ZTOP+ZUMO

Resumo: Autodesk Channel Media Summit 2011

Este ZTOP participou do Autodesk Channel Media Summit 2011 – por isso quase encontramos Sheldon Cooper e descobrimos um passaurolofo por aqui nas últimas semanas.

Para quem ainda não foi apresentado, a Autodesk é a criadora do AutoCAD, um aplicativo de CAD (Computer Aided Design) lançado no final de 1982 cujo principal atrativo é ter sido um dos primeiros programas de desenho técnico a rodar em um microcomputador — em especial o IBM PC. Seu impacto entre os profissionais de engenharia foi o mesmo da planilha eletrônica no mercado financeiro.

E o que começou como uma empresa de 18 funcionários e um único produto é hoje uma multinacional com mais de 6.600 funcionários, cerca de 80 produtos que englobam quase todos os aspectos do mundo do design em computador…

… permitindo que arquitetos, artistas, engenheiros e fabricantes criem modelos digitais de seus projetos, permitindo assim experimentar plenamente suas idéias no mundo virtual bem antes de partir para os modelos reais, ganhando assim mais tempo para aperfeiçoar o desenvolvimento ao mesmo tempo que economiza recursos. Sob esse ponto de vista, o céu (ou a borda no monitor) é o limite:

===

===

O evento em si foi coordenado por Gary Smith, diretor sênior para as Américas, que explicou que a principal mensagem da empresa para hoje e os próximos anos é de continuar a apoiar e fortalecer seus canais de distribuição — em especial os chamados VARs (Value Added Reselers) — além de investir na simplicidade da maneira com que o produto é apresentado e comercializado.

Quem explicou isso com mais detalhes foi Steven Blum (VP sênior mundial de vendas e serviços). Ele explicou que até recentemente o setor de vendas de cada geografia (Américas, MEA, APAC) — apesar de algumas similaridades — tocava seus programas quase que de maneira independente sendo que no ano passado a Autodesk criou uma estratégia unificada que estabeleceu regras gerais de como sua área de vendas deve trabalhar. A intenção nesse caso nem foi de mudar radicalmente a maneira como as coisas são feitas — já que os resultados antes no geral já eram bons — e sim de padronizar os métodos de trabalho e o discurso para o mercado.

Com relação aos mercados emergentes, Blum afirma que – assim como toda a torcida do Flamengo — existem grandes oportunidades nos BRIC (Brasil, Russia, Índia e China), mas também surgem chances interessantes em outras partes do mundo como Ásia, África e Oriente Médio (o pessoal de Dubai que o diga) e que o sucesso da empresa no Brasil ou na China contribuem de um certo modo para o crescimento da economia mundial como um todo.

Outro grande investimento neste ano ocorre na área de educação e treinamento. A Autodesk já investe em instituições de ensino superior e médio, fazendo com que os alunos treinados nas plataformas levem a cultura do software para suas carreiras. A novidade nesse caso é que a empresa começa a investir mais em programas de treinamento e certificação on-line inicialmente voltado para seus parceiros de vendas e VARs e que em breve também estarão disponíveis no Brasil para qualquer interessado, e em português.

Outra grande iniciativa da empresa é de oferecer seus produtos na forma de suítes de aplicações, seguindo o exemplo do que a Microsoft já faz com seus programas de escritório. Desse modo a empresa tem condições de criar pacotes de soluções integradas que atendam as demandas específicas de cada cliente, ao mesmo tempo que permite aos clientes terem acesso a produtos que inicialmente eles nem tinham interesse, mas que já que veio no pacote, por que não utilizar — e se gostar a empresa pode ter conquistado mais um usuário fiel.

Quem explicou isso com mais detalhes foi Andrew Anagnost (VP de suítes, Web Services e Subscriptions) que disse que uma das grandes vantagens desse sistema de suítes é a de simplificar o diálogo entre seus parceiros de vendas e seus clientes em especial na escolha do melhor produto e na definição do preço final, o que é bem mais simples do que juntar diversos programas e negociar uma oferta.

O que ele quer dizer com isso é que, pela sua experiência, um cliente não tira proveito imediato de 100% de uma suíte — por sinal nem a Autodesk espera isso — mas a idéia é que com a disponibilidade desses novos recursos a empresa com o tempo aprenda a tirar proveito dessas ferramentas e passe a usá-las sua rotina de trabalho, um comportamento que ele chama de Value and WorkFlow:

Outra inovação recente da Autodesk é que ela não distribui mais seus programas em discos ópticos, e sim dentro de um memory key. Num mundo onde tudo pode ser baixado da rede isso pode parecer um antagonismo, mas segundo a empresa esse formato ainda é o mais indicado devido ao tamanho das aplicações, fora o fato de que baixar grandes arquivos em algumas localidades — inclusive dentro do Brasil — pode ser um tormento além do que podemos chamar de suportável.

Fora isso essa mídia — ao contrário dos DVDs e blu-rays — são bastante flexíveis, já que dispensam o uso de leitoras e podem aumentar de capacidade de acordo com a demanda. Fora isso a partir da definição da suíte de aplicações, a imagem do pacote pode ser rapidamente criada e transferida para o memory key, simplificando a logística e a manipulação de estoques se comparado, por exemplo com a prensagem de mídias.

Entretanto a venda do software é apenas metade da solução, já que a Autodesk também investe pesado num modelo de negócios que eles chamam de Autodesk Subscription (assinatura), com pagamento de taxa anual e atualização de software todo ano.

Finalmente, Anagnost anunciou que a Autodesk também irá para a nuvem, inicialmente na forma de Web Services. Um dos primeiros produtos a serem oferecidos pela empresa são serviços de processamento de imagens, simulações e renderização de vistas funcionando assim como uma extensão dos recursos disponíveis nos sistemas instalados no PC.

Com o lançamento desses serviços na nuvem, a Autodesk pretende aumentar sua integração com os programas do PC (e para os pacotes de assinatura, claro, já que alguns serviços de suporte e atualização podem se tornar ferramentas de acesso exclusivo).

///////

Depois das apresentações gerais,  conversamos com dois executivos da Autodesk encarregados da América Latina: Ricardo Cazes (gerente regional e técnico sênior) e Oscar Silvosa (gerente regional de canais).

 

Antes de mais nada perguntei: como uma empresa dona de um respeitável market share e ganhos expressivos tem a expectativa de faturar ainda mais nesse mercado? Qual é a grande sacada para isso?

Cases explicou que,se todo mundo que usa os programas da Autodesk pagassem pelo software, realmente não haveria muito mercado para crescer — (duh!) — de fato ele estima que no geral, o índice de uso de software piratas na América Latina varia de 65 a 70%. Esse número não se refere especificamente aos produtos da Autodesk, mas sim do mercado de software como um todo.

Isso mostra que assim como outros programas consagrados pelo mercado como o Microsoft Office ou o Adobe Photoshop, a Autodesk também sofre com o problema da pirataria de software. Um bom sinal disso é o número de spams que circulam pela rede oferecendo cursos de AutoCAD — informação confirmada pela empresa— o que mostra a popularidade desse produto por essas bandas.

O executivo também explicou que o índice de pirataria varia muito de produto para produto, sendo que o mais copiado é obviamente o mais conhecido deles, o AutoCAD. Entretanto ele comenta que uma das estratégias que eles adotam é de tirar proveito da popularidade dessa soluções mais “genéricas”como o AutoCAD e incentivar os clientes em potencial a migrarem para produtos mais sofisticados e que atendam melhor às suas necessidades em especial naquilo que está além do desenho — análise estrutural ou controle de contabilização de recursos, resultando assim em maior produtividade.

Outra oportunidade que a Autodesk enxerga com muito interesse no Brasil é a realização de grandes eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas do Rio em 2016. Silvosa disse que com a necessidade de melhorar da infraestrutura de transporte, estádios e centros esportivos poderão tirar grande proveito de sistemas conhecidos como BIM (Building Information Models), que são ferramentas que eles consideram críticas para o sucesso desses tipos de projetos. De fato, a empresa chega a ter ferramentas especializadas que ajudam a selecionar até a melhor planta a ser cultivada num canteiro ou local público de acordo com o local e condições do ambiente. Graças a isso eles acreditam ter condições de atender qualquer tipo de cliente, seja uma pequena construtora ou escritório de arquitetura até os diversos níveis de governo, incluindo o federal.

Para mim a grande surpresa desse evento foi descobrir que a Autodesk também possui produtos específicos para o usuários finais, em especial para tablets (uia!) No geral, utilitários como o Autocad WS, programas de desenho como o Skecthbook Pro e até um joguinho para crianças, o TinkerBox:

===

===

Apesar de a Autodesk já ser um big player em desenvolvimento de games, oferecendo diversas ferramentas para os estúdios de jogos, Cazes explicou que não é intenção da Autodesk entrar de sola nesse mercado, muito menos espera tirar algum lucro. O retorno nesse caso, explica o executivo, é de aumentar a atenção do público para os produtos da Autodesk. Algo que eles chamam de “consumer awareness”, e que a empresa de um certo modo sente alguma falta.

Pode ter certeza que se era pra chamar a atenção, pelo menos funcionou comigo.

Disclaimer: Mario Nagano viajou para São Francisco a convite da Autodesk.

 

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.