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Preview: Windows 8 em português

Em um mês, a Microsoft começa a vender o Windows 8 para o consumidor final. É uma mudança radical, a ponto de a turma de Redmond ter de incluir um vídeo ensinando o consumidor os atalhos básicos do sistema (como já ocorreu com o Windows XP em 2001).

Motivo? O Windows 8 pede, de maneira bem gritante, que seu consumidor o toque na tela. Mas, calma, não se desespere: ainda dá para usar mouse e touchpad sem muitos problemas.

Instalei a versão RTM (que é a final enviada para os fabricantes de computadores) do Windows 8 Pro em português em um Mac Mini (Intel Core i7 de 2,7 GHz, 4 GB de RAM e mouse e teclado para fazer funcionar direito e conseguir capturar as telas) e compartilho as primeiras impressões do novo sistema a seguir.

Conversei esta semana ainda com Robin Goldstein, chefe de engenharia de software na Microsoft, que me ajudou a tirar algumas dúvidas sobre o uso do sistema novo e deu boas dicas para aprimorar a experiência do usuário (e falou sobre o tal vídeo-tutorial que virá na versão final para o consumidor).

Se você foi uma das poucas pessoas a usar um smartphone com Windows Phone 7.x, o Windows 8 não é nada mais que uma evolução para o computador e a tela grande.

A Área de Trabalho ainda está lá a um clique (lembre que o Win8 tem duas interfaces: a do Windows 8, acima, e a velha Área de Trabalho), o botão Iniciar foi extinto e o grande truque agora – com ou sem toque – é usar os cantos da tela para se organizar e se encontrar:

  • no lado esquerdo da tela, para alternar/fechar programas.
  • canto esquerdo inferior: voltar para a tela principal do Win8 (pense como o botão Iniciar).
  • canto direito inferior: organizar os programas da tela principal em grupos e renomeá-los (tela abaixo).
  • lado direito da tela: acessar configurações do sistema, desligar o computador.
  • tecla Windows: voltar ao programa anterior em uso.
  • no mouse: botão de rolagem “navega”para a direita e esquerda em painéis/telas mais amplos.
  • no trackpad: drivers da Synaptics genéricos para Windows 7 funcionam bem no Win8 e uma versão final deve ficar pronta a tempo do lançamento.

E o velho truque de arrastar e soltar ainda existe:

Como não existe mais menu Iniciar, também não existe mais o menu de Aplicativos: nem precisa. A busca integrada do Windows 8 é automática e, apesar de poder organizar/ver apps em lista, basta teclar a primeira letra do programa para encontrá-lo. Simples e eficiente.

Outra grande novidade é a integração do sistema operacional com sua conta da Microsoft (Hotmail/MSN/Outlook). Mesma senha, mesmos processos. Algo similar que a Apple fez em relação à App Store do Mac OS X para baixar apps (mais sobre a loja abaixo). Mais usuários, mais contas da Microsoft necessárias – ou como manter controle sobre tudo que é baixado e instalado na sua máquina.

Na questão da segurança, a Microsoft diz que os aplicativos do Windows 8 rodam em ambiente sem acesso a recursos essenciais do sistema e que toda requisição adicional (como acesso à câmera, por exemplo) precisa de aprovação do usuário.

Como o Windows Phone (e o vindouro Windows Phone 8), a experiência é centrada no usuário do computador, personalizada (calma, turma de TI: existem controles corporativos para isso). Como sua página pessoal, que centraliza suas informações…

…as notificações de aplicativos que te citam…

…e sua vontade de manter suas pessoas/contatos/coisas favoritas a um clique de distância da tela inicial.

Multitarefa também funciona bem e dá para dividir a tela em apps em uso (no meu caso, com resolução 1920×1080, não dá problemas, mas talvez em telas menores…)

(os atalhos alt-tab/windows-tab continuam valendo, por sinal)

E finalmente temos a loja. Ainda com poucas opções de downloads, acredito que é o ponto principal para ter uma fonte segura de downloads e atualizações, estilo iOS/Android/Windows Phone, e o começo do fim dos sites de download (já vão tarde) – uma vez que o desenvolvedor de apps começa a oferecer em um local só (e ganhar dinheiro com isso), não vejo muito futuro para locais alternativos de download (e mais um passo para o fim do CD/DVD como mídia para distribuição de software).

A Microsoft promete mais de 40 jogos para o lançamento do Windows 8 na loja (maioria desenvolvida pela própria Microsoft para Xbox) e maior apoio de desenvolvedores. Hoje, temos alguns exemplos bacanas, como o Fresh Paint…

E o Tweetro (cliente para Twitter).

Mas vários apps já vêm instalados com o Windows 8 e já usam a nova interface do sistema, como o cliente integrado de e-mail (igualzinho ao Outlook.com, por sinal), com suporte a contas Microsoft, Gmail, entre outros.

A previsão do tempo (lembra do botão de scroll do mouse? aqui ele é bem útil!)

E o lindo aplicativo de Viagem.

O navegador padrão é o Internet Explorer 10, que mantém o visual padrão quando usado na Área de Trabalho (igual ao do Windows 7) e muda para uma interface tela cheia no modo Windows 8.  A Microsoft diz que é o mesmo navegador para as duas interfaces, e que é para não confundir o consumidor acostumado com o IE antigo.

O que é legal nele? o modo de navegação para a página seguinte (só clicar na setinha no canto inferior direito). Está lendo um post do ZTOP, por exemplo, e quer ler outro? Só clicar. De qualquer modo, não me convence a continuar a usá-lo (Chrome roda, mas só no modo Área de Trabalho).

A Microsoft diz as duas interfaces são parte do mesmo navegador e que isso foi feito para manter a experiência do desktop (para uso com teclado e mouse) e do toque (na interface Windows 8). Soa confuso? Sim.

Quem quiser mais controle sobre os recursos e configurações da máquina deve seguir para a Área de Trabalho (presente em um grande ícone no menu principal). Para voltar? Canto inferior esquerdo atua como “botão Iniciar” – o resto continua igual.

E é meio maluco pensar que existe o Painel de Controle “completo” no desktop:

E um painel similar-porém-mais-básico na interface Windows 8 (acessível pelo canto direito da tela). Pense que o desktop redefine o sistema, e essa aqui suas personalizações básicas.

O velho e bom recurso de informações do sistema continua lá (só 5,5 por um Core i7 no Índice de Experiência de Usuário?)

Mas mesmo o desktop renovado – mesmo com esse visual chapado e sem sombras – tem algumas novidades. Gostei do novo pop-up para cópia de arquivos, que permite pausar e interromper o processo.

E do novo Gerenciador de Tarefas, agora mais completo e profundo.

O Windows Update aparece também na interface Win8:

E, crianças, não tentem isso em casa com mouse e teclado, mas esse modo de bloqueio de tela para telas touch usando imagens (crie traços para gerar o padrão) é sensacional. Mas só quando os tablets Win8/RT chegarem, daqui a um mês.

A pergunta do milhão: dá para usar no dia a dia?

Sim. A mudança de interface é radical, e quem já está acostumado com o Windows vai chiar (você, suporte técnico de mãe, pai e tios, prepare-se). Por mais que a Microsoft diga que a interface nova é fácil (e é), é um salto grande em relação ao que era feito antes. É mais previsível aguardar consumidores irados pedindo para voltar ao Windows 7 (lembram do caso Windows Vista? Então, só que agora é com um OS melhorado). Se você pensar que até a Intel se preocupa com isso, a coisa é séria. Dá vontade de tocar na tela usando o sistema (e nada como adicionar um recurso de hardware para subir o preço do seu notebook, não?)

De qualquer modo, o Windows 8 marca a grande transição da Microsoft para a era pós-PC. Seu novo sistema operacional é feito para PCs e altamente otimizado para tablets e telas sensíveis ao toque, e é aqui o grande (ao meu ver) salto da turma de Redmond. Ficaram razoavelmente quietos com o crescimento do iPad e seu domínio dos tablets e nessa área a Microsoft tem ao seu favor a falta de competência do Google em adaptar o Android de maneira decente para esses dispositivos (Android é incrível no celular, porém).

O outro truque na manga da Microsoft é o Windows RT, feito para rodar em processadores ARM e que vai (espero) nos levar a um novo patamar de mobilidade com baterias de longa duração, 3G e Wi-Fi embutidos e “sem aquecimento” (nas palavras da engenheira da Microsoft). Com a mesma interface, mais um bom navegador e o pacote Office instalado, tem tudo para dar certo – se o preço ajudar.

As diferenças do RT ficam na incompatibilidade de drivers antigos (e nem todos os atuais vão funcionar no começo) e de aplicativos antigos também incompatíveis (feitos para X86; apps novos feitos para Windows 8 vão rodar). Como disse, tudo depende de preço e também de desempenho (a Microsoft e nenhum fabricante de hardware liberou ainda para testes um produto com Windows RT, e a MS não deixa chegar perto do Surface que, olha só, já até passeou pelo Brasil).

Vale lembrar que os grandes fabricantes mostraram suas armas com Windows 8 na última Computex, em Taipei, e na IFA, de Berlim (e mais por vir). Agora, é esperar os preços da licença do pacote completo e o que os vendedores de hardware (incluindo a própria Microsoft com o Surface) vão oferecer e cobrar – saberemos disso no dia 25 de outubro, quando a Microsoft fará o lançamento para imprensa brasileira em São Paulo (e mundial em Nova York). A atualização do Windows 7 para o Windows 8 em máquinas novas custa R$ 29 para computadores comprados entre 02 de junho/12 e 31 de janeiro/13.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin