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Presidente da Qualcomm vista Unicamp e fala sobre 5G, Fábrica no Brasil, QSIP, Broadcom…

Cristiano Amon volta à faculdade onde se formou e defende um diálogo mais estratégico entre empresa e universidade.

O presidente global da Qualcomm Technologies — Cristiano Amon — está de volta no Brasil para participar de um dos painéis do World Economic Forum on Latin America intitulado Equipping the Smart City of Tomorrow  que aconteceu na manhã de hoje (15/março) junto com outros debatedores como  Jonathan Hursh, Bibop Gresta, Gustau Alegret, Daniel Annenberg e Maria Soledad Nuñez Mendez:

Mas ontem o executivo também aproveitou essa viagem para visitar sua terra natal — a cidade de Campinas — onde ele ministrou a aula inaugural do ano letivo de 2018 na Unicamp, ou mais exatamente na FEEC (Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação) onde ele se formou em 1992.

Seu tema foi “A Revolução Móvel” onde ele falou como a revolução da tecnologia móvel mudou o nosso mundo e trará ainda mais mudanças com a chegada de novas tecnologias como o 5G e a inteligência artificial na forma de novos produtos e serviços cada vez mais disruptivos:

Depois da sua apresentação ele ainda conversou com os alunos e professores onde ele declarou que — pela sua experiência como formado — o nível dos engenheiros da Unicamp é bom, de modo que não sentiu dificuldades quando foi trabalhar na Qualcomm, conhecida por ser “uma empresa de engenheiros”.

Mas com relação ao futuro, ele defendeu a idéia de haver uma maior integração entre a empresa e as universidades na forma de um diálogo mais direto, com o objetivo de estabelecer uma estratégia de médio e logo prazo onde ambas as partes possam se beneficiar mutuamente.

Ele citou como exemplo um encontro anual que acontece na Qualcomm com representantes da UCSD onde eles vão direto ao assunto e perguntam para a empresa em que as áreas de P&D eles podem ajudar, permitindo assim estabelecer um esforço mais direcionado, racional e produtivo.

Essa idéia pode ser particularmente interessante neste exato momento em que a Qualcomm se prepara junto com a USI para inaugurar uma fábrica no Brasil que irá produzir um produto inédito que está sendo chamado lá fora de QSiP (Qualcomm System in a Package)…

… mas que no Brasil já ganhou o apelido carinhoso de “Chipão“…

… sendo que a Unicamp vai ser uma fonte inestimável de mão de obra especializada:

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Durante a coletiva de imprensa que aconteceu logo após a aula, Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm Latin America, explicou que — apesar dele negar qualquer influência do chefe — a cidade de Campinas oferece as melhores condições para receber sua nova fábrica, já que fora a boa infraestrutura local (água, energia, estradas, aeroportos etc.), apoio do governo estadual, proximidade com potenciais clientes (Samsung e Motorola) e até a existência de escolas internacionais para atender aos filhos dos expatriados que virão de fora para trabalhar nessa nova fábrica.

Ainda sobre a nova fábrica, Steinhauser explicou que a Qualcomm é mais a parceira tecnológica e que a USI será a responsável pela montagem e administração da planta.

E como já tinha dito na época da assinatura do contrato, a Qualcomm já está a procura de um local na região de Campinas que pode ser até um imóvel pronto, já que a intenção é de entrar em operação o mais rápido possível — mesmo sem a linha de produção estar pronta — já que bem antes disso, ela poderá realizar outras tarefas, como por exemplo, já testar componentes produzidos em outras fábricas da USI, desenvolver alguns trabalhos de hardware e software, além ajudar os parceiros locais a desenvolver seus primeiros produtos com QSiP.

(Nosso palpite? —  DL, Multilaser e Positivo)

E se tudo acontecer de acordo com o esperado, sua vontade é que os primeiros telefones com essa tecnologia já estejam no nosso mercado até o fim deste ano.

Steinhauser também revelou que espera que sua Plataforma PC Sempre Conectado também chegue no Brasil ainda neste ano, junto com o suporte das operadoras que irão oferecer pacotes de dados sob medida para esse produto:

O interessante é que o QSiP também poderá ajudar a resolver outro problema que as operadoras brasileiras vão ter que enfrentar (se é que já não estão enfrentando) que é de como fazer seus usuários de telefones mais antigos que só funcionam em 2G/3G a migrarem para redes mais modernas como 4G, permitindo assim desativar essas redes abrindo espaço para a futura rede 5G?

A reposta para isso já foi dada pela empresa no ano passado com o lançamento da Plataforma Móvel Qualcom 205 que é um SoC de entrada equipado com um modem modem X5 LTE Cat 4 com suporte para redes HSPA+, GSM, TD-SCDMA, DSDS, VoLTE, compatível com as atuais redes 2G, 3G e 4G e com a tecnologia de voz sobre LTE (VoLTE) e voz sobre WiFi (VoWiFi).

Amon disse que essa plataforma foi utilizada por pela operadora indiana Reliance que lançou  um “Smart Feature Phone 4G” baseado no 205 que serve basicamente para fazer ligações de voz, mas que também roda algumas aplicações populares como Whatsapp e que foi um sucesso absoluto e que também permitiu a essa operadora a trabalhar apenas com redes 4G usando VoLTE sem nenhum legado. O executivo acredita que isso pode ser um exemplo para as operadoras no Brasil de modo que elas possam liberar espectros de onda para instalar redes 4G mais velozes e até se preparar para o 5G.

Sob este ponto de vista o um QSiP equipado com um Qualcomm 205 faz todo sentido, já que você consegue baixar baixar o custo de engenharia e de desenvolvimento, criando assim um smartphone que atenda as demandas do usuário numa faixa de preço que você pagaria hoje por um Feature Phone 3G.

Quando questionado se a tecnologia QSiP também poderia ser utilizada em plataformas mais avançadas como os Snapdragons da série 600/700/800, Amon reconheceu que essa idéia é objeto de debates constantes dentro da Qualcomm, de modo que em vez de dar uma resposta simples, ele preferiu expor o seu ponto de vista sobre isso:

Hoje em dia a resposta é não, porque o fabricante que desenvolve um produto com um dos nossos chips premium tem a sua disposição um grande departamento de engenharia e ele customiza a plataforma, de modo que seria difícil oferecer para essa empresa um módulo capaz de atender as todas as suas necessidades.

Só que essa seria a primeira metade da resposta já que — historicamente falando — todo mundo que apostou contra a integração na indústria de eletrônica, perdeu.

Isso porque com o avanço da miniaturização e do ganho de escala muita coisa se torna possível.

Por exemplo, digamos hipoteticamente que por uma questão de custos, hoje seja possível criar um QSiP com 5 bandas. Só que caso um cliente deseje criar um modelo premium com 30 bandas, esse módulo já não irá servir. Só que, a medida que tecnologia vai evoluindo o custo de fabricação cai a medida que aumenta a escala de produção, pode ser que no futuro qualquer QSiP poderá ter 30 bandas!

Resumindo, no que se refere a tecnologia nada impede a criação de um QSiP premium, mas o que o mercado realmente quer nos dias de hoje é uma solução que simplifique o processo de criar um novo telefone agilizando assim a sua chegada ao mercado.

Mas apesar do tema da coletiva girar em torno da Qualcomm, Unicamp e a nova fábrica em Campinas, é claro que a gente não poderia deixar de perguntar em cores e ao vivo para o Presidente Global da Qualcomm Technologies o que ele achou da ordem presidencial que mandou parar as negociações da sua empresa com a Broadcom que, por sinal, não gostou nada dessa ordem.

Amon explicou que uma das características únicas desse processo é que ele é totalmente público incluindo todas as discussões e posicionamentos — ou seja — para Qualcom a coisa é simples: Todos sabem que se tratava de um processo de aquisição hostil e se tornou parte de uma investigação de uma agência do governo americano, o que resultou numa ordem presidencial que simplesmente acatamos.

Aí divulgamos nossa posição pública e a Broadcom a deles e, para nós, esse assunto está encerrado e bola pra frente!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.