Review: Apple TV

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No Brasil, 2011 foi o ano do início da mudança no modo que vemos televisão.

Vimos o lançamento de TVs conectadas com recursos online e aplicativos, distribuição de serviços de TV a cabo sob demanda, a chegada do Netflix e, agora, quase em 2012, a chegada da iTunes Store, da Apple, com filmes para compra e download, e da Apple TV.  Desse modo, deixamos de assistir nossos filmes e programas favoritos de maneira passiva e passamos a controlar nossa própria programação, cada um do seu jeito.

A Apple TV, nesse contexto, é um complemento interessante aos televisores atuais (conectados ou não): a pequena caixa permite levar conteúdo (filmes, músicas e fotos) do seu computador (Mac ou PC) para a tela grande e também dá acesso ao material da iTunes Store – algo que não existe em “smart TVs” de nenhum fabricante. E é muito fácil de instalar e configurar. Não é exatamente uma novidade: foi lançada em setembro de 2010, mas só agora começou a ser vendida por aqui.

A caixa da Apple TV vem com quatro itens apenas: a própria Apple TV (uma caixa preta de 98 x 98 x 23 mm), um controle remoto (ambos minimalistas), o cabo de força e a documentação impressa. O hardware usa um processador Apple A4.

Se você já mexeu em um iPod, não vai achar nada diferente no controle da Apple TV – e ele funciona em Macs também. O design do controle lembra o modo de construção dos MacBook atuais, com corpo único em alumínio (na parte de trás, um compartimento para trocar a bateria).

A frente da Apple TV tem apenas um indicador luminoso branco de uso. A parte traseira traz as conexões: cabo de força, HDMI (cabo não incluído, por sinal), microUSB (para serviço/suporte apenas), saída de áudio óptico e uma porta Ethernet 10/100 – desnecessária se você tem uma rede Wi-Fi em casa.

Os requerimentos básicos para usar a Apple TV são ter a rede (com ou sem fios), uma conta na iTunes Store e uma TV com resolução mínima de 720p  – e, claro, não esquecer de comprar um cabo HDMI (no meu caso, alternar o uso com o do Blu-ray player, que uso raramente). Ao ligar o aparelho pela primeira vez, é preciso apenas configurar a rede sem fios (leia-se digitar a senha letra por letra na tela) e a sua conta da iTunes Store. Nada que leve mais de cinco minutos.

Ao acessar a loja brasileira, vemos essa tela inicial dividida em cinco itens: filmes, música, internet, computadores e ajustes.  A única grande diferença em relação à iTunes Store norte-americana é a ausência de séries de TV e alguns conteúdos na parte de internet (como vídeos online da NBA e da NFL, pagos à parte).

O catálogo de filmes é o mesmo que aparece (óbvio) no iTunes do computador.

Ao selecionar um deles, você vê informações sobre o título, opções de aluguel ou compra, adicionar à lista de desejos e até ver uma prévia do filme.

Ainda dentro de filmes, vale perder um bom tempo vendo trailers (e lembrar da época que você baixava o QuickTime só para ver trailers no site da Apple alguns anos atrás). Qualidade de imagem, tanto em filmes ou trailers, é em alta definição (como disse, minha tela é 720p, perfeita pra esse tipo de conteúdo).

A parte de Música da Apple TV não vende músicas: traz o recurso iTunes Match (preço sugerido: US$ 24,99), que faz streaming das suas músicas no iCloud. Útil, mas não obrigatório.

A parte de Internet mostra como a Apple TV pode se expandir com serviços de parceiros: aqui temos Netflix (se você tem uma conta lá, basta fazer o login), WSJ Live (pornografia financeira ao vivo), YouTube, Vimeo, Podcasts, fotos compartilhadas no iCloud e MobileMe, Flickr e Rádios online. Sim, YouTube pra juntar a família e amigos na sala (e não na frente do notebook) para ver vídeo de bobagem. E Vimeo para viajar em documentários e time lapses em alta definição.

Finalmente, a peça mais importante: a opção Computadores. Aqui, dá para ouvir/ver/assistir conteúdo em Macs/PCs com o recurso Compartilhamento Familiar ativado. Mesmo sem ter o iTunes Match (que leva toda sua biblioteca musical para qualquer iDispositivo), consegui acessar toda minha coleção instalada em um Mac. E aqui está a parte divertida: redescobrir itens perdidos entre suas músicas e usar sua TV como principal meio de diversão em uma festa/reunião familiar/simples descanso de tela enquanto você escreve um post para o seu blog (como é o meu caso agora).

A parte de filmes no seu computador pode precisar de alguns passos adicionais para assistir: os vídeos precisam ser convertidos para o formato da Apple TV/iPhone/iPod – em H264, MPEG-4 ou Motion JPEG. Nada de AVI, DivX ou outro formato anárquico – e em caso de dúvidas, use o Handbrake para converter seus arquivos para Apple TV. Funciona direito, e mesmo imagens em 480p ficam boas.

De qualquer modo, a Apple TV é um hardware que pode ser modificado com facilidade (caso você tenha coragem de invalidar a garantia do produto)  – o AppleTVHacks está aí para provar isso.

Finalmente, a área de ajustes permite configurar as definições da Apple TV – incluindo fotos compartilhadas via iPhone/iPad, ativar o AirPlay (que reproduz na TV sons, fotos e vídeos do iPod touch/iPad/iPhone sem precisar de cabos – e é incrível), definir os computadores em uso, recursos de áudio e vídeo, incluindo legendas (se exportar um vídeo com o Handbrake, por exemplo, e inserir um arquivo SRT) e “Entrar em Repouso Agora” (e não “desligar”).

Vale lembrar que, além do AirPlay para reproduzir material do iPhone, dá para baixar também o aplicativo Remote, que serve de controle remoto para a Apple TV.

Já tentei inúmeras alternativas para levar o conteúdo do computador para a TV – converter vídeos para DVD (em um passado distante), usar cabos de vídeo para ligar o notebook ao televisor, copiar arquivos para um pen drive e ler direto do Blu-ray player: todos funcionaram (com melhor ou pior qualidade, dependendo do caso). Com a Apple TV, a coisa muda de cenário: a caixinha resolve todos os problemas com configuração mínima – meu único esforço, aqui, foi converter vídeos pessoais para ver na tela grande. E ainda toca suas músicas e tem uma loja de vídeos embutida, para aluguel ou compra de filmes virtuais. Se você tiver um iPhone/iPad, a brincadeira fica ainda mais divertida. É, sem dúvida, minha próxima compra em tecnologia.

Resumo: Apple TV (2a geração)

O que é isso? Media center conectado para ligar à TV.
O que é legal? Rápido, imagem excelente, acesso a iTunes Store, reproduz arquivos via AirPlay.
O que é imoral? Sem cabo HDMI na caixa, não roda todos os formatos de vídeo.
O que mais? Compartilhamento fácil e rápido de mídia entre computadores com iTunes ou dispositivos iOS.
Avaliação: 9 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 399
Onde encontrar: Apple

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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