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Review: Bateria de emergência Anker PowerCore 20100

Se Power Bank fosse refrigerante, este modelo da Anker seria a versão PET de 2 litros oferecendo o dobro da capacidade do seu irmão menor de 10.000 mAh

As chamadas baterias e emergência para celular (ou Power Banks) são como discos rígidos — você nunca acha que tem a capacidade suficiente e sempre anseia por ter mais a sua disposição. Isso de um certo modo explica os modelos de grande imensa capacidade como o PowerCore 20100 um modelo de 20.100 mAh e o maior disponível pela empresa no Brasil.

Para quem ainda não sabe, a Anker chegou oficialmente no Brasil em maio deste ano por meio de um contrato de exclusividade com a Positivo Tecnologia o que foi uma iniciativa bem inteligente por parte do pessoal de Curitiba, já que ela entra de sola num mercado que ela nunca atuou com uma marca já bem conhecida e respeitada pelos consumidores.

Já a Anker por sua vez, inicia suas atividades contando com o apoio de uma grande empresa local que já conhece todas as peculiaridades do nosso mercado, o que por si só é uma grande ajuda já que —  como se diz por aqui — o Brasil não é para principiantes.

Dito isso vamos ao que nos interessa:

Tecnicamente falando, o PowerCore 20100 não deixa de ser uma versão “2-em-1” do PowerCore 10000 (já analisado por este ztop+zumo) tanto no que se refere a sua apresentação, visual do produto e até nos seus mecanismos de integridade/segurança…

… como o notório selo do tipo “raspadinha” que revela um código QR que pode ser usado para checar no site da empresa se o produto é genuíno usando apenas o smartphone.

O kit de acessórios que acompanha o produto também segue o mesmo padrão, ou seja, ele é formado por uma bolsa/saquinho de transporte feito de tecido areado (= Specyl?) que é um material macio e bem ventilado (ou seja, ele respira e não retém calor)…

… um cabo USB Micro de 60 cm de comprimento e um pequeno guia de boas-vindas em diversos idiomas:

Também como no PowerCore 10000, o modelo 20100 vem dentro de um blister que envolve a bateria por completo o que o protege contra batidas e quedas. Algo por sinal muito importante para um componente relativamente sensível que não costuma tolerar maus tratos, especialmente quedas:

Fisicamente falando, a bateria mede 16,6 x 5,8 x 2,2 cm (LxAxP) e pesa 356 gramas, ou seja, ele é praticamente duas vezes mais “comprido” e duas vezes mais pesado…

… que o PowerCore 10000 que mede  9,2 x 6,0 x 2,2 cm  e pesa 180 gramas:

Isso de um certo modo reforça nossa tese que o PowerCore 20100 é um “2-em-1” já que ele conta com espaço interno suficiente para abrigar seis células de energia (contra três do modelo 10000) além de contar com duas portas USB com saída de 5 volts x 2,4 A cada (totalizando 4,8 A) contra apenas uma do seu irmão menor:

Segundo a Anker, isso permite que ele seja capaz de fornecer energia para até dois dispositivos móveis ao mesmo tempo, sendo que a empresa afirma que sua carga seria suficiente para carregar um iPhone 7 (bateria de 1.960 mAh) ~7 vezes, o Galaxy S6 (bateria de 2.550 mAh) ~5 vezes ou o iPad mini 4 (bateria de 5.124 mAh) ~2 vezes.

Fora isso, esse produto também conta com a tecnologia PowerIQ que é uma tecnologia de recarga inteligente desenvolvida pela própria Anker que tenta identificar o dispositivo que está sendo recarregado e aplicar a corrente mais adequada (como 2,1 A ou 1 A). Já o VoltageBoost ameniza os efeitos da resistência natural a passagem de corrente elétrica do cabo USB “suavizando” a saída de tensão, permitindo assim uma maior velocidade de recarga.

Ele também conta com o sistema de segurança MultiProtect que previne e protege o sistema contra curto-circuitos.

O seu gabinete é feito de policarbonato preto, cujo acabamento fosco além de melhorar a pegada do produto não retém marcas de dedos (yaaay!). Seu único controle aparente é um botão na sua lateral…

… que ativa o medidor de carga da bateria representado na forma de uma escala de quatro LEDs azuis:

Segundo a empresa, o tempo necessário para fazer uma carga completa nesse produto é de aproximadamente 10 horas utilizando um carregador de 2 A o que não deixa ser é bastante muuito tempo para esse tipo de operação, de modo que o recomendado é que isso seja feito de maneira racional e planejada.

Para verificar esse tempo, nós fizemos uma série de medições utilizando um medidor da PortaPow modelo Premium que, além de monitorar a passagem/consumo de energia…

… ele também conta com um cronômetro que mede o tempo da operação de recarga da bateria:

E o que os resultados mostraram, é que a bateria realmente levou algo em torno de 10 horas para carregar com variações que foram de 9h29m20s até 12h07m46s:

Também notamos que a carga máxima de energia absorvida da bateria ficou na faixa dos 18.000 mAh

19.000 mAh (obtido com outro medidor) o que para nós, está um pouco abaixo dos…

…  20.100 mAh divulgados pela própria empresa:

Isso pode parecer algum tipo de erro/engano, mas como já dissemos na nossa análise do PowerCore 10000 o nosso palpite é que esses 20.100 mAh referem-se à capacidade total das suas seis células de energia e a Anker pode ter optado por limitar o seu nível de carga para um patamar um pouco abaixo para exatamente não estressá-las ao ponto de comprometer sua durabilidade, proporcionando assim uma vida útil bem mais longa.

Uma indicação disso é sua garantia oficial que está bem acima do que costumamos ver no nosso mercado — 18 meses.

Já nos testes de descarga — assim como fizemos com o PowerCore 10000 — ao invés de usar um smartphone ou tablet optamos por usar uma engenhoca chamada Mini Discharge USB Load Resistor Current Tester da SMAKN que como o próprio nome sugere, é um dispositivo que aplica uma carga resistiva numa porta USB, permitindo assim um consumo constante de energia por longos períodos de tempo:

Alguns não gostam dessa abordagem por não considerá-la uma representação da realidade. Mas pela nossa (longa e eletrizante) experiência com testes de no-breaks, a idéia por trás dessa metodologia é de apenas estabelecer uma referência de consumo que não ficará obsoleta de um ano para outro à medida que os smartphones evoluem.

Fora isso, os resultados obtidos por esse método serão usados por este ZTOP+ZUMO apenas para comparar o desempenho essa bateria com outras que poderemos testar no futuro, ou seja, esses valores não devem e não serão usados para questionar os resultados oficiais do fabricante.

Dito isso, o que fizemos foi carregar completamente o PowerCore 20100 e ligá-lo no PortaPow que, por sua vez, foi ligado ao Mini Discharge USB Load Resistor Current Tester (regulado para consumir 2,1 A)…

… e deixamos a bateria funcionando até se esgotar, anotando o consumo em mAh no fim de cada ciclo de teste:

No geral, a média de consumo que obtivemos ficou em 12.269 mAh valor por sinal que ficou próximo do obtido com nosso outro medidor da PortaPow:

Esse resultado pode parecer meio baixo, mas está dentro do esperado se levarmos em consideração os resultados que obtivemos no nosso hands on do PowerCore 10000 cuja média ficou em 6.152 mAh — ou seja — se considerarmos que o modelo 20100 armazena praticamente o dobro de energia do modelo 10000 — 6.152 mAh x 2 = 12.304 mAh — que é bem perto dos 12.269 mAh medidos no PowerCore 20100.

Legal né?

Nossas conclusões:

Como já dissemos em outras partes desse review, para nós o PowerCore 20100 seria um “PowerCore 10000 x2” ou seja, ele oferece o dobro do comprimento, o dobro do peso, o dobro de saídas USB, o dobro da carga e até o dobro do desempenho por um preço sugerido (~R$ 324) que não é o dobro do irmão menor (~R$ 198 x 2 = R$ 388).

Com isso queremos dizer que o PowerCore 20100 é uma ótima solução para aqueles que utilizam intensamente seus dispositivos móveis e morrem de medo de ficarem sem bateria principalmente na rua quando não há uma tomada por perto.

Observamos porém, que existe um preço a ser pago por tanta quantidade de energia — além da conta de luz é claro! — que seria o seu maior peso e volume e o tempo de recarga.

Quando falamos sobre tamanho, o que queremos dizer é exatamente isso: Esse modelo 20100 é sim um equipamento grande, de modo que não é possível carregá-lo na mesma mão junto com o smartphone como se fosse um sanduíche.

Fora isso ele também não é muito cômodo para ser carregado no bolso da calça ou da camisa. Daí para nós a solução mais viável é que ele seja transportado dentro de um bolso de casaco, bolsa ou até mochila.

Mas para isso o ideal é que o usuário utilize um cabo USB mais longo para ligar o seu dispositivo móvel. A boa notícia é que a Anker oferece uma boa variedade de cabos USB da sua linha Powerline disponível em vários modelos (USB Micro, USB-C, Lightning) e comprimentos que podem ser de 0,9 metro1,8 metros ou até 3.0 metros!

E como já dissemos antes, tempo de recarga de 10 horas é muito tempo mesmo que isso seja feito a noite. Neste caso, nossa recomendação é que o usuário não deixe a bateria zerar, completando a carga da mesma sempre que for possível.

Por fim, acreditamos que o público alvo desse produto (além dos heavy users) sejam viajantes — em especial turistas — que vão passar o dia inteiro passeando pela cidade conectado na rede usando o GPS/Google Maps para se orientar e/ou saber mais sobre o que está ao seu redor.

Fiz isso durante minha última visita a cidade de Tóquio no Japão e consegui voltar para o hotel a noite ainda com 50% de carga no PowerBank, o que indica que eu poderia até ter me virado bem com um modelo de 10.000 mAh.

Sim. pode até ser um pouco de exagero de minha parte, mas o importante mesmo é aquela sensação de segurança e paz de espírito de poder ir (e voltar) do deserto sem ter que se preocupar com o suprimento de água. 🙂

Anker PowerCore 20100

O que é isso? Bateria de emergência (ou Power Bank) de altíssima capacidade
O que é legal? Boa apresentação, capacidade, funcionamento e garantia de 18 meses.
O que é imoral? Relativamente grande e volumoso.
O que mais?  Esse produto também está disponível nas versões de 10.000 mAh (R$ 198 a vista) e 13.000 mAh (R$ 225 a vista).
Avaliação: 8,0 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação
Preço sugerido pela fabricante: R$ 324 (a vista)
Onde encontrar: Anker Brasil

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.