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Power Ball Dendama: A Internet das coisas chega ao bilboquê

Tradicional brinquedo de madeira integra sensores capazes de se comunicar com um tablet e, dai, com o resto do mundo.

Nascido de um programa de inovação e novos projetos da KDDI / Mugen Labo, o Power Ball Dendama é uma inusitada combinação do velho com o novo na forma da implementação da tecnologia IoT (Internet das coisas) num tradicional brinquedo japonês — o kendama.

Power Ball Dendama prototype

Para quem nunca foi apresentado, o kendama é descendente direto de um conhecido nosso — o bilboquê — criado na Europa no século  XVI e que viajou pela rota da seda até chegar ao Japão em meados de 1777, época em que ele se estabeleceu inicialmente como uma brincadeira de boteco — ou “drinking game” — onde aquele que errasse a bola no pino era obrigado a tomar mais uma dose de bebida.

bilboque

A prática do kendama entre as crianças só teve início no periodo Taisho (1912~1916) época em que o precursor da sua versão moderna chegou ao mercado. Sua popularização mesmo só veio depois da guerra, época em que ele junto com o menko (jogo de figurinhas), bidama (bolinha de gude) e o begoma (pião de luta) se consolidaram como brinquedos do dia a dia.

kendama_tradicional

Porém, a grande sacada do kendama é que, ao contrário do bilboquê onde o jogador só tem a opção de encaixar a bola de madeira no pino do cabo (ou vice-versa), na versão nipônica o jogador pode aterrizar a bola nos copinhos laterais e até na base do cabo de qualquer maneira e em qualquer ordem, o que multiplica em muito o número de manobras mirabolantes e movimentos acrobáticos que podem ser feitos com o mesmo, ao ponto dele estar seguindo o mesmo caminho do skate, do iô-iô e até da bicicleta BMX, ou seja, deixar de ser uma brincadeira de criaça para se tornar uma espécie de esporte radical que atrai um número cada vez maior de fãs e praticantes ao redor do mundo:

Interessante observar que em 1975, o Kendama moderno foi bolado pelo escritor infantil Issei Fujiwara que fundou a Associação Japonesa de Kendama (JKA) que padronizou o seu formato e autoriza empresas a produzí-los dentro dessas normas. Esses modelos certificados (como o modelo TK-16 embaixo) podem ser facilmente identificados pelo selo dourado da JKA colado na sua base e é o único permitido nas competições oficiais da entidade. A idéia por trás disso é de permitir que todos os participantes possam competir em condições de igualdade.

Kendama_aozora

Apesar disso, nada impede que outras empresas (dentro e fora do Japão) também inovem criando modelos cada vez mais exóticos com diferentes formatosbola com vários furos, cabo com cinco copinhos, feito de alumínio, que tocam música techno e as curiosas versões com cinco copos (por sinal também certificados pela JKA):

kendama_5_copos

Mas voltando ao que interessa, a grande novidade trazida pelo Dendama é a instalação de sensores de movimento/toque nos pontos de encaixe/aterrissagem da bola, sendo que quando isso ocorre, o brinquedo emite um sinal via bluetooth para um tablet com Android/iOS ou mesmo para outro Dendama.

Power Ball Dendama circuit

O interessante disso, é que ao se saber onde a bola caiu e em que sequência, é possível identificar que tipo de manobra o jogador está executando o que pode ser usado para atribuir pontos baseados no tempo, ritmo, grau de dificuladade, etc.

Power Ball Dendama sensor

Essa tecnologia também permite que dois Dendamas troquem informações entre si, possibilitando assim uma maior interação entre jogadores. Por exemplo, num modo “de batalha” se um deles conseguir fazer uma manobra bem sucedida, isso pode ser informado para o Dendama do oponente por meio de luzes de LED ou um motor de vibração montado no cabo…

Power Ball Dendama sentir

… o que pode ser interpretado como estar atrás no placar ou mesmo um sinal de derrota:

Power Ball Dendama atuar

Fora isso, a conexão e interação com um tablet, abre um horizonte para inúmeras aplicações, como uma App para aprender e treinar novas manobras, sendo que a ordem e o ritmo dos encaixes pode ser determinado pelo tablet e enviado para o Dendama que interpreta o mesmo na forma de luzes de LED montados nas extremidades do brinquedo, sendo que o sucesso (ou fracasso) das manobras também pode ser enviado para o tablet para avaliação e pontuação.

Power Ball Dendama treino

Porém a aplicação mais bacana vislumbrada pelos inventores desse brinquedo é um modo de batalha na forma de um videogame no tablet, onde onde o controlador é o próprio Dendama. Isso permite que dois jogadores localizados em qualquer parte do mundo conectem-se pela internet e joguem uma partida on-line e em tempo real. Se levarmos em consideração que o número de jogadores competitivos de kendama está na casa dos 3 milhões só no Japão (e sem contar o resto do mundo) o potencial dessa aplicação é imensa.

Power Ball Dendama game tablet

Atualmente esse produto está em fase de financiamento no Makuake (um tipo de Kickstarter japonês) onde o Dendama está em pré-venda e já levantou até hoje (15/mar) ~866 mil ienes (~R$ 28,6 mil) dos 990 mil   (~R$ 32,6 mil) almejados pela empresa.

Mais informações no site do Dendama.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Ícaro Lobo 15/03/2016, 14:16

    300 milhões?

    • Mario Nagano 15/03/2016, 19:02

      Ops, falha nossa. São três milhões.

      Brigadão pelo toque.