Hands-on: Q posket Lum Urusei Yatsura

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Entusiasmados com nosso sucesso em montar um Gunpla, fomos repetir a dose com outro kit que temos aqui na Zumo-caverna…

… uma figura da personagem Lum da série Q posket lançada pela Banpresto em comemoração aos 40 anos da franquia Urusei Yatsura o primeiro grande sucesso da quadrinhista Rumiko Takahashi que iniciou essa série em 1978 quando ainda estava na faculdade.

O que é Q posket?

Q posket é uma coleção de figuras de vinil cujo nome é vem de “Q” (Quality) e “posket” que parece ser um jogo com as palavras “poski” (bochecha em finlandês) e “pocket” (bolso em ingles) ou seja, uma pequena figura fofa de alta qualidade que segue uma longa tradição da indústria de brinquedos do Japão de produzir figuras irritantemente adoráveis capazes de abalar o orçamento de qualquer colecionador aficionado.

Entre outros exemplos desse tipo de produto está o Nendoroid da Good Smile Company cuja especialidade é o estilo super deformed

… e a Figma da empresa Max Factory que produz figuras mais fiéis aos originais:

Talvez o mais próximo que o ocidente chegou desse mercado é a Funko apesar de que eles priorizam no seu estilo “Funko”, enquanto que o forte do Nendoroid é o visual “kawaii” e a Figma investe na “coisa real”:

Já a Q posket me parece ser uma mistura de Nendoroid com olhos grandes e expressivos que até lembram uma Blythe Doll:

O interessante é que ela foca mais em personagens femininas e investe pesado em franquias do ocidente, como Harry Potter, DC (Justice League, Batman, Supergirl) e especialmente Disney o que até facilita a sua entrada em outros mercados:

E para deixar os colecionadores loucos, a Banpresto ainda oferece esses personagens em duas versões: A “normal” e a “especial” com um padrão de cores diferenciado, mais puxado para tons pastéis:

De um certo modo, essas figuras não deixam de ser uma representação tridimensional de uma estética conhecida como Moe-kei (萌え系) — que poderia ser traduzida como “estilo Moe” sendo que “Moe” é um termo meio exotérico (para não dizer intraduzível) que ficou notório na cultura otaku por descrever uma sensação de fascinação e afeto (meio platônico) por algo belo e normalmente feminino ou seja, não existe um “carro moe”.

Mais sobre isso aqui.

Mas voltando ao que interessa…

Como sou fã de Takahashi, eu tinha adquirido esse Q posket na época do seu lançamento, só que ele ficou parado aqui na Zumo-caverna por simples falta de tempo.

Mas depois da experiência adquirida na montagem do Gunpla do Gundam Mk-II A.E.U.G. Prototype Mobile Suit RX-178 pegamos coragem e resolvemos também montar essa figura:

Antes de mais nada, abrimos a embalagem plástica que abriga as peças…

… e notamos que esse kit da Banpresto não é tão complexo quanto o da Bandai, de fato ele nem vem com guia de montagem, o que nos força a usar a nossa mente criativa e multidimensional para imaginar como resolver esse quebra-cabeças:

E depois de uma cuidadosa analise as peças, chegamos a conclusão que a junta do pescoço deve se encaixar com a base da cabeça, de modo que com um pouco de habilidade e uma leve pressão neste ponto…

Ah sucesso!!!!

Ai só restou encaixar o pino de suporte no pedestal…

… colocar a figura da Lum sobre a mesma e a montagem está finalizada!

E ai… Simples né? — Não ficou bacana?

Boy I’m a ginius! ???

Bonus Track

Apesar do seu grande sucesso, Urusei Yatsura talvez seja mais conhecido no ocidente por causa do seu animê do que pelo mangá propriamente dito.

Fora algumas iniciativas na Europa, nos EUA, a Viz Comics (atual Viz Media) tentou lançar esse título por duas vezes nos anos 1990 e fracassou em ambas porque tentou empurrar para o mercado americano uma série em capítulos semanais no formato comic mensal, de modo que muitos leitores simplesmente se cansaram de acompanhar uma série tão longa num ritmo tão devagar.

Fora isso, por ser a primeira grande obra de Takahashi, sua habilidade como mangaka ainda não estava bem madura, de modo que suas primeiras estórias não eram lá grande coisa e, para ser sincero, apesar da energia e dos ritmo aloprado, demorou um pouco para que a poeria assentasse e elas ganhassem ritmo e se tornassem realmente boas e agradáveis de ler.

Isso de um certo modo é aceitável no contexto do mercado japonês onde as séries de mangá são primeiro publicadas em revistas semanais junto com o trabalho de outros artistas, o que faz com que, na média, as estórias “boas” ajudem a sustentar as “ruins” por algum tempo, não comprometendo assim a vendas nas bancas já que um leitor assíduo não vai deixar de comprar seu mangá semanal por causa de uma ou outras estória que ele não goste.

O curioso é que o leitor japonês não costuma colecionar essas revistas semanais devido ao seu grande volume e papel de baixa qualidade preferindo adquirir as coletâneas (= tankobon) que são publicadas regularmente a medida que um certo número de capítulos semanais já foram publicados.

Isso também cria para as editoras uma segunda fonte de renda regular e perene, já que esses tankobons são reimpressos dezenas de vezes, até ganhando novas capas e diferentes formatos para dar uma recauchutada no visual, já que o conteúdo é praticamente o mesmo:

American Manga

Já essa fórmula não funciona direito no comic americano onde cada revista contém no geral apenas uma estória e, se ela for ruim ela encalha na banca — simples assim.

Daí, os primeiros editores de mangá nos EUA tinham que se virar nos 30 para manter todas as suas edições interessantes mesmo que tivessem que mudar alguma coisa da série — caso do Lobo Solitário da First Comics (que também saiu no Brasil pela Cedibra), onde o sexto episódio foi publicado no primeiro número.

Já no caso de Urusei Yatsura a Viz cortou tantos episódios que apesar dela ter chegado até o volume 11 da versão japonesa, o conteúdo publicado mal completava 9 volumes.

Diante de tantas complicações, a Viz resolveu jogar a toalha e partiu para outras séries.

De um certo modo a conturbada jornada de Urusei Yatsura nos EUA é parecida com a folclórica “maldição de Ranma” no Brasil. Algo que só se resolveu em 2009 quando a editora JBC publicou a série na íntregra de cabo a rabo.

Depois disso, a Viz nunca mais falou em Urusei Yatsura até o ano passado, época em que anunciou que iria relançar esse título no formato “omnibus” ou dois tankobons em um volume de ~400 páginas num tamanho maior, sendo que o primeiro deles chegou em meados de fevereiro de 2019, podendo até já ser encontrado no Amazon do Brasil:

わい わい!!!

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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