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Review: APU AMD A6-5200 “Kabini”

Nova APU quadcore da AMD vai bater de frente com o Atom Bay Bridge e até o Core i3 no segmento de tablets, conversíveis e mini-notebooks com touch.

No início de junho durante a Computex 2013 em Taiwan, a AMD anunciou a chegada da sua nova linha de processadores APUs das séries A e E com soluções x86 para modelos de entrada, mainstream e topo de linha — independente do seu formato, seja ele um notebook, tablet, conversível ou híbrido, o que também inclui uma nova estratégia de identificação visual desses novos produtos:

AMD_new_logo_description

Dentre eles, destaque para o AMD Mainstream APU (codinome “Kabini“) que na prática, são APUs com dois (séries E1/E2) ou quatro (séries A4/A6) núcleos x86 “Jaguar”, voltados para a fabricação de desktops de entrada ou mini-notebooks com touch. Ele também integra uma aceleradora gráfica AMD GCN (Graphics Core Next) Radeon série 8000 que, segundo a AMD, oferece um desempenho visual por watt até 132% melhor ou produtividade por watt 127% melhor se comparada com a geração anterior. A autonomia da bateria está estimada em até 11 horas no modo de espera.

AMD_Kabini_specs

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Chegamos a ver uma versão preliminar deste chip durante a CES 2013:

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Já para o segmento de produtos mais elaborados que demandam uma melhor relação de desempenho x watt como notebooks utrafinos, tablets “premium” e dispositivos de convergência do tipo 2-em-1 a AMD  também lançou o AMD Elite Mobility APU (codinome “Temash“), também uma APU quadcore “Jaguar” de 28 nm equipada com uma GPU AMD GCN Radeon HD 8000 com suporte para telas full HD com touchscreen e já preprarada para rodar o novo Windows 8.1.

AMD_Temash_specs

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Também vimos um protótipo já com esse chip lá no QG da AMD durante a última CES:

Temash_proto

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Desse modo é importante perceber que cada um desses novos produtos serão identificados de modo bastante sutil, ou seja, os sistemas com Kabini receberão um selo AMD A4/A6  “QUAD-CORE” enquanto que o Temash será chamado de AMD A4/A6 “ELITE”:

AMD_new_logos1c

Para quem nunca foi apresentado, APU é um conceito anunciado pela AMD em 2006 que integra um processador x86 de uso genérico e uma GPU discreta em uma mesma pastilha de silício — dai esse projeto também ser conhecido como Fusion. E como uma imagem vale mais do que mil palavras, segue abaixo um vídeo da companhia que explica esse conceito de maneira bem simples e didática:

Para quem está acostumado com o calendário tiquetaqueano do pessoal de Santa Clara, o desenvolvimento do Fusion foi bastante lento sendo que o primeiro produto de fato a chegar no mercado foi o AMD Brazos em janeiro de 2011, cujo modelo mais popular o E350 equipou diversos notebooks de entrada que, de um certo modo, bateu de frente (ou mais exatamente, passou por cima) do seu concorrente direto — o processador Intel Atom.

E como o Brazos, a plataforma Kabini/Temash é uma APU de entrada voltada para equipar tablets premium, portáteis híbridos e mini-notebooks com tela de toque:

AMD_Kabini_posicionamento

Para avaliar o desempenho dessa nova plataforma, recebemos para testes uma versão bastante preliminar da placa-mãe ASRock modelo FT3-4C equipada com uma CPU APU A6-5200 “Kabini”.

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Trata-se de uma placa-mãe mini-ITX com apenas 17 cm de lado e que incorpora um número notável de recursos como quatro portas SATA 600, dois slots para pentes de memória SDRAM DDR3, uma PCIe x16, slot para cartão PCIe Mini (provavelmente para instalar um cartão Wi-Fi de meia-altura), seis portas USB 2.0, seis portas USB 3.0, uma serial, rede Gigabit Ethernet, uma PS/2, som HD 5.1 e quatro saídas de vídeo: SVGA, DVI-D, HDMI e DisplayPort.

Interessante notar que ele só precisa de uma conexão com a fonte (padrão ATX de 24 pinos) dispensando o uso do conector auxiliar de + 12V. Resumindo, uma plaquinha interessante para uso geral, seja ele um setup box, media center, terminal de informações ou até mesmo um desktop compacto.

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Note o seu pequeno cooler sobre a CPUs APUs que mostra como caiu a geração de calor dessas novos chips de baixo consumo:

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Depois de remover o cooler, temos uma visão mais clara dos componentes dessa placa e — o que mais chama a atenção — é que ela não tem chipset (uia!):

AMD_Kabini_ASRock_FT3-4C

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E se você acha que tem muito espaço livre na parte de cima dessa placa-mãe, embaixo tem menos ainda:

AMD_Kabini_ASRock_FT3-4C_base

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Quase todas as suas funções do chipset como controlar as portas SATA, USB, PCIe, memória, vídeo, etc. foram integradas à APU — de modo que esses chips podem são particamente  “sistemas em um chip” ou (SoCs) de modo que a placa-mãe não é muito mais do que uma base física onde os diversos conectores do PC são fixados.

Isso reduz significativamente o custo de produção de um computador, o que, de um certo modo, explica a tendência do mercado de que num futuro próximo, as placas-mães mais simples virão com a APU ou processador soldado diretamente na placa-mãe e não mais soquetado.

De fato, esse é o caso da APU A6-5200 que recebemos para testes:

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Segundo o CPU-Z, podemos ver mais algumas características interessantes desse chip como seu processo de fabricação (28 nm), TDP (14 watts máx.) e o fato dele ser um chip quad-core de fato, ao contrário do concorrente que, na suas versões mais avançadas, é formada por dois núcleos com HT.

AMD_Kabini_cpuz

Sua aceleradora gráfica é uma Radeon HD 8400 e apesar do GPU-Z não conseguir levantar mais detalhes do seu interior, segundo informações do site NotebookCheck, ele é formado por 128 núcleos de processamento gráfico (ou shaders) rodando a 600 MHz com suporte para DirectX 11.1, OpenCL, DirectCompute 5.0 e cujo desempenho deve ficar perto do Intel HD 4000.

AMD_Kabini_gpuz

O DXVA Checker mostra que, como era de se esperar o HD 8400 tem um excelente suporte para vídeos, incluindo o notório padrão 4K:

AMD_Kabini_DXVA_Check

Para realizar os testes, fixamos a placa-mãe num gabinete padrão ATX, instalamos 8 GB de SDRAM DDR3  de 1600 MHz um disco rígido Western Digital Blue modelo WD10EZEX de 1 TB SATA 600, plugamos o conector de força da fonte e o sistema estava pronto para uso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Como os testes foram feitos meses atrás — época em que os nossos benchmarks ainda estavam migrando para Windows 8 e, por causa disso estavam meio instáveis, optamos por usar o bom e velho Windows 7 Pro de 64 bits.

AMD_Kabini_system

Segundo o índice de experiência do Windows 7, o Kabini bateu 4,6 pontos, o que pode parecer um resultado modesto, mas precisamos lembrar que esse teste baseia-se no pior resultado como referência de desempenho, mas se olharmos os outros resultados, podemos ver que o Kabini performou até que bem no que se refere ao desempenho gráfico (3D e jogos) e cálculos por segundo.

AMD_Kabini_WinExp

Já no Sysmark 2012, um benchmark focado no desempenho de aplicativos, o Kabini obteve apenas 60 pontos, o que o coloca um pouco abaixo dos modelos mainstream, o que também não é nenhuma surpresa se levarmos em consideração que não se trata de um chip voltado para desempenho.

AMD_Kabini_sysMark2012

Já nos testes sintéticos como o PCMark Vantage, o sistema obteve 5.382 pontos no modo de 32 bits

AMD_Kabini_PCMarkVant32

… e 5.721 pontos no modo de 64 bits:

AMD_Kabini_PCMarkVant64

Já no PCMark 7  o sistema com Kabini bateu 1.962 pontos

AMD_Kabini_PCMark7

… e 2.041 pontos no PCMark 8:

AMD_Kabini_PCMark8

Aqui os resultados com o DirectCompute & OpenCL Benchmark…

AMD_Kabini_DX11_bench

… e aqui o Cinebench 11.5:

AMD_Kabini_cinebench

Para medir a capacidade de um sistema para processar e converter vídeos, utilizamos o DVDFlick 1.3.0.6, que cria uma imagem de disco de filme em DVD a partir de um arquivo de vídeo (no nosso caso, três vídeos combinados numa única imagem em ISO).

O Kabini Carbon levou 4h36m17s utilizando apenas um núcleo de processamento e 2h55m35s com todos os quatro núcleos, um bom resultado se levarmos em consideração que um netbook com Atom N260 levava em torno de 10 a 12 horas para realizar essa mesma tarefa.

Já para converter um filme em DVD para um arquivo em AVI em Full HD, usei o Freemake Video Converter, um utilitário gratuito que tira o máximo proveito do hardware (incluindo distribuir a carga de trabalho por diversos threads e até aceleração por GPU). Com esse programa foi possível converter nosso mesmo filme de referência em 0h42m03s.

Abaixo, os resultados com o 3DMark Vantage no modo Entry…

AMD_Kabini_3DMarkVant_E

… no modo Performance

AMD_Kabini_3DMarkVant_P

…no modo High…

AMD_Kabini_3DMarkVant_H

… e no modo Extreme:

AMD_Kabini_3DMarkVant_X

Aqui os resultados com o 3DMark 11 no modo Entry

AMD_Kabini_3DMark11_E

… no modo Performance

AMD_Kabini_3DMark11_P

… e no modo Extreme:

AMD_Kabini_3DMark11_X

E finalmente no novo 3DMark:

AMD_Kabini_New_3DMark

Aqui o resultado com Peacekeeper, um teste online da Futuremark formado por um conjunto de rotinas em Javascript e HTML5 que mede a capacidade do programa navegador em executá-las:

AMD_Kabini_peacekeeper

Nossas conclusões:

Segundo a AMD, o Kabini é uma APU de entrada voltada para equipar tablets premium, portáteis híbridos e mini-notebooks com tela de toque e — como dissemos acima — parece ser uma versão atualizada e bem vitaminada do AMD E350, a notória APU da casa que fulminou a primeira geração de processadores Intel Atom e, junto com ela, a plataforma netbook — e isso bem antes dos tablets entrarem de sola no mercado e ocuparem o vácuo deixado por essa plataforma.

Se isso for verdade, fica claro que o Kabini e o Temash são plataformas mais voltadas para consumo de conteúdo do que produtividade propriamente dita, mas isso não significa que ele não possa encarar algumas tarefas de produtividade, mas não no mesmo nível das APUs A8, A10 e FX. Assim se comparado com o concorrente, acredito que o Kabini irá bater de frente com os chips de entrada do pessoal de Santa Clara, como o Celeron Intel Dual Core, Pentium e até mesmo um Core i3 de entrada.

Porém, não acredito que esses chips sejam realmente o principal concorrente do Temash e sim o novo processador Intel “Bay Trail” anunciado em setembro durante o IDF 2013 cujas características técnicas/público-alvo/aplicação se aproximam mais do Kabini do que os Core ix de entrada — principalmente no que se refere ao custo da plataforma. De fato o pessoal de Santa Clara está tão entusiasmado com esse chip ao ponto dela deixar bem claro que ela irá comercializar o Bay Trail também com a marca Celeron e até Pentium. Cheguei a ver algumas demos dessa plataforma e a percepção de desempenho é bem parecida — principalmente agora que o novo Atom conta com uma GPU decente — mas só poderemos comprovar isso quando tivermos uma versão em mãos para analisarmos.

Fora isso, afirmo que ainda não temos uma visão completa dessa nova plataforma, principalmente no que se refere a sua eficiência energética, algo que só poderemos conferir quando pudermos testar uma versão móvel do Kabini.

Com relação ao nosso mercado, já começam a aparecer os primeiros portáteis já equipados com o Kabini/Temash, como o Samsung Ativ 9 Lite e seu misterioso processador quad-core Exclusivo Samsung  um A6-1450 “Temash” com Radeon HD 8250) e o Asus X102BA (abaixo), anunciado na semana passada com APU A4-1200 dual-core de 1 GHz e que será vendido a partir deste mês pelo preço sugerido de R$ 1.299 (um preço bastante razoável para uma máquina com tela de 10,1″ sensível ao toque com Windows 8).

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Resumindo: Para mim o Kabini é prova que — apesar do gigantismo/onipresença da sua concorrente — a AMD não é uma galinha morta e ainda tem condições de chutar traseiros oferecendo para o mercado produtos bem interessantes a preços competitivos.

Porém ainda é cedo para dizer se essa nova APU será bem sucedida já que existem outros fatores além do técnico (como uma boa negociação, suporte de marketing, etc.)  que influencia o que, como, quando e por quanto qualquer produto chega no varejo. A única coisa que tenho certeza é que o pessoal de Sunnyvale (e também aqui no Brasil) não vai entregar os pontos sem uma boa briga e — como sempre — quem ganha com isso é sempre o consumidor.

Quem viver verá.

Resumo: AMD A6-5200 “Kabini” 

O que é isso? APU de entrada para tablets premium, portáteis híbridos e mini-notebooks com tela de toque.
O que é legal? Quatro núcleos de processamento, tecnologia moderna, plataforma dispensa o uso de chipset o que simplifica/reduz o custo dos produtos baseados nela.
O que é imoral? Desempenho é modesto se comparado com um processador realmente mainstream como um AMD A8 ou Core i5.
O que mais? Ainda não avaliamos o seu desempenho como plataforma móvel.
Avaliação: 7,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: não divulgado
Onde encontrar: www.amd.com.br

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.