Review: assento Conforto TAM (sim, gostamos de aviões)

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Diário de bordo, vôos TAM JJ8084 (22/06/2010, São Paulo – Guarulhos/Londres – Heathrow) e JJ8085 (28/06/2010, Londres- Heathrow/São Paulo-Guarulhos). Aeronave: Boeing 777 (nos dois vôos). Classe: econômica, no novo Assento Conforto. Este é um post off-topic tecnologia do Zumo, mas que, no fim das contas, tem a ver com isso (pelo menos seus gadgets vão gostar).

Tenho 1,83 m de altura e, por mais que as companhias aéreas tentem me convencer, a classe econômica é apertada demais pra mim. Toda vez que vôo pra qualquer lugar com mais de 6 horas no ar tento,  num modo um tanto neurótico, estudar os mapas de assentos e descobrir qual o local menos incômodo pra mim. Saídas de emergência, por exemplo, são sempre uma boa alternativa.

Quando soube que ia para a África do Sul num esquema quase suicida (SP-Londres-Johanesburgo-Durban), bateu um desespero. Mais de 22 horas no ar em qualquer classe de vôo literalmente enchem o saco (na única vez que voei de executiva num vôo ultralongo – 14 horas entre Dallas e Narita, no Japão, o cansaço de “já li, dormi, vi filme, comi, fui ao banheiro” é igual. Na business tem mais espaço, pelo menos – e mais vinho). E, como as passagens foram emitidas em lote, sem condições de entrar no site da TAM e tentar escolher um bom lugar pra um pedaço na ida, pelo menos.

Aqui faço uma prévia de “experiências internacionais com a TAM”. Já tinha voado pra Orlando e para Londres com a companhia brasileira. Esse primeiro vôo pra Londres, em 2007, foi um dos piores da minha vida: estava no fundo do avião (se não me engano um Airbus A330), com um passageiro ali perto com chulé horrível, cheio de turbulência. Meio que marcou mal a memória. E com a proximidade do novo voo, mmm, deu medo.

No confuso check-in da TAM em Guarulhos (precisa MESMO fazer todos os voos internacionais – de Assunção a Frankfurt, passando por Buenos Aires e Miami, na mesma fila?), descobri que, pagando uma graninha a mais, dava pra pegar um assento de saída de emergência ou na primeira fila da cabine econômica, numa nova modalidade chamada Assento Conforto. Era isso ou viajar 11 horas lá no fundo na porta do banheiro. Resolvi tentar, e fiquei bem satisfeito.

A lógica é simples: companhias aéreas gringas (United, British Airways, Air France) começaram a vender assentos um pouco mais espaçosos, mas com o mesmo serviço da cabine econômica. Na British (que tem o melhor assento na econômica que já voei, com bom espaço e conforto nos Boeing 747) eles chamam de “Econômica Superior” e colocam os assentos com apoio para os pés em uma cabine menor entre a business e a econômica-povão.

Então, a TAM resolveu cobrar 50 dinheiros por trecho pra quem quer voar com mais espaço (“dinheiros” significa libras pra quem voa pra Londres, euros pra Europa e dólares pros EUA). No voo de ida, nada de diferença na hora do embarque: todo mundo entra junto (e brasileiro adora uma fila no aeroporto, né?).

Cheguei ao meu assento (15H) e, por ser primeira fila, um assento já estava ocupado por uma mulher com bebê muito pequeno. Pedi pra ficar na janela e, após a decolagem, a aeromoça perguntou se eu podia ir pra outro lugar, já que o bebê poderia me atrapalhar nas quase 11 horas de vôo.

Mudei de assento para outro “conforto”, na cabine seguinte: fiquei no 19F, no meio (na verdade, ocupei o 19F e o 19E, que estava vazio – veja o mapa de assentos aqui). Mesmo espaço para esticar as pernas e, melhor deixá-las apoiadas na parede do avião. Quem fica nos assentos 19A-B-C ou 19H-J-K está na saída de emergência e até tem mais espaço, mas falta lugar pra apoiar os pés. Na volta, escolhi o 19G, no corredor.

O assento “conforto” é igual ao da econômica em geral. O preço pago é apenas para a distância à sua frente, sem que ninguém deite a poltrona e te aperte ainda mais. O espaço lateral é igual – e é aqui que a TAM talvez possa mudar alguma coisa. Já que a promessa é de conforto, melhorar um pouco a poltrona nessa fila não seria uma má ideia. As definições de distância do assento no site da TAM indicam a diferença:

Total de Assentos Conforto: 30
10 Assentos da primeira fileira com distância de 25″ a 31″ (vs. 12″ assento comum)
20 Assentos da saída da emergência com distância 26″-73″ (vs. 12″ assento comum)

A diferença de aeronave do meu vôo em 2007 para o Boeing 777 é gritante. A cabine tem iluminação toda em LED, que muda a temperatura da luz conforme a necessidade (muito claro no embarque, uma redução em tons azulados para apagar na decolagem, amarelado na hora do amanhecer).

E, pelo menos nos assentos conforto, estavam lá tomadas e conectores USB para usar seus gadgets (algo incrivelmente útil pra quem quer ver vídeos no iPod touch ou qualquer outro video móvel). Nem que seja pra carregar o celular (sempre desligado, nunca em modo avião, vai entender essas regulações cabeçudas da ANAC/Anatel).

A TAM, pelo menos nesses vôos no Boeing 777, mandou bem no serviço e no atendimento (e até ofereceram um lugar melhor pra uma grávida no voo de volta, mega atenciosos). Ainda tem muito a aprender com a American Airlines nos seus serviços online e com a British Airways e a Air France na questão da “classe econômica plus”. Pelo menos o “assento conforto” já é um bom começo. E, se você tem pernas compridas como eu, vale muito o investimento pelas quase 11h de voo. Veja as fotos:

Resumo: Assento Conforto da TAM no Boeing 777 SP-Londres-SP

O que é isso? Assento convencional com mais espaço para as pernas
O que é legal? Saída pra fone 3,5mm no assento, portas USB e tomada para a recarga de gadgets.
O que é imoral? Poltrona continua igual à da classe econômica, mesinha de refeições pequena.
O que mais? Câmera na frente do avião mostra pouso e decolagem
Avaliação: 6,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: 50 libras esterlinas (no vôo de/para Londres).
Onde encontrar: www.tam.com.br

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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