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Quem tem medo de Larrabee?

Ao final do NVIDIA Editor’s Day 2008, não resisti í  tentação e aproveitei a presença dos executivos norte-americanos para perguntar sobre qual seria a posição da NVIDIA diante das recentes informações liberadas pela Intel sobre Larrabee.

Nascido a partir dos estudos da empresa de Santa Clara com os chamados chips many-core, Larrabee surge como um novo tipo de super-GPU que promete ser o iní­cio de um admirável mundo novo para a chamada era da Computação Visual. Ela é baseada em novos paradigmas, como plataformas mais flexí­veis em termos de programação ou 3D com ray-tracing – em vez do atual processo de rasterização – adotado e dominado por empresas como a NVIDIA que, por sinal, também promove a mesma era da Computação Visual í  sua maneira.

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O quadro acima deixa bem claro que para a Intel, o atual modelo de computação gráfica (= Mainstream Graphics) é rí­gido, limitado e ineficiente, e que ele poderia ser substituí­do por algo mais flexí­vel, aberto e eficiente. Mas o que o “Mainstream” acha disso?

Como era de se esperar, a resposta dos executivos da NVIDIA é que ainda é muito cedo para falar bem (ou mal) de Larrabee, porque hoje ele não é diferente de um buraco negro, ou seja, todo mundo sabe que eles existem, ouviram falar de seu poder mas ninguém ainda viu um pessoalmente ao vivo e em cores. Larrabee, por enquanto, ainda não passa de um monte de especificações, promessas e expectativas – e isso é o que não falta nesse mercado.

Bryan Del Rizzo, gerente de relações públicas para produtos de plataformas da NVIDIA, comentou que não é a primeira vez que a Intel vem cantando de galo com uma estratégia “revolucionária” para o mercado e as coisas não saí­ram exatamente como o esperado. Bons exemplos são o bom e velho Itanium, que veio para acabar com o x86 e a computação de 32 bits e acabou mesmo como um produto de nicho, e o suporte í s memórias RAMBUS, cujo conceito de barramento serial era bastante avançado para a época e é até adotado hoje em outras interfaces como o SATA e PCI-E, mas não foi aceito pelo mercado que preferiu manter-se fiel ao DDR, o que deu até fôlego para a concorrência pular na frente em termos de desempenho e isso por vários anos.

Nick Stam, diretor técnico de marketing, também fez algumas observações com relação ao uso do ray-tracing, cujas vantagens são evidentes em termos de qualidade de imagem, mas que exige um tremendo esforço de computação para executá-lo. Stam afirma que a NVIDIA investiu anos e anos em P&D na tecnologia de rastering e que alguns de seus drivers possuem mais de 2 milhões de linhas de código, de modo que mudar de um modelo para outro não é algo tão simples assim. Ele acredita numa abordagem mais “evolutiva”, onde as tecnologias de rastering e ray-tracing convivam lado a lado por um bom tempo e até se combinem em certas aplicações e que, aos poucos, tudo passe para ray-tracing. Ele não tem dúvidas que essa seja a tendência para o futuro, mas não exatamente para o ano que vem ou o próximo.

Para mim, esses comentários também mostram a crença da NVIDIA no valor de suas idéias e quanto isso deve ter custado para chegar onde estão hoje.

Numa conversa informal com Matt Wuebbling, gerente de placas-mãe da NVIDIA, perguntei-lhe sobre os chips controladores da sua empresa que são usados na nova plataforma Skulltrail da Intel, viabilizando assim o uso da tecnologia SLI nesses produtos. Segundo ele, a NVIDIA criou um produto especí­fico – conhecido como chip N100 – que é fornecido exclusivamente para a empresa de Santa Clara. Assim foi possí­vel transferir a funcionalidade dos produtos NVIDIA para seu parceiro sem ter que revelar muitos detalhes técnicos sobre seu funcionamento.

Por causa disso, Wuebbling não vê muito sentido na criação de um padrão SLI “genérico” onde placas-mãe SLI da NIVIDIA pudessem aceitar placas de ví­deo Crossfire da ATI e vice-versa. Sob um certo ponto de vista, manter essas tecnologias sob controle é um tipo de vantagem competitiva.

Resumindo: Por enquanto, para a NVIDIA, business as usual e todo mundo circulando porque desse mato não vai sair coelho!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Mário,

    A reportagem está ótima! Mas ultimamente tenho notado diversos erros de digitação nos post aqui do Zumo.

    Abraços,

    Túlio Magno

  • Oi Túlio
    a culpa é do Notepad do Nagano… já até ofereci uma cópia do meu Office 2007 pra ele, mas ele se nega a usar software moderno! 🙂
    em tempo: já editei a nota.
    []s

    H

  • E pra que eu preciso dessas modernagens para escrever texto puro na Web? O problema é que meu Windows está em inglês e ainda não cometi todos os erros possíveis para treinar meu corretor ortográfico bretão dereito (ops!) direito.

    De qualquer modo, peço desculpas pelo transtorno e obrigado pelo aviso.

    ‘nuff said.