Qbex X-Gold e X-Gray: dois smartphones com Intel “SoFIA”

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Sem fazer muito barulho, a Intel e a Qbex lançam no Brasil os primeiros aparelhos equipados com o novo chip Atom X3-C3130.

Qbex X-Gold / Qbex X-Gray

No meio de tantos lançamentos de smartphones nesses últimos meses, é de se esperar que um ou outro anúncio menor passe desapercebido pelo nosso radar. E tem dois aparelhos bem curiosos: o X-Gold e X-Gray, da Qbex, mais conhecida pela sua linha de desktops, notebooks e tablets de varejo e que também está entrando no segmento de mobilidade, provavelmente com um empurrãozinho da Intel.

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Anunciado no fim de setembro, o X-Gold e X-Gray são modelos que a Qbex descreve como “fashion”.

Mas fora os tons reluzentes, tratam-se de aparelhos 3G até que bem singelos para os padrões atuais — ou seja — ambos vem equipados com chip dual core Intel Atom X3-C3130 de 64 bits e 1 GHz, 1 GB de RAM (boo!) de 16 GB de memória de armazenamento interno, GPU Mali 400 MP2, tela LCD IPS de 5 “ com resolução HD (1.280 x 800 pixels), câmera frontal de 2 MP e traseira de 8 MP, Wi-Fi, bluetooth e bateria de íons de lítio de 2.000 mAh. Segundo a fabricante, sua autonomia estimada é de aproximadamente 8 horas de conversação e até 360 horas em stand by — e fora a cor não existem diferenças entre os modelos X-Gold e o X-Gray.

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O aparelho aceita até dois cartões SIM e possui um slot para cartões micro-SD  que expande a capacidade de armazenamentos dos seus 16 GB internos. Seu sistema operacional é o bom e velho Android 4.4 e seu preço sugerido é de R$ 599. Mais informações no site da empresa.

Até aqui nada demais, já que o que realmente nos chamou a atenção desse lançamento é que eles usam o novo (e meio ignorado) chip Atom x3-C3130 (codinome “SoFIA“)…

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…o primeiro SoC (System on a Chip) de 28 nm da casa a integrar um modem 3G a sua unidade de processamento, resultando assim numa solução de menor custo, ideal para a fabricação de aparelhos de entrada e sem muita frescura para os mercados emergentes. Embaixo, podemos ver o diagrama de blocos do X3-3130 com o seu transceptor de RF A-Gold 620:Atom_x3_C3130_diagram

De fato, a linha X3 é formada por mais dois chips quadcore que ainda não chegaram ao mercado: O X3-C3230RK produzido sob licença pela RockChip e o X3-C3440, um SoC ainda mais poderoso equipado com modem 4G e talvez o único da linha em condições de tentar morder o calcanhar da Qualcomm. Suas especificações mais detalhadas estão na tabela abaixo:

Qbex_X_Gold_X3_SoFIA_specs

Durante o último IDF15 o pessoal de Santa Clara manteve-se irritantemente quieta sobre qualquer novidade relacionada a sua linha de chips para smartphones. Isso pode estar relacionado realmente à falta de novidades — já que o SoFIA tinha acabado de chegar ao mercado — ou até mesmo uma consequência da saída de Mike Bell da companhia:

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Reza a lenda que Bell recebeu ordens diretas de Paul Otellini para fazer o que fosse necessário para fazer o negócio de mobilidade deslanchar dentro da Intel. E para isso, ele recebeu um cheque em branco para investir no que fosse necessário e a autorização de chutar o traseiro de qualquer um que estiver empacando o andar desse projeto.

De fato, a coisa realmente andou (de maneira surpreendente, diga-se de passagem), mas também deixou muita gente “dolorida” pelo caminho. O detalhe é que com a saída de Otellini em 2013 e a indicação de BK (Brian Krzanich) para o cargo de CEO, as coisas mudaram de figura e, numa dessas, Bell resolveu sair de cena.

CES2013_Intel_mike_bell_phones

Fato é que durante o último IDF os tablets e smartphones não tiveram tanto destaque como nos anos anteriores, o que pode até levantar suspeitas sobre o futuro dessas plataformas dentro da empresa.

O curioso é que Kirk Skaugen (VP sênior e gerente geral do grupo de Client Computing) deixou escapar na sua apresentação na IFA 2015 que seu grupo está testando phablets com processador Core-M “Skylake” o que pode ser uma indicação de que a Intel pode não estar desistindo e sim reavaliando sua estratégia de mobilidade, partindo até para plataformas ainda mais poderosas do que o Atom.

Mas isso só o tempo dirá.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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