Hands-on: Receptor de TV Digital “Bolsa Familia” D-Link DTB-332 (Parte 1 de 2)

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Tivemos acesso ao novo conversor da D-link que será doado para os participantes do programa Bolsa Família.

Lançado oficialmente em dezembro de 2007, o  Sistema Brasileiro de Televisão Digital (também conhecido como SBTVD ou ISDB-Tb) teve um nascimento bem conturbado — o que inclui a oferta conversores caros (contradizendo a promessa do ministro), a falta do sistema de interatividade, o conflito de interesses na implementação da TV digital via parabólica, a concorrência da TV a cabo/Smart TVs e até a vaga promessa de uma empresa japonesa de construir uma fábrica de chips no Brasil — histórias que, por si, só já renderiam um bom livro ou um belo documentário do Channel Four.

Mas apesar de todas essas adversidades está claro que, depois de quase uma década, o SBTVD veio para ficar e já deixou de ser uma quimera tecnológica para se tornar “parte do cenário” como a luz que chega do poste ou a água que sai da torneira — e cá entre nós — representa um grande imenso salto de qualidade se comparado com o sistema analógico.

Pana_ginga_intro2

Agora, o grande desafio que resta é o desligamento definitivo do sinal analógico, cujo processo já deveria ter começado em 2013, mas que foi postergado para meados de 2016, com possibilidade de estender-se até 2018.

Dlink_SBTVD_desligamento

De fato, o governo já anunciou que o município de Rio Verde em Goiás será a primeira cidade brasileira a ter o sinal analógico de TV desligado e, a partir de 2016, já estão na fila a cidade de Brasília e região, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Rio de Janeiro:

Dlink_SBTVD_etapas

O resto da programação pode ser conferido na lista abaixo:

Dlink_SBTVD_etapas2

Mas como já aconteceu em outros países, é fato que ainda existem milhões de aparelhos de TVs analógicas funcionando nas casas da população de baixa renda, um público que nem sempre têm condições econômicas de adquirir um conversor digital.

E ai, como fica?

Foi a partir deste dilema que em 2013 o Governo Federal começou a analisar a viabilidade de doar conversores de TV Digital para os beneficiários do programa Bolsa Família, uma iniciativa que alguns apelidaram na época de “Bolsa Novela”.

De fato, estima-se que entre as mais de 13,9 milhões beneficiários do Bolsa Família do Governo Federal, 11,4% estão nas localidades desligadas em 2015/2016, 12,6% em 2017 e 75,9% em 2018:

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Daí surgiu o EAD (Entidade Administradora da digitalização), uma associação formada pelas empresas Algar, Tim e Telefônica/Vivo que ganharam a licitação de exploração da faixa de 700 MHz, assumindo assim — entre várias coisas — a tarefa de operacionalizar e divulgar o processo de transição da TV analógica para digital, além de distribuir conversores, filtros e antenas para os beneficiários do programa Bolsa Família.

Fazendo isso, o pessoal da EAD aceleraria o processo de “limpeza” da subfaixa de 700 MHz que é exatamente usada hoje no Brasil pelos serviços de (surpresa! surpresa!) TV analógica — o que é algo de grande interesse do grupo, já que dela depende seus planos de expansão das redes LTE/4G para o resto do País. Isso porque essa frequência é a mais adequada para cobrir áreas rurais (devido a sua maior propagação) e até urbanas (por permitir melhor recepção em locais fechados).

E depois de quase dois anos, o governo federal anunciou finalmente a criação de um Kit Digital Gratuito que será distribuído inicialmente, para sete mil famílias da cidade de Rio Verde…

Dlink_DTB332_vc_na_TV

… sendo que para receber esse kit, os beneficiários deverão fazer um pré-cadastro pelo número de telefone 147 e agendar uma data para retirar o equipamento nos postos indicados pelo governo.

Dlink_DTB332_caixa

A previsão é que perto de um milhão de equipamentos sejam distribuídos nas próximas cidades que terão o sinal analógico interrompido.

Entre as participantes dessa iniciativa estão a TQTVD, uma empresa do grupo TOTVS que desenvolveu a camada de interatividade (ou middleware Ginga) do aparelho e a D-link que desenvolveu uma plataforma de hardware sob medida para este programa batizada de modelo DTB-332:

Dlink_DTB332_unbox

Observamos porém que esse aparelho não será vendido em lojas e que a D-Link é apenas uma das empresas selecionadas pela EAD para fabricar o hardware desse programa, de modo que, com o passar do tempo, é possível que outras marcas e/ou modelos sejam anunciados e distribuídos. Fora isso, ainda não temos informação sobre como é ou qual será a marca da antena UHF, já que esta não será fornecida pela D-Link.

Mas voltando ao que interessa, o DTB-332 é um conversor de TV Digital na forma de setup-box que mede aproximadamente 18,0 x 4,0 x 10,4 cm (LxAxP sem contar os conectores traseiros) e 225 gramas de peso.

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Como era de se esperar de um equipamento de baixo custo, o gabinete do DTB-332 é bem espartano, feito todo de plástico ABS com acabamento brilhante, o que eu particularmente não gosto por ser mais sensível à riscos e marcas de dedos. A exceção fica por conta da parte superior dominada por uma grade de acabamento fosco que serve de saída do calor gerado pelo circuito.

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Na frente do aparelho podemos ver o botão de liga/desliga e outros quatro que são usados para controlar o volume (seta esquerda/direita) e trocar os canais (seta sobe/desce). Note a presença de uma porta USB “powered” que (acho eu) pode ser usada para reproduzir mídias e até recarregar alimentar outros dispositivos alimentados via porta USB com intensidade de corrente de até 1 ampere.

Dlink_DTB332_frente

Na parte de trás podemos ver que esse conversor até que é bem rico em recursos, vindo equipado (à partir da esquerda) com uma entrada e saída de sinal de antena, porta de rede Ethernet (para gerar o sinal de retorno pela internet), mais uma porta USB “Powered”, uma saída de vídeo HDMI e outra de vídeo composto + canal de som direito/esquerdo e uma entrada…

Dlink_DTB332_tras

…  para fonte de alimentação de 12 volts x 2 amperes que já acompanha o produto:

Dlink_DTB332_fonte

Graças a lei de Moore, sua placa de circuito é relativamente simples, construído ao redor do chip MSD7833-Z01-NB2 (um SoC para receptor de TV digital) fabricado pela MStar Semiconductor e equipado com 4 GB de SDRAM DDR3 e 16 Gb de NAND Flash. Fora isso, identificamos apenas alguns reguladores de voltagem, circuitos auxiliares e o modulador de RF:

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Já o controle remoto é um modelo bem convencional, com seus teclado numérico, teclas de navegação e botões coloridos.

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Um detalhe bem interessante é o fato desse controle ser alimentado por duas pilhas AA de 1,5 volts o que até adiciona um maior volume ao acessório, mas mesmo assim acho isso preferível ao uso das pilhas AAA que não são tão populares (e fáceis de achar) quanto a sua irmã maior com um A a menos.

Dlink_DTB332_remoto3

Na sua parte de cima podemos ver que o teclado numérico — como nos celulares — também pode ser usado para digitar textos. Note a presença do botão “Ginga” à direita do botão de liga/desliga que dá acesso aos recursos de interatividade desse sistema (mais sobre isso na segunda parte deste post).

Dlink_DTB332_remoto1

Já na parte central temos os botões de navegação cercado por diversos botões auxiliares (menu, info, voltar e sair) e duas teclas do tipo gangorra que controlam o volume e a troca de canais. Alguns podem até preferir esses botões lado a lado na forma de barras, mas se acostumar com esse novo formato não é tão difícil quanto parece, já que o polegar tende a se movimentar até mais confortavelmente neste formato:

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Já os botões coloridos funcionam de acordo com o contexto indicado pela interface do sistema. De resto, os botões da carreira abaixo são meio que auto-explicativos com exceção do botão “libras” que, segundo o fabricante, trata-se da implementação da Língua Brasileira de Sinais. A ideia é que quando ativado, o equipamento exiba uma janela com a linguagem de sinais no canto da tela do expectador.

Segundo Renato Rossi da silva, gerente de produtos da D-Link seu equipamento deverá suportar esta facilidade de forma plena somente nos próximos releases de software. Isso porque o Gired ainda não se decidiu sobre como as emissoras deverão transmitir os sinais que serão interpretados pelo DTB-332.

Apesar disso, o processo de instalação desse conversor não é nada complicado, ou seja, ligar o cabo vindo da sua antena UHF (que não é a mesmo que antena VHF, muito usada nas cidades), conectar o cabo de rede ou pendrive 3G na porta USB, ligar o cabo de vídeo que vai para a TV que pode ser do tipo digital como o HDMI (mais comum nas TVs e até alguns monitores com tela LCD)…

Dlink_DTB332_instal_hdmi

… ou até analógico se a TV for de tubo:

Dlink_DTB332_instal_analog

Vale a pena observar que como nos videocassetes e e videogames antigos — é possível receber o  sinal digital pelo canal 3 VHF da TV.

Dlink_DTB332_RF-OUT

Para isso, basta ligar a saída RF OUT do DTB-332 na entrada da antena analógica por meio de um cabo coaxial que já acompanha o produto.

Dlink_DTB332_conexao_antena

Feito isso basta ligar o aparelho e sintonizar no Canal 3 ou 4 da TV (configurável no aparelho) e depois de um simples processo de inicialização e localização de canais e a TV está pronta para uso.

Dlink_DTB332_ligando

Isso é um recurso notável, já que ele mostra que o sintonizador da D-Link está realmente preparado para funcionar com qualquer aparelho de TV — dos modelos mais antigos de tubo (que nem entrada direta de vídeo tem) até os mais novos modelos de tela plana mais sofisticadas com porta HDMI.

Dlink_DTB332_ligando2

Como a parte de software desse equipamento é bastante rica, iremos analisá-la com mais detalhes na segunda parte deste post — o que também inclui alguns testes de resiliência, medições de consumo, sua experiência de uso e — o mais interessante — uma análise dos recursos de interatividade oferecido pelo sistema Ginga da TQTVD.

Até lá, fiquem ligados.

Ainda em tempo:

A segunda parte deste post pode ser encontrado aqui.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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