Review: Asus Slider SL101

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Com o Transformer, a Asus conseguiu dar uma nova roupa ao formato tablet com um teclado destacável. O Slider leva essa ideia um pouco adiante, com o teclado integrado ao aparelho com Android 3.1.

Nas especificações técnicas, o Slider é a mesma máquina que o Transformer: tela de 10,1″ multitoque, processador NVidia Tegra 2, 1 GB de RAM, 16 ou 32 GB de armazenamento, Wi-Fi, Bluetooth, câmera traseira de 5 megapixels/dianteira de 1,2 megapixel, saída HDMI, leitor de cartão microSD e suporte a Flash.

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A grande diferença é o peso (680 gramas x 960 gramas no Slider, por conta do teclado) e a adição nativa de uma porta USB 2.0 (que só está presente na dock adicional do Transformer, que conta com dois desses conectores).

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No desempenho (mais abaixo), os números também são parecidos. Aqui, o Slider fechado, quando parece um tablet convencional (e esse formato uniforme pode confundir um pouco na hora de encontrar os botões laterais).

E com o teclado aberto. Note que ele força o usuário a tocar a tela para selecionar itens, já que não tem touchpad (como seu irmão Transformer na dock opcional) ou trackpad (como o teclado opcional do Lenovo ThinkPad Tablet). É uma mudança que fará os consumidores levar um tempo para se adaptar a interagir com teclado e tela.

Na parte traseira, com acabamento emborrachado, a câmera de 5 megapixels.

Na lateral esquerda, o leitor de microSD, um botão de reset (fácil de encostar e desligar a máquina…), controle de volume e o botão de liga/desliga.

Na traseira, a saída HDMI e o conector do cabo USB/energia.

Finalmente, do lado direito, a porta USB 2.0 e o encaixe para fones de ouvido padrão 3,5 mm.

A comparação de telas: 10,1″ wide  (1280 x 800) do Slider com a de 9,7″ (1024 x 768) do iPad 2. A tela do Slider, vale lembrar, tem proteção contra riscos.

O teclado fica escondido abaixo da tela. Por meio de uma ranhura na parte traseira do tablet, você levanta a tela, que fica suspensa a um ângulo bom para ler e digitar. Esse ângulo da tela também é útil para ver vídeos, já que não é preciso apoiar o tablet em almofadas ou outros improvisos. Para fechar, basta empurrar a parte superior da tela para baixo (não se assuste com o ruído mecânico do processo).

A unidade de testes, apesar de estar com o teclado em inglês, já veio com software em português para acentuação. E, apesar da facilidade e do possível aumento de produtividade com um teclado embutido, o tempo de resposta não é lá dos melhores, com milissegundos de atraso entre pressionar a tecla (com força) e ver a letra na tela.

Para a felicidade do Nagano, o teclado tem um indicador de Caps Lock (!).

Nagano comenta: Cumequié? — Luz de Caps Lock? — Yaaay!

 

O software incluso no Asus Slider também não difere muito do que já vimos no Transformer: Launcher, MyLibrary, MyNet, MyCloud, File Manager em comum, e já vem também pré-instalado com Kindle, Zinio, PressReader e o pacote Polaris Office. A versão do Android utilizada é a 3.1, embora a Asus diga em seu site que a 3.2 pode ser instalada na máquina.

 

E deu para perceber algo novo no Android Market: finalmente existe uma divisão para aplicativos para tablets (yay!).

Mas são apenas “69 resultados”, incluindo vários apps mal-traduzidos que são “guias de apps” sobre temas diversos…

… a maioria é sobre esportes (veja o texto abaixo de fazer professor Pasquale corar), mas também estão ali guias de pornografia (!).

Já na questão de multimídia, o Slider se mostrou impecável ao reproduzir vídeos em 480p (em AVI)…

E também em 720p (também em AVI) – e direto de um pen drive, sem engasgos. Agradeça ao Dice Player e ao novo codec do app para Tegra 2  – roda inclusive vídeos com legendas.

O navegador padrão do Slider rodou sites em Flash sem nenhum problema em nossa seleção padrão (We Choose the MoonMoodstreamMonofaceWaterlifeLouis Vuitton Legends e Marc Ecko). Como ocorreu no Transformer, funcionaram? Sim. Com som? Sim. Os sites têm renderização perfeita? Não. Fontes ficam serrilhadas e imagens, fora de foco.

Nos benchmarks de Android padrão, o Slider se mostrou muito parecido com o Transformer e com o Samsung Galaxy Tab 10.1 em desempenho:

– Vellamo Browser: 944 pontos (938 pontos do Asus Transformer / 971 pontos no Samsung Galaxy Tab 10.1)
– Quadrant Standard Edition: 1.356 pontos (1.648 pontos do Asus Transformer / 2.231 pontos no Samsung Galaxy Tab 10.1)
– AnTuTu Benchmark: 4.660 pontos (4.720 pontos do Asus Transformer / 4.662 pontos no Samsung Galaxy Tab 10.1)
– NenaMark 1: 42,5 quadros por segundo (35,1 quadros por segundo do Asus Transformer / 41,8 pontos no Samsung Galaxy Tab 10.1)
– NenaMark 2:  18,3 quadros por segundo (18,3 quadros por segundo do Asus Transformer / 18,7 pontos no Samsung Galaxy Tab 10.1)

Perto do Transformer, a bateria do Slider vai embora mais rápido: com seis horas de uso, estavam disponíveis apenas 54% da carga.

Nagano comenta: Vale a pena relembrar que o teclado do transformer (vendido como acessório opcional) vem com uma bateria adicional que ajuda a aumentar (e muito) sua autonomia, ao contrário do Slider que tem que se virar apenas com sua bateria interma.

Conclusões

O Asus Slider começa a ser vendido em um momento de transição do sistema operacional Android. Primeiro, porque uma nova geração de tablets Android com processador Nvidia Tegra 3 está a caminho.

Segundo, porque o Google acabou de anunciar a plataforma Android 4.0 “Ice Cream Sandwich”, que pretende unificar os Androids de smartphone (2.x) com os de tablet (3.x), ao menos na interface e na integração de aplicativos (Andy Rubin, chefão do Android no Google, disse não acreditar “que devam existir apps específicos para tablets”).

Isso me faz coçar a cabeça: ou o Google não está nem aí pros tablets, reconhecendo a primazia do iPad nesse mercado, ou todo Android terá telas grandes compatíveis com aplicativos de resolução grande. E ainda me faz perguntar: o Honeycomb não trazia funções de telefonia, algo presente no Ice Cream Sandwich. E tablets como o Slider, o Transformer, o Motorola Xoom, Acer Iconia, Lenovo ThinkPad Tablet  e todos os demais sem um telefone integrado (esqueça o 3G, estou falando de voz) ficariam de fora da festa do ICS?

Acredito que essa resposta só virá mesmo em 2012, quando os fabricantes, incluindo a Asus, divulgarem suas políticas (ou não) de atualização de software para os tablets. Enquanto isso, o Slider cumpre bem sua função. Não se destaca na multidão em design como o Transformer, mas o fato de ter o teclado já embutido ajuda a economizar algum dinheiro com acessórios. A presença da porta USB amplia bastante o uso do aparelho para armazenamento e é algo que faz falta em alguns concorrentes, mais notadamente o Samsung Galaxy Tab 10.1.

Vale comprar um Slider? Com o teclado, é uma alternativa irresistível a um netbook com menos recursos e cabe na mochila sem pesar muito. Tem editor de texto, acesso à internet (ainda que apenas por Wi-Fi, algo simples de compartilhar nos smartphones mais novos) e, se resolvida a questão do atraso entre teclar/digitar (acredito que era uma amostra não final a minha de review), o Slider pode ser um bom investimento.

Resumo: Asus Eee Pad Slider SL101

O que é isso? Tablet com sistema operacional Android 3.1 “Honeycomb”.
O que é legal? 
Integração incrível com aplicativos e serviços do Google, tela grande, navegador web completo, melhor suporte a Flash.
O que é imoral? Faltam aplicativos feitos especificamente para tablets. Botões em posição confusa, teclado demora a responder.
O que mais? 
Roda bem vídeos em AVI de até 720p com app Dice Player.  
Avaliação: 
6,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação. 
Preço sugerido para o modelo de 16 GB/Wi-Fi:
 R$ 1.799
Onde encontrar: Asus

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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