Review: Asus EeePC 1201HA Seashell

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Fugindo do netbook nosso de cada dia, o Eee PC 1201HA Seashell da Asus é um dos primeiros modelos analisados aqui no Zumo equipado com uma tela LCD de 12 polegadas e um teclado mais amplo, o que oferece um maior conforto de uso se comparado com os tradicionais modelos com telas de 10 polegadas.

Assim como outros modelos do seu porte, como o finado Dell Inspiron Mini 12, o 1201HA vem equipado com o processador Intel Atom Z520 de 1,3 GHz, um chip visto meio de lado por alguns usuários por ser um pouco mais lento que o Atom N270 de 1,6 GHz. Nesse caso temos que ter em mente que o Z520 abre mão de um pouco da velocidade em favor de um menor consumo de energia — 0,75~1,1 volt e TDP máximo de 2 watts — contra 0,9~1,1625 volts e TDP máximo de 2,5 watts do N270, o que permitiu o desenvolvimento de um equipamento maior, que não esquenta tanto e com maior autonomia de bateria, algo em torno de 7,5 horas segundo o fabricante.

Interessante notar que em vez do bom e velho GMA 900, o chipset que normalmente acompanha o Z520 é o US15W “Poulsbo”, que utiliza uma aceleradora gráfica que não foi desenvolvida pelo pessoal de Santa Clara e sim por um terceiro — a Imagination Technologies — Neste caso, a Intel licenciou a aceleradora gráfica PowerVR SGX e o PowerVR VXD para processamento de vídeo H.264/MPEG-4 AVC. Isso  permite que esse portátil faça uma coisa que poucos netbooks com N270 se atrevem a fazer, como por exemplo, reproduzir vídeos em 720p e até 1080i.

Além do processador de menor consumo,  o 1201 HA vem equipado  com 2 GB de RAM DDR2, disco rígido de 250 GB + 500 GB na rede pelo serviço ASUS WebStorage, webcam de 0,3 MP, rede Fast Ethernet, e WiFi 802.11/bgn. O sistema operacional que acompanha o portátil é o Windows 7 Home Premium:

Medindo aproximadamente 29,6 x 3,3 x 20,8 cm e 1,38 kg de peso (c/ sua bateria de 6 células), o 1201HA é ligeiramente maior que um netbook padrão de mercado, posicionando-se num patamar hoje ocupado por subnotebooks bem mais sofisticados (e caros) como o ThinkPad X200 ou o Dell Inspiron 11z. De qualquer modo ele ainda é bem menor que um note com tela de 15 polegadas como o Thinkpad X61.

Uma das grandes sacadas do seu desenho é o seu desenho em cunha com “frente rebaixada” e uso de bordas mais finas e curvas nas laterais (daí seu apelido “seashell” ou ostra) o que passa a impressão dele ser menor  do que realmente é. Esse formato também torna a sua pegada mais confortável, principalmente quando o carregamos na mão como um livro. O modelo analisado veio com acabamento preto “marca de dedo” brilhante (boo!) mas também pode ser encontrado em vermelho, azul e prata.

Como era de esperar de um netbook, seu gabinete é todo em plástico muito bem encaixado o que passa uma boa impressão de solidez ao conjunto principalmente quando fechado. Suas interfaces externas se limitam ao essencial, ou seja, na direita temos o leitor de cartão SD (SDHC)/MMC portas de som, uma USB 2.0, porta de rede Fast Ethernet e slot para trava de segurança padrão Kensington.

Do outro lado, vemos a saída de vídeo padrão SVGA, entrada da fonte de alimentação, mais duas USB 2.0 e a saída de ar do ventilador do sistema.

Assim como os modelos com tela de 10 polegadas, o teclado do 12o1HA segue a moda dos chamados teclados tipo chiclete, mas em vez de de usar apenas teclas convencionais com formato quadrado, ela tira proveito do espaço adicional para colocar um espaço extra entre as teclas, o que torna a entrada de dados mais precisa e confortável, apesar do curso das teclas ser um pouco raso o que faz com que o teclado faça aquele característico som de repique quando digitamos com mais energia. O modelo analisado veio com um curioso teclado latino, mas acredito que os modelos que forem para as lojas virão com o nosso layout em português brasileiro.

Outra tendência de design é o uso de um touchpad escondido na base do teclado cuja área fica delimitada por uma matriz de pontos em relevo que passa um feedback táctil muito interessante. O mesmo não pode ser dito do seu único botão de confirmação tipo gangorra, um pouco duro para meu gosto.

Finalmente as luzes de estado ficam no canto direito do teclado com os LEDs montados no lado de fora. Simples e discreto.

Outro ponto forte desse portátil é sua tela LCD de 12 polegadas com resolução nativa de 1.366 x 768 (WXGA) com retroiluminação a LED e acabamento brilhante e de alto contraste. Acima dela podemos ver sua webcam de 0,3 MP com microfone incorporado.

Ao contrário da parte de cima, sua base possui um acabamento em preto fosco imune a marcas de dedos (yay!). A partir dessa posição temos acesso ao seu único compartimento…

… que dá acesso ao seu único pente de memória 2 GB de RAM DDR2 SODIMM de 667 MHz …

… que fica protegido sob uma lâmina de filme plástico, o que evita o contato direto com poeira e até de algumas gotas d’água.

Notamos porém que esse compartimento também possui um espaço aparentemente vago, provavelmente reservado para soltar mais um slot de pente de memória, o que não é o caso desse 1201HA.

Um aviso para os entusiastas: como disse anteriormente, as partes deste gabinete seashell são muito bem encaixadas de modo que a simples remoção dos parafusos da sua base não permitem sua remoção (acreditem, eu tentei). Se de um lado isso é bom porque isso mostra que o gabinete é realmente bem construído, do outro lado isso dificulta o acesso ao seu interior, em especial ao seu disco rígido o que pode frustrar alguns entusiastas.

Sua bateria de íons de lítio é do modelo A32-UL20 de 4.400 mAh de seis células…

… cujo contorno curiosamente, não segue perfeitamente a do portátil. Meu palpite é que a bateria original da 1201HA deva ser o modelo de menor capacidade (três células?) mas que a Asus Brasil optou por equipar o modelo local com uma unidade de maior autonomia. Uma estratégia adotada pela Positivo em seus portáteis com ótimos resultados.

Também é digno de nota o seu pequeno adaptador de rede elétrica modelo EXA0901XH equipada com luz piloto e entrada CC bivolt 100~240v e saída CA de 19v x 2,1A. Seu plug de tomada já segue o padrão nacional de dois pinos redondos, ou seja, nada de Tridente do Capeta (yay!).

Seguindo uma dica da Asus, dei uma olhada num curioso recurso escondido na BIOS chamado SHE Overclock Value que seria um controle interno que trabalha em conjunto com o Super Hibrid Engine uma ferramenta desenvolvida pela empresa para gerenciar os recursos do sistema tanto para economizar energia quanto para acelerá-lo quando necessário — e o limite é determinado pelo comando abaixo:

Como qualquer praticante desse esporte deve saber, a capacidade de acelerar o processador acima do seu valor anunciado (no nosso caso 1,3 GHz) depende de chip para chip, de modo que encontrar o limite máximo ainda é um exercício de tentativa e erro. Segundo a ASUS esse limite costuma ficar em torno de 20%, mas quando tentamos esse valor o portátil até chegou perto da velocidade de um Atom N270 (~1,6 GHz) mas ele começou a sofrer uns tremeliques, travou e a tela ficou assim:

Para voltar para o estado original foi preciso manter pressionado o botão de liga para forçar o desligamento da máquina. Feito isso, o valor do comando da BIOS volta automaticamente para 5%. Numa segunda tentativa experimentamos o valor de 15% e o sistema manteve-se estável mesmo quando estressado, passando dos 1,32 GHz para 1,53 GHz.

Mas para efeito de avaliação, retornamos ao valor original do SHE Overclock Value (5%) para rodar nossos benchmarks e, como é de costume, reinstalamos o seu sistema operacional com nossa versão do Windows 7 Ultimate de 32 bist e utilizamos os as últimas versões de drivers disponíveis no site da empresa:

Sob testes:

Como era de se esperar de um processador de 1,3 GHz, não devemos esperar muito em termos de desempenho. No índice de experiência do Windows o 1201HA bateu apenas 2,1 pontos devido ao Z520:

Isso também pode ser sentido nos testes de HDxPRT, apesar de que fiquei um pouco desconcertado com o resultado do Play HD Experience se lembrarmos de que esse portátil conta com uma aceleradora gráfica otimizada para rodar vídeos em HD.

Depois de alguns testes com alguns players de vídeo com nosso trailer favorido em 1080p, minha conclusão é que para tirar proveito do PowerVR VXD é nececssário que o software utilizado saiba que ele existe. Por exemplo: na primeira tentativa, utilizei o Windows Media Classic Homecinema cujo resultado foi, no mínimo, desastroso já que o player não identificou nenhum suporte para aceleração por hardware (DXVA) jogando toda a carga de processamento para o Atom (ai! ai! ai!):

Já com o Windows Media Player que já vem pré instalado no Windows 7, a experiência foi completamente diferente (observe a carga do processador). Apesar de alguns drop frames e engasgos, precisamos levar em consideração de que esse vídeo está em full HD (1080p) e o fabricante recomenda resoluções máximas de até 720p. Assim acreditamos que no caso de vídeos de menor resolução, o 1201HA tire de letra com um pé nas costas.

Em outros testes, o 1201HA bateu 32 pontos no Sysmark 2007 Preview 1.05. No AutoGK 2.45, o sistema levou 5h49m7s para transformar um filme em DVD para um arquivo AVI de 700 MB. O processo oposto (criar uma imagem de DVD a partir de um arquivo de vídeo)  feito com o DVDFlick 1.3.0.6 foi de 15h42m47s utilizando um thread e 13h57m09s com dois threads.

Para avaliar o desempenho do processador rodamos o CINEBENCH R10 e os resultados foram os seguintes:

Rendering (Single   CPU): 467 CB-CPU
Rendering (Multiple CPU): 734 CB-CPU
Multiprocessor Speedup: 1.57
Shading (OpenGL Standard): 24 CB-GFX

Ah sim, o Super Pi do David Lopes:

E para se ter uma rápida impressão do efeito do SHE Overclock Value de 15%, executei novamente Super Pi com o processador acelerado a 1,53 GHz. Ganha-se algum desempenho? — Sim! — É algo de saltar aos olhos? — Ma o meno…

Para avaliar o seu consumo de energia, utilizamos o polêmico Battery (comedor de farinha) Eater, que foge um pouco das métricas usadas pelos fabricantes que baseiam suas estimativas baseadas em periodos de atividade seguidas de pausas regulares, ao contrário desse benchmark que estressa o sistema de maneira constante, medindo o tempo que a bateria dura nessas condições. No nossso caso, a bateria durou 4h17m39s o que é um resultado muito interessante e que fica bem acima da média dos netbooks com Atom que temos avaliado com esse mesmo programa e que — com uso moderado e com todas as traquinagens  para economizar energia, pode até ser que ele possa chegar perto das 7,5 horas divulgadas pela empresa.

Para mim, esses resultados mostram que apesar do seu jeitão de notebook, o 1201HA não foge do conceito do netbook original, ou seja, um equipamento simples e barato para realizar tarefas simples como elaborar documentos, bater papo on-line, trocar mensagens, navegar na web e consumir conteúdo da Internet. Sob esse ponto de vista, o que esse portátil oferece é uma tela maior e um teclado mais amplo, características que soam como música para aqueles que passam muito tempo digitando na frente do computador, em especial fora de casa ou escritório num local onde às vezes não há uma tomada por perto.

Com isso quero dizer que apesar do seu porte e visual arrojado, o 1201HA não deve ser confundido com um subnotebook com Core 2 Duo da série T ou mesmo os novos ULVs. Se ele fosse um carro, ele seria algo como um Ford Focus sedã com motor 1.3, ou seja, um veículo relativamente grande, espaçoso e econômico que pode levar confortavelmente até umas cinco pessoas de lá pra cá sem problemas, isto é, se você tão tiver muita pressa.

Resumo: ASUS eeePC 1201HA Seashell
O que é isso? Netbook leve e fino de uso geral.
O que é legal? Belo design, leve e uso confortável. Boa autonomia de bateria.
O que é imoral? Desempenho modesto, até mais modesto que o N270.
O que mais? Suporte para Wireless-N e serviço de disco virtual de 500 GB na web incluso.
Avaliação: 6,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 1.399
Onde encontrar: www.asus.com.br

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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