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Hands-on: Receptor de TV Digital “Bolsa Familia” D-Link DTB-332 (Parte 2 de 2)

Na segunda parte desta análise, iremos dar uma olhada na experiência de uso desse aparelho, assim como seus recursos de interatividade.

(A primeira parte deste Post pode ser encontrado aqui.)

Como receptor de TV digital, o D-Link DTB-332 é um aparelho simples e funcional e que pode até ser operado sem o uso do controle remoto graças a presença no seu painel frontal de botões para seleção de canal e ajuste de volume (este último por sinal, relativamente raro nesse tipo de equipamento). Note a presença de um LED de estado que indica se o aparelho está ligado (verde) ou em stand-by (vermelho). Até por ser um equipamento voltado para o público de baixa renda, bem que ele poderia ter uma chave geral que desligasse o aparelho por completo, eliminado assim o desperdício de energia dos aparelhos em stand-by que alguns até chamam de “LED Vampiro” e que pode representar até 12% da conta de luz de uma residência.

Dlink_DTB332_instlado

Ao contrário do meu receptor de TV Digital de primeira geração modelo DC 2008H da Semp Toshiba que esquenta tanto quanto uma grelha de assar sardinha, o circuito do DBT-332 até que opera numa temperatura relativamente baixa, sendo que quando ligado, seu ponto mais quente é o seu SoC MSD7833-Z01-NB2 que alcançou a temperatura de ~ 85 graus Celsius, o que é algo notável para um chip sem nenhum sistema de dispersão de calor (viva a lei de Moore!).

Dlink_DTB332_thermal

Apesar do equipamento vir equipado com duas portas USB, esta serve essencialmente para instalar um modem 3G para estabelecer o chamado “canal de retorno” (mais sobre isso embaixo) ou atualizar o firmware do aparelho por meio de um memory key. E ao contrário de outros receptores do mercado, o DTB-332 não possui recurso de reprodutor de mídia ou seja, não é possível instalar um memory key com arquivos de imagens/vídeos e reproduzí-los na tela da TV. Em contrapartida, as portas USB podem ser usadas para recarregar smartphones e tablets desde que eles não sejam muito fominhas (máximo 1.0 A).

O processo de inicialização do receptor é de aproximadamente 45 segundos como nas TVs novas, antes de mais nada é preciso fazer a busca inicial de canais…

Dlink_DTB332_setup_inicial

… que é um procedimento simples e direto: Basta selecionar o comando Busca de Canais que o sistema se encarrega do resto:

Dlink_DTB332_setup_busca_canais

O curioso é que a opção Instalação da Antena é na verdade um pequeno tutorial na forma de slide show, que orienta o usuário em quatro etapas como instalar a antena da sua TV digital:

Dlink_DTB332_setup_busca_antena2

Já o Diagnóstico é um recurso bem mais complexo, que apresenta a qualidade do sinal de cada emissora, o que pode ser uma ferramenta bastante útil para analisar e encontrar a melhor posição da antena, principalmente em locais remotos. Lembre-se que ao contrário das TVs analógicas, não existe imagem ruim causada por sinal fraco. No sistema digital ou o canal pega (com boa imagem) ou não pega (sem imagem).

Dlink_DTB332_setup_diagnostico

Já no Menu de Imagem é possível configurar a saída do sinal de vídeo, o que inclui o padrão de cor (PAL-M ou NTSC-M), canal da saída de RF (3 ou 4), resolução da saída HDMI (480p, 720p ou 1080i):

Dlink_DTB332_setup_busca_imagem1

Já o controle de ajuste se refere aos diversos formatos de tela que podem ser enviados para TV, tanto via sinal digital (HDMI), quanto analógico (RCA):

Dlink_DTB332_setup_ajustes

Talvez a parte mais complicada do ajuste inicial desse receptor é a Conexão do receptor à internet, já que para isso é necessário que o usuário disponha de uma conexão de banda larga via cabo de rede (disponível em conexões ADSL ou TV a cabo com roteador) ou de um conexão 3G via modem USB já habilitado pela operadora de telefonia. Note que este receptor não é compatível com a tecnologia Wi-Fi mesmo que este recurso seja implementado via adaptador USB.

Dlink_DTB332_setup_conexão

Como não temos um modem 3G optamos por ligar o receptor na nossa rede local, cujo endereço IP pode ser selecionado automaticamente se o recurso de DHCP estiver disponível na rede (IP Automático) ou manualmente via IP Fixo.

Dlink_DTB332_setup_conexão2

Em ambos os casos, é possível checar se a configuração está correta, por meio da opção Testar Conexão:

Dlink_DTB332_setup_IP_automatico

Finalmene, o menu do Sistema concentra o Gerenciador de Aplicações do Ginga, o sistema de controle parental (travado com senha), a janela de informações do sistema e as funções de atualizar o sistema (via conexão on-line ou memory key USB) e de restaurar o sistema para o padrão original de fábrica.

Dlink_DTB332_setup_sistema1

Como já vimos nos sistemas com Android, o Gerenciador de Aplicações permite que o usuário verifique as aplicações já instaladas e a quantidade de memória disponível.

Dlink_DTB332_setup_gerenciamento_app

Pelo que pudemos verificar por meio deste gerenciador, o DTB-332 vem com aproximadamente 570 MB de memória de armazenamento, sendo que 401 MB já vem ocupado com duas aplicações pré-instaladas de fábrica o Bolsa Família (156 MB) e o Brasil4D (244,7 MB) restando apenas 167 MB livres para a instalação de programas adicionais.

Ah sim… Nem pense em desinstalar essas aplicações do governo, porque isso não é possível:

Dlink_DTB332_setup_gerenciamento_app2

Já a janela de Informações do Sistema informa sobre a versão do hardware e firmware instalado no sistema, além do seu número de série e endereço MAC:

Dlink_DTB332_setup_sistema_firmware1

O curioso é que essa janela também informa quais os modems 3G compatíveis com esse aparelho:

Dlink_DTB332_setup_sistema_firmware2

E depois de todos esses ajustes (ou pelo menos a pré-sintonização dos canais) o sintonizador está pronto para uso:

Dlink_DTB332_no_ar

Ao trocar o canal ou pressionar o botão “Info” no controle remoto, é apresentado um resumo do programa que está sendo apresentado e algumas informações adicionais como recomendação de faixa etária, sinopse, seleção de canal de áudio assim como a disponibilidade de conteúdo interativo (Ginga) e legendas (Closed Caption ou CC):

Dlink_DTB332_info1c

Para acessar essas funções basta pressionar o botão correspondente no controle remoto. Por exemplo, ao pressionar o botão “Info” o receptor apresenta uma sinopse do programa que está sendo apresentado…

Dlink_DTB332_info2

… e o próximo, mas não além disso.

Dlink_DTB332_info3

Fora isso, é possível navegar por uma lista para ver e selecionar todos os canais pré-sintonizados e disponíveis no sintonizador:

Dlink_DTB332_lista_canais1

Um recurso que não tinha ficado muito claro na nossa análise inicial desse produto foi a presença do botão “Libras” no controle remoto.

Dlink_DTB332_bota_libras1

Mas como foi inicialmente especulado pelo nosso leitor Jader e confirmado posteriormente pela própria D-Link, esse comando dá acesso a implementação da Língua Brasileira de Sinais (= Libras). A ideia é que quando ativado, o equipamento exiba uma janela com a linguagem de sinais no canto da tela do expectador.

Dlink_DTB332_libras

Porém, segundo Renato Rossi da silva, gerente de produtos da D-Link seu equipamento deverá suportar esta facilidade de forma plena somente nos próximos releases de software. Isso porque o Gired ainda não se decidiu sobre como as emissoras deverão transmitir os sinais que serão interpretados pelo DTB-332.

Outro recurso bem curioso é o chamado modo de Audiolocução localizado na base do menu de ajustes que, quando ativado, emite mensagens de voz informando que comando do controle remoto foi acionado, como por exemplo, “Mudo Ligado“, “USB Conectado“, “Sair“, “Closed Capition… Ligado”, etc.

Com relação aos recursos de interatividade, a impressão que temos é que existem dois tipos de “Ginga” neste receptor. A primeira delas é aquela que já vimos no passado que coloca uma “segunda camada de informação” sobre a programação normal da TV, transformando-a numa ferramenta de suporte/complementação da programação da casa…

Dlink_DTB332_ginga_globo

… ou num terminal de informações…

Dlink_DTB332_Ginga_Gazeta_overlay

… ou mesmo um portal para novos produtos e serviços gerados e oferecidos pela emissora de TV)…

Pana_ginga_redetv2

Pana_ginga_SBT2

… e é claro, até alguns experimentos bem divertidos (no sentido mais exato da palavra). O interessante é que como esse conteúdo é enviado pelo sinal de TV, é possível interagir com boa parte desse material sem estar conectado com a internet, o que neste caso limita apenas a possibilidade de enviar informações de volta para a emissora (como a resposta para uma enquete ao vivo) via canal de retorno.

Dlink_DTB332_Ginga_Tetris

O que esses exemplos mostram é que essa tecnologia ainda está na sua infância, de modo que as emissoras parecem ainda estar aprendendo como tirar proveito dessa nova mídia. E como no caso das TVs 3D, a parte dos fabricantes de desenvolver e entregar a tecnologia está feita, de modo que — a meu ver — a batata quente está agora nas mãos dos desenvolvedores de conteúdo (alô emissoras) que precisam descobrir meios de como capitalizar em cima desse novo ecossistema.

Já o “outro tipo de Ginga” se parece mais com o que estamos acostumados em ver nas SmartTVs ou seja, um catálogo de aplicativos independentes…

Dlink_DTB332_ginga_portal1

… que podem ser baixados diretamente de um portal subdividido por temas. Observamos porém que, fora as duas aplicações pré-instaladas (Brasil4D e Bolsa Família) esse portal ainda está praticamente vazio…

Dlink_DTB332_ginga_portal2c

Sendo que a única aplicação que encontramos na seção de Entretenimento foi o “Quero Ver Cultura” desenvolvido pela Equipe Ginga Brasil…

Dlink_DTB332_ginga_portal2a

… que não pode ser baixado porque o receptor não tem de memória livre disponível:

Dlink_DTB332_ginga_portal3

E como já vimos acima, como as aplicações pré-instaladas não podem ser apagadas o potencial de uso desse recurso fica meio que bastante limitado, o que talvez até explique uma maior oferta de programas neste portal.

O que mais me chamou a atenção dessas aplicações baseadas no middleware Ginga e na sua linguagem de programação (Ginga NCL) é que ela tira o proveito dos recursos de multimídia, criando assim o que eles descrevem como “programas audiovisuais interativos” que tira o máximo proveito dos recursos de vídeo oferecidos pela plataforma.

Isso pode ser percebido com mais clareza quando entramos na aplicação Brasil4D

E nas suas seções Mulher

Saúde

… e Trabalho:

Na aplicação Bolsa Familia tira mais proveito dos recursos de audiodescrição e uma seção à parte para vídeos institucionais:

Nossas conclusões:

Para um produto criado especificamente para uso em programas sociais, ficamos particularmente impressionados com o D-Link DTB-332.

Trata-se de um equipamento relativamente simples e funcional, sem muita frescura, fácil de operar e que funciona muito bem na sua função principal — ou seja — reproduzir sinal de televisão digital de boa qualidade em qualquer aparelho de TV seja ele um modelo de tubo de mil novecentos e antigamente até uma TV de tela plana que ainda não conta com receptor embutido (algo comum entre os modelos com mais de 5~7 anos de idade).

A única coisa que realmente sentimos falta neste aparelho é a falta do gravador de vídeo (PVR) e a reprodução de mídias (imagens e vídeos), mas isso não é nada que comprometa a proposta do produto já que — cá entre nós — quem é que realmente utiliza regularmente esse recurso em seus receptores?

Talvez a maior polêmica deste produto fique por conta dos seus recursos de interatividade que dependem do canal de retorno via Internet. Em um país de extensões continentais onde a oferta de banda larga via cabo/fibra/telefone não chega — em especial nas regiões rurais — é fato que o canal de retorno preferido será por meio rede celular — em especial via modem 3G — o que pode ser um paradoxo para o seu público alvo, já que não sei ser seria do interesse de uma família beneficiária do Bolsa Família em pagar por uma conexão 3G apenas para conectar TV, já que esse recuro poderia ser melhor aproveitada num smartphone.

Sob esse ponto de vista, será que além dos receptores a EAD (Entidade Administradora da digitalização) também estaria disposta a bancar uma “Bolsa 3G?” — Quem sabe?

Se existe alguma crítica a esse equipamento, para mim é sua pouca memória de armazenamento, capaz de abrigar apenas duas aplicações (do Governo) e que não pode ser apagados. Não iremos ficar aqui fazendo comentários sobre os aspectos sócio-político-econômicos que definiram essa capacidade de armazenamento mas, como dissemos acima, achamos que a dificuldade de instalar aplicações adicionais na memória deste receptor limita e muito o potencial desse equipamento, que poderia ir muito além do que dar dicas de saúde, anunciar vagas de emprego ou reproduzir propagandas do Bolsa Família.

E isso sem falar que estamos falando de um novo canal de comunicação que irá se conectar com ~14 milhões de famílias.

Mas quem sabe isso não se resolve na versão 2.0 desse produto? 🙂

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Jader 04/01/2016, 23:08

    Se nem as emissoras que poderiam angariar alguma grana com a interatividade não se preocupam com isso, não creio que o governo vá mover uma palha nesse sentido. Nesse caso só interessa liberar a faixa de 700 MHz para o 4G.

    • Mario Nagano 05/01/2016, 10:14

      Como já dissemos em um Post de 2012, acho que a janela de oportunidade do Ginga já see foi a muito tempo, e ficou pior ainda com a chegada e popularização dos tablets, smartphones e até mesmo das Smart TVs.

      Mas quem sabe, alguém não inventa uma Killer App para Ginga e ai o jogo vira?

  • Alexandre Gorges 05/01/2016, 09:41

    Chega de bolsas. Criem trabalhos.

    • Alexandre Gorges 07/01/2016, 13:35

      interessante que todo ano aumenta e não diminui o uso do bolsa.

  • dflopes 15/01/2016, 09:07

    Recomendo o Zinwell ZBT 601.
    Permite gravação (igual aos video cassetes).
    E tem firmware customizado que liberou a gravação pra 12h ininterruptas.