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Review: APU AMD A10-4600M “Trinity”

A segunda geração de processadores APUs AMD série A (CodinomeTrinity) foi anunciada na semana passada em cinco modelos, sendo três deles com TDP de 35 watts voltados para notebooks mainstream e dois modelos de 25 watts e 17 watts voltados para os novos modelos Ultraslim. Note que as APUs topo de linha estreiam a nova marca A10.

Para avaliar o potencial dessa nova plataforma, tivemos acesso a um dos primeiros notebooks de referência da AMD já equipado com a APU A10-4600M, por sinal a mesma usada em todas as demonstrações durante o evento de Austin, no Texas.

Se comparado com os padrões atuais, trata-se de um modelo de desenho bastante convencional e bastante utilitário cujo design lembra muuuitoDell Vostro 3500, apesar de a AMD jurar de pé junto que esse notebook não é um produto comercial e que foi montado especialmente para demonstrações.

Fato é que o Vostro 3500 já é um produto fora de linha (substituído pelo modelo 3550) e como a sede da AMD em Austin não fica muito longe do HQ da Dell em Round Rock, não seria de se estranhar que eles troquem figurinhas (e até alguns favores) de vez em quando.

Por se tratar de um equipamento de referência, não iremos falar muito sobre o projeto do mesmo ou suas especificações técnicas, além do fato dele possuir praticamente tudo o que a gente poderia esperar de uma máquina de demonstração, incluindo interfaces novas (como USB 3.0 ou Sata 600) quanto legadas (SVGA e até slot para cartão Express Card).

De fato, me chamou a atenção o fato dessa placa-mãe ter até espaço reservado para uma GPU discreta + memória de vídeo. O código X850 pode ser uma referência as novas GPUs AMD Radeon HD 7xxx “London” (anunciadas no fim do mês passado) ou até mesmo a HD 7850M “Heathrow”.

Aqui vemos a nova APU AMD A10 -4600M em todo o seu esplendor:

… e que se encaixa num soquete FS1 r2 (release 2) que — apesar das aparências — não é retro-compatível com a geração anterior codinome “Llano”.

Do lado oposto da placa-mãe fica o chipset AMD A70M (Hudson), base da plataforma “Comal”, que também sucede a plataforma “Sabine” do Llano. Uma das novidades desse chip é que ele é o primeiro a vir com suporte nativo à interface USB 3.0.

De resto, esse sistema veio equipado com uma tela LCD/LED de 14″ (1.366 x 768 pixels) 4 GB de SDRAM DDR3 1600 e um SSD de 128 GB, ambos da Samsung, leitor de Blu-Ray, porta de rede Gigabit Ethernet, Wi-Fi 802.11n, Bluetooth 2.1, leitor de cartão SD e ExpressCard /34 e Windows 7 Ultimate de 64 bits com SP1.

O A10-4600M é, por enquanto, a APU móvel de maior performance dentre os modelos já anunciados e vem equipado com dois módulos de processamento um e dois módulos x86 “Piledriver” (baseado no Bulldozer) com 4 MB de cache L2 que roda de 2,3 GHz até 3,2 GHz no modo turbo. Ele é baseado no processo de fabricação de 32 nm com SOI (Silicon On Insulator).

E, por causa disso, ele vem montado em um encapsulado do tipo micro-PGA de 722 pinos específico para uso em portáteis.

O CPU-Z reconhece o A10-4600M como um chip de 32 nm com quatro núcleos e quatro threads e TDP de 35 watts, o que deixa claro que ele será voltado para uso em notebooks de linha (mainstream) que abrem mão de um pouco da sua portabilidade em favor de melhor desempenho.

Já o GPU-Z ainda teve alguma dificuldade em identificar corretamente a Radeon HD 7660G, algo até esperado já que o acesso a essa APU era bem restrito quando realizamos esta análise. Observe que apesar dessa GPU ser um modelo de última geração, ela fica abaixo dos novos modelos HD 7900M / 7800M / 770M anunciados no final de abril.

Sob Testes:

Nos testes realizados, o Índice de Experiência do Windows bateu 5,9 pontos, o que é um resultado bem interessante se comparado comparado com os chips Core i7 para Ultrabooks de 17 watts que testamos recentemente, como o Dell XPS 13.

Entretanto, sua capacidade de processamento em x86 (6,9 pontos) ficou abaixo do obtido pelo ThinkPad X1 (7,1 pontos) equipado com um Intel Core i5-2520M de 2,50 (~ 3,2 GHz no modo turbo) e TDP de 35 watts.

Essa diferença também foi sentida no Sysmark 2012, que bateu 85 pontos (contra 111 pontos do Thinkpad X1).

Já no PCMark Vantage , o Trinity bateu 9.911 pontos na versão 32 bits…

… e 10.417 pontos no modo 64 bits:

Já no PCMark 7, o Trinity bateu 3.283 pontos no modo normal e 3.453 pontos no modo Lightweight.

Outra característica interessante desse conceito de APU é que sua aceleradora gráfica é capaz de trabalhar de maneira bastante independente dos módulos x86.

No teste abaixo, utilizamos um aplicativo da AMD chamado AMD System Monitor que é capaz de mostrar as cargas de trabalho da CPU (linhas e barras verdes) e da GPU (linhas e barra vermelha). Depois de posicionar o monitor no canto direito, executamos um vídeo em Full HD 1.080p codificado no formato H.264 + áudio em FLAC usando o Media Player Classic Home Cinema e pudemos observar o aumento da atividade da GPU.

Logo depois rodamos o Prime95, um notório programa criado originalmente para calcular números primos de Mersenne, mas que ficou famoso por estressar (e travar) muitas máquinas que outros testes não conseguiram, tornando-se assim um programa muito usado por overclockers para verificar a estabilidade de seus sistemas. Ao começar o teste de stress, notamos que as barras e linham verdes pulam para 100%, mas isso não interfere em nada na execução do vídeo. Impressionante…

Do DirectCompute, o sistema bateu 3.186,6 pontos no teste de DirectCompute, 1.277,8 pontos no teste de OpenCL e 19,5 pontos no CPU Score:

Nos testes de coversão de vídeo como DVDFlick, que cria uma imagem de disco de filme em DVD a partir de um arquivo de vídeo, o A10 levou 3h11m44s (2h08m45s) utilizando um thread e 1h38m24s com quatro threads. O processo inverso feito com o pelo Freemake Video Converter, um sistema mais moderno e que tira melhor proveito do hardware (incluindo aceleração por GPU) levou 1h46m24s.

Já o Peacekeeper da Futuremark rodando sempre com a versão mais recente do Google Chrome:

 

Já no Cinebench 11.5, o sistema bateu 28,18 fps em OpenGL o que é um valor bastante notável se comparado com a aceleradora dos Core ix de segunda geração, cuja média fica em torno de 8 a 9 pontos. Novamente a pontuação de CPU — 2,02 pontos — não é algo de cair o queixo, já que o Core i5-2520M obteve 2,86 pontos nesse mesmo teste.

E o Super Pi do David Lopes:

Como era de se esperar nos testes sintéticos de gráficos, a nova aceleradora Radeon HD 7660G apresentou um desempenho muito interessante para uma GPU integrada, batendo 1.784 pontos no modo Entry. Observe que os Core ix de primeira e segunda geração — que não oferecem suporte para DX11 — nem rodam esse teste. 😛

1.151 pontos no modo Performance:

E 378 pontos no modo Extreme:

Nos testes com o Heaven Benchmark, ele bateu 25,2 fps (quadros por segundo) no modo default:

E 20,7 fps com o filtro 2x AA ativado:

E com relação aos jogos? Para isso, rodamos o benchmark do bom e velho Crysis e no teste de GPU o sistema obteve uma média de 30,42 fps no modo GPU:

E 25,8 fps no modo CPU:

Devido ao fato desse sistema ser uma máquina de referência — e que segundo a AMD nunca vai chegar ao mercado — não vemos muito sentido em testar o desempenho de sistemas periféricos, mas só para desencargo de consciência rodamos o HD Tune 4.01 para ver como o SSD da Samsung se comportou nesse teste. Observe que ao contrário dos novos discos SSD com interface SATA 600 que já vimos nos Ultrabooks, o modelo da Samsung ainda adota o padrão SATA 300, o que explica o seu desempenho:

Pelo mesmo motivo não fizemos testes de autonomia de bateria, mas fizemos algumas leituras de energia medindo o consumo em watts enquanto o PC rodava o PCMark Vantage. Não fazendo nada o sistema estava consumindo algo como 9,6 watts, alcançando picos de 58,3 watts. Note como o consumo desce repetidamente para um um pouco acima dos 10 watts mostrando o mecanismo de economia de energia em ação:

Conclusões:

No mês passado, Rory Read, CEO da AMD, descreveu o Trinity como um produto  “fundamentalmente incrível” (“Fundamentally Awesome“) e melhor que o Llano em todos os aspectos, oferecendo o dobro de desempenho por watt em relação ao seu antecessor e pronto para uso e pronto para fazer a diferença no mercado. Fora isso (que é um belo papo de marketing, claro), ele disse que a AMD não quer proteger o status quo e sim forçar a evolução do mercado com produtos disruptivos.

Depois de passar um bom tempo com o Trinity, no geral concordamos que esse chip é um tremendo avanço se comparado ao Llano e que tecnologicamente falando ele representa bem a tradição da empresa em desenvolver produtos inovadores sempre recheadas de idéias novas e até “disruptivas”. Foi assim com o set de instruções X86-64, com o Athlon 64 x2 (o primeiro dual-core monolítico) e até o Fusion (que foi o primeiro processador a ser revelado com GPU integrada, mas não o primeiro a chegar ao mercado).

Porém…

Assim como vimos em outros membros da família Fusion como o Brazos/Zacate, a GPU integrada da AMD se mostrou superior ao seu concorrente direto de Santa Clara (como os Intel Atom Pineview/Cedarview) ao ponto de praticamente sepultar o conceito de netbook como produto de consumo só porque ele atendeu a uma simples demanda dos usuários dessa plataforma: melhores gráficos. O curioso é que segundo nossos testes, em termos de desempenho de CPU (x86) o Brazos no geral empatava com o Atom.

De um certo modo, observamos algo semelhante com o Trinity: sua nova aceleradora gráfica está ainda melhor que o do Llano e compará-la com o HD 3000 do Sandy Bridge é meio que bater em criança. Entretanto, para nossa surpresa (ou não?) o núcleo x86 “Piledriver” não nos pareceu estar à altura da sua Radeon HD 7660G. De fato, naqueles testes onde a GPU não é solicitada, notamos que o Core i5 2520M (que testamos no ThinkPad X1) supera o Trinity, o que deixa claro que o pessoal de Santa Clara ainda tem a liderança nesse quesito.

E aí, o que pensar?

Como já estamos carecas de saber, nossa vida digital caminha para uma computação cada vez mais móvel e visual, o que faz com que a estratégia Fusion da AMD esteja de acordo com essas tendências, e é louvável o esforço da mesma de oferecer chips e plataformas por preços mais atrativos que a concorrência.

Em contrapartida, é muita ingenuidade dizer que o desempenho x86 não é mais algo relevante. Por exemplo se pensarmos em aplicações de processamento intensivo como grandes planilhas e cálculos financeiros, modelagem e simulação, compilação de programas e isso sem falar nas aplicações de acesso intensivo a banco de dados ou processamento de transações na nuvem, a força da GPU em si não faz muita diferença —  a não ser, é claro, que os desenvolvedores de software comecem reescrever suas aplicações para tirar proveito das aplicações GPGPU.

E é nesse ponto que eu queria chegar: Neste exato momento o pessoal da AMD possui um produto muito interessante no que se refere ao processamento gráfico/GPGPU, enquanto que o pessoal da Intel tem um produto superior em x86-64 e com a chegada do Ivy Bridge, ela melhorou dramaticamente a qualidade e desempenho de seus gráficos integrados que, mesmo não sendo melhor, pelo menos se aproximou mais do seu concorrente.

Assim eu acredito quem vai ganhar essa disputa vai ser aquela que tiver o melhor conteúdo, quer dizer, o melhor software. E para isso, a AMD está promovendo um grande esforço no sentido de incentivar os desenvolvedores de software a adotar técnicas e padrões de computação acelerada — em especial o OpenCL — tornando assim o seu produto cada vez mais atraente para o consumidor final.

No geral, a oferta de produtos acelerados por GPU mais que dobrou de um ano para cá, a Microsoft já anunciou suporte ao Trinity para o Windows 8, mas ainda tem muito o que ser feito. E é claro, nem sempre sabemos das surpresinhas que o pessoal de Santa Clara tem na manga.

No que se refere ao seu preço — apesar da AMD ainda não ter divulgado preços oficiais — pelo que já vimos em posts anteriores ela deve manter a sua estratégia de posicionar seus produtos numa faixa de preço intermediária aos dos seus concorrentes.

Acreditamos que isso tem suas vantagens e desvantagens já que se de um lado o usuário pode achar que (AMD A)8 é melhor que (Core i)5 que somado a um preço legal pode puxar a sardinha para o lado da AMD> Entretanto, é preciso ver que dependendo da intenção de uso e/ou publico alvo — como vimos em nossos testes — nem sempre (AMD A)10 é maior do que (Core i)7. Assim, o usuário deve avaliar bem as suas necessidades antes de bater o martelo na Loja.

No geral, achamos que o AMD A10 é um chip muito bacana — um produto certo na hora certa capaz de agradar um público bastante amplo (porém não todos). Só esperamos que os seu preço final aqui no Brasil não nos decepcione.

Resumo: AMD A10-4600M “Trinity”
O que é isso? Processador APU quadcore de uso geral para notebooks mainstream.
O que é legal? Excelente desempenho de gráficos e vídeo para uma GPU integrada a CPU. Melhor relação de desempenho por watt.
O que é imoral? Desempenho da sua CPU (x86) não é melhor que seu concorrente. Soquete incompatível com Llano (e provavelmente, com seu sucessor).
O que mais? Haverá uma versão específica para notes leves e finos. Ainda sem preço oficial.
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço estimado: Não divulgado
Onde encontrar: www.amd.com.br

 

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • É errado ficar arrepiado com um benchmark? Acabou de acontecer isso comigo. Nem engasgou, nem perdeu um frame, rodando o Torture Test! Ainda que desempenho x86 seja ponto de venda para alguns usuários, a grande maioria do mainstream não liga muito em esperar 10, 20 segundos a mais pra planilha do Excel acabar de processar… Ainda mais se enquanto você espera, dá pra assistir um filminho 🙂

  • everart araujo

    rapaz!! realmente pra maioria dos usuário, e quando eu falo maioria é quase 90% da turma que usa notebook, a AMD tá no caminho certo. por que quem vai editar vídeo, áudio, compilar programas e coisas que pedem mais do processador, vai de desktop e isso é fato a grande sacada da portabilidade hoje é vídeo, mídia de uma forma geral, e nisso a Intel tá sofrendo um bocado e no fim das contas a turma vai ficar puta mesmo e se o vídeo ficar travando quando vc ta vendo aquele filmes!!!
    mais 1 ou 2 segundos a mais para zipar um arquivo não vai matar ninguém.

    • Daniel scherer

      -E no fim das contas a turma vai ficar puta mesmo e se o vídeo ficar travando quando vc ta vendo aquele filmes!!!
      -1 ou 2 segundos a mais para zipar um arquivo não vai matar ninguém.

      Falou tudo!!!!

  • raonipr

    O A10 concorre com o Ci3 (sandy bridge) em x86, por mais que seja interessante o proc. gráfico, decepciona.

    • João

      Fanboy puto porque a amd fez algo superior ao i3??

      • raonipr

        Criticou AMD é fanboy da Intel? Acho um bom produto sim, mas fiquei decepcionado com x86, quase nada melhor que a geração passada, enquanto os intel cresceram 15%. Uso desk AMD, um Athlon X2, em comparação ao C2D é um overkill em C x B, mas a AMD parou no tempo em X86, os llano tem (eu sei que não é sua proposta alto processamento) mais ou menos o poder desses chips de 2007. Considero pegar um Phenon X4 de upgrade, mas pra note eu tava esperando mais, vou ter que comprar um agora pra Revit (usa tanto x86 como gpu pra renderizar), testei um A8 de um amigo meu e ele ficou atrás dum i5 por uma margem de 40%.

  • eu tava pensando em comprar um laptop e vi um samsung com o amd vision a6
    aquele,do review do baixaki
    vale a pena???
    sendo que eu vou querer jogar alguns jogos nele?
    por 1500 tá valendo?

    • henriquem

      não lemos o baixaki, então não temos ideia do que vc está falando…

    • arthurcdf

      Diz o modelo certinho que podemos externar alguma opinião, no mais boa sorte na procura de um novo note…. e esqueça o stress do henrique apesar da resposta um pouco "azeda" ele é gente boa… 😛

      • henriquem

        ;P tks!

    • Bio

      Eu tenho uesse A6… 1.500 por esse note ta de graça !!!! jogo PES 2012 e ainda roda um full hD na tv ao mesmo tempo.

    • jo@o

      cara eu tenho um fusion destes novos da amd… cara rodou tudo o que é de jogo… pode confiar

  • Eu tenho um notebook Toshiba com uma APU Llano, um A6-3400M. O desempenho dele é realmente muito bom, embora a autonomia de bateria n seja o forte – mas eu acho q o problema é na bateria mesmo. Já vi ele por aqui custando em torno de 1600, o q é um bom preço (o meu foi trazido por uma amiga lá dos EUA). Afinal, AMD pega principalmente no preço do seu produto, e é aí q ela abocanha mercado.

  • Dcorp

    Num vejo a hota d trocar meu C-50 depois desse review @.@

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