dobre. A aba possui um botão magnético que a mantém fechada.

Finalmente o produto também vem com uma pequeno envelope de papel cartão…

… que contém a documentação do produto (toda em português) e uma fita de velcro para amarrar o cabo de alimentação.

Na segunda parte desse review: Alguns utilitários realmente úteis, testes de desempenho e nossa avaliação final. Fiquem ligados.

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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