Review: Asus Eee Pad Transformer TF101

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O Asus Eee Pad Transformer TF101 é o segundo tablet à venda no mercado brasileiro com sistema operacional Android Honeycomb (já na versão 3.1, upgrade em breve para a 3.2), e começa a chegar ao varejo este mês.

Como tablet, o Transformer oferece configurações bem parecidas que o concorrente Motorola Xoom, com um adicional de software da própria Asus bastante interessante. Com o teclado adicional, o tablet se transforma em um netbook com portas USB e maior tempo de bateria, o que o torna bem mais desejável.

Não vou me alongar aqui com fotos de hardware do Transformer nem sobre o sistema operacional Android 3.x: as fotos estão em uma galeria enorme…e o que tinha para falar sobre Android 3.x está no review do Xoom. As mudanças do Android 3.0 para o 3.1 incluem melhorias na interface, na rede e expande o uso de dispositivos USB conectados (incluindo o slot microSD, que estava travado no Xoom e aqui funcionou sem problemas).

Para quem precisa capturar telas, uma novidade: isso já é nativo nessa instalação do Transformer (algo que o iOS faz com dois cliques e que o Android não fazia até então sem gambiarras).

1) Software

Além do pacote padrão de apps do Android (Google coisas, music player, editor de videos etc.), o Transformer conta com serviços da Asus instalados: são eles o MyLibrary, o MyNet e o MyCloud.

O MyLibrary é o leitor de e-books padrão com acesso a uma lodjinha de livros da Asus (@vibe bookstore). Tem jornais de graça por tempo limitado (mas achou todos os arquivos .TXT perdidos nas pastas de música) e livros com preço em dólar. Acompanha o app uma cópia de “Alice no País das Maravilhas” em inglês.

Ao ler o “USA Today”, dá para entender uma coisa na escolha padrão dos tablets Android com tela de 10″: na horizontal, ela é perfeita para ler jornais em página inteira ou até mesmo quadrinhos sem cortar a tela.

O MyNet é o cliente DLNA para compartilhar conteúdo com outros dispositivos na rede (válido se tiver uma TV compatível, por exemplo).

O mais importante é o MyCloud, serviço de armazenamento online da Asus na nuvem. Nada que Dropbox (ou o futuro iCloud) não ofereçam, mas é relevante para quem quer mais espaço para guardar e compartilhar arquivos.

Tem até serviço de streaming de músicas (rádios ou playlists prontas)…


…compartilhamento de fotos na nuvem…

… e o storage online propriamente dito:

A Asus oferece 2 GB de armazenamento gratuito, e dá para acessar dados de qualquer lugar no endereço do serviço.

2) Navegador com Flash

Minha experiência com sites em Flash no Motorola Xoom não foi lá muito agradável. Encontrei uma seleção bacana (We Choose the Moon, Moodstream, Monoface, Waterlife, Louis Vuitton Legends e Marc Ecko) e entrei em um por um.

Funcionaram? Sim. Com som? Sim. Os sites têm renderização perfeita? Não. Fontes ficam serrilhadas e imagens, fora de foco:

Vendo mais de perto:

Pelo menos o Flash funciona. Eu, particularmente, não sou fã dessa tecnologia e sou da teoria que informação segue melhor com HTML. O problema aqui, como sabemos, é da Adobe e não da Asus (ou de qualquer outro fabricante de Androids, certo?).

3) Teclado e expansões:

O teclado do Asus Transformer é, sem dúvida, a peça mais interessante que compõe o hardware. Pena que é vendido como um opcional para o pacote.

Pode soar estranho, mas com o teclado o Transformer vira um netbook com Android. Já vem com pacote de produtividade (Polaris Office) instalado, com editor de textos, planilhas e apresentações, e as portas de expansão (duas USB) e o leitor de cartões (SD/MMC) ampliam as possibilidades de uso do aparelho, com suporte a discos rígidos externos, pen drive e mouse (não testei impressora, dang!).

Para ajudar, ainda recarrega a bateria e amplia o tempo de uso do tablet. Se vai comprar um Transformer, dê um jeito de incluir o teclado no pacote.

4) Desempenho:

Nos benchmarks de Android padrão:

Vellamo Browser: 938 pontos
Quadrant Standard Edition: 1.648 pontos
AnTuTu Benchmark: 4.720 pontos
– NenaMark 1: 35,1 quadros por segundo
NenaMark 2:  18,3 quadros por segundo

São números, na prática, inferiores aos do smartphone Galaxy S II (que tem processador mais rápido e, bem, é um telefone com outros recursos). A comparação com o Galaxy S II, entretanto, não é válida e é injusta (alô Samsung, aguardamos o tablet Galaxy Tab 10.1 antes do natal dos tablets, por favor!).

Bateria: um dia inteiro de uso no Wi-Fi e gastou apenas 40% da carga. Não avaliamos o tempo de uso da bateria com o teclado, já que essa peça é opcional.

Vídeo e outros gargalos: como já aconteceu com o Motorola Xoom, nada de vídeo para quem comprar um Asus Transformer. Ainda falta um player nativo de vídeo com suporte a DivX/Xvid como já ocorre com os smartphones (nisso tanto o Galaxy S II quanto o LG Optimus 2X ainda dão um banho nos tablets). Aplicativos nativos para a tela grande dos tablets ainda ficam a desejar em relação ao iPad, já que o Google parece ignorar o tema. Nada de área específica para aplicativos de tablets no Android Market, e aparentemente nada mudou ou evoluiu em relação ao assunto desde abril, quando avaliei o Xoom.

Câmera: confesso que ainda não entendo a utilidade de uma câmera traseira em um tablet (vale para Android ou iPad). É incômodo, e usar um aparelho de 27 centímetros de largura me passa a impressão de tirar fotos uma melancia pendurada no pescoço. Alguns exemplos no Picasa (o vídeo que mandei via Google Plus se perdeu em algum lugar da web). Para videochamadas via Skype ou seu serviço de preferência, a câmera frontal em um tablet faz todo o sentido do mundo.

5) Conclusões:

O Transformer segue a filosofia presente em outros demais produtos da Asus, com design diferenciado e elegante, inclusão de software e serviços que ampliam o uso do aparelho e a adoção de acessórios que transformam por total o tablet, como o teclado. Como já ocorreu com o Motorola Xoom e deve acontecer com os demais tablets com Android Honeycomb, a virtual ausência de aplicativos nativos é o principal problema para essa nova categoria de produtos – onde o iPad reina com segurança e liderança absolutas. Vale comprar um Transformer? Com o teclado, é uma alternativa irresistível a um netbook com menos recursos – e basta destacar a tela para diminuir o peso pela metade. Eu, particularmente, só compraria um com o teclado.

No momento que finalizo este review, o preço final do Asus Transformer não está definido (a fabricante sugere uma base de R$ 1.599 para o produto sem o teclado, e não informou ainda o preço dos acessórios ou kits com o teclado). Como amanhã (3) ocorre o Asus Innovation Forum aqui em São Paulo, novidades devem ser anunciadas (junto com outros produtos e, não custa sonhar, a fabricação local com incentivos fiscais) por Jonney Shih, fundador da Asus – e atualizo as coisas neste post (e em outros).

Resumo: Asus Eee Pad Transformer TF101

O que é isso? Tablet com sistema operacional Android 3.1 “Honeycomb”.
O que é legal? 
Integração incrível com aplicativos e serviços do Google, tela grande, navegador web completo, melhor suporte a Flash.
O que é imoral? Faltam aplicativos feitos especificamente para tablets, incluindo um video player. 
O que mais?
O uso do teclado (vendido separadamente) amplia os recursos e conexões do aparelho. 
Avaliação: 
7 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação. 
Preço sugerido para o modelo de 16 GB/Wi-Fi:
 R$ 1.499 (apenas o tablet) / R$ 1.899 com o teclado
Onde encontrar: Asus

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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