Preview: Galaxy Note 10 (e 10+)

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A linha Galaxy Note 10, da Samsung, cresceu. Agora, além de apenas um modelo por ano, são dois – o Note 10, com tela Full HD de 6,3 polegadas, e o Note 10+, com tela Quad HD de 6,8 polegadas, anunciados hoje em Nova York.

A lógica por trás dos dois modelos segue a mesma estratégia adotada pela Samsung na série S10, compartilhando a mesma configuração geral e uma ou outra diferença no irmão maior (mais RAM e armazenamento, bateria, resolução de tela e um sensor a mais na câmera, em resumo).

A própria Samsung comenta que a existência de dois modelos significa expandir seu público-alvo da linha Note, até então o pessoal já viciado em usar a canetinha (como eu) e um mercado mais profissional, digamos assim. O modelo Note 10+ é pensado em quem procura desempenho máximo, e o Note 10 para novos consumidores que podem conhecer essa experiência de usar a canetinha S-Pen.

Nas apresentações da marca aqui em Nova York, o termo do momento é que a nova linha Note é voltada para os “slashies” – pessoas que têm mais de uma profissão ou forma de atuar na vida adulta (como eu, jornalista/editor de newsletter/blogueiro/dublê de fotógrafo). Lembrando que, em inglês, o símbolo da barra “/” é chamado de… slash, logo slashies faz mais sentido em inglês.

Então, para atender a esse público de diversos interesses e papéis pessoais e profissionais na vida, o Note 10 vem com processador Samsung Exynos 9825 de 2,7 GHz (nos modelos a serem vendidos no Brasil) ou Qualcomm Snapdragon 855, 8 GB de RAM e 256 GB internos para o Note 10 e 12 GB de RAM e 256 ou 512 GB internos para o 10+, carregador rápido de 25W na caixa (um opcional de 45W será oferecido apenas para o 10+), câmeras similares ao Galaxy S10 – incluindo o sensor Time of Flight apenas no 10+ e baterias com capacidade de 4.300 mAH para o Note 10+ e 3.500 mAH para o Note 10. Só o Note 10+ tem slot para cartão microSD (de até 1 TB).

Diz a Samsung que deixou o leitor ultrasônico de impressões digitais integrado à tela mais rápido e posicionou o sensor um pouco mais para cima, para facilitar o uso (lições do S10, no final das contas).

Existe ainda uma outra versão dos Note 10 compatível com redes 5G e até 1 TB de armazenamento, o que não é ainda o caso do Brasil.

O design dos novos modelos inclui uma tela AMOLED dinâmico quase sem bordas (e sem botão da Bixby, agora integrada a um atalho no botão de liga-desliga), desta vez com o notch no meio da tela (argh) no modo Infinity-O. Ambos virão com três cores principais (branco, preto e a nova cor glow, que é o lindo espelhado colorido mutante na foto acima), com um rosa e vermelho exclusivos do Note 10 e um azul do 10+.

A caneta S-Pen passou por algumas mudanças estruturais – continua conectada por Bluetooth Low Energy como já ocorria no Note 9, mas a Samsung melhorou a bateria interna (promessa de duração de 10h em modo de espera) e adicionou novos recursos ao inserir um giroscópio na S-Pen.

Agora, ela é capaz de controlar gestos no telefone por cliques e movimentos, o que é bem interessante. Diz a Samsung que o SDK da S-Pen será aberto, permitindo a desenvolvedores externos criarem apps compatíveis com os gestos da caneta. A S-Pen também tem sons da caneta escrevendo na tela (felizmente que podem ser desativados).

Os Note 10 rodam Android 9 e agora contam com um novo modo Dex de produtividade, que mostra uma grande mudança de como a Samsung está deixando seus produtos mais abertos para demais plataformas.

O Dex, que começou como um acessório e evoluiu para um modo desktop integrado ao smartphone (basta plugar numa tela com HDMI e começar a trabalhar), agora também pode ser usado direto em um PC ou Mac (!) com o download de um app específico para as plataformas, permitindo arrastar e soltar arquivos, atender chamadas, responder mensagens etc.

Na câmera, sem muitas novidades – são as mesmas resoluções do S10 e S10+, com uma lente ultrawide (16 megapixels) e uma wide e outra normal de 12 megapixels cada. No modelo Note 10+, inclua o sensor Time of Flight para ajudar a medir profundidade de foco.

Entretanto, no modo vídeo o software foi atualizado e agora permite fazer filmes com foco dinâmico, algo que vem do Galaxy A80. Outra bobagem divertida é um upgrade dos doodles animados, agora compatíveis com realidade aumentada – você desenha com a caneta e ele associa a uma ou várias pessoas ou rostos. O sistema também vem com um modo de Gravação de Tela que permite capturar imagens do smartphone com uma caixinha com seu rosto capturado pela câmera frontal.

O áudio foi aprimorado também, agora com um microfone na traseira que permite dar zoom no som em uma gravação de vídeo.

Uma ausência notada (trocadilho incluso) é da saída para fone de ouvido padrão 3,5 mm. A Samsung demorou a seguir a tendência de abolir os fones de ouvido padrão, já presente na Apple e Huawei (para ficar em dois fabricantes apenas). Um fone USB-C será fornecido na caixa do produto, e um adaptador 3,5 mm para USB-C será vendido separadamente.

Passei um tempo ontem mexendo nos dois modelos e cheguei a uma conclusão interessante. Apesar do Note10+ ter câmera melhor (virei fã do sensor ToF por causa do Huawei P30 Pro), o Note 10 “normal” foi o modelo que mais gostei pelo tamanho. Já a câmera frontal é única de 10 megapixels para os dois modelos.

O Note 9 é meu smartphone principal desde novembro, gosto muito dele, porém ele tem algo que me incomoda – é um aparelho grande. Cabe no bolso da calça, mas está sempre no limite.

O Note 10+ tem quase o mesmo tamanho do Note 9 (com tela de 6,4″), e agora ter um modelo menor como o Note 10 permite ao consumidor manter o uso de uma tela grande (6,3″ é grande, afinal) em um modelo de corpo mais compacto. E, por consequência, vai atrair mais gente.

Abaixo, galerias de fotos dos dois novos smartphones da linha Note.

Galaxy Note 10+

Galaxy Note 10

Os dois modelos juntos

Disclaimer: Henrique viajou a convite da Samsung Brasil. Fotos e opiniões são todas dele.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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