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Radiohead: experimentos na música digital

In RainbowsPrimeiro, a teoria da conspiração: paguei, anteontem, 5 libras pelo novo disco do Radiohead. Recebi o link para download hoje cedo, baixei rapidinho, ouvi, gostei.

Pelo menos dois conhecidos que compraram ontem e pagaram menos (0,5 e 1 libra, respectivamente) não receberam os links até agora. E o site para compras está congestionado. Ou será que quem comprou antes recebeu antes?

Agora, a parte séria. Conversei com o Felipe Llerena, do iMusica, sobre a “questão Radiohead’. (o iMusica anunciou alguns dias atrás uma parceria com Nokia e Claro para lojas online de música digital no celular para o Brasil e América Latina. A idéia é recuperar o velho e bom comprador de discos, o adolescente impulsivo, que terá no celular uma nova plataforma para compra sem precisar usar o cartão de crédito – vai direto para a conta mesmo).

“Um plano desses só funciona com uma banda estourada como o Radiohead. Se a ‘Felipe Band’ lançar um disco amanhã, ninguém vai comprar. Tem que ser um grupo querido e desejado”, diz o executivo. Tem toda lógica. “Mas vamos ver daqui a dois dias se a febre de vendas não baixa e vai todo mundo pro P2P?” (é, nem precisa esperar, já está). Depende também do tipo de público – Llerena acredita que um artista grande como, bem, Daniel, não daria certo num modelo desses. “Quem sabe não é uma audiência mais pro celular?” – porém uma Marisa Monte vendendo downloads independentemente poderia funcionar. “É muito mais simples comprar do artista, mas vamos ver o que vai dar.”

Llerena deixa duas questões para o futuro: 1) se o Radiohead vai liberar um ranking de paí­ses que mais compraram e 2) se a experiência (notadamente no Brasil) serve pra quebrar a tal barreira do cartão de crédito internacional. É esperar para ver.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • Pois é, se vai todo mundo comprar ou ir direto pro Kazaa. Beijos

  • Ou se o Brasil é recordista em pagar 0,00 pra baixar o álbum.

  • não dá pra pagar zero. eles cobram um tax de 0,45 libra!

  • Pedro

    Acho a iniciativa bem louvável nessas épocas em que tdo pode ser encontrado de graça na net e a música não pode perder 100% de seu valor. Mas não dá para esquecer que o Radiohead deve muito do que é, hoje, à EMI. Saber o quanto uma gravadora/selo precisa investir na divulgação de 1 artista é um dos principais problemas hoje da indústria musical. Os Arctic Monkey sabem bem disso.

  • fico me perguntando se o los hermanos, em tempos de “ventura”, teria sucesso se tivesse tentado algo do gênero. mas só vejo potencial no brasil pra uma venda desta pra eles, na boa.

  • Pedro: gravadora, e isto está provado, no modelo atual de negócio da música só precisa se mexer na hora do jabá. É claro que em países onde o jabá é parte do DNA da indústria musical, como o Brasil, damos mais importância às gravadoras do que elas realmente merecem.

    Fora isso, a iMusica, não satisfeita em fazer fracassar o mercado de música digital com seus WMA infestados de DRM, agora vai matar o mercado de música móvel. Bons garotos.

    Ah, ainda existe esperança de vida inteligente no mercado de música: http://www.telegraph.co.uk/money/main.jhtml;jsessionid=UFHGRNWLKHUVHQFIQMFCFGGAVCBQYIV0?xml=/money/2007/10/08/cnemi108.xml

  • Só pra ser moderado de vez (hehe):

    “Se a ‘Felipe Band’ lançar um disco amanhã, ninguém vai comprar. Tem que ser um grupo querido e desejado”, diz o executivo. Tem toda lógica. “ – Felipe Llerena, iMusica

    Dica de Natal pro Felipe e pra quem repete essa bizarrice: comprem “A Cauda Longa”, e aí vocês vão entender porque essa declaração é falsa.

  • Cesar
    O DRM do iMusica pra celulares ̩ AAC+, um pouco menos pior Рe toca em ipods, n̩?

  • Para desbancar a teoria da conspiração: paguei duas libras e recebi o link de manhã, no dia do lançamento. Baixei rapidinho, sem problemas.

    A grana está curta, e eu só tinha mesmo como pagar duas libras. Pensei que era miséria, que era pouco, e quase desisti. Mas aí pensei: “Pô, se eu não pagar duas libras vou baixar de graça no emule mesmo… acho que o Radiohead prefere as duas libras”, e paguei 🙂

  • Henrique, como assim toca em iPods? Eles deram um jeito de colocar o DRM da Apple nos arquivos? Tá estranho isso…

  • Felipe, não é o DRM da Apple. é que o formato é compatível com iPods e a maioria dos celulares.

  • Átila Cavalcante

    Henrique, eu paguei zero (para testar mesmo) e baixei normalmente hoje pela manhã.

    Não terminei de ouvir ainda, mas gostei muito do que já consegui.

    Abraço!

    PS: depois vou voltar lá e pagar alguma coisa como recompensa pelo bom trabalho! 🙂

  • Átila Cavalcante

    Roberto, também fiquei com peso na consciência quando coloquei 0,00 na hora de “comprar”, mas pensei da mesma forma, hehe.

    E também pensei em ir lá depois e pagar – talvez como uma forma de não me sentir mal por baixar sem pagar nada.

  • Henrique: DRM é sempre ruim. Não existe DRM “menos pior”. DRM me trata como ladrão sem direito a defesa. E continuo ignorando a iMusica enquanto ela me tratar como ladrão sem direito a defesa, ainda mais porque não uso Windows e IE.

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