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Qualcomm: Brasil será quarto maior mercado de smartphones em 2017

A Qualcomm vislumbra um futuro onde dispositivos eletrônicos se comunicam via conexão sem fio com direito a uma “torre de celular” doméstica. E comenta sobre o crescimento dos smartphones no Brasil.

Durante um evento da Qualcomm que ocorreu ontem (14/ago) aqui em São Paulo, participamos de uma pequena mesa redonda com dois executivos da casa para falar sobre a empresa, o mercado brasileiro e o desafio de prover uma conexão de boa qualidade para todos os usuários a qualquer hora e em qualquer lugar. Para falar sobre isso estiveram presentes William F. Davidson Jr., VP sênior de estratégia e operações, e Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm Latin America.

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Segundo os executivos, a Qualcomm é uma das forças que estão impulsionando o mercado para uma nova era (pós-PC?) onde viveremos cercados por um ecossistema digital interconectado e sempre online. E uma das facetas mais conhecidas desse novo mundo são dispositivos móveis como os smartphones que precisam contar com uma boa capacidade de processamento sem comprometer sua mobilidade. Segundo a Qualcomm, estima-se que as vendas acumuladas desses aparelhos até 2017 deva chegar na faixa dos 7 bilhões de unidades ou quase um aparelho para cada ser humano que vive na terra.

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E para atender a esse mercado, a Qualcomm oferece a sua família processadores Snapdragon,disponível em diversas séries e modelos que integram desde modelos de entrada até topo de linha.

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Segundo Steinhauser, o sucesso do Snapdragon foi uma combinação de um bom projeto somado a um pouco de sorte, já que esse chip não tinha sido feito para ser usado em smartphones, mas quando esse mercado explodiu eles tiveram condições de adaptá-lo para essa plataforma, e o resto da história todo mundo já sabe:

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Segundo Steinhauser, um chip móvel é um componente bem mais complexo do que a versão para PC, já que a unidade de processamento ocupa menos de 15% de toda sua pastilha de silício que poderia ser melhor descrito como um SOC (System On a Chip) intregrando diversos componentes como processador gráfico (um design original baseado em tecnologias adquiridas da AMD), sensores e controladores diversos e o mais importante: um modem sem fio (Wi-Fi, LTE 4G, bluetooth e até FM) integrado no chip, por sinal uma especialidade da casa. Esse por sinal é uma característica interessante desses projetos, já que esses chips são um agregado de diversas tecnologias próprias e licenciadas, o que agiliza a sua atualização e desenvolvimento.

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Com relação ao Brasil, a empresa considera um mercado estratégico e que deve se posicionar como o quarto mercado de smartphones até 2017, de fato Steinhauser citou alguns números de pesquisa que indicam que o número de vendas de smartphones ultrapasse o de featurephones já no início de 2014.

Ele explica que boa parte deles serão adquiridos pela nova classe-C que terá o seu primeiro acesso (pessoal) a internet por meio desses aparelhos. Para isso, a Qualcomm está apoiando e incentivando os fabricantes locais como a CCE, Gradiente, Positivo, Philco e Semp-Toshiba a desenvolverem e colocar produtos cada vez melhores e mais acessíveis utilizando sua tecnologia (duh!). Um bom exemplo desse esforço é a nova linha Motion da CCE.

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Mas isso leva a um grande desafio para as operadoras, já que, com esse aumento de vendas, estima-se que o número de usuários de redes 3G/4G nos países emergentes deva saltar de 1 bilhão em 2012 para 3 bilhões em 2017 — um crescimento de mais de 190%. No Brasil existe uma demanda reprimida (ou seria dormente), já que pesquisas mostram que que 2/3 dos usuários de smartphones no Brasil não possuem uma assinatura (regular) de dados, acessando a Internet apenas via Wi-Fi ou por meio de pagamento por dia de uso no pré-pago. Assim, como oferecer uma conexão de dados de boa qualidade a preços atraentes?

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A resposta pode estar na adoção de um modelo híbrido com novas maneiras de oferecer sinal/pontos de acesso que complementem a tradicional torre de celular.

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Para mim, a solução mais curiosa proposta pela Qualcomm é um micro-ponto de acesso (embaixo) que lembra muito um modem ADSL/roteador Wi-Fi só que, quando ligado a uma conexão de banda larga também oferece conexão 3G/4G. Uma  técnica que ela chama de distribuição inside-out deployment:

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A grande sacada dessa solução é que ela permite uma ótima conexão de celular mesmo dentro de locais fechados onde o sinal da torre nem sempre alcança. Fora isso, todo o sinal que “vaza” para fora do ambiente pode ser usado por qualquer usuário que esteja passando pelo local.

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Com isso cria-se um novo tipo de rede local que combina a tecnologia Wi-Fi e 3G/4G em um único equipamento sendo que estas últimas podem utilizar a mesma infraestrutura de banda larga já instalada de modo que o smartphone pode mudar de uma rede para outra de maneira transparente, garantindo assim uma melhor experiência de uso.

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Quando perguntado quem pagaria por o que nesse novo ponto de rede 3G/4G, Steinhauser explicou que o modelo de negócios é bastante flexível. Por exemplo, uma operadora poderia incorporar essa tecnologia em seus modems de cabo ou ADSL e distribui-los entre seus assinantes como um serviço agregado (recepção perfeita de celular) ou mesmo um bônus como fazem hoje com os modems com Wi-Fi “grátis”. Também existe a possibilidade do usuário comprar esse modem “desbloqueado” numa loja e permitir que sua operadora de celular utilize o mesmo para distribuir sinal para fora da sua casa em troca de um desconto na conta telefônica.

E isso sem falar que as operadoras podem instalar esses pontos por sua conta em locais públicos como bares e restaurantes, shopping centers, estádios,  estações de trem, pontos de ônibus, eliminando assim pontos cegos onde o sinal do celular não chega.

Interessante observar que esses pontos podem ser gerenciados remotamente pelas operadoras, de modo que alguns deles podem ser ativados/desativados para evitar o problema de um ponto interferir no outro ou mesmo ativar um no caso de outro parar de funcionar.

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Como diz a empresa, as possibilidades são infinitas. 🙂

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.