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Qualcomm inaugura Centro de Referência de IoT no Brasil

Localizado no Smart Campus da Facens de Sorocaba, o primeiro projeto será uma câmera com tecnologia de IA para uso em cidades inteligentes.

A Qualcomm Techonologies Inc. inaugurou ontem o seu primeiro Centro de Referência de Internet da Coisas no Brasil em colaboração com a Facens (Faculdade de Engenharia de Sorocaba), com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da inovação tecnológica do Pais.

Esse novo centro fica no chamado Smart Campus da Facensum espaço criativo que se auto denomina um laboratório vivo, que busca solucionar problemas reais, conectando a comunidade acadêmica, mercado e sociedade, por meio de projetos que tornam as cidades mais humanas, inteligentes e sustentáveis…

… ou seja, uma instituição que investe pesado no (bom) relacionamento entre a empresa e a escola na forma de parcerias estratégicas onde as empresas contribuem na forma de equipamentos e know-how para a instituição que, por sua vez…

… além de transmitir esse conhecimento para seus alunos também abre o seu espaço para que as empresas parceiras também realizem atividades próprias, como treinar funcionários e clientes, além de usar a infraestrutura do smart campus como uma espécie de campo de provas para desenvolver novos produtos e idéias dentro de um ambiente controlado.

Tais características por sinal — de um certo modo — ajudaram a determinaram o tema do seu projeto piloto, que será o desenvolvimento de uma câmera de monitoramento com recursos de visão computacional para uso em cidades inteligentes com tecnologia desenvolvida no Brasil.

Para isso, essa iniciativa também contará com o apoio do CPqQ como parte da estratégia do governo federal para o desenvolvimento da tecnologia de IoT no País.

E por que simplesmente não trazer uma câmera de fora?

Isso pode até parecer algo simples, mas a idéia neste caso é de desenvolver um produto sob medida para a realidade brasileira, capaz de funcionar de maneira ininterrupta 24/7 além de ser robusta o suficiente para suportar as intempéries do tempo e até funcionar de maneira autônoma caso ela perca sua conexão com a central de controle que pode ser com ou sem fio e, neste último caso usando a tecnologia de rede celular disponível no local, seja ela 2G, 3G ou 4G.

Segundo Steinhauser, da Qualcomm, o desenvolvimento de um hardware local pode baratear significativamente o seu custo por não ter que pagar royalties para empresas fora do País. Fora isso, o executivo afirma que existem empresas locais (não confundir com empresas de fora com filial por aqui) capazes de se envolver em todos os estágios da cadeia de valor desse projeto, o que faz com que um programa dessa envergadura seja um grande incentivo para a indústria nacional sem ser necessariamente ufanista.

Quando questionamos se essa câmera seria desenvolvida ao redor do novo QSiP para IoT que a Qualcomm vai produzir no Brasil, Steinhauser afirmou que não porque esse produto não seria potente o suficiente para rodar essa aplicação…

… em especial no casos das rotinas de inteligência artificial já que a idéia é que a câmera seja capaz de reconhecer carros e ler suas placas de identificação de maneira rápida e eficiente utilizando sua capacidade de processamento local, ou seja, sem depender de processamento na nuvem.

De fato, a empresa revelou que no projeto dessa câmera será utilizado a plataforma móvel Snapdragon 820:

E isso é só o começo, já que a idéia é que a câmera seja capaz de receber outros recursos como contar objetos e a partir disso tomar certas decisões como por exemplo, controlar o tempo do sinal verde de uma via baseada nas condições do tráfego analisadas pelo ponto de vista da câmera (no sentido mais exato da palavra). Fora isso existe um grande potencial de uso desse equipamento em sistemas de segurança.

Um exemplo bem curioso citado na coletiva de imprensa foi o uso de câmeras inteligentes na localização de pessoas, ou seja, em vez das câmeras “burras” de um sistema simplesmente captarem cenas e enviarem suas imagens para serem analisadas numa central de monitoramento, no caso de uso de câmeras inteligentes, essa mesma central pode enviar apenas o perfil da pessoa procurada para todas as câmeras que, por sua vez, ganham a capacidade de identificar o indivíduo por elas mesmas e só enviar o alerta de localização de volta para a central.

E a medida que esses sistemas tornem-se cada vez mais elaborados, a câmera inteligente talvez nem precise depender apenas de reconhecimento facial, podendo utilizar atributos adicionais, como por exemplo a maneira como o procurado anda.

Bônus TrackUma (visita rápida) ao IoT Reference Center

Assim como outras empresas parceiras do Facens o IoT Reference Center da Qualcomm ocupa um espaço no campus da faculdade…

… formado por apenas dois ambientes: A sala de treinamento propriamente dita…

… e um laboratório de software equipado com alguns computadores…

… e bancadas usadas para montar alguns experimentos e provas de conceito:

… pode parecer pouco, mas se levarmos em consideração que boa parte do desenvolvimento será em cima de conhecimento, essa infraestrutura não precisa necessariamente de equipamentos pesados, caros e cheio de botões/luzinhas piscando para todo lado. Note também que esse espaço não é exatamente uma sala de aula para dezenas de alunos já que, pelo menos por enquanto, IoT ainda não é uma matéria regular na grade nos cursos da escola.

De qualquer modo alguns alunos já desenvolvem alguns projetos baseados em visão computacional neste espaço, sendo que dois deles foram apresentados para o público presente.

A primeira delas era uma câmera capaz de reconhecer a presença de pessoas dentro do ambiente, acionando assim uma lâmpada…

… já a segunda demonstração era de uma câmera de drone que monitorava a ocupação/uso de um estacionamento:

Quando questionamos se um sistema com alguns sensores e relês não poderiam fazer o mesmo serviço, um representante da Qualcomm explicou que sim se a aplicação se limitasse a isso, mas que a grande sacada do uso de câmeras em vez de sensores é que ela pode aprender novos truques bastando apenas “ensiná-la”.

Por exemplo, no caso do estacionamento no caso de uma ampliação no número de vagas será preciso um investimento adicional em sensores e atuadores para monitorar essa nova área. No caso da câmera inteligente isso não é necessário, já que para ela olhar 10 ou 20 vagas, o trabalho é praticamente o mesmo, fora a capacidade da mesma poder olhar e identificar outras coisas, como por exemplo identificar e reservar uma vaga vazia passar essa informação para um cliente que está chegando no local, ou alertar que um motorista “normal” está ocupando uma vaga para cadeirante ou mesmo de idoso.

O mesmo poderia ser dito do sensor de iluminação, já que a câmera poderia ser treinada para diferenciar pessoas de outros transeuntes como gatos e acender a luz apenas para aquela espécie que reconhecidamente não enxerga bem no escuro.

Resumindo, tratam se de experimentos simples, mas que podem crescer à medida que os desenvolvedores dominarem melhor essa tecnologia.

Legal né?

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.